quarta-feira, abril 01, 2015

ANTI AUTO AJUDA 
“Meu nome é Adolfo, sou jornalista, blogueiro, zineiro e mais umas coisinhas que também terminam com ‘eiro’ e que eu não posso falar aqui”...
Assim começa minha entrevista pro Ândergroundi TV, canal do YouTube que cobriu o lançamento do Viva La Brasa em Itabaiana, cidade do agreste de Sergipe e primeira parada do Verão da Brasa*, tour que já passou por Recife, Olinda, João Pessoa e chega a Maceió dia 11 de abril.
Um dos motivos de fazer turnê, além da óbvia divulgação do trampo, é viajar com minha mulher Gil, ficar bêbado e fazer amor em lugares diferentes. Porque vender livros não é exatamente um bom negócio.
Em “Disgraceland” - apelido carinhoso que Itabaiana ganhou de seus moradores - rolou happy hour na TNT Rock, com o bluesman Ferdinando tocando o repertório do EP 'Sapatos Velhos & Uma Guitarra'. Rendeu uma bebedeira noite adentro e um documentário de 12 minutos. Vendi um livro, comprei 2, mais uns vinis e CDs, saí devendo R$ 150 à casa.
Na semana seguinte fiz o circuito Recife-Olinda, após um hiato de 14 anos. Montei base no apê do meu parça Pierre, tecladista e produtor das bandas Café Preto e Chambaril, e lancei no Café Castro Alves, no Iraq e no Espaço Cultural Seu Bento. No Café não rolou som, bebemos a consumação e partimos pro Iraq. De lá, Olinda com a apresentação da MC Ririca & THC (The Homens Crazy) - projeto da minha amiga e musa local Catarina. Vendi um exemplar pro dono do lugar: Urêa da Academia da Berlinda, que aparece no capítulo da Eddie.
João Pessoa na sequência. Estive lá em 1998, convidado para a MostraZine. 17 anos depois, lanço meu livro na Usina Cultural. Juventude prestigiou e vendi 2, mas comprei outros 2 do cartunista/grafiteiro Shiko. De busão fomos pro Grito Rock no centro histórico de Jampa, com shows alternados na praça, no Pogo Pub e no Espaço Mundo. Desisti de vender e fui beber, assistindo Rieg e Living In The Planet.
Viva La Brasa é um livro de anti-auto-ajuda. "Você pode só piorar sua vida se ler", eu aviso pro Diego do Ândergroundi. O que lucrei nas viagens não paga nem as passagens, penduradas até o fim do ano no cartão.
Daqui a 2 sábados é a vez de Maceió, na 1ª edição do PALMA - Palco da Música Autoral - com 5 bandas da nova geração rock alagoana. Vai ser foda. Só não sei se vou conseguir vender alguma coisa.
*agradecimentos ao realizador Diego Barbosa, ao produtor cultural Jesuíno André, ao meu comparsa Pierre Leite, à toda a família da Catarina e à minha companheira Gil Nogueira 

sexta-feira, março 20, 2015

A JANELA & O POSTE
A menina gira, num movimento sensual. Em seguida, pára no ar desafiando a gravidade. A única coisa que a prende à Terra é um mastro que vai do teto ao chão. Ao ritmo da música, ela evolui graciosamente em todas as direções. Pousa de cabeça pra baixo, pernas pro ar formando um “T”, e num salto fica de pé. É aplaudida, ouve-se assobios. O público está extasiado.
Pole dance é a dança do poste. Ganhou o mundo através de boates e puteiros, imagem muito explorada em filmes de Hollywood, novelas da Globo e clipes de música. Demi Moore, Flávia Alessandra, Kate Moss, Britney Spears, Madonna, Shakira e Miley Cyrus já interpretaram ou incorporaram strippers em suas atuações e performances.
O apelo erótico de um corpo feminino dançando em torno de um objeto fálico é incontestável, mas de uns tempos pra cá essa dança vem quebrando tabus e adquirindo novas adeptas - e adeptos. Surgida na Índia do século XII como exercício de lutadores, a pole dance ficou associada ao burlesco após ser incorporada pela Comédia Dell’Arte no séc. XIX. Hoje pode ser vista em academias, competições e circos. O Cirque du Soleil utiliza barras em espetáculos acrobáticos. Nos EUA há um movimento para incluí-la nas Olimpíadas. 
Em Sergipe, chegou através da paulista Fernanda Rocha. “Já fiz ballet, ginástica rítmica, dança do ventre”, diz Fernanda. “Através das aulas de circo eu conheci a pole dance. Fiz o curso em São Paulo e trouxe pra cá em 2012.” 
Aqui, começou a ensinar a prática para mulheres jovens, senhoras de meia-idade e até mesmo homens. “É só ter disposição, vontade de aprender e não ter nenhuma contraindicação médica que você pode praticar”, explica a professora de 24 anos, corpo magro e atlético. “Logo quando trouxe pra cá, as pessoas procuravam porque queriam dançar pro parceiro ou pra parceira, mas ultimamente vêm procurando como esporte mesmo.”
Ao lado de outras praticantes, como a tradutora Daisy Scarlato e a publicitária Déborah Costa, fundou a Cia. Sergipana de Pole Dance. Com o intuito de difundir a modalidade no estado, lançaram o calendário Janela de Aysha em 2015. “O nome janela deu-se por dois motivos, o local onde foram tiradas as fotos e sua relação com o fator observação da atividade”, diz Déborah. “Já o nome aysha é uma expressão árabe que significa ‘aquela que está viva’ e batiza um movimento avançado que todos os praticantes aspiram. É muito difícil e a partir dele podem ser feitos muitos outros.”
GRAÇA, LEVEZA E FORÇA
Imbuído do mais puro espírito jornalístico, este repórter observou uma aula e constatou que o treinamento no poste é 1% sex appeal e 99% transpiração. As meninas suam os tops e shortinhos e, não raro, terminam a atividade com hematomas espalhados por braços e coxas. “No meu estúdio trabalhamos com 9 níveis, que vão desde os giros básicos como o Fireman até movimentos extremos de força e flexibilidade como Rainbow Marchenko ou pranchas”, Fernanda esclarece.
A Cia. já se apresentou no Parque da Sementeira, no Festival ZONS e mais recentemente no lançamento do livro Viva La Brasa na Caverna do Jimi Lennon, com uma performance solo da atriz Inês Reis. “Acho importante as apresentações nos eventos para desmistificar a modalidade”, diz Inês.
Integração que Déborah considera essencial. “Enxergamos a pole dance como algo além de esporte ou dança, para nós é uma arte. Nessa parceria com outras manifestações culturais, um fortalece o outro, as artes se misturam, nos tornamos um só com muito mais união, o que só engrandece a cultura sergipana.”
Elad Itzkin, israelense radicado em Londres cujo trabalho alia yoga e fotografia, está fazendo sucesso com seu novo ensaio que mostra uma bailarina em posições de pole dance no metrô. É a ‘street pole’, categoria praticada em postes de sinalização de trânsito e meios de transporte urbano.
“Todo pole dancer gosta de se pendurar nos lugares, e fazer na rua é divertido. Também contribui para a quebra do preconceito. Geralmente as novelas e filmes usam o tema com prostitutas, acredito que já está na hora de mudar a abordagem. Uma médica que faz pole, por que não? Eu tenho alunas médicas, dentistas, advogadas, arquitetas. O projeto Janela de Aysha foi criado para divulgar a pole dance como arte. Para quebrar o preconceito”, finaliza Fernanda, antes de subir no poste e girar com graça, leveza e força.

* matéria publicada no jornal Folha da Praia nº 841, março de 2015

quinta-feira, fevereiro 26, 2015

VERÃO DA BRASA 
"Fodam-se os cuzões!"
Assim encerrei uma entrevista para o tablóide Folha da Praia, inspirado no "morte aos parasitas" do Dadá Figueiredo. 
2015 é o Verão da Brasa: temperatura em alta, inflação também, falta d'água, terrorismo internacional e usuários sendo presos por cultivarem para consumo próprio enquanto as esposas de deputados ganham passagens grátis para Brasília.
Botei na praça o livro VIVA LA BRASA após 2 anos de muito trampo, 13 mil Dilmas de investimento e alguns cabelos brancos a mais. Fiz pré-venda, video teaser e um site novo. Lancei numa festa sem bilheteria com 5 das melhores bandas do estado e outras atrações que vocês viram aqui há 2 posts… 
Agora começo a viajar para promover o projeto que, mais do que um livro, tem-se mostrado um movimento. No último fim de semana fiz Itabaiana, maior cidade do interior de Sergipe, com pocket show de Ferdinando. Maceió moscou, os caras desmarcaram em cima da hora - nunca confie em coletivos. Mas não tem essa. Sexta estarei em Recife e sábado em João Pessoa, com meus amigos Catarina e Pierre fazendo a trilha sonora das festas.
Ainda não tive retorno financeiro e talvez nunca cubra os custos. Mas tenho recebido mais cobertura da mídia do que poderia esperar. Os principais jornais de Aracaju já noticiaram o lançamento do livro e a turnê independente, fui entrevistado por alguns sites e até estraguei uma capa do FDP - o jornal que citei no início do texto.
Tá na hora de arrumar as malas e pegar a estrada. Selecionei algumas das melhores perguntas e piores respostas publicadas na imprensa nessas últimas semanas. Tirem as crianças da sala.
JORNAL DO DIA - 19/01 - por Rian Santos

JD - Não sei quantos anos de Cabrunco, mais uma década inteira de postagens no Viva La Brasa, tudo isso sem ganhar tostão. Jornalismo é paixão ou ofício?

Viva La Brasa - Jornalismo é vocação. Uma vocação de merda, por sinal, que não dá grana e ainda pode levar a uma decapitação pelas mãos de um Estado Islâmico da vida. Veja o caso recente do Charlie Hebdo e contextualize a profissão em Sergipe e o Nordeste, onde ainda reina o coronelismo e os meios de comunicação pertencem a duas ou três famílias. Mesmo que eu tivesse juntado todo dinheiro que ganhei publicando matérias ao longo de 20 anos, não daria nem pra pagar a impressão do livro.

JD - O Viva La Brasa se detém sobre um universo muito específico, habitado por tudo quanto é tipo de freak. Os papocos do underground interessam a quem, além de seus próprios habitantes?

VLB - O livro não foi feito pra agradar. Não tenho a ilusão de falar a todas as pessoas, até porque eu conheço muita gente com quem não quero nem falar. O público-alvo são pessoas que entendem a viagem e curtem o universo retratado ali: cena independente, histórias em quadrinhos e estados alterados da mente. Não é pra toda a família. Se quiserem usar como livro de mesa, tirem as crianças da sala.

JD - O lançamento do Viva La Brasa tem tudo para se transformar numa grande congregação de malucos e afins. O livro leva a sua assinatura, naturalmente, mas as quase 300 páginas do volume celebram os feitos de uma geração inteira. O barato é coletivo?

VLB - O barato é louco, o sistema é bruto e o projeto é coletivo como um ônibus lotado. Banquei todo o livro com grana do próprio bolso, quanta gente você conhece que faz isso? Vivemos num estado onde grande parte da arte é subsidiada com verba pública, nisso eu tô indo na contramão. Sempre gostei de trabalhar com colaboradores, desde os zines nos anos 90. Ganho a vida com audiovisual e sei da importância do trabalho em conjunto. Por isso, fiz questão de assinar o livro "Adolfo Sá & amigos".


http://www.jornaldodiase.com.br/noticias_ler.php?id=14511

FOLHA DA PRAIA - Jan/2015 - por Adelvan Kenobi

FDP - O “Cabrunco” acabou se tornando um marco na cena local, com substancial projeção nacional. Quais foram os momentos mais marcantes, pra você, na trajetória do fanzine? E o que isto te proporcionou, em termos pessoais, sentimentais ou mesmo financeiros?

VLB - Pra começar, o CABRUNCO tinha um nome que até então era um palavrão no dialeto local, ninguém jamais havia usado pra batizar nada. Por causa dele, conheci o Brasil indo pra festivais, morei durante semanas ou meses em outras cidades, o que não seria possível pra um jovem pobre como eu numa outra circunstância. Fiz amigos pra vida toda, um deles é você. E também arrumei umas namoradas em outros estados, essa foi a melhor parte. Fácil.

FDP - Porque o Cabrunco acabou?

VLB - Porque, quando você tá fazendo algo, o que não falta é gente pra te criticar, policiar e botar pra baixo. Depois que passa, todo mundo fica falando "ah, como era legal", "saudade" etc.

FDP - Como foi e quanto tempo durou o processo de concepção do livro? Ficou satisfeito com o resultado final?

VLB - (…) Não fiquei 100% satisfeito porque tive que acumular funções que seriam de outros, como a revisão por exemplo, e há vários pequenos erros que poderiam ter sido evitados.

FDP - Quais suas expectativas quanto à recepção do mesmo, agora que está nas ruas? Há alguma estratégia de distribuição?

VLB - Expectativa nenhuma. Vendi 25 cópias na pré-venda e 10 na noite de lançamento - que por sinal foi um sucesso de público, com altas bandas e até pole dance. A maior parte dos exemplares vendidos até agora foram pra fora do estado, pra variar né. Só de custo de impressão foram R$ 8 mil, mais R$ 5 mil com a equipe. Jamais recuperarei essa grana. Como disse um amigo, "a galera aqui é miserável".

FDP - Valeu/vale a pena?

VLB - Vale a pena, sempre. O que importa é a satisfação pessoal. Fodam-se os cuzões.

http://escarronapalm.blogspot.com.br/2015/02/adolfo-sa-uma-entrevista.html

HEMPADÃO - 16/02 - por Michael Meneses

HMP - Como é "Viver La Brasa" em Sergipe e falando nisso como anda a repressão por aí? 

VLB - Sergipe sempre teve maconheiro, estado litorâneo é foda. Sempre rola aquela vagabundagem malemolente né… Mas muita gente se péla de medo de assumir em público que fuma um, tem receio da retaliação social que pode sofrer ou simplesmente não tem atitude nem de correr atrás da própria erva. VIVA LA BRASA é o primeiro livro feito pelas bandas de cá a abordar o tema de forma honesta e aberta. Quanto à repressão, o prefeito da capital armou a guarda municipal, daí você tira…

HMP - Quais outros livros foram sugestivos para escrever VIVA LA BRASA?

VLB - Basicamente três: "Sem Comentários" de Allan Sieber, "Guitarra e Ossos Quebrados" do Quique Brown e "Esporro" de Leonardo Panço. Em literatura canábica, "Verão da Lata" do Wilson Aquino foi o mais recente e inspirou o nome da turnê nordestina. Lembrando que "O Doce Veneno do Escorpião" da Bruna Surfistinha é um dos precursores nos livros de blog e sempre uma inspiração. 

HMP - Deixe uma mensagem aos leitores… 

VLB - Fumem, fodam, façam o que quiserem mas mantenham o respeito. E comprem o livro.


http://hempadao.com/en/hemportagem/conversativa/2969-entrevista-com-autor-do-livro-viva-la-brasa.html


CAPA DO CADERNO DE VARIEDADES DO JORNAL DA CIDADE

1ª PÁGINA DO CADERNO DE CULTURA DO CINFORM


LANÇAMENTO NO CAFÉ CASTRO ALVES EM RECIFE