sábado, fevereiro 06, 2016

SOFRÊNCIA 
FOTO MANOELA VELOSO
“Um momento feliz inspirado na dor dos outros”, Alex Sant’Anna define seu novo disco: ENQUANTO ESPERA. 
Quando eu dirigia a TV pública local, Alex era o responsável pela FM na mesma fundação. O único da mesa diretora com quem eu bebia uma cerveja. Seu lado festeiro é bem conhecido com a Naurêa, banda de forró que tem 3 álbuns lançados, 3 EPs, 1 DVD, passagens por festivais como o Recbeat e turnês pela Europa - Inglaterra, Alemanha, Áustria, Eslovênia e Suíça.
Hoje é seu aniversário. Ontem ele abriu o carnaval em Aracaju no Rasgadinho, tocando versões sacanas pra velhas marchinhas. “A gente se diverte muito, o que acaba passando pro público e eles mandam de volta uma energia muito maior”, diz o folião.
Mas Alex não é só alegria. Sua vida não foi das mais fáceis. Passou parte da adolescência entrando e saindo de hospital, com Síndrome de Guillain Barré. Em 2006, seu grande parceiro de música Pablo Ruas morreu num acidente de moto. Recentemente teve que aprender a lidar com o vitiligo, e por sinal tá bem melhor.
Casado com a atriz e cantora Diane Veloso, compõe trilhas sonoras pras peças dela e canções pra Banda dos Corações Partidos. Melancolia e tristeza infinita também dão o tom nos seus trampos solo: Aplausos Mudos, Vaias Amplificadas (2002), Cansado (2010), Fragmentos (2012) e o mais recente.
Lançado em outubro, Enquanto Espera é uma crônica do tempo que a gente perde, da cobrança alheia e das expectativas frustradas. Alex reuniu um grupo afiado - Allen Alencar e Luiz Oliva nas guitarras, Rafael Findans no baixo, Betinho Caixa D’Água na percussão etc. - e entregou a produção pro seu irmão Leo Airplane, tecladista/ guitarrista da Plástico Lunar e sanfoneiro multibandas.
“Leo sempre esteve ao meu lado em todas as gravações, mas nesse disco novo foi quando realmente assumiu um papel de produtor musical. A última opinião foi dele. As opções estéticas também.”
Falando em estética, é um belo disco. Projeto gráfico da Gabi Etinger - a mesma do meu livro - e sons que vão do frevo ao rock naquele clima de quarta-feira de cinzas.
Parabéns, Alex.
ALEX NO FESTIVAL ZONS
NAURÊA NO RASGADINHO 2016
NUMA TOUR PELA ALEMANHA

quinta-feira, janeiro 21, 2016

VEM QUE VEM
VIVA LA BRASA é uma saudação. 
E um blog, que virou livro e agora também uma festa. A primeira foi ano passado com bandas amigas e pole dance num inferninho. A próxima acontece dia 05 de março com 3 grupos encabeçados por mulheres: 
NECRO, RENEGADES OF PUNK e CATARINA DEE JAH – pela 1ª vez em AracajuSerá no Rancho, com a DJ Inês Reis e produção da Então Pronto. Música, arte, bebida, rango e ingresso a preço honesto.
Viva La Brasa é uma celebração.

quarta-feira, dezembro 16, 2015

SEM PORTA, SEM EDITAL, SEM BALADA

“Sou camelô, sou do mercado informal/ com minha guia sou profissional”… 
No início do mês montei minha banquinha no Clandestino, evento que se propõe a ocupar espaços públicos sem autorização de governo, prefeitura ou quem quer que seja. Anarquismo sem bagunça, faça você mesmo ou fique aí reclamando da recessão.
ARTE: THIAGO NEUMANN
A 13ª edição clandestina aconteceu num momento em que Aracaju vê suas festas de rua sendo reprimidas pelas forças policiais. Já rolou enquadro em Socorro, no Sarau Debaixo, Alterna`s Bar e na semana anterior o episódio mais violento no Som na Calçada.
Cheguei cedo pra montar a banca, vi um som rolando na Praça Fausto Cardoso e achei que os punks tinham se adiantado, mas era um culto evangélico. A coisa prometia.
Encontrei os amigos do outro lado, preparando o equipamento. A mesma turma organiza a parada desde o início - Daniela e Ivo da Renegades of Punk, Aquino Neto, Amarílio, João Mário etc. Desta vez teríamos companhia: 2 PMs começaram a rondar as imediações, logo eram 4, depois 6…
Antes que o clima esquentasse e a festa acabasse antes de começar, Sílvio Sub foi lá trocar uma ideia c/ os guardinhas. Herói de todos nós, Sílvio é o punk mais antigo, ativo e articulado da área. 
FOTO: EDU FREIRE
“Eu disse a eles que a gente já faz este evento há um tempo e que nosso som é menos potente que o dos crentes. Eles disseram que estão aqui pra nossa proteção, porque aqui no centro tem muito ladrão”, me falou o Sub sorrindo. Tudo nosso, tá liberado.
A Karne Krua abriu as festividades c/ o repertório do disco novo, Bem-Vindos ao Fim do Mundo, cujas primeiras cópias em vinil se esgotariam naquele dia. “Horrores Humanos”, “Grandes Corporações” e “Terrorismo Séc.XXI” juntaram-se às clássicas “Karne Krua” e “Contaminados” num esporro que desmentia tudo que Sílvio dissera aos ‘hômi’. Ainda teve cover de Câmbio Negro HC.
A noite já havia caído quando o duo death/grind paulista Test começou a zuadar. João Kombi e Barata ficaram conhecidos por tocar na rua do lado de fora em shows de bandas como Metallica e Iron Maiden. Até no Abril Pro Rock, escalados no line up, os caras fizeram questão de se apresentar no chão, no meio do público. Então, um evento como este tem tudo a ver com a proposta deles. Estão em tour c/ o novo álbum, Espécies. Barulheira lo-fi pra juventude DIY.
Fim de festa, saldo a favor pra todos os participantes. Vendi meus livros e gibis, as bandas venderam seus discos e camisetas, zineiros venderam zines, veganos venderam alfajor, camelôs venderam cerveja. Economia informal a todo vapor, no meio dessa grande crise chamada Brasil 2015.
A nota triste fica pro suicídio de Levi Marques, das bandas Skabong e Trimorfia. “Bizarro, ele tava lá alegre, normal”, disse Dani Rodrigues no dia seguinte. “Conversei sobre o dente dele, que estava quebrado.” Agora quem tá quebrada é a cena.
Mas nada pode parar o rock, em breve mais um Clandestino acontecerá onde você menos espera. E eu estarei lá. “Verba volare, scripta manent.”  

CLANDESTINO - todas as edições:
I - Praça Fausto Cardoso (coreto) / 29-01-2012
Robot Wars
Trimorfia
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II - Orla de Atalaia (lago) / 09-02-2012
Mahatma Gangue (RN)
The Renegades of Punk
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III - Cara de Sapo Skate Park / 08-11-2012
Leptospirose (SP)
The Renegades of Punk
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IV - Praia de Aruana (banho doce) / 27-01-2013
Dança da Vingança (DF)
Soror (DF)
The Renegades of Punk
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V - Orla do Bairro Industrial (debaixo da ponte) / 31-05-2013
Cätärro (RN)
Robot Wars
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VI - Farolândia (debaixo do farol) / 07-11-2013 
Media Lunas (RS)
The Renegades of Punk
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VII - Ponte do Imperador / 21-04-2014
O Cúmplice (SP)
Robot Wars
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VIII - Beira-Rio (half pipe) / 01-08-2014
Karke Krua
Triste Fim de Rosilene
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IX - 13 de Julho (aterro) / 28-09-2014
Necro (AL)
The Renegades of Punk
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X - Praça Camerino / 11-01-2015
NTE (RN)
Karne Krua
The Renegades of Punk
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XI - Orla de Atalaia (prédio abandonado) / 16-05-2015
The Renegades of Punk
Seu Montanha
Zeitgeist
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XII - Praça General Valadão / 31-10-2015
Time and Distance (SC/SP)
The Renegades of Punk
Zeitgeist
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XIII - Praça Fausto Cardoso / 06-12-2015
Test (SP)
Karne Krua
LEPTOSPIROSE. Foto: Snapic
RENEGADES OF PUNK. Foto: Marcelinho Hora
CÄTÄRRO. Foto: Snapic
NECRO. Foto: Thiago Souza Santos
LEVI MARQUES (In memoriam)

domingo, novembro 29, 2015

SEM CRI$E

Site novo e blog atualizado depois de quase 6 meses. 
2015 foi um ano horrível de modo geral: inflação, desemprego, terrorismo e desastre ecológico causado pelo homem. Bem-vindos ao fim do mundo.
Mas eu não tenho do que reclamar. 
Lancei meu livro em janeiro ao completar quarentinha, depois de 10 anos blogando sem tirar de dentro. Viajei numa turnê gonzo p/ promovê-lo, depois desencanei de escrever pra me dedicar a outras atividades, como ganhar dinheiro. Porque de gastar eu já tava cheio.
Voltei a trampar em televisão. Voltei a editar de manhã até a noite. Voltei a pagar minhas contas.
Em tempos de crise, é preciso se virar. Agora, além de vender meu livro e as artes que o acompanham, também ofereço aos meus amigos e leitores os lançamentos dos comparsas que estão no Viva La Brasa.
Com a ajuda do parceiro Amalero High fiz um upgrade no meu sítio, que passa a funcionar como distribuidora de livros, gibis e o que mais der na telha. Fim de ano tá chegando, então fica a dica:
Coce o bolso e gaste seu 13º salário na lista a seguir. Investimento melhor do que poupança, satisfação garantida. Só não garanto a sua grana de volta.

SERES URBANOS -­ ANTOLOGIA DO QUADRINHO UNDERGROUND CEARENSE
Reunião do melhor produzido pelos zineiros cearenses que tomaram a cena de assalto bem antes da palavra “coletivo” entrar na moda. Zines como Clitóris, Pub e Paranóide estão no livro. Vencedor do prêmio Miolo(s) 2015.
autores: Weaver, Lupin, Kaos, Elvis, Galba, Marcílio e Mychel
preço: R$ 40,00

SMEGMA #1 + #2
O traço fino e humor grosseiro do ‘enfant terrible’ dos quadrinhos sergipanos. Carranza ganhou o Troféu HQMix com o álbum Se a Vida Fosse Como a Internet e agora apresenta o seu gibi, estrelado pelo caipira Rivalino e seu amigo Chupa­Cabra. Não recomendado para hipsters, zineiros gourmet e outros representantes da geração leite-com-pera.
autor: Pablo Carranza
preço: R$ 30,00

O UNIVERSO PARALELO DOS ZINES
Tudo o que você sempre quis saber sobre zines mas tinha preguiça de pesquisar. Depois da série de documentários Fanzineiros do Século Passado, o agitador Sno segue fazendo ele mesmo. Livro de bolso que vai do papel e tesoura aos blogs da internet.
autor: Márcio Sno
preço: R$ 30,00

ESPORRO + CARAS DESSA IDADE JÁ NÃO LÊEM MANUAIS + JASON 2001: UMA ODISSÉIA NA EUROPA
Vida e obra do guitarrista da Vila da Penha que começou no Soutien Xiita, viajou por squats na Europa com o Jason e lançou recentemente seu primeiro álbum solo. Testemunha ocular da fase mais barulhenta do rock carioca, Panço sobreviveu pra contar a história, já lançou 3 livros e prepara um novo pra 2016.
autor: Leonardo Panço
preços:
R$ 30,00 > Esporro
R$ 25,00 > Caras Dessa Idade Já Não Lêem Manuais
R$ 25,00 > Jason 2001: Uma Odisséia na Europa

sexta-feira, junho 19, 2015

A INÊS É VIVA
Inês Reis estava de lingerie quando a vi pela primeira vez. Era uma performance cênica durante o intervalo de um show de rock, mas não consigo pensar em maneira melhor de conhecer uma mulher.
Inês é atriz. Estreou na peça “Os Marginais” de cinta-liga e espartilho, interpretou uma criança em “Menina Miúda” e recentemente gravou o DVD de “Ela Esteve Aqui”, mais uma montagem original do grupo A Tua Lona, da qual é integrante fundadora.
Atuou na websérie de humor Pataquada e ganhou o prêmio Destaque 2014. “Foi minha primeira premiação, gostei de ter sido lembrada e reconhecida, agora quero mais”, diz a musa.
Negra de pele clara e cabelo afro, é a modelo da marca de vestidos Linda e foi minha escolhida para ser a pin-up do poster, ou melhor, dos posters criados pelos artistas Thiago Neumann e Gabi Etinger para o Viva La Brasa.
Ela topou na hora. Aproveitei a sessão de fotos pra gravar um vídeo teaser, com apoio dos fotógrafos Edu Freire e Priscila Reis. “Foi ótimo incorporar uma personagem despretensiosamente sexy. O cenário, a iluminação, tudo fez com que eu me sentisse num filme ou numa história em quadrinhos. O resultado ficou incrível.”
Ainda ganhei de presente uma deliciosa sessão de pole dance na noite de lançamento do meu livro. Hoje é seu aniversário, minha vez de retribuir tudo que ela me deu.
A Inês é viva. Viva a Inês.

quarta-feira, abril 01, 2015

ANTI AUTO AJUDA 
“Meu nome é Adolfo, sou jornalista, blogueiro, zineiro e mais umas coisinhas que também terminam com ‘eiro’ e que eu não posso falar aqui”...
Esse é o começo da minha entrevista pro Ândergroundi TV, canal do YouTube que cobriu o lançamento do Viva La Brasa em Itabaiana, cidade do agreste de Sergipe e primeira parada do Verão da Brasa*, tour que já passou por Recife, Olinda, João Pessoa e chega a Maceió dia 11 de abril.
Um dos motivos de fazer turnê, além da óbvia divulgação do trampo, é viajar com minha mulher Gil, ficar bêbado e fazer amor em lugares diferentes. Porque vender livros não é exatamente um bom negócio.
Em “Disgraceland” - apelido carinhoso que Itabaiana ganhou de seus moradores - rolou happy hour na TNT Rock, com o bluesman Ferdinando tocando o repertório do EP 'Sapatos Velhos & Uma Guitarra'. Rendeu uma bebedeira noite adentro e um documentário de 12 minutos. Vendi um livro, comprei 2, mais uns vinis e CDs, saí devendo R$ 150 à casa.
Na semana seguinte fiz o circuito Recife-Olinda, após um hiato de 14 anos. Montei base no apê do meu parça Pierre, tecladista e produtor das bandas Café Preto e Chambaril, e lancei no Café Castro Alves, no Iraq e no Espaço Cultural Seu Bento. No Café não rolou som, bebemos a consumação e partimos pro Iraq. De lá, Olinda com a apresentação da MC Ririca & THC (The Homens Crazy) - projeto da minha amiga e musa local Catarina. Vendi um exemplar pro dono do lugar: Urêa da Academia da Berlinda, que aparece no capítulo da Eddie.
João Pessoa na sequência. Estive lá em 1998, convidado para a MostraZine. 17 anos depois, lanço meu livro na Usina Cultural. Juventude prestigiou e vendi 2, mas comprei outros 2 do cartunista/grafiteiro Shiko. De busão fomos pro Grito Rock no centro histórico de Jampa, com shows alternados na praça, no Pogo Pub e no Espaço Mundo. Desisti de vender e fui beber, assistindo Rieg e Living In The Planet.
Viva La Brasa é um livro de anti-auto-ajuda. "Você pode só piorar sua vida se ler", eu aviso pro Diego do Ândergroundi. O que lucrei nas viagens não paga nem as passagens, penduradas até o fim do ano no cartão.
Daqui a 2 sábados é a vez de Maceió, na 1ª edição do PALMA - Palco da Música Autoral - com 5 bandas da nova geração rock alagoana. Vai ser foda. Só não sei se vou conseguir vender alguma coisa.
*agradecimentos ao realizador Diego Barbosa, ao produtor cultural Jesuíno André, ao meu comparsa Pierre Leite, à toda a família da Catarina e à minha companheira Gil Nogueira 

sexta-feira, março 20, 2015

A JANELA & O POSTE
A menina gira, num movimento sensual. Em seguida, pára no ar desafiando a gravidade. A única coisa que a prende à Terra é um mastro que vai do teto ao chão. Ao ritmo da música, ela evolui graciosamente em todas as direções. Pousa de cabeça pra baixo, pernas pro ar formando um “T”, e num salto fica de pé. É aplaudida, ouve-se assobios. O público está extasiado.
Pole dance é a dança do poste. Ganhou o mundo através de boates e puteiros, imagem muito explorada em filmes de Hollywood, novelas da Globo e clipes de música. Demi Moore, Flávia Alessandra, Kate Moss, Britney Spears, Madonna, Shakira e Miley Cyrus já interpretaram ou incorporaram strippers em suas atuações e performances.
O apelo erótico de um corpo feminino dançando em torno de um objeto fálico é incontestável, mas de uns tempos pra cá essa dança vem quebrando tabus e adquirindo novas adeptas - e adeptos. Surgida na Índia do século XII como exercício de lutadores, a pole dance ficou associada ao burlesco após ser incorporada pela Comédia Dell’Arte no séc. XIX. Hoje pode ser vista em academias, competições e circos. O Cirque du Soleil utiliza barras em espetáculos acrobáticos. Nos EUA há um movimento para incluí-la nas Olimpíadas. 
Em Sergipe, chegou através da paulista Fernanda Rocha. “Já fiz ballet, ginástica rítmica, dança do ventre”, diz Fernanda. “Através das aulas de circo eu conheci a pole dance. Fiz o curso em São Paulo e trouxe pra cá em 2012.” 
Aqui, começou a ensinar a prática para mulheres jovens, senhoras de meia-idade e até mesmo homens. “É só ter disposição, vontade de aprender e não ter nenhuma contraindicação médica que você pode praticar”, explica a professora de 24 anos, corpo magro e atlético. “Logo quando trouxe pra cá, as pessoas procuravam porque queriam dançar pro parceiro ou pra parceira, mas ultimamente vêm procurando como esporte mesmo.”
Ao lado de outras praticantes, como a tradutora Daisy Scarlato e a publicitária Déborah Costa, fundou a Cia. Sergipana de Pole Dance. Com o intuito de difundir a modalidade no estado, lançaram o calendário Janela de Aysha em 2015. “O nome janela deu-se por dois motivos, o local onde foram tiradas as fotos e sua relação com o fator observação da atividade”, diz Déborah. “Já o nome aysha é uma expressão árabe que significa ‘aquela que está viva’ e batiza um movimento avançado que todos os praticantes aspiram. É muito difícil e a partir dele podem ser feitos muitos outros.”
GRAÇA, LEVEZA E FORÇA
Imbuído do mais puro espírito jornalístico, este repórter observou uma aula e constatou que o treinamento no poste é 1% sex appeal e 99% transpiração. As meninas suam os tops e shortinhos e, não raro, terminam a atividade com hematomas espalhados por braços e coxas. “No meu estúdio trabalhamos com 9 níveis, que vão desde os giros básicos como o Fireman até movimentos extremos de força e flexibilidade como Rainbow Marchenko ou pranchas”, Fernanda esclarece.
A Cia. já se apresentou no Parque da Sementeira, no Festival ZONS e mais recentemente no lançamento do livro Viva La Brasa na Caverna do Jimi Lennon, com uma performance solo da atriz Inês Reis. “Acho importante as apresentações nos eventos para desmistificar a modalidade”, diz Inês.
Integração que Déborah considera essencial. “Enxergamos a pole dance como algo além de esporte ou dança, para nós é uma arte. Nessa parceria com outras manifestações culturais, um fortalece o outro, as artes se misturam, nos tornamos um só com muito mais união, o que só engrandece a cultura sergipana.”
Elad Itzkin, israelense radicado em Londres cujo trabalho alia yoga e fotografia, está fazendo sucesso com seu novo ensaio que mostra uma bailarina em posições de pole dance no metrô. É a ‘street pole’, categoria praticada em postes de sinalização de trânsito e meios de transporte urbano.
“Todo pole dancer gosta de se pendurar nos lugares, e fazer na rua é divertido. Também contribui para a quebra do preconceito. Geralmente as novelas e filmes usam o tema com prostitutas, acredito que já está na hora de mudar a abordagem. Uma médica que faz pole, por que não? Eu tenho alunas médicas, dentistas, advogadas, arquitetas. O projeto Janela de Aysha foi criado para divulgar a pole dance como arte. Para quebrar o preconceito”, finaliza Fernanda, antes de subir no poste e girar com graça, leveza e força.

* matéria publicada no jornal Folha da Praia nº 841, março de 2015