segunda-feira, novembro 14, 2005

TARJA PRETA

“Terrorismo editorial”, é como Matias Maxx define a sua revista de “quadrinhos & anti-proibicionismo”. Pegando no pé das autoridades e metendo o dedo na ferida, o cucaracha vem fazendo estragos desde 2003, ano em que lançou a 1ª edição da TARJA PRETA. Com uma equipe de colaboradores que vai de putas velhas do quadrinho underground nacional, como Allan Sieber, MZK, Leonardo & Schiavon, até novos nomes como Arnaldo Branco, Juca, Danilo & Goose, a Tarja Preta é uma mistura de High Times & Rip Off Press – ícones jornalísticos da contra-cultura. A seguir, a primeira parte de uma entrevista c/ o editor do bagulho – Matias Maxx, a.k.a. “Capitão Presença”:
É verdade que vc é argentino?
Meu pai era argentino e minha mãe é uruguaia, daí que eu sei espanhol desde o berço e sempre me interessei muito pela cultura latina. Se você vai numa loja de discos em Buenos Aires tu encontra sons da Espanha e todo canto da América Latina, inclusive o Brasil. Aqui, já é mais dificil ter acesso a essas coisas.
O que vc acha da rivalidade Brasil x Argentina?
Rivalidade é foda, aprendi na marra o que é racismo, a família de um amigo meu foi bem hostilizada quando a Argentina desclassificou o Brasil em 1990... Como eu nunca me liguei muito em futebol fui poupado, mas tenho uma camiseta da seleção Argentina, e toda vez que eu uso dá merda, uma vez eu tava filmando um festival de rap, do palco, e ficaram me jogando garrafa d'água. Me orgulho muito de ser brasileiro, mas também me orgulho muito de ter tido essa criação de imigrante, aprendi que é importante cuidar do bairro, mas o planeta é muito maior.
Vc é um jornalista bem gonzo. Como descobriu essa vocação?
As coisas aconteceram muito rápido e naturalmente. Eu sempre colei com o pessoal das bandas, escrevia sobre elas no Cucaracha, num estilo bem íntimo mesmo, quando eu fui ver, em 1998 eu tou escrevendo sobre as raves de Trancoso no Rio Fanzine do jornal O Globo. Daí, antes mesmo de entrar pra faculdade eu entrevisto o Manu Chao na Argentina e vendo a reportagem pra Bizz; o Emerson Gasperin, editor na época, foi com a minha cara e começamos a fazer as coisas juntos. Daí teve o Rock in Rio, e o Emerson lançou uma de suas máximas – “Não estamos aqui para fazer a melhor cobertura, deixa isso pros babacas de site e jornal, estamos aqui pra fazer a cobertura mais chapada!” - e não deu outra. O Rock in Rio foi punk, trabalho pra cacete, eu tava fotografando os palcos enormes, e tinha que ficar correndo de um lado pro outro da cidade do rock, várias vezes por dia, dai teve o dia “teenager”, que a gente decidiu não cobrir, ficamos só bebendo, fumando e nos divertindo. Nesse dia o Alexandre Matias me explicou quem era o Hunter Thompson, aí fudeu, peguei o filme na locadora e comprei o livro na Amazon, e como diz o MD2 "...depois disso sua vida nunca mais foi a mesma..." A identificação foi total, não só pela chapação, como por esse estilo de escrever como um participante, um cúmplice da parada, e não como um reles observador, eu vejo o Gonzo por aí.
A Tarja Preta é uma revista ou um zine?
Fiz fanzines toda minha vida, antes de jornalista eu sou fanzineiro. Em 1996 comecei a fazer o "Panfleto" e um tempinho depois o "Cucaracha", publicações de xérox que eu dava de mão em mão. De 96 também é o nome Tarja Preta, mas eu sempre pensei grande, numa revista de jornalismo mesmo, uma parada maneira, bem feita, tipo uma Caros Amigos underground e maconheira. Com o passar dos anos comecei a me interessar por quadrinhos, conhecer um monte de gente do meio e depois de lançar vários Cucaracha com quadrinhos resolvi arriscar e colocar o Tarja Preta na pista, e tem dado certo pra caralho. Eu acho que o que diferencia dos zines é o preço na capa. Se tem um valor, é uma revista, é um negócio sério... hehehehe.
O que tem feito, fora chapar o coco e editar a revista?
Eu voltei a publicar na Bizz, e também estou na Trip. Ano passado publiquei uma matéria muito maneira sobre o baile funk do Mr.Catra na Vila Mimosa pra Premium; tentei vender pra outras revistas mas ninguém quis porque tinha um monte de putas seminuas nas fotos, daí eu resolvi vender logo pra uma revista de sacanagem. Eu agora tou num processo de renovação, quero comprar uma máquina digital e lentes novas, e estou fazendo umas assistências pra Daniela Dacorso, de quem eu sempre fui fã. É legal que estou aprendendo umas manhas de iluminação e estúdio, coisa que eu nunca fiz, eu sempre fui do fotojornalismo mesmo.

_\/_ Tarja Preta é Remédio Forte _\/_