quinta-feira, dezembro 08, 2005

350 - BABYLON IS BURNING
quantas famílias ainda irão chorar?

De Bruno Privatti/RJ:
>Lembra daquele festival na Lapa em 1997 que tu conseguiu a pulseirinha pra entrar? Engraçado. Você esteve aqui c/ o Digão e o Marcel e a gente viu no RJTV que o pessoal das favelas estava começando a queimar coisas. Até pra gente era surpresa...
>Aquele ônibus incendiado na semana passada, foi perto da casa da minha namorada. Eu mesmo já peguei essa linha várias vezes. Ele passa por umas favelas barra-pesada, uma parte do Rio conhecida como "Faixa de Gaza". Essa parte da cidade é muito fodida, abandonada mesmo.
>A irmã dela pegou esse onibus esse dia. Só que passou uma meia hora antes...

De Leonardo Panço/RJ:
>(...)procura uma matéria q tá no site nominimo. é muito mais complexo ainda do q o cara escreveu, mas o q ele fala já explica muito. o bus queimado foi a uns 4 quarteirões d casa. 500 metros mais ou menos.
>por aqui tá bem rock mesmo. não tem jeito. rio é foda,mas é foda. entende?

De Adolfo Sá/SE:
>...O Bruno e o Panço referiam-se ao incêndio no ônibus da linha 350 (Passeio-Irajá), na Penha, subúrbio do Rio de Janeiro, na noite de 29/11/2005. 11 pessoas ficaram feridas e 5 morreram. A guerra do morro X asfalto já dura décadas, e à medida em que as favelas cariocas estabeleciam-se como sociedades à parte, leis próprias foram impostas pelo tráfico, que ocupa um espaço que o poder oficial sempre desprezou.
>Quando eu estive no RJ ano passado, por duas vezes foram encontradas granadas em bairros da zona sul – Lagoa Rodrigo de Freitas e entrada do túnel que leva à Barra da Tijuca. O mais assustador nisso é que a guerra civil carioca não-declarada atinge cada vez mais gente inocente. Neste incidente mais recente, por exemplo, além das vítimas diretas, estavam envolvidas duas meninas de menos de 14 anos, usadas como chamariz p/ que o ônibus parasse naquele ponto onde foi incendiado.
>A inspetora-chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes do RJ, Marina Maggessi, não crê que a execução tenha sido ordenada pelos chefes do tráfico, e sim por uma pequena quadrilha que agia na região: “O bandido também se revolta porque ele sabe que quem anda de ônibus são os pobres, os miseráveis, os favelados. E eles são seus parentes. Os bandidos não concordam com esse tipo de ação, de partir pra cima de inocentes. Entretanto, ele não pode prender os culpados e entregá-los à polícia. Então, o bandido segue a lógica de cortar a própria carne e o tribunal da máfia só tem uma pena.”
>No dia seguinte ao ataque, quatro corpos foram encontrados no porta-malas de um carro abandonado próximo ao local onde ocorreu o incêndio, c/ um bilhete que os responsabilizava pelo atentado. Sobreviventes do ataque reconheceram, no IML, dois dos quatro homens mortos. É a lei do cão.

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