terça-feira, dezembro 13, 2005

350 (parte 2) - BABILÔNIA AINDA QUEIMA

>De Hechando Xingazos/RJ:
>>A linha Passeio-Irajá é explorada por uma empresa que atende boa parte da Zona Norte; eles também têm a linha 629, que é um verdadeiro "transfavela". O 350 sai do decadente centro financeiro e político do Rio, no Passeio Público, o primeiro parque público da cidade, que buscava ares mais europeus no século XIX, e termina no bairro de Irajá, que também já conheceu dias melhores. Ele atravessa boa parte da Zona Norte e cruza várias favelas, cada uma pior que a outra. Essa é uma parte da cidade que tem o simpático apelido de Faixa de Gaza. São verdadeiros barris de pólvora onde a princípio qualquer fagulha poderia detonar uma explosão.

>>Só que as pessoas que habitam esses lugares são pacatos trabalhadores, mais preocupados com o sustento da familia sempre numerosa, mas submetidos ao poder das armas de guerra do tráfico, que comecou a crescer nos anos 80 com a chegada de traficantes da América Latina, e agora dá as ordens por lá. O perigo de um quebra-quebra generalizado parece distante, mas o medo do cidadão carioca, seja ele habitante do asfalto ou do morro, cresce a cada dia, amplificado pela imprensa...

>>O tráfico não estava inocente nessa história. O que aconteceu, segundo a mídia (que não é 100% confiável) é que um cara (um mero peixe pequeno) resolveu mandar incendiar um (ou uns, vai saber) ônibus. Mas morreram algumas pessoas e isso atraiu MUITA atenção. Quase todo mês incendeiam ônibus no subúrbio (periferia é coisa de paulista, por favor) e fica por isso mesmo. Como a opinião pública foi mobilizada, a polícia teria de dar uma resposta séria e isso iria prejudicar o faturamento deles por alguns dias. Não acredito que exista essa entidade, um “supercomando criminoso organizado”. O que temos são uns zegalinhas que a mídia adora promover.

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