domingo, maio 29, 2005

A VIDA COMO ELA É



Posted by Hello


Essa aí é a capa do novo livro do meu amigo Allan Sieber, quadrinista gaúcho(e bagaceiro) radicado no Rio de Janeiro. O Allan é considerado “o maior autor de humor da nova geração” (opinião do site da editora Conrad), e não é exagero dizer isso.

“Vida de Estagiário” é a reunião de suas tiras publicadas semanalmente na Folha de S.Paulo, e é engraçado mesmo, como todos os outros trampos do cara.Conheço o Allan há uns 10 anos; ele editava uma revistinha muito foda, aGlória Glória Aleluia, e logo tornou-se também colaborador do zine que eu editava, o Cabrunco.

O Cabrunco foi um projeto que durou 2 anos, 95 a 97. Na época eu era um moleque cabeludo, e shows de rock eram rotina. Era uma vida boa. Conheci muitos lugares e pessoas, algumas das quais sou amigo até hoje (tipo oAllan). Fiz umas entrevistas c/ uma galera que hoje em dia é bombada na mídia, tipo o D2 e a Pitty, entre outros. E mais. Mas na real, eu nunca gostei muito de fazer o papel de entrevistador. E decidi acabar c/ o zine após o acidente que matou Chico Science. Eu estava em Recife, e o que aconteceu me deixou num bode tão grande que decidi encerrar o zine...

Esse flashback bateu domingo passado, na porta de um show do Mundo LivreS/A. Lá estávamos, eu & minha namorada: eu c/ o salário atrasado, ela desempregada. Não entramos. E me bateu um puta bode de novo, algo me dizendo que não adianta negar minha “veia rocker” - quando a parada tá no sangue, já era.

Trecho de entrevista c/ Fred Zero Quatro publicada no Cabrunco #4: “A gente sabia que Recife (...) estava fora do eixo de profusão, de difusão de informação (...) aí eu tirei essa onda de Mangue Bit (...) já sabendo que ia dar rolo, esse mal-entendido, Bit com Beat, e pá. (...) E acho que a genteconseguiu atingir esse objetivo. Banda de periferia, sem um puto no bolso,foi gravar um disco c/ cavaquinho e duas congas, saca?” Só... Os caras estão aí até hoje.

A Nação Zumbi continua, firme & forte. O D2, aPitty, tá todo mundo aí. E eu? Tô vivo ou apenas sobrevivo?...Nessa mesma edição c/ o Zero Quatro foi publicada a 1ª colaboração doAllan Sieber p/ o Cabrunco, a série de tiras “A Vida Como Ela É”; era um diálogo entre 2 moleques:

- Todo mundo sabe que a sua mãe é uma vadia e trabalha na zona!
- Pelo menos o meu pai não dá o cu! E tb. não chupa pau c/ merda e gosta!

...O Allan e seu humor requintado.

quinta-feira, maio 12, 2005

FERIADO?





burn baby burn
Posted by Hello


Maio já foi um mês diferente de qualquer outro. No primeiro dia desse mês as tropas e as polícias ficavam de prontidão, os patrões se preparavam para enfrentar problemas e os trabalhadores não sabiam se no dia 2 teriam emprego, liberdade ou até a vida.

Hoje, tudo isso foi esquecido. A memória histórica dos povos é pior do que a de um octogenário esclerosado, com raros momentos de lucidez, intercalados por longos períodos de amnésia. Poucos são os trabalhadores, ou até os sindicalistas, que conhecem a origem do 1° de maio.

Muitos pensam que é um feriado decretado pelo governo, outros imaginam que é um dia santo em homenagem a S. José; existem até aqueles que pensam que foi o seu patrão que inventou um dia especial para a empresa oferecer um churrasco aos "seus" trabalhadores. Também existem - ou existiam - aqueles, que nos países ditos socialistas, pensavam que o 1° de maio era o dia do exército, já que sempre viam as tropas desfilar nesse dia seus aparatos militares para provar o poder do Estado e das burocracias vermelhas.

As origens do 1° de maio prendem-se com a proposta dos trabalhadores organizados na Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) declarar um dia de luta pelas oito horas de trabalho. Mas foram os acontecimentos de Chicago, de 1886, que vieram a dar-lhe o seu definitivo significado de dia internacional de luta dos trabalhadores.

No século XIX era comum o trabalho de crianças, grávidas e trabalhadores ao longo de extenuantes jornadas de trabalho que reproduziam a tradicional jornada de sol-a-sol dos agricultores – situação que se manteve até aos começos do século XX. Vários reformadores sociais já tinham proposto em várias épocas a idéia de dividir o dia em três períodos: oito horas de trabalho, oito horas de sono e oito horas de lazer e estudo, proposta que, como sempre, era vista como utópica, pelos realistas no poder.

Com o desenvolvimento do associativismo operário, e particularmente do sindicalismo autônomo, a proposta das 8 horas de jornada máxima, tornou-se um dos objetivos centrais das lutas operárias, marcando o imaginário e a cultura operária durante décadas em que foi importante fator de mobilização, mas, ao mesmo tempo, causa da violenta repressão e das inúmeras prisões e mortes de trabalhadores.

Quando milhares de trabalhadores de Chicago, tal como de muitas outras cidades americanas, foram para as ruas no 1° de maio de 1886, seguindo os apelos dos sindicatos, não esperavam a tragédia que marcaria para sempre esta data. No dia 4 de maio, durante novas manifestações na Praça Haymarket, uma explosão no meio da manifestação serviu como justificativa para a repressão brutal que se seguiu, e provocou mais de 100 mortes e a prisão de dezenas de militantes operários e anarquistas.

A partir da década de 90, com a decisão do Congresso de 1888 da Federação do Trabalho Americana e do Congresso Socialista de Paris, de 1889, declararem o 1º de Maio como dia internacional de luta dos trabalhadores, o sindicalismo em todo o mundo adotou essa data simbólica, mesmo se mantendo até ao nosso século como um feriado ilegal, que sempre gerava conflitos e repressão.

("...o estado em que uma classe domina e vive às custas de outra classe e chama isto de ordem está condenado a morrer e dar lugar a uma sociedade livre, associação voluntária, fraternidade universal." August Spies - 1886 - Discurso no tribunal)

Texto extraído do blog da Pitty: www.pitty.com.br