quinta-feira, agosto 18, 2005





MEUS AMIGOS MAIOR FORÇA
#1 ALLAN SIEBER


Allan Sieber tem 33 anos e mais de 20 tatuagens. Não vota, não faz exercício, não acredita em deus, e até pouco tempo fumava 3 maços de cigarro por dia. É cartunista há mais de uma década, e mantém a duras penas a produtora de filmes independentes Toscographics.

Falei do cara há 3 meses aqui no blog, mas ele volta à cena p/ estrear a seção “Meus Amigos Maior Força”. O motivo da escolha poderia ter sido ordem alfabética, mas o escolhi pq ele salvou minha cara qdo estive no Rio ano passado, descolando a estada no seu apê no famoso Bairro Peixoto – do qual ele próprio seria despejado algum tempo depois.

Além disso, o cara é um campeão. Venceu na vida pelo próprio talento, “sem puxar o saco de ninguém”, como ele mesmo diz, e é reconhecido como um dos maiores do humor da nova geração de autores brasileiros. Se brincar, é o melhor. Prova disso é o 3o prêmio HQ Mix que o malaco recebeu esta semana em SP – já havia vencido em 96 e 98 – pelo álbum “Preto no Branco”, reunião de tiras autobiográficas publicada pela editora Conrad em 2004.

Pensei em fazer uma entrevista. Mas, como eu sou vagabundo demais p/ fazer as perguntas, e ele meu amigo o bastante p/ não responde-las, reproduzo a seguir os melhores momentos de um bate-papo no chat da UOL, em outubro do ano passado:

Rodrigo Castelo: Como foi que você pensou em ser cartunista?
Allan Sieber: Nunca pensei, foi azar mesmo.
China: De onde você tira as inspirações?
A.S.: Pornografia e religião são o q me inspiram. Amo muito tudo isso.
Laura: Ás vezes vc parece odiar o Sul...
A.S.: Laura, eu odeio várias coisas.
Diogo Luz: Como foi mudar do sul para o Rio?
A.S.: O Rio é muito legal, gosto de morar aqui. As meninas vão de biquini no super-mercado.
Daniel76: Vc poderia falar do mercado, como entrar nele de maneira adequada, é só criatividade ou é uma questão de contatos?
A.S.: É sorte e muito trampo. Sei lá. O "mercado" é uma entidade meio estranha.
olho: Nas tiras vc sempre tira sarro de tabus: pedofilia, bichice, religião.... vc já teve muito trabalho recusado por isso????
A.S.: Eu tenho trabalhos recusados até quando falo sobre coelhinhos bonitinhos.
Maanape: Seu trabalho é bem variado, tem coisa mais adulta, outras mais adolescentes. Vc tem preferência por algum?
A.S.: Gosto quando pessoas ricas o apreciam.
Lupe: Quando você começou a publicar as tirinhas do “Preto no Branco” no site da Tonto já havia a idéia de publicá-las em livro?
A.S.: Sim, a idéia era lançá-las em um álbum. Mas o lance é q é um album de tiras feitas sem censura nem nada, eu mandava para a Tonto e saía. Isso é do caralho.
SoberaNo: Como surgiu a ideia de criar a “Vida de Estagiário”?
A.S.: Fui office boy por uns dois anos, dos 15 aos 17. Então sei como é se fuder numa empresa.
Rodrigo Araújo: O que vc usa para fazer animação?
A.S.: Lápis, pincel, folhas, nanquim, photoshop e after effects
Maanape: Vc tem algum objetivo específico com seu trabalho?
A.S.: Ganhar muita grana. Mas com um pouco de dignidade. Hummm...Vai ser dificil.
+ AngrA +: O q vc gosta de ouvir qndo esta desenhando?
A.S.: Ouço muita coisa o tempo inteiro, de Chet Baker a Mr.Catra, de Ramones e Misfits a Public Enemy.
candlebox: Às vezes tu fica muito sinistro...você já tentou se matar?
A.S.: Já, mas até nisso fui incompetente.

quarta-feira, agosto 10, 2005


PEEP SHOW FROM HELL

Sim! Sin City!Um filme dirigido por Robert Rodriguez baseado nos quadrinhos do Frank Miller? Esse eu tinha que ver.

Robert Rodriguez surgiu nos anos 90 com “El Mariachi”, uma pequena obra-prima de ação filmada num esquema amador numa cidade do México, que contava a história de um violeiro (mariachi) que era confundido c/ um matador, o “Azul”. Reza a lenda que para levantar grana p/ o celulóide, Rodrigues vendeu seu sangue e submeteu-se como cobaia em experiências. Em seguida, fez “A Balada do Pistoleiro”, “Um Drink no Inferno” e a série "Pequenos Espiões" (onde revela seu lado família com muito talento), tornou-se amigo de Quentin Tarantino, p/ quem compôs a trilha sonora de “Kill Bill: vol.2” – Tarantino retribuiu o favor dirigindo um dos episódios de “Sin City”. Além disso, o cara edita os próprios filmes. Foda.

Frank Miller é um dos caras mais sinistros dos quadrinhos. Sozinho, ele reformulou a indústria americana dos gibis de super-heróis, primeiro levando um personagem de segunda, o Demolidor, p/ o topo das vendas no início dos anos 80. Em seguida, fez as séries “Cavaleiro das Trevas” e “Ronin”, que criaram o conceito de “graphic novel” e lhe renderam convites p/ o cinema. A revolução de Miller foi tornar adulto um gênero infantilóide e alienante, criando personagens feios e mal-intencionados, em cidades sujas e decadentes. Além disso, o cara desenha muito e tem um estilo inconfundível.

Em 1991, lançou a série “Sin City”, onde evidenciava seu estilo e ia além, estourando suas cenas c/ contrastes preto&branco. Após experiências fracassadas em Hollywood na década de 90, Miller se recusou a vender os direitos de adaptação para o cinema de quaisquer de seus trabalhos nos quadrinhos. Robert Rodriguez, que era um grande fã de "Sin City", rodou por conta própria um curta-metragem baseado em uma das histórias da série, como tentativa de convencê-lo a autorizar o projeto. Conseguiu.

Ao apresentar o curta a Frank, Rodriguez disse que caso ele gostasse do material esta seria a cena de abertura do longa-metragem. Caso não gostasse, Miller poderia usá-lo para mostrar aos amigos, como uma brincadeira com seus personagens. Miller aprovou o material e, desta forma, o filme foi autorizado.

Robert Rodriguez considerava o estilo visual de Frank Miller tão importante para Sin City que fez questão que Miller recebesse o crédito de "co-diretor" no longa-metragem. Como o Director's Guild of America não permite a existência desta função, Rodriguez decidiu por se desligar do sindicato. Por causa desta decisão o diretor foi obrigado a abdicar de outro longa-metragem, “John Carter of Mars”, que rodaria para a Paramount logo após a conclusão de Sin City.

Sin City é baseado nas histórias"The Hard Good-Bye", "The Big Fat Kill" e "That Yellow Bastard", todas publicadas em graphic novel. As próprias revistas serviram como story board. O filme conta algumas histórias underground de Basin City, cidade sem Deus e sem Lei, onde os heróis vivem à margem e as putas mantém a paz nas ruas de armas em punho. São duas horas de tiros, explosões, canibalismo, mutilações, caras feios e mulheres bonitas,tudo sob uma puta direção de arte, c/ destaque p/ a fotografia, que se empenhou ao máximo em captar o clima dos gibis.

Sim, mulheres bonitas, eu disse. Por causa delas as coisas acontecem o tempo todo. Já na parte dos caras feiosos o destaque vai para Mickey Rourke no papel de Marv, o cabuloso que segue numa vingança pessoal contra a máfia que matou sua puta favorita. Rosário Dawson também arrebenta como a justiceira Gail, mas quem quebra tudo mesmo é um anjinho chamado Jessica Alba, a stripper Nancy. Dizem que ela visitou alguns peep shows p/ pesquisar sua personagem, e que queria que fosse contratado um coreógrafo para ajudá-la em suas cenas de dança. Robert Rodriguez insistiu que não era necessário e que bastava que ela sentisse a música e dançasse da maneira que quisesse. Mais uma vez, ele estava certo.

Jessica ainda interpreta a Mulher-Invisível no filme do Quarteto Fantástico. De adaptação de quadrinhos pro cinema, por enquanto tá bom pra mim. Estou esperando pela versão de “Ranxerox”, parece que o Benicio Del Toro está cotado p/ fazer o papel do Ran. Legal. Tomara que o diretor seja algum italiano fã de Liberatore e Sérgio Leone. Mas, convenhamos, a Jéssica Alba Mulher-Invisível?! Sem chance!