segunda-feira, outubro 24, 2005

FALTA MUITO, PAPAI SMURF?
Bukowski dizia que “política é o mesmo que foder cu de gato”. Eu nunca tentei nenhuma das duas coisas. Na real, desde que começaram a estourar essas denúncias de corrupção, decidi ficar na minha e jamais me pronunciar sobre o assunto. Mas mudei de idéia.
O governo Lula tem se caracterizado como um dos mais demagógicos e corruptos da história do Brasil – se bem que a concorrência é dura – e, ao invés de TENTAR resolver os problemas endêmicos nacionais, como saúde, educação, emprego, moradia e até mesmo segurança, está sempre inventando campanhas: Fome Zero, Bom Exemplo, Desarmamento, etc.
No resto do mundo não é diferente. Diz-se por aí que estamos “na era da informática” e que “informação é poder”. Acontece que o acesso à informação ainda é controlado verticalmente por quem detém o poder. BUSH, por exemplo, mantém toda uma rede de mentiras para justificar suas ações, seja invadir o Iraque, ou ignorar o Protocolo de Kyoto.
Tomemos como exemplo o SUDÃO, o maior país da África, que há 46 anos sofre com uma guerra civil entre muçulmanos e cristãos. Em 2003, tribos locais não-árabes se rebelaram contra o governo – sua reinvidicação: estradas, hospitais, serviços públicos básicos. Em retaliação, as tropas do presidente Omar Hasan Ahmad al-Bashir bombardearam cidades, queimaram vilas e criaram centenas de valas comuns. A guerra, e prolongados períodos de seca, já fizeram 1,5 milhão de mortos.
A ONU enviou até agora apenas uma pequena missão de monitoramento, que pouca atuação efetiva teve sobre o quadro de terror. A mídia sequer cita o assunto nos telejornais – por falar nisso, no que deu todas aquelas CPIs?

ENQUANTO ISSO - O Fundo da ONU para a Infância (Unicef), lançou este mês na Europa uma campanha em que os SMURFS têm sua vila destruída em um ataque aéreo. A propaganda visa angariar fundos p/ cuidar de crianças que foram usadas como soldados nos conflitos na África. A estréia do comercial foi na Bélgica, país do cartunista Pierre “Peyo” Culliford, criador dos personagens.
Philippe Henon, porta-voz do Unicef, disse que a idéia de usar os Smurfs foi p/ chocar a audiência, que costuma se abster em tais questões. Segundo ele, a tática está funcionando.
O filme de 20 segundos começa c/ os Smurfs cantando e dançado em sua vila, rodeados de pássaros e borboletas. Então, surgem aviões lançando bombas sobre o vilarejo, incendiando as casas de cogumelos. A SMURFETE MORRE enquanto os outros azuis correm desesperados. Um bebê smurf é abandonado no local das explosões, chorando...
Henon concorda que não é fácil convencer as pessoas a ajudarem em causas humanitárias. Segundo a jornalista americana Samantha Power, vencedora do prêmio Pulitzer c/ o livro “Genocídio”, “(...) o problema é que todos os países são motivados pela mesma coisa, o AUTO-INTERESSE. Os cidadãos sempre querem ajudar a si próprios, não aos demais. E os políticos vêem o silêncio da sociedade e se perguntam por quê vão se meter (...)”.
Assim caminha a humanidade.

@

quinta-feira, outubro 13, 2005

PAGUEI O MICO

"Pra se topar uma encrenca basta andar distraído que ela um dia aparece." Moreira da Silva* nunca pilotou uma moto mas com certeza sabia das coisas. Voltei a andar de moto, digo, a pilotar, e já me meti em mais uma.
Sábado (08/10) eu tava em casa quando decidi descer na cidade pra abastecer a minha Biz. Na estradinha de acesso, a mesma em que me acidentei -na mesma encruzilhada! - tava rolando uma BLITZ.

Comecei a pilotar no início deste ano e ainda não tirei a habilitação. Por conta disso, dei meia-volta. Estava a uma distância de 1km da batida policial, mas a pista é um retão com pouco movimento de veículos, e um farol no meio da noite não passa despercebido. Toquei a 90 km/h de volta pra casa, e pelo retrovisor vi 2 faróis acesos vindo na minha direção.

ESTAVA SENDO PERSEGUIDO. Acelerei ao limite da motinha, e mesmo assim a viatura se aproximava mais e mais. Perseguição em alta velocidade, até eles me alcançarem e mandarem encostar, armas apontadas. Após o baculejo e uma série de perguntas, fui escoltado de volta até a blitz. Só não fui preso porque, ao ser abordado, identifiquei-me como morador da ilha e expliquei que estava apenas tentando evitar a blitz, por não ser habilitado.

- Por que fugiu da viatura, então? QUANDO VOCÊ FOGE, PRA GENTE É UM FUGITIVO.

Pelo rádio buscaram minha ficha, mas não havia nenhum registro meu na lista negra. SOU TRABALHADOR, PORRA. A blitz era da Choque, todos portando submetralhadoras e coletes à prova-de-bala cobrindo suas identificações. Provavelmente estavam atrás de alguém. O cabo trouxe o texto pronto:
- Você foi pego sem habilitação, e ainda tentou fugir. Vai ter que ser detido... A não ser que você possa fazer algo para que a gente possa te ajudar...
- Bom, eu posso desistir de pôr essa gasolina, o que o senhor acha?
- É o seguinte - ele disse - nós estamos em quatro aqui... - Achei que ele ia pedir umas 100 pratas pra me liberar, mas ele mandou essa:
- ME DÁ O QUE VOCÊ TEM AÍ QUE TÁ TUDO CERTO.

Tive que morrer no mico-leão-dourado para pagar o pedágio dos porcos. Não é nada agradável pra mim a idéia de ter me envolvido num esquema desonesto pra livrar minha cara desses FDP. Mas é aquela história:
SUBORNAR O GUARDA: R$ 20,00.
MINHA LIBERDADE: não tem preço.

@dolfo s@´ - continua andando de moto e pretende tirar a carteira de habilitação (só não sabe quando).
* Moreira da Silva - clássico malandro honesto, criador do samba-de-breque, aposentou-se como motorista de ambulância.