terça-feira, novembro 29, 2005

SEARCH & DESTROY
Show dos Stooges no Brasil! Essa foi p/ pagar meus pecados... A minha banda favorita de todos os tempos vem tocar no meu país e eu não consegui ir. Além de morar bem longe das cidades onde Iggy e sua banda se apresentaram (RJ e SP), os ingressos custavam entre R$ 100 e 120,00. O show dos Stooges no Brasil entra p/ minha longa lista dos que eu perdi: Beastie Boys, Sonic Youth, Pixies, Mudhoney, Manu Chao, MC5...
Não há nada mais a ser dito sobre Iggy Pop: o cara é uma lenda viva porque se recusou a morrer. Já foi chamado de “a mais exageradamente audestrutiva criatura do showbusiness”, por seu estilo selvagem de viver e se apresentar nos palcos: Iggy foi o primeiro roqueiro a pular de um palco em pleno show, em 1968 – estava inventado o stage diving; Usou tanta heroína que as paredes de sua casa eram manchadas de sangue; Comeu todas as hippies de Detroit nos anos 60 e todas as punks de Nova Iorque nos 70; Rolava em cima de cacos de vidro, abaixava as calças, chamava o público pro pau...
Junto c/ os irmãos Ron (guitarra) e Scott (bateria) Ashton, e do baixista Dave Alexander (morto em 1975), formou os Stooges (“patetas” em inglês) e inventou um jeito mais cru e selvagem de tocar música, praticamente criando o PUNK – as primeiras bandas do gênero, tipo Ramones, tinham os Stooges como modelo principal. Lançaram 3 álbuns que são clássicos da fudição: “The Stooges” em 1969, “Funhouse” em 70, e “Raw Power” em 73. A banda acabou, na época, como um fracasso de público e crítica. 30 anos depois, voltaram a se reunir. Nesse meio tempo, porém, Iggy manteve uma carreira solo bem estável, e é praticamente em cima da fama dele que a banda voltou. No baixo, Mike Watt, ex-Minutemen.
Aos 58 anos, Iggy explica o motivo da reunião após 3 décadas de separação: "Não posso responder pelos outros, mas p/ nós levou esse tempo porque eu não tinha confiança de que seria tão bom quanto está sendo. Foi um choque quando a banda se separou [em janeiro de 1974, após um show que acabou em confusão generalizada, com Iggy brigando com uma gangue de motoqueiros]. Minha música chegou a um ponto em que não sabia o que fazer. Aí chamei os caras novamente. Não foi nada planejado. Eles vieram para tocar em apenas uma música. Aí eu disse: ´Que tal mais uma?´. Depois: ´Que tal mais quatro?´. Foi assim."
Dizem que o rock morreu e esqueceram de enterrar. Iggy Pop & the Stooges são a prova viva de que vaso ruim não quebra fácil. No Brasil, tocaram “Dirt”, “1969”, “Fun House”, “Real Cool Time”, “Not Right”, “No Fun” e “I Wanna Be Your Dog”, uma lista que me dá vontade de chorar de tão foda. Quando eu ficar velho quero ser que nem o Iggy.

sexta-feira, novembro 25, 2005

S/ COMENTÁRIOS
“Seja bem-vindo à ADM: só má sorte e consciência pesada!”... A frase de Allan Sieber me lembrava aquela inscrição que se lê na porta do inferno em “A Divina Comédia”: “aquele que por aqui passar, deixai pra trás toda a esperança”. Na verdade, na porta do inferninho que a gente estava entrando tinha escrito apenas “Pantera´s”, um bar de strip-tease que já foi uma casa de show chamada “Little Hell”. O mundo dá voltas.
Ano passado, quando eu tava na merda – havia sido despedido e não passava por uma boa fase c/ as mulheres – me joguei pro RJ e quem me deu uma força foi o Allan, cineasta tosco e cartunista quase famoso, velho chapa dos tempos de zines. Na época, ele havia acabado de lançar o “Preto no Branco”, seu 1º livro, mas também não tava muito legal – inchado de tanto beber e fumando 2 maços de cigarro por dia. A princípio eu iria colorir parte do“Santa de Casa”, o novo projeto de animação da sua produtora de vídeo, a Toscographics. Mas a maldição ADM bateu forte, e durante minha estada só rolou merda: o computador que eu ia trampar quebrou, o apartamento foi arrombado por ladrões, e nós passávamos fome direto, apesar de nunca faltar cerveja na geladeira – que ficava na sala... Daí eu voltei p/ casa e o Allan foi despejado.
Este ano as coisas estão melhores, pra mim e pra ele. Eu tô c/ um novo emprego e uma namorada firme. Ele ganhou o prêmio HQ Mix de melhor álbum de humor nacional por “Preto no Branco” e lançou mais 2 livros: “Vida de Estagiário”, pela Conrad, e “Sem Comentários”, pela Casa 21; está c/ uma revista de humor nas bancas, a “F.”, feita em parceria c/ os cartunistas Leonardo e Arnaldo Branco; o “Santa de Casa” finalmente ficou pronto e deverá ser lançado em breve e o longa “Sou Feia Mas Tô na Moda”, de sua ex-esposa e sócia na Tosco, Denise Garcia, está bombando por onde passa. E ainda tem o documentário “Pereio Eu Te Odeio”, que está em andamento...
O Grande Bastardo esteve aqui na cidade no último final-de-semana p/ um workshop de animação patrocinado pela Casa Curta-SE, espaço de cinema da incansável Rosângela. Fez uma présa me descolando uma cópia do seu mais novo livro. “Sem Comentários” é a transposição p/ o papel do blog que o Allan mantém há 3 anos e é um sucesso de público na internet. Com formato de calendário e recheio colorido, mistura quadrinhos, charges, ilustrações e textos autobiográficos do autor, uma espécie de Bukowski e Sid Vicious juntos numa pessoa só.
C/ vcs, alguns dos melhores (ou piores, dependendo do ponto de vista) momentos de Allan “Sem Comentários” Sieber:

“Sempre tive medo de ser preso e me fuder porque não fiz faculdade e nãotenho direito a cela especial. Esse é o único motivo pelo qual me submeteria a anos de estudo.” (05/05/03)

“Hoje em dia parece que todo mundo já nasceu com um celular enfiado no raboe NÃO existe outra forma de se comunicar.” (25/05/03)

“Voltei da minha Misery Tour pela Europa. Fui com 10 reais e voltei com 20euros. Me dei bem, afinal isso quer dizer um lucro de mais ou menos 60reais.” (23/12/03)

“Tenho dificuldade em me concentrar. Converso com as pessoas mas não ouço oque elas dizem. Leio um livro e ao chegar na metade preciso voltar para ocomeço porque esqueci quem é quem na história.” (09/08/04)

“Estou tão na merda, mas tão na merda, que o João Moreira Salles estápensando em fazer um documentário sobre minha vida. (...) E esses diasestava comendo uma coxinha e vi que tinha um tiozinho tirando fotos de mim.Olhei pra trás e era o Sebastião Salgado.” (07/12/04)

trilha sonora indicada: “I don´t know what to do with myself” - the White Stripes

segunda-feira, novembro 14, 2005

TARJA PRETA

“Terrorismo editorial”, é como Matias Maxx define a sua revista de “quadrinhos & anti-proibicionismo”. Pegando no pé das autoridades e metendo o dedo na ferida, o cucaracha vem fazendo estragos desde 2003, ano em que lançou a 1ª edição da TARJA PRETA. Com uma equipe de colaboradores que vai de putas velhas do quadrinho underground nacional, como Allan Sieber, MZK, Leonardo & Schiavon, até novos nomes como Arnaldo Branco, Juca, Danilo & Goose, a Tarja Preta é uma mistura de High Times & Rip Off Press – ícones jornalísticos da contra-cultura. A seguir, a primeira parte de uma entrevista c/ o editor do bagulho – Matias Maxx, a.k.a. “Capitão Presença”:
É verdade que vc é argentino?
Meu pai era argentino e minha mãe é uruguaia, daí que eu sei espanhol desde o berço e sempre me interessei muito pela cultura latina. Se você vai numa loja de discos em Buenos Aires tu encontra sons da Espanha e todo canto da América Latina, inclusive o Brasil. Aqui, já é mais dificil ter acesso a essas coisas.
O que vc acha da rivalidade Brasil x Argentina?
Rivalidade é foda, aprendi na marra o que é racismo, a família de um amigo meu foi bem hostilizada quando a Argentina desclassificou o Brasil em 1990... Como eu nunca me liguei muito em futebol fui poupado, mas tenho uma camiseta da seleção Argentina, e toda vez que eu uso dá merda, uma vez eu tava filmando um festival de rap, do palco, e ficaram me jogando garrafa d'água. Me orgulho muito de ser brasileiro, mas também me orgulho muito de ter tido essa criação de imigrante, aprendi que é importante cuidar do bairro, mas o planeta é muito maior.
Vc é um jornalista bem gonzo. Como descobriu essa vocação?
As coisas aconteceram muito rápido e naturalmente. Eu sempre colei com o pessoal das bandas, escrevia sobre elas no Cucaracha, num estilo bem íntimo mesmo, quando eu fui ver, em 1998 eu tou escrevendo sobre as raves de Trancoso no Rio Fanzine do jornal O Globo. Daí, antes mesmo de entrar pra faculdade eu entrevisto o Manu Chao na Argentina e vendo a reportagem pra Bizz; o Emerson Gasperin, editor na época, foi com a minha cara e começamos a fazer as coisas juntos. Daí teve o Rock in Rio, e o Emerson lançou uma de suas máximas – “Não estamos aqui para fazer a melhor cobertura, deixa isso pros babacas de site e jornal, estamos aqui pra fazer a cobertura mais chapada!” - e não deu outra. O Rock in Rio foi punk, trabalho pra cacete, eu tava fotografando os palcos enormes, e tinha que ficar correndo de um lado pro outro da cidade do rock, várias vezes por dia, dai teve o dia “teenager”, que a gente decidiu não cobrir, ficamos só bebendo, fumando e nos divertindo. Nesse dia o Alexandre Matias me explicou quem era o Hunter Thompson, aí fudeu, peguei o filme na locadora e comprei o livro na Amazon, e como diz o MD2 "...depois disso sua vida nunca mais foi a mesma..." A identificação foi total, não só pela chapação, como por esse estilo de escrever como um participante, um cúmplice da parada, e não como um reles observador, eu vejo o Gonzo por aí.
A Tarja Preta é uma revista ou um zine?
Fiz fanzines toda minha vida, antes de jornalista eu sou fanzineiro. Em 1996 comecei a fazer o "Panfleto" e um tempinho depois o "Cucaracha", publicações de xérox que eu dava de mão em mão. De 96 também é o nome Tarja Preta, mas eu sempre pensei grande, numa revista de jornalismo mesmo, uma parada maneira, bem feita, tipo uma Caros Amigos underground e maconheira. Com o passar dos anos comecei a me interessar por quadrinhos, conhecer um monte de gente do meio e depois de lançar vários Cucaracha com quadrinhos resolvi arriscar e colocar o Tarja Preta na pista, e tem dado certo pra caralho. Eu acho que o que diferencia dos zines é o preço na capa. Se tem um valor, é uma revista, é um negócio sério... hehehehe.
O que tem feito, fora chapar o coco e editar a revista?
Eu voltei a publicar na Bizz, e também estou na Trip. Ano passado publiquei uma matéria muito maneira sobre o baile funk do Mr.Catra na Vila Mimosa pra Premium; tentei vender pra outras revistas mas ninguém quis porque tinha um monte de putas seminuas nas fotos, daí eu resolvi vender logo pra uma revista de sacanagem. Eu agora tou num processo de renovação, quero comprar uma máquina digital e lentes novas, e estou fazendo umas assistências pra Daniela Dacorso, de quem eu sempre fui fã. É legal que estou aprendendo umas manhas de iluminação e estúdio, coisa que eu nunca fiz, eu sempre fui do fotojornalismo mesmo.

_\/_ Tarja Preta é Remédio Forte _\/_

sábado, novembro 12, 2005


ALI x BUSH

Viram a onda que o Mohamed Ali tirou em cima do Bush?
Na última quarta-feira, o presidente dos EUA reuniu 14 personalidades norte-americanas p/ receberem a Medalha da Liberdade, honraria criada pelo presidente Truman em 1945 p/ recompensar os civis por serviços prestados durante a 2ª Guerra Mundial. Em 1963, a medalha passou a ser conferida a civis que se destacavam no serviço de seu país, mesmo em tempos de paz.
Entre os homenageados estavam o presidente da reserva federal (FED) Alan Greenspan, a cantora soul Aretha Franklin e o insuperável Mohamed Ali.
Nascido Cassius Clay em 1942, em Lousville, Kentucky, Ali foi o primeiro triplo campeão do mundo de pesos-pesados. Sua atuação, porém, sempre ultrapassou as cordas dos ringues. Foi um dos primeiros ativistas negros, recusou-se a ir p/ a Guerra do Vietnã por não se sentir representado pelo seu país – o que lhe custou o cinturão de campeão –, e sua forte presença de espírito o tornou conhecido como o “profeta dos ringues” – ele tinha o hábito de criar poemas desancando seus adversários antes das lutas, chegando mesmo a antecipar o round em que derrubaria seus oponentes. Seu estilo de lutar ficou conhecido como “voa como uma borboleta, ferroa como uma abelha”. Um gênio.
Recuperou o título em 1974, em um confronto épico contra George Foreman, no Zaire. Esta luta é considerada “o combate do século” (XX), e rendeu um dos melhores livros já escritos sobre o assunto: “A Luta”, de Norman Mailer. Hoje, Mohamed Ali sofre da doença de Parkinson.
Durante a cerimônia, após entregar a medalha a Ali, Bush postou-se à frente do campeão com os punhos em riste, como numa luta de boxe, obviamente posando pras câmeras. Ali fitou-o nos olhos, e girou o dedo indicador em volta da cabeça, como que perguntando pro Presidente: “é louco?”...
A Casa Branca inteira caiu na gargalhada, enquanto os adversários saíam, cada um para um canto do “ringue” – Bush sem graça, Ali c/ um sorriso no canto da boca. Nocaute.
Grande Cassius Clay!

terça-feira, novembro 08, 2005

A VIDA IMITA O ÓDIO

Há 13 dias a França vem vivendo dias de caos e terror, com ruas em chamas, saques e confrontos. A onda de violência nos arredores de Paris começou c/ a morte de dois adolescentes de origem estrangeira, eletrocutados em uma instalação industrial ao fugir da polícia. Foi o estopim p/ as minorias étnicas insatisfeitas c/ o racismo, o desemprego e a repressão policial. Muitos dos saqueadores são cidadãos nascidos na França, mas de ascendência árabe ou africana. A periferia francesa é constituída por conjuntos habitacionais construídos nos anos 1960 e 70 p/ abrigar os imigrantes. O que é de admirar é que estamos falando de uma das nações mais fortes, civilizadas e estáveis do mundo.

Somente na última segunda-feira, 1400 carros foram queimados. No incidente mais sério, jovens de Grigny, subúrbio ao sul de Paris, fizeram uma emboscada c/ pedras, coquetéis molotov e armas de fogo contra a força policial. Dez tiras ficaram feridos, dois deles em estado grave, feridos no pescoço e nas pernas. Cerca de 200 jovens participaram do ataque. Na quarta-feira da semana passada, os manifestantes já haviam disparado contra policiais e bombeiros, mas sem feridos.

O sindicato policial da França pediu que o governo impusesse um toque de recolher nas áreas atingidas pelos distúrbios. Ignorando as ameaças, os jovens rebelados provocaram tumultos pela 12ª noite consecutiva ontem, terça-feira, incendiando mais de 800 veículos em todo o país e ferindo mais quatro policiais. "Nada parece conter a guerra civil que se alastra um pouco mais a cada dia por todo o país", disse uma nota do sindicato. "Os fatos que estamos vivendo agora não têm precedentes desde o final da 2ª Guerra Mundial."

Os protestos vêm diminuindo de intensidade na região da Grande Paris, mas têm aumentado em outras partes da França. As cidades de Marselha, Saint-Etienne, Toulouse, Metz e Lille foram as mais afetadas, até o momento. Em Sain-Etienne, um ônibus foi queimado, ferindo o motorista e um passageiro. Em Toulouse, um carro em chamas foi jogado contra a entrada de uma estação de metrô. Em Lens, uma bomba caseira explodiu em uma igreja. Em Lille, 50 carros foram queimados e um repórter da TV belga foi agredido.

E os conflitos começam a se espalhar por toda a Europa. Na Alemanha, cinco carros foram incendiados em Berlim no domingo, e seis em Bremen. Segundo Wolfgang Schaeuble, ministro do interior da Alemanha, "nós (alemães) não temos os conjuntos habitacionais gigantescos que se vêem nos subúrbios das cidades francesas, mas temos sim áreas em que os estrangeiros estão cada vez mais dissociados do resto da sociedade".

Todo 1º de maio Berlim enfrenta tumultos, e ocasionalmente carros de luxo são incendiados por extremistas de esquerda, mas até então não havia um elemento étnico nos ataques, como ocorre agora. A Alemanha possui a segunda maior comunidade muçulmana da Europa depois da França - 3,2 milhões de pessoas. Na Holanda, 20% da população tem ascenção estrangeira. Na Itália, o líder da oposição, Romano Prodi, afirmou: "Temos as piores periferias da Europa. Não acho que as coisas sejam tão diferentes de Paris. É apenas uma questão de tempo". "Todo mundo está preocupado c/ o que está acontecendo", disse o premiê britânico Tony Blair. O governo francês vem sendo duramente criticado pelos principais chefes de Estado pela falta de uma política efetiva de imigração e integração social.

Quem assistiu a "O Ódio", do francês Mathieu Kassovitz , tem a impressão de que já viu esse filme antes. A película, de 1995, contava a história de três adolescentes de origem estrangeira, residentes na periferia de Paris, após a morte de um de seus amigos na mão de policiais. O incidente gera um conflito entre forças policiais e jovens do subúrbio. Ou seja, essa bola já vinha sendo cantada há muito tempo, mas as autoridades francesas devem ter achado se tratar de mera obra de ficção. O filme termina com uma metáfora, a história de um homem otimista que, ao cair de um prédio, fica repetindo a si mesmo: "até aqui está tudo bem... até aqui está tudo bem...".

sábado, novembro 05, 2005

VERY IMPORTANT PEOPLE

Quinta, 03/11. Show da Cachorro Grande, que faz sucesso entre a molecada roqueira que curte a Mtv – mas esses merecem se dar bem. Os caras são ROCK até o talo, levam a sério o life style, e não têm viadagem de estrelismo.
Colei no hotel onde a galera estava hospedada. Tava charlando de VIP por conta do meu mano Bola, guitarra da Sangria, banda baiana da nova geração formada por sobreviventes da Úteros em Fúria e Dinky-Dau. Os caras da Cachorro estavam bolados porque tinha acabado a cerveja no hotel. Falha grave. Vai ver a gerência teve alguma experiência ruim com bandas de rock embriagadas, e pelo naipe dos caras, resolveram sabotar só por garantia.
Mas não era por isso que a gente ia ficar de cara, e chegamos no local do show já de boa. O Tequila Café é uma das melhores casas do ramo na cidade, ambiente de boate & tal. O público é mais elitizado, mas em show de rock sempre colam uns malucos. A noite estava florida, Aracaju manda bem nesse quesito. Pedro Bó, baixista da Sangria, disse que já tinha se apaixonado pelo menos 3X em menos de 1 hora.
O show de abertura foi da Snooze, banda do Rafael Jr., meu ex-parceiro de zine da época do Cabrunco. Ele é o único membro remanescente da formação original, mas o som continua igual: rock-pop-cantado-em-inglês. Até a voz do vocalista novo lembra a do Fabinho. Tocaram uma nova, em português, e foi isso.
Em seguida, a Sangria. Mó metaleira, rifões pesados e altos berros de Mauro “Pithon”. Legal ver meus velhos amigos doidões fazendo som novamente. Aí minha namorada chegou, direto do trampo, e foi só alegria.
O show dos cachorros grandes foi classe, os caras zoando muito, tocando várias conhecidas. Suaram os terninhos. Beto Bruno não desentoa quando grita e o guitar Marcelo Gross toca muito. Sem falar no teclado Rhodes do Gordo. Se a Sangria tava mais pra Black Sabbath, a Cachorro Grande é tipo Rolling Stones c/ anfetaminas. Tocaram até “Helter Skelter”, p/ não me deixar mentir. Um dos shows mais legais que vi nos últimos anos.
Fim de festa, todo mundo de cabeça feita. E eu & minha gata nos jogamos numa pousada, “pro dia nascer feliz”, como dizia o viado do Cazuza. Uma noite de sexo, drogas & rock´n´roll, não necessariamente nessa ordem. Como nos velhos tempos.