sábado, janeiro 07, 2006

EQUILÍBRIO DISTANTE
“Uma terra sem povo p/ um povo sem terra.” Sobre este slogan foi formado o ESTADO DE ISRAEL, em 1948. Acontece que a premissa não era verdadeira, e a história, muito mais antiga. Tudo começou há 2 milênios, c/ a Diáspora judaica. Expulsos da região no séc.II pelos romanos, os judeus expatriados estabeleceram-se em diversas partes da Europa. Mas, ao mesmo tempo em que alcançavam progresso material ao longo dos séculos, também eram hostilizados e perseguidos. Isso fomentou a idéia e o desejo de uma terra judia separada, a partir do final do séc.XVII. Nascia o movimento nacionalista judeu, ou Sionismo.
Segundo o jornalista Joe Sacco, autor da graphic novel “Palestin
a”, o pensamento sionista baseia-se em 3 fundamentos: “A existência de tribos hebraicas na Palestina, o acordo entre seu deus tribal Yahweh e Abraão, e os períodos de reinados hebreus”. Sacco, nascido na Ilha de Malta e radicado em Seattle (EUA), conviveu c/ israelenses e palestinos no início da década de 90, após a Guerra do Golfo, e saiu de Oriente Médio c/ histórias que lhe valeram o American Book Award. Não por acaso, sua história chama-se “Palestina”, e não “Israel”.A região da Palestina já era ocupada desde o início do Islamismo, por uma maioria de árabes muçulmanos e uma minoria de árabes cristãos e judeus. O movimento sionista, por sua vez, só ganhou força no final do séc.XIX. Finalmente, em 1917, um dos líderes do Sionismo, Theodor Herzl, conseguiu o apoio da Grã-Bretanha p/ a implantação de um estado judeu na região que já era conhecida como... PALESTINA!
Desde o início a imigração judaica foi problemática, primeiro pelos conflitos gerados c/ o povo que já ocupava aquela área, e depois por desacordos entre a política sionista e os interesses ingleses, que deram apoio financeiro e bélico p/ a ocupação. “A aquisição por judeus de terras cujos donos estavam ausentes, a expulsão de camponeses palestinos e as políticas contra a contratação de trabalho palestino foram algumas das razões p/ a crescente tensão e violência que culminou c/ a Revolta Árabe, de 1936 a 39, esmagada pela Inglaterra”, escreve Joe Sacco na introdução de seu livro. Após a 2ª Guerra Mundial, na qual 6 milhões de judeus foram dizimados em campos de concentração nazistas, a Inglaterra (“incapaz de controlar a situação”, diz Sacco) passou a questão p/ a recém-formada ONU, que votou a favor de 2 Estados na Palestina, um árabe e outro judeu. Esse acordo concedia 57% do território aos judeus, e foi rejeitado pelos palestinos. Mesmo assim, em maio de 1948, proclamou-se oficialmente o nascimento do Estado de Israel. Ao longo desse ano, as tropas israelenses invadiram e/ou destruíram 400 vilarejos palestinos, estendendo seu controle a 77% da região.
Em 1967, os palestinos deram início à Intifada, que culminou c/ a Guerra dos 6 Dias e a vitória de Israel, que aproveitou p/ estender seu domínio, ocupando a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e o lado leste de Jerusalém. A ONU exigiu que as forças israelenses se retirassem desses lugares, mas ao invés disso, Israel promoveu assentamentos e anexou a “Grande Jerusalém”. Até os dias de hoje, 300 mil judeus vivem nas terras palestinas conquistadas em 1967, enquanto um número semelhante de palestinos expulsos em 1948 e 67 ainda vivem em campos de refugiados.
Atualmente, a grande preocupação da comunidade internacional é c/ a saúde do 1º Ministro israelense, ARIEL SHARON. Sharon, 77 anos, apelidado de “Arik” pelos amigos e “Trator” pelos inimigos, é um político linha-dura de extrema direita que sempre esteve à frente dos principais episódios na história de guerra entre as duas nações, ao longo do séc.XX. Começou sua carreira como militar, e em 1956, liderando a Unidade 101 na Guerra do Sinai, destruiu um vilarejo na cidade de Kibaya, matando 69 civis. Por sua causa, o governo de Israel teve de impor uma ordem às tropas proibindo-as de matar mulheres e crianças. Sharon justificou-se dizendo que “p/ cada ato de terrorismo árabe haveria um preço alto a pagar”. No entanto, sua posição de líder militar foi consolidada c/ as vitórias nas guerras dos 6 Dias (1967) e do Iom Kipur (73), sobre tropas muçulmanas sírias e egípcias.Em 1982, Israel organizou uma ofensiva contra a OLP (
Organização p/ a Libertação da Palestina) intitulada “Operação Paz na Galiléia”. Sharon expulsou a OLP de Beirute, capital do Líbano, e empossou um presidente cristão aliado de Israel, Bashir Gemayel, que seria assassinado por agentes da Síria em seguida. Em represália, milícias cristãs invadiram campos de refugiados palestinos de Sabra e Chatila e massacraram os civis num banho de sangue que resultou em 2000 mortes. Sharon, então ministro da Defesa, teve de renunciar ao cargo
Contra os palestinos, pesa o estigma do terrorismo. Em 1993, foi
selado um histórico acordo de paz entre o premiê israelense Yitzhak Rabin e o líder da OLP, Yasser Arafat, c/ um simbólico aperto de mãos. No entanto, o assassinato de Rabin rompeu a frágil trégua entre os dois povos. Em 2000, Sharon visitou um dos locais sagrados p/ judeus e muçulmanos, a Esplanada das Mesquitas, enfurecendo os palestinos. O episódio deu início à 2ª Intifada e enfraqueceu o governo de Ehud Barak, sucessor de Rabin. Em janeiro de 2001, Sharon elegeu-se 1º Ministro de Israel prometendo pôr fim ao terrorismo.
A política anti-terrorista de Sharon já era esperada pelo lado palestino, e a tensão entre as duas partes só fez aumentar nos últimos anos, c/ mais atentados terroristas e recrudescimento da força israelense. Apesar de tudo, Ariel Sharon havia consentido c/ a retirada dos assentamentos judeus na Faixa de Gaza, e seu atual estado de saúde pôs o mundo em dúvida sobre o progresso das negociações
de paz na região. Sharon teve 2 derrames em menos de um mês, já sofreu 3 intervenções cirúrgicas e encontra-se em coma induzido. Mesmo sendo duro na queda, vai ser difícil p/ ele sair dessa.Enquanto isso, no dia 25 deste mês serão realizadas as eleições legislativas dos palestinos, que escolherão os 132 membros do parlamento. Desde 1996 não há eleições, pois a Autoridade Palestina, atualmente representada por Mahmoud Abbas, considerava inviável organiza-las c/ a ocupação israelense e a falta de segurança. Os dois maiores grupos políticos palestinos são o Fatah, que é o partido governante, e o Hamas, ou Movimento de Resistência Islâmica, que participa do processo eleitoral pela 1ª vez e defende publicamente a destruição de Israel.

Houve um aumento na violência na Faixa de Gaza nas últimas semanas. A Força Aérea de Israel disparou um míssil contra um prédio na Faixa de Gaza ocupado pelo Fatah, que segundo os israelenses, foi atingido porque estava sendo usado por membros das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa. Em resposta, rebeldes palestinos armados até os dentes ocuparam vários prédios do governo em Rafah, incluindo o escritório da Comissão Central Eleitoral Palestina, e fecharam a fronteira c/ o Egito.
A novela continua. No “post” anterior desejei “muita Paes em 2006” aos leitores do Viva La Brasa, porque PAZ mesmo tá difícil. Em breve pretendo dar uma geral na situação do Iraque. Até lá, Shalom! E Salaam Aleekum!

2 comentários:

Denis disse...

from the bible until the Coran / revelation in jerusalem / shalom / salamalokoum/ you can see christian jews ans muslins / living together and praying amem / let's give thanks and praises!

Adão disse...

excelente!!!