quarta-feira, abril 12, 2006

DON´T BELIEVE THE HYPE

Jack Johnson, a instituição
A música que se faz hoje em dia é tão chinfrim que qualquer artista que não seja criação das gravadoras vira a salvação da lavoura. O “cara da hora” é o Jack Johnson, um havaiano de 30 anos que toca uma viola e canta a vida simples. Talvez o estilo low-profile do cara seja o que o distingue das milhares de apostas “fake” do mercado fonográfico. No início deste mês ele esteve no Brasil p/ 2 shows, e a babação de ovo em cima do cara foi tão grande que se tornou insuportável ouvir aquelas baladinhas que ele faz: música folk calminha, som de luau, nada que o Ben Harper (que por sinal é seu amigo e padrinho) não tenha feito antes – e melhor.
Eu até entendia o sucesso que ele fazia no meio do surf, afinal os surfistas sempre seguem as tendências que estão nos filmes de surf, e Jack Johnson surgiu p/ o mundo ao dirigir os documentários “Thick then Water” e “September Sessions”, c/ seus chapas Kelly Slater, Rob Machado, e outros “surf stars”. Johnson compôs as trilhas sonoras destes filmes, e daí a começou sua bem-sucedida carreira de músico, c/ três discos já lançados. Mas, como disse meu amigo
Allan Sieber: “Tá na cara que esse sujeito é um cantor de churrascaria havaiana.” Em São Paulo, os ingressos p/ a área vip custavam R$ 380,00, antecipados. Puta couvert caro!Na verdade, o que mais me impressiona na biografia dele foi um acidente que ele sofreu há 12 anos em Pipeline, a esquerda mais clássica do surf. E também a mais matadora. No último inverno havaiano, o big-rider taitiano da nova geração Malik Joyeux morreu ao ser acertado pelo lip de Pipe. Jack Johnson se deu bem: só precisou de algumas cirurgias p/ reconstruir a face. Tem sorte mesmo, o puto.
Há quem ache positivo o fato de o Brasil estar sendo incluído nas tours das grandes bandas e artistas gringos. Quando os Rolling Stones e o U2 vieram tocar aqui no início do ano, lembrei do Bukowski. Ele foi p/ um show dos Stones nos anos 70 sendo pago por uma revista, mas na sua resenha ele falou mais de corridas de cavalo que do show em si, e concluiu que teria sido melhor ficar em casa ouvindo Beethoven. Vinte anos depois, ganhou convites p/ uma apresentação do U2 em L.A., e percebeu que a banda falava sobre mudar o mundo. Bono dedicou uma música a ele, "Dirty World", como se o conhecesse, o que fez o velho Buk rir. Mais tarde ele escreveria: "Havia uma vibração lá, mas não durava muito. Era quase simplória. Eu acho que as letras eram boas se você conseguia entendê-las. Eles provavelmente estavam falando de Causas, Bons Costumes, Amores achados e perdidos etc. As pessoas precisam daquilo - idéias antiinstituição, antiautoridade, antitudo. Mas um grupo de sucesso e milionário como aquele, não interessa o que dizia, ELES ERAM A PRÓPRIA INSTITUIÇÃO."

2 comentários:

Anônimo disse...

O nome certo do filme é "Thicker Than Water", e Jack Johnson é legal.

Viva La Brasa disse...

Eu não disse que era ilegal. Na real o cara é o havaiano mais gente fina que existe, mas não é por isso que eu vou comprar um disco dele.