quarta-feira, julho 12, 2006

A ÚLTIMA RISADA DO LOUCO

ESSE CARA TINHA A CABEÇA NO ESPAÇO
Syd Barrett morreu. Um dos heróis mais chapados e geniais do rock, responsável por nove das onze músicas de “The Piper at the Gates of Dawn”, de 1967, um clássico do psicodelismo e uma das melhores estréias de um grupo em todos os tempos. O grupo, no caso, era o Pink Floyd. Barrett era tão poético e criativo quanto sombrio e depressivo, características que só se exacerbaram com o uso intenso de alteradores de consciência durante o final dos anos 60. Não deu outra: um ano após o lançamento do álbum de estréia do Floyd, Syd afastou-se da banda. Não queria fazer mais shows. Gravou alguns discos na virada dos anos 60 pros 70, como “Barrett” e “The Madcap Laughs”, e sumiu de cena definitivamente. Em 75, o Pink Floyd lançou Wish You Were Here, um disco inteiro em homenagem ao amigo. A essa altura, ele já estava vivendo na casa da mãe, em Cambridge, Inglaterra. Passou 30 anos recluso, e nos últimos anos não lembrava nem um pouco o Syd que todos conheceram: morreu careca e inchado, em função da diabetes. Para o jornalista português Rui Tentúgal, que acompanhou o Pink Floyd ao longo das últimas décadas, a originalidade de Barrett estava “no caráter surrealista das letras que escrevia e na forma como fez evoluir o blues p/ a psicodelia. As letras, muito ligadas ao espírito da época, tinham a ver com o mundo dos sonhos e a música incluía longas divagações, que refletiam a liberdade e a improvisação introduzidas pelo jazz.” Sobre o mito, Tentúgal define: “Não há, em relação a Syd Barrett, um culto idêntico ao de Jim Morrison, mas ele ficou associado à imagem de gênio atormentado e louco, e tornou-se um exemplo perfeito dos mitos que alimentam o rock.”
Discografia:> The Piper at the Gates of Down (67)
> Saucerful of Secrets (68)
> Barrett (69)
> The Madcap Laughs (70)
> The Peel Sessions (produzido por Roger Waters em 88, c/ velhas gravações de estúdio)

Um comentário:

Interestelar Overdose disse...

Viva La Barrett!