quarta-feira, setembro 27, 2006

SORTE
A gente ganha pouco mas se diverte

Durante 5 anos usei 1 piercing na cara. Tirei esta semana. Ufa!
Coloquei esse piercing em 2002 quase do mesmo jeito que fiz minhas tattoos: sem pensar muito. Porque quando a gente pára pra pensar geralmente acaba evitando atitudes insensatas. Mas essa regra não funciona quando vc é jovem.
Colocar um piercing na cara, um lugar que qualquer um poderia ver, foi na época a coroação de uma fase de loucura. Estava saindo de uma década chapada (os anos 90), tinha problemas em casa (até hoje não falo c/ meu pai), nunca havia tido um emprego formal, e definitivamente não tinha nenhuma esperança no futuro. Era um punk, embora os punks de carteirinha não me considerassem como tal.

2002 foi o ano em que Sabotage morreu. Dois amigos meus tb morreram no início daquele ano. Eu terminei um namoro de 4 anos (na verdade, ela terminou comigo), e me formei no início do ano seguinte. Foi aí que as coisas começaram a mudar.
A faculdade foi um período difícil pra mim. Eu sabia que tinha sorte de estar cursando uma, mas não conseguia me identificar c/ o sistema. Seis meses assistindo aulas, depois mais seis meses assistindo aulas, depois... Aquilo ali não diferia muito da escola, c/ exceção das garotas, que ficam mais fáceis. Enfim, eu sempre achei que pelo menos metade daquele tempo gasto em salas de aula e trabalhos teóricos sem fim poderia ser substituído por experiências práticas, porque toda profissão se aprende mesmo é fazendo.
No final de 2003 arrumei meu 1º emprego de carteira assinada, como editor de imagens em uma produtora fina. Sorte. De experiência na área de edição, eu só tinha um fanzine (o famigerado Cabrunco) e um curso de cinema, no qual tive umas aulas c/ o Giba Assis Brasil, editor dos filmes do Jorge Furtado – meu professor de roteiro. Eu nunca escrevi um roteiro. Mas descolei um trampo de editor. Parecia promissor: eu trabalharia em frente a uma tela, numa sala c/ ar condicionado, e não precisaria falar c/ muita gente. Perfeito.
Não durei muito no emprego. Nada a ver c/ a minha produção. É que algumas mulheres são vingativas. Passei uma fase difícil em 2004, desempregado. Tentei o Rio de Janeiro, mas não rolou nada e eu voltei pra casa.
Quando tudo parecia perdido, conheci minha atual namorada, a Gil, que trouxe de volta minha sorte. No início de 2005, criei o meu blog e ganhei uma nova chance. Já havia corrido quase todos os jornais, TVs e produtoras da cidade, e ouvido vários NÃO. Muitas vezes notei o entrevistador olhando intrigado pro piercing no meu supercílio. Aquilo realmente chocava as pessoas.
Comecei a trabalhar na televisão cobrindo uma brecha que nenhum editor queria pegar: o horário da madrugada. Muita gente prefere trampar à noite, mas às 5:00 da manhã a vista embaça geral, não tem esse... Serviço p/ poucos & loucos, os esquecidos pela sociedade. A ralé. Tava pra mim.
Como eu disse, a Gil trouxe minha sorte de volta, e em pouco tempo fui contratado pela TV e passei a cumprir apenas 1 turno por dia, ganhando o melhor salário da minha vida. Ainda não dá pra casar, mas tá valendo. Vivemos tempos difíceis, é legal ter um emprego e uma garota que se importa.
Festinha após o expediente: é por essas e outras que eu AMO meu trampo