quinta-feira, outubro 26, 2006

A ABERRAÇÃO Outubro de 2006: eleições, queda de aviões e ameaça nuclear. Um mês de fatos marcantes, como o 8º título mundial do Kelly Slater. Só p/ comparar, Pelé foi tricampeão da Copa do Mundo, Michael Jordan venceu 6x a NBA, e Schumacher se aposentou como hepta. Ao contrário do piloto alemão – apelidado de “Dick Vigarista” pelos adversários – Slater tá mais pra super-herói: na adolescência era chamado de “Super-Boy”, hoje é conhecido como “The Freak”.
Quando surgiu em cena, o surf profissional vivia uma época burocrática, c/ etapas em ondas pequenas e critério de julgamento conservador. Havia exceções como Tom Carroll (bicampeão mundial), Tom Curren (tricampeão e mestre do estilo) e Martin Potter (uma espécie de Wolverine do surf), mas o sistema beneficiava os “alisabel”, aqueles caras que faziam um surf no estilo “limpador de pára-brisa”. Um gênio do naipe de Mark Occhilupo chegou a abandonar o surf no auge da juventude, deprimido c/ o estado das coisas.
Slater apareceu atropelando todos, os antigos e os novos. O fabuloso
Fábio Gouveia
, campeão mundial amador em 88, chegou a afirmar que o “Superboy” talvez nunca chegasse ao título, porque era “muito radical, quebra demais a linha da onda”. Estava nascendo um novo jeito de surfar. Um jeito FREAK.
BE WATER, MY FRIEND *
Kelly Slater dominou todos os fundamentos do surf e os aprimorou, tipo um Bruce Lee de praia. Ele absorveu o estilo bonito do Curren, a linha de ataque do Carroll, a agressividade controlada do Occy, as manobras aéreas do Christian Fletcher e do Matt Archbold, e era ainda mais criativo e radical que o Pottz. Além de tudo isso, tinha a cabeça no lugar e um contrato de $5 milhões de dólares antes que completasse 20 anos.
Segundo o site da
ASP, “Slater basicamente mudou a face do surf moderno”. As competições passaram a privilegiar cenários paradisíacos c/ ondas grandes e perfeitas, e o surf nunca foi tão fluido, rápido, agressivo, plástico e... POPULAR – o que é bom e é ruim. Bom porque rola mais grana e respeito pra quem tá envolvido no mercado (campeonatos, filmes, moda, publicidade); ruim pro cara comum, que tem que dividir o line-up c/ cada vez mais gente.
Mas pergunta pra qualquer um que pega onda e vê se o Slater é considerado uma má influência, ou mesmo contestado. Até as pranchas ficaram mais hidrodinâmicas por sua causa. Ainda que nunca tenha sido militante de qualquer causa nobre, o “hômi” é uma unanimidade.
LE FREAK C´EST CHIC **

O “Anormal” venceu o circuito em 1992, 94, 95, 96, 97 e 98, quando decidiu parar de competir e apenas surfar s/ regras, ao redor do mundo. Só que aí já era. O novo estágio atingido pelo surf trouxe Mark Occhilupo de volta do mundo dos mortos p/ o título mundial de 99. Na seqüência, outro veterano da pesada venceu o circuito: Sunny Garcia, em 2000. As conquistas tardias de dois de seus ídolos instigaram Slater a voltar à cena.
Todos os tops da década atual cresceram vendo o cara surfar – e aprendendo c/ ele. Se nos anos 90 os únicos caras que faziam lhe uma frente eram seus amigos
Rob Machado e Shane Dorian, agora tem os australianos Taj Burrow, Mick Fanning, Joel Parkinson e o havaiano tricampeão Andy Irons
. Nos últimos dois anos, no entanto, o criador superou as criaturas: hepta em 2005, e OCTA há pouco mais de uma semana.
Se você nunca subiu numa prancha e ainda não se convenceu porque Slater é o cara, ponha-se em seu lugar. Milionário aos 19, octacampeão mundial aos 34, e namorando a Gisele Bündchen. Uma aberração.
*Frase do filósofo Bruce Lee
** Música da banda disco Chic

terça-feira, outubro 17, 2006

SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO ENTUBADO
Chad Hurley e Steve Chen, criadores do YouTube:
1 bilhão e 650 milhões de motivos p/ sorrir

Tá todo mundo entubando. Em menos de 1 ano na ativa, o site YouTube se tornou o maior fenômeno de popularidade na internet desde a febre do Orkut. O YouTube é um site de compartilhamento de vídeo que já conta c/ mais de 100 milhões de títulos disponíveis – de filmes de Hollywood e clips de artistas famosos a vídeos caseiros e imagens pirateadas de programas de TV. Qualquer um pode disponibilizar um vídeo no YouTube. Qualquer um pode baixar seus arquivos.
São 65.000 novos vídeos diariamente. Segundo as empresas de pesquisa americanas Nielsen NetRatings e Hitwise, o usuário médio do YouTube passa 26 minutos ao mês assistindo vídeos no site. São 34 milhões de internautas, só nos EUA. Isso equivale a 46% do mercado de compartilhamento e distribuição de vídeos on-line. Em segundo lugar fica o
MySpace.com, de propriedade da News Corporation.O YouTube nasceu independente, e assim permaneceu até semana passada, quando foi comprado pela módica cifra de $1 bilhão e 650 milhões de dólares pelo mais popular site de busca da internet, o Google. Na ponta do lápis, o YouTube não vale tanto, porque ele ainda não rendeu em termos econômicos o equivalente ao número de acessos a seus serviços. Trata-se de uma aposta no site como plataforma p/ a ampliação do Google, que já subiu do 3º p/ o 2º lugar entre as páginas mais acessadas. Google e YouTube juntos totalizam 101 milhões de visitas/mês, contra 106,5 do Yahoo e 98,5 do MSN. No dia em que o negócio foi fechado, as ações da companhia subiram de US$ 8,5 p/ US$ 429.O engraçado é que a maioria das pessoas só acessa o YouTube p/ ver besteira. Pelo menos aqui no Brasil, que dá ao site uma audiência mensal de 2,5 milhões de internautas. Vide o sucesso do Fernando Vanucci bêbado e da Daniela Cicarelli fodendo no mar. A tiazinha maconheira do filminho “Tapa na Pantera” virou celebridade. Por outro lado, os produtores independentes foram os que mais se beneficiaram c/ essa história toda. Meu amigo Matias Maxx entubou sua animação “Bonde do Brejo” e pretende lançar em breve “A Batalha do Real”: “é filme curto demais, tosco, mas que vale por ter documentado uma época muito especial do rap carioca”, diz o cineasta tarja-preta, mais um usuário do site.Como tudo que é bom dura pouco, essa megacompra do YouTube já começa a cheirar mal. Em breve, será implantado um sistema que eliminará conteúdos ilegais – tipo aqueles vídeos hardcore da Belladonna e do Hezbollah. Além disso, o YouTube acertou parcerias c/ a rede de televisão CBS e a maior gravadora do mundo, Universal Music. O Google fechou negócios c/ a Sony e a Warner Music. Faz lembrar do Napster, maior fenômeno de distribuição de MP3 da internet, que virou uma sombra do que era originalmente, após ser proibido na justiça americana de disponibilizar música grátis s/ autorização prévia.
A Justiça quebrou as pernas do Napster, mas inúmeros sites de “free download” de MP3 continuam a existir em toda a rede. Pode até ser que essas novas parcerias c/ as majors sejam um primeiro passo p/ uma “privatização” no uso do YouTube. Mas se isso acontecer, novos sites de vídeo acessíveis a todos continuarão a surgir. Quando uma nova tecnologia é disponibilizada na internet, não há como detê-la.

Fotos e ilustrações: 1) Quem disse que a internet não dá mais grana? 2) arte de Ooguro. 3) Maria Alice Vergueiro no vídeo "Tapa na Pantera". 4) arte de Juca p/ "Bonde do Brejo". 5) Tá ruim pros gringos no Oriente Médio.

terça-feira, outubro 03, 2006

SORTE INVERSA
Emerson Wiskow é um cartunista gaúcho que está prestes a lançar um livro de contos chamado “Sorte Inversa”. Eu descobri o blog do cara por acaso, onde ele expõe seus cartuns e indica os melhores artistas contemporâneos do mundo, c/ destaque p/ a arte erótica (fotos & ilustrações). O cara pode não ter muita sorte, mas pelo menos tem um tremendo bom-gosto. A seguir, uma mostra do melhor do Sorte Inversa:CHARLENE
GREG HILDEBRANT
JEAN JACQUES ANDRE
ANDREIYUSJAN SAUDEK
MARILINE FIORI
GABY SUMMERS
PIOTR ZASTROZNY SOPOT
MAGNUS BLOOMSTER

segunda-feira, outubro 02, 2006

PÃO & CIRCO
Fala sério. O resultado das eleições que ocorreram ontem comprova o que eu já sabia: o Brasil vem sendo depredado desde que Cabral chegou há 500 anos, e continuará assim até o fim dos tempos. Sanguessugas e mensaleiros foram reeleitos (Palocci, Genoíno, etc.). “Artistas” do naipe de Clodovil e Frank Aguiar chegaram lá. Maluf e Collor estão de volta, através do voto do povo. E, apesar do susto, Lula deverá continuar no comando desse circo. O brasileiro não tem do que reclamar. A culpa é toda nossa. Vale a pena não votar.