quinta-feira, maio 25, 2006

REGANDO AS RAÍZES

Faz mais de uma semana, mas noitada boa é assim: deixa seqüelas. Numa quarta-feira fodida e chuvosa, The Gladiators, uma das bandas mais influentes da história do reggae, tocou pela primeira vez em Aracaju. Reggae no Brasil é quase sinônimo de som pop p/ a playboyzada do surf, salvo raras exceções, tipo Edson Gomes. Eu mesmo não gosto. Mas curto muito reggae original e sou amigo de um dos grupos mais atuantes que existem hoje no gênero, a Reação.
O Gladiators foi formado na Jamaica há quase quarenta anos, em 1968, ainda na era do ska, e é liderado até hoje pelo lendário Albert Grifftihs. Caras como Clinton “Basie” Fearon e Gallimore Sutherland (sócios fundadores) fizeram seu nome no grupo, através de quase 40 álbuns lançados.
Eu tava meio devagar este ano, já havia perdido a passagem de Wander Wildner, Cólera e Flu, e fiquei sabendo deste show de última hora. Por sorte, edito um programa de música pop p/ a TV e descolei dois convites. Eu já tinha visto um show dos Gladiators em Salvador no ano 2000, mas foi no Festival de Verão, c/ milhões de pessoas crowdeando. Desta vez o local foi o Tequila Café, um inferninho chic na área da praia, c/ capacidade p/ algumas centenas de pessoas, apenas.
Infelizmente, Albert Griffiths não veio nesta nova turnê, abalado c/ uns problemas de saúde, e quem segurou o vocal foi seu primogênito, Al, que além de parecer demais c/ meu amigo Firmino Firmeza, tem uma voz idêntica à do pai e uma presença de palco legal – tava usando uma camisa da seleção, nº 9. “Dreadlocks the Time is Now” é um dos discos de reggae que mais ouvi na vida, e os caras tocaram várias dele: “Mix Up”, “Hearsay”, “Stick a Bush”, “Write to Me”, “Hello Carol” etc. O guitarra base numa Fender e o solo dedilhando uma Gibson, bem classe. Só por esse disco os rastas já mereciam um lugar no hall da fama. Se você nunca ouviu, corra atrás.
O show de Aracaju fez parte de uma turnê inédita dos Gladiadores pelo nordeste do Brasil, uma região onde o reggae reina. A Reação fechou a noite. Os caras têm um disco gravado há mais de um ano, que ainda não saiu por pura falta de grana. Os dois vocais, J.Moziah e André Levi, moram no morro do Santos Dumont, uma área casca-grossa, onde desenvolvem um trampo social. Têm vários “hits” na manga e uma legião de fãs na cidade. Estão demorando p/ emplacar, mas se souberem seguir o exemplo de Albert Grifftihs, saberão que Roma não se conquista em um dia.

segunda-feira, maio 15, 2006

HAY QUE ENDURECER...isso sim é protesto
As coisas vão de mal a pior na América Latina. Governos “canhotos” pregam um nacionalismo furado, c/ líderes do naipe de Evo Morales (Bolívia), Olanta Humala (Peru) e Hugo Chavez (Venezuela). Algo como o José Rainha, do MST, tornar-se presidente do Brasil. Se com Lula já está ruim...
No último fim-de-semana, morreu mais gente em São Paulo que no Iraque, em uma ofensiva contra a polícia coordenada pelo PCC (1º Comando da Capital), uma organização criminosa c/ ampla influência dentro dos presídios. Foram atentados à queima-roupa e motins simultâneos em prisões do interior do estado, assim como no Paraná e Mato Grosso do Sul. Uma situação sem precedentes, clima de guerra civil e caos social. Foram 90 assassinatos em SP, contra 32 em Bagdá. Brasil-sil-sil!
Talvez os criminosos estejam protestando. Talvez os governos de esquerda da América Latina estejam protestando. Mas eu sou mais a argentina Evangelina Carrozzo, rainha do carnaval deste ano em Gualeguaychú, Argentina. Os habitantes desta cidade protestam há meses contra a instalação de duas fábricas de celulose na região. Eles também festejam o carnaval de modo semelhante ao brasileiro. Semana passada, durante a Reunião de Cúpula União Européia-América Latina, em Viena, a estonteante morena de 25 anos invadiu o salão onde se reuniam os chefes de Estado, tirou a roupa e desfilou de biquíni carregando um cartaz ecológico. Mas ela tinha um crachá...
Che Guevara era argentino, mas liderou junto c/ Fidel Castro a Revolução Cubana, que instituiu o comunismo no maior país do Caribe. Enquanto Fidel tornou-se presidente, Che foi nomeado Ministro da Indústria. Ele tinha um plano progressista p/ Cuba, c/ a instalação de uma forte indústria nacional. Mas logo viu que Castro estava numas de Stalin, e pulou fora da ilha. Foi fazer a revolução em outros países da América Latina, e acabou morrendo na Colômbia. Mais de 40 anos depois, Fidel continua no poder, a América Latina continua uma bagunça, e o mundo vai de mal a pior. Estudantes protestam na França, homens-bomba protestam no Oriente Médio, bandidos protestam no Brasil. Mas eu sou mais a Evangelina. Com certeza, o Che também aprovaria.

terça-feira, maio 02, 2006

LULA LÁ & OS 40 LADRÕES

Não sei, não vi, não ouvi

Maio começa c/ o Dia do Trabalho, data instituída em 1889 por um Congresso Socialista em Paris, em homenagem aos mártires de 1º de maio de 1886, quando milhares de trabalhadores foram às ruas de Chicago p/ protestar contra as condições de trabalho desumanas a que eram submetidos, e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 p/ 8 horas diárias. Naquele dia, passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade, e a repressão ao movimento veio c/ prisões e até mortes, nos confrontos entre os operários e a polícia. A duras penas, os trabalhadores de Chicago conseguiram adquirir todos os direitos exigidos, e nós, assalariados, nos beneficiamos c/ isso até hoje.
Na França, o Governo Chirac teve que revogar a Lei do 1º Emprego após 1 mês de protestos populares. No Nepal, o rei Gyanendra teve que voltar atrás e reabrir o congresso, após duas semanas de protestos ferozes da população. Nos EUA, os imigrantes vêm protestando há mais de uma semana contra uma nova lei do Governo Bush que restringe sua permanência no país.
Em diferentes partes do mundo, o poder do povo é visível através dos mais diversos tipos de protestos.
No Brasil, o Ministério Público Federal denunciou um esquema de suborno e lavagem de dinheiro envolvendo 40 pessoas do alto escalão da política e economia nacional – o Mensalão -, e ninguém faz nada. Parece que não é c/ a gente. Por bem menos o brasileiro saiu às ruas p/ pedir o impeachment do puto do Collor. O PT era a última esperança de mudança p/ quem votou em Lula, e a decepção c/ essa história de mensalão parece ter deixado o brasileiro mais passivo do que nunca.
O
MPF é um órgão independente dos três poderes (Executivo, Legislativo, Judiciário). O Procurador-Geral da República, Antonio Fernando de Souza, é um juiz s/ manchas na biografia. Em seu relatório, apresentou denúncia formal contra a cúpula do PT, acusada de formar uma “sofisticada organização criminosa” especializada em “desviar dinheiro público e comprar apoio político” p/ “garantir a continuidade do projeto de poder”.
Entre os nomes citados, há figuras conhecidas como o ex-ministro José Dirceu, acusado de “chefe do organograma delituoso”; o ex-presidente do PT José Genoíno, “interlocutor da organização criminosa”; o ex-deputado Roberto Jefferson, que vendeu o apoio do PTB ao PT por R$ 20 milhões; o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, “elo c/ as ramificações operacionais da quadrilha”; o ex-secretário Sílvio Pereira, que distribuía cargos no governo; o publicitário Duda Mendonça, acusado de lavagem e evasão de dinheiro; e o mega star das negociatas, o careca Marcos Valério, c/ seis acusações, chamado pelo Procurador-Geral de “profissional do crime”. A elite do PT, PP, PL, PTB e Banco Rural estava envolvida. Só o presidente não sabia de nada?
Este ano tem eleição e Lula tem tudo p/ ganhar de novo, graças aos pangarés que estão disputando c/ ele e à conivência do povo brasileiro, que aceita qualquer coisa desde que a inflação esteja controlada. Diz o ditado que “todo povo tem o governo que merece”. Mais vale confiar em ditos populares do que em políticos. Que o diga a Petrobrás.

@dolfo s@´ - trabalha, não vota e está sempre contra os verdadeiros canalhas