sexta-feira, dezembro 14, 2007

RxDxPx 13 ANOS DEPOIS
ou QUEM TÁ NO ROCK É PRA SE FUDER
Em 1994, Aracaju foi palco de um dos mais selvagens e turbulentos episódios envolvendo uma banda de rock, um produtor picareta & um público indignado de que se tem notícia. Seria o 1º show do Ratos de Porão na cidade, aconteceria num ginásio de esportes e foi promovido pelo dono de uma loja local, com direito a tarde de autógrafos em shopping – imagina o João Gordo no auge das drogas assinando discos e camisas da molecada... Mas rolou!
O que não rolou foi o show.
Gordo & cia., escaldados de tomar “toco” de produças gatunos, exigiram cachê integral antes de entrar em cena, e o produtor local deu o perdido, deixando a banda sem a grana e os pagantes a ver navios. Geral fez barulho e a Choque apareceu pra cumprir seu papel: dar porrada em cidadão. O que você faria se gastasse seu real pra ver um show que não aconteceu e ainda tomasse porrada dos hômi? Procuraria o Procom?
Acontece que aqui no Nordeste punk tb é cangaceiro, e não ia deixar esse prejú barato. “As ruas foram tomadas por uma turba ensandecida sedenta de vingança”, relembra Adelvan Kenobi em seu blog
Escarro Napalm:“O tal ‘produtor’ já tinha aprontado algo parecido c/ a banda P.U.S., mas se deu bem, a banda acabou tocando de graça no dia seguinte em respeito a seu público e ficou tudo por isso mesmo. Só que nessa noite as coisas iriam ser diferentes. Ele tinha uma loja especializada em rock alternativo no centro da cidade, e foi pra lá que a turba se dirigiu. A loja foi completamente destruída e saqueada. O ‘produtor’ sumiu da cidade, reapareceu, p/ finalmente sumir de uma vez. Fugiu. Desapareceu. Escafedeu-se. E Ratos de Porão em Aracaju virou uma espécie de lenda urbana. Durante esses 13 anos a cidade ficou com o estigma de ser uma das únicas capitais brasileiras nas quais eles nunca se apresentaram.”No último dia 08 esse estigma foi quebrado, e finalmente Buracacity viu um show do RxDxPx. Desta vez a produção foi mais pé-no-chão e promoveu o evento em um espaço menor e mais barato, a banda recebeu adiantado e a maior porrada que rolou foi a que saiu das caixas de som, c/ bandas como INRIsório, Sign of Hate e a lendária Karne Krua engrossando o caldo. Quem conta essa história é o não menos lendário Adelvan:INRIsório no palco tem uma grande qualidade e um grande defeito. A qualidade é a precisão e a potencia c/ as quais executam suas músicas – realmente impressionante, especialmente seus guitarristas, que trabalham numa sincronia perfeita em riffs matadores durante todo o tempo da apresentação, sem pausa para descanso. Death grind de primeira. Pecam, no entanto, na postura de palco, quase sempre muito estática e desleixada. O resultado é que, na maioria das vezes, o publico em seus shows é um tanto apático.
Na seqüência a já tradicional e sempre bem-vinda presença da Karne Krua, em mais uma formação, desta vez mais afeita às origens hardcore da banda, mas tendo sempre à frente a presença carismática de Sílvio, a esta altura já uma figura emblemática do rock sergipano, com sua longa cabeleira grisalha e suas gesticulações teatrais – basta dizer que numa dessas festas à fantasia da vida um indivíduo compareceu caracterizado de Sílvio, com uma peruca grisalha na cabeça e uma guitarra a tiracolo. A nova formação está cumprindo muito bem a tarefa de trazer de volta a Karne Krua às suas origens, produzindo um som urgente e pesado para os já tradicionais hinos de rebeldia entoados desde os confins dos anos 80. Grande show.
Mas a noite, evidentemente, era do Ratos de Porão. E eis que depois de uma longa espera, eles aparecem despejando uma barulheira ensurdecedora já na abertura do show: ‘Aê Aracaju, até que enfim!’, bradou João Gordo.
E tome “Pedofilia Santa”, uma das faixas mais potentes de seu ultimo álbum, “Homem Inimigo do Homem” – e também um tapa na cara dos que se deixam levar pela fé cega. Terminado o primeiro som, o Gordo explica o que realmente aconteceu naquela fatídica noite do meio dos anos 90. Ele disse que foi tirar um cochilo antes do show no hotel e só acordou no dia seguinte pensando: ‘puta que pariu, fudeu, não teve show’. O ‘produtor’ simplesmente largou eles lá e não deu mais noticias. Mas que agora a banda iria tirar o atraso. E a partir daí começa um massacre impiedoso de músicas de todas as fases, desde o inicio tosco e punk de antes do “Crucificados pelo Sistema”, passando por “Cérebros Atômicos”, “Morte ao Rei”, “Crocodila”, “Beber até Morrer” e muitas, muitas outras. Uma hora e meia de show, aproximadamente, s/ grandes contratempos, a não ser a já tradicional rusga entre indivíduos mais exaltados da platéia e seguranças nervosos, o que fez a banda parar, meio a contragosto do Gordo, que fala no microfone já estar cansado dessa mesma história, sempre.O som estava muito bom, o publico animado e a banda instigada – inclusive o Gordo, notoriamente sempre mal-humorado, hoje em dia parece mais desencanado – já tinha notado isso no ultimo Abril Pro Rock e senti isso também nesse show – ele até reserva alguns momentos para brincar com a platéia, perguntando se estão cansados e coisas do tipo. Foi uma noite de celebração de energia rock pra ficar na memória dos (infelizmente) poucos (na verdade nem tão poucos, mas claramente abaixo da expectativa de público) que compareceram.
A noite foi fechada com mais porrada no pé do ouvido por conta do death metal brutal a la Cannibal Corpse promovido pela Sign of Hate. O saldo seria amplamente positivo, não fosse os organizadores, mais uma vez, tomarem prejuízo e anunciarem uma possível e precoce ‘aposentadoria’ na promoção de shows deste tipo, o que confirma a máxima proclamada pelos
Retrofoguetes num Punka passado, pois segundo eles, ‘como já dizia Irmã Dulce: Quem tá no rock é pra se fuder’. Especialmente quem tá no rock em Aracaju, que sempre teve um público muito volúvel e instável, às vezes comparecendo em massa, ás vezes sumindo sem nenhuma explicação aparente. É uma pena constatar que, no final das contas, as coisas realmente mudam para continuarem na mesma.”


por Adolfo Sá & Adelvan Kenobi

quinta-feira, novembro 29, 2007

PROFISSÃO: SURFISTA
Valmir Neto passa mais tempo no ar do que na água

Ganhar dinheiro p/ ficar na praia e pegar onda parece uma vida de sonho. E é. VALMIR NETO é um dos poucos privilegiados na face da Terra a ter essa oportunidade. Aos 24 anos recém-completos, ele é pago p/ surfar e viajar. Mas não pensem que "Netinho" - como é conhecido pelos amigos - é um filho-da-mãe sortudo que recebe as coisas de mão beijada. Pra chegar onde está ele teve que engolir muita água salgada até se tornar o melhor da rua, depois do bairro, e assim por diante. Como em qualquer profissão, o surf competitivo é uma peneira por onde só passam os melhores.Pentacampeão sergipano nas categorias de base, Netinho já venceu em quase todos os estados do Nordeste, e no único ano em que teve grana p/ competir no circuito brasileiro amador, terminou entre os Top 4. Não levou o título, mas conquistou o coração da surfista Karine Góes, sua atual namorada. O cara é campeão. Há 2 anos como profissional, fechou seu primeiro contrato de patrocínio há menos de 6 meses, c/ a marca de surf wear paulista South to South. Pela primeira vez na vida passou a receber um salário - até então vivia c/ o dinheiro das premiações nos eventos. As passagens e hospedagens são bancadas por um pool de empresas: a loja Venice, o site Ondulação e os óculos Spy.
Conheço Valmir Neto há quase 10 anos, sou amigo do seu pai, o longboarder Valmir Filho, e seu irmão mais novo, Tiê Chagas. Somos quase vizinhos: eu moro na Praia da Costa e eles na praia ao lado, a Atalaia Nova. Netinho, por sua vez, tanto é local daqui quanto das praias da Pipa e Ponta Negra, no Rio Grande do Norte, onde sua mãe mora. Foi lá que ele moldou seu surf, na escola aerialista de
Joca Júnior, Danilo Costa e Marcelo Nunes, todos ex-membros do WCT, elite do surf competitivo mundial. Se eles chegaram lá, por que não Valmir Neto?
Ao ser perguntado se prefere free surf ou competição, ele não pensa duas vezes: "Competição!" Mas não se enganem, Netinho não é um cara só de aéreos e campeonatos. Meu irmão mais novo, , é seu parceiro de trips e testemunha ocular das façanhas do nosso amigo. Em uma viagem a um ex-pico secreto do nosso litoral, há alguns anos, Lú me contou dos tubos quadrados em que Netinho se metia de braços abertos: "O cara completava e ainda voava na junção... Sem cordinha!"
A última viagem que os dois fizeram juntos foi a Maracaípe, Porto de Galinhas (PE), p/ a última etapa do circuito pernambucano. Perguntei a Lú se o Valmir tinha se dado bem no campeonato e ele disse, arregalando os olhos: "Meu irmão, Netinho venceu!" O cara ainda foi o
campeão do circuito, c/ 2 vitórias em 3 etapas. Depois disso ele venceu os 2 únicos eventos profissionais que ocorreram em Sergipe este ano: o Travox Surf Challenge em outubro e a 1ª etapa do circuito TBC em novembro, derrotando na final a lenda local Romeu Cruz, ex-top do Super Surf.Ao som de Tupac e 50Cent, trilha sonora escolhida por ele, fizemos esta entrevista no meu barraco, onde Netinho tá sempre em casa:

Você é sergipano ou potiguar?
Nasci aqui, eu sou sergipano mesmo, radicado no Rio Grande do Norte. A família de minha mãe é toda de lá, a do meu pai é daqui. "Dupla nacionalidade", né? (risos)

Começou a surfar onde, e com que idade?
Comecei a surfar aqui, c/ 7 anos, cara, mas me aperfeiçoei no surf lá em Natal (RN). Meu pai que colocou todo mundo no surf: eu, meu irmão, meu tio, irmão da minha mãe, que hoje tem uma loja lá em Natal... A minha família toda é do surf, cara, até minha vó é do surf, saca?

Foi lá que vc começou a competir?
Foi, eu tava c/ 13 anos. Não lembro muitos detalhes desse campeonato, mas foi massa!

Venceu logo de prima?
Não, perdi. (risos) Fiquei nervoso pra caralho, né véio...

Você foi morar lá porque seus pais se separaram, é isso?
É... Aí eu passava um ano c/ minha mãe e um ano c/ meu pai...

Foi nessa época que vc se acidentou surfando, certo?
Quando eu tinha 11 anos eu tava morando c/ minha mãe em Natal, Ponta Negra, e fui surfar c/ um amigo meu que morava lá na rua, o Guedes. Nesse dia meu tio tinha dado uma pranha p/ ele... A gente foi surfar, tal, e eu tava entrando no mar quando ele veio numa onda, na minha direção... Eu fiquei sem ação, só fiz me virar, e o bico da prancha dele bateu na minha cabeça... E eu tive afundamento do crânio c/ fratura encefálica. Fiz duas cirurgias, uma p/ retirar os estilhaços do crânio que ficaram na minha cabeça, e outra pra colocar acrílico. Fiquei praticamente 2 anos sem pegar onda... Quando fiz minha 1ª cirurgia eu fiquei uns 9 meses c/ uma pelezinha no lugar do acidente, que dava mais ou menos 3 cm do meu cérebro. Tava tipo aberto ainda. E eu não podia fazer porra nenhuma, né velho, nem andar de
bicicleta, qualquer quina, qualquer parada eu podia morrer fácil. E comecei a pegar onda escondido da minha mãe, né. Deixava a prancha na barraca de praia, pegava o ônibus, passava o dia inteiro na praia, aí minha mãe descobriu e me convenceu a fazer outra cirurgia, que eu não aguentava mais hospital...
E aí fizeram um enxerto...
Foi, eu coloquei acrílico, é como se fosse uma resina óssea, que eu tenho até hoje na cabeça. Já era pra ter feito um check-up aí, só que tem uns 5 anos que eu não... É que eu sou meio relaxado mesmo... (risos)
Mas tô bem, e o médico hoje em dia não acredita que eu sou surfista profissional, né... Ele frequenta muito a Pipa, onde minha mãe mora...
E você, já encontrou c/ ele depois disso?
Não, até hoje não tive a oportunidade de encontrar c/ ele, Dr. Zagler, mas acho que quando a gente se ver vai ser uma alegria da porra!

Voce estudou até que série?
Estudei até o 1º ano do 2º grau.

Parou por quê?Quando eu tinha 14 anos de idade, cara, meu pai veio na praia comigo e meu irmão, e me perguntou o que eu queria pra minha vida, e eu falei pra ele que queria ser surfista profissional. Então ele disse: "A partir de hoje você vai ser um surfista!" Mesmo assim eu estudava ainda, mas levava mais a sério o surf do que os estudos. Mas isso hoje em dia não acontece mais, o profissional tem que ser...
Tem que ter uma base, nem que seja inglês, né...
Com certeza, claro. Eu ainda quero terminar meus estudos, fazer vestibular e tal... Eu agora
tenho 10 anos de surf pra poder fazer meu "pé de meia". E depois, não sei se vou usar meu nome p/ fazer uma marca, uma loja, uma escolinha... Viver do surf, independente do que seja.
Hoje a maior parte dos profissionais nordestinos mora no Sul e Sudeste. Você pensa em se mudar tb?
Eu tenho esse pensamento. Se eu entrar no Super Surf... "Se" eu entrar, não, eu VOU entrar, né, se Deus quiser... Então, no próximo ano minha gata vai transferir a faculdade dela p/ Florianópolis (SC) e a gente vai se mudar pra lá. Eu acho que vai facilitar meu relacionamento c/ meu patrocínio, que é de SP, vai ficar mais perto, e eu vou poder correr o circuito WQS, vou poder ir pro Peru, e vou correr o circuito Sul-Brasileiro, Paulista... E, quer queira quer não, a "nata" do surf tá ali, né.


O que vc acha do localismo?
Eu acho que é uma merda isso, localismo. Hoje em dia aqui em Aracaju tá começando a ter... Graças a Deus a gente tá tendo um pico aqui que tá tendo onda p/ treino como outros lugares aqui no Nordeste não têm. Durante o ano inteiro! Que é o Farolzinho... Então, em decorrência dessas ondas boas tá começando a ter um localismo. Recentemente teve uma briga muito feia, c/ armas brancas, tal, justamente por causa de onda. É uma coisa muito chata, que nunca teve aqui em Aracaju, não é possível que vai ter isso agora só porque tá começando a dar umas marolas.

É moda?
Acho que é ignorância mesmo, pessoal que não tem cultura, não conhece outros lugares, sabe. Porra, o mar é feito pra todo mundo, né. Se cada um respeitar o outro, todo mundo vai surfar tranquilo, pode ter 30.000 cabeças dentro d'água. Se todo mundo tiver a consciência de esperar a sua vez, vai poder surfar tranquilo todos os dias. Mas quem é nervos
o e quer pegar onda atrás de onda - que tem muitos aqui em Aracaju assim - vai acontecer várias brigas ainda.
Mas essa palhaçada rola em todo lugar, né?
Existem coisas até piores. Em Florianópolis mesmo tem lugares que você nem entra no mar. Mas tem que existir o respeito, né. Eu acho que aqui, se deixar, vai chegar nesse ponto.


Fale sobre seus títulos de amador.
É, eu fui 5X campeão sergipano, entre categorias mirim (até 16 anos), júnior (até 18) e open. Ganhei 4 motos, 3 aqui em Aracaju no circuito e uma moto no Nordestino Amador no meu último ano, cat. open. Eu fui campeão paraibano, potiguar, pernambucano e nordestino amador há 2 anos. Foi meu melhor ano de amador, 2005.

E dessas motos, vc ainda tem alguma?
Não. Todas as motos que ganhei, vendi. Eu reverti em dinheiro e investi em mim mesmo, p/ ir pros campeonatos, né.

Você já tinha sido o 4º melhor amador do país em 2004. Por que não se profissionalizou no final daquele ano?
Oxente! Justamente por falta de patrocínio e campeonato, que ainda não tinha muito campeonato profissional no Nordeste, né. No meu último ano de amador só tinha o circuito Ecológica, lá em Natal, que mesmo amador eu corri a PRO. Nesse ano (2005), além dos títulos que eu consegui como amador tb fui campeão paraibano profissional.


E nessas vc ganhou o quê, sendo um AM vencendo um circuito PRO?Ganhei uma passagem p/ Fernando de Noronha.
E a grana?
A grana era metade, porque amador só recebe a metade do dinheiro, isso é regra de todo circuito profissional.

Quantas vezes vc já foi à Noronha?
Pô, eu já fui 4X p/ Fernando de Noronha, 4 anos seguidos. A 1ª vez fui p/ correr o WQS (Hang Loose Pro Contest), em 2003, quando ganhei minha 2ª moto aqui em Aracaju. Passei uma bateria mas perdi na 2ª fase, era moleque ainda, os caras botando uma pressão da porra! (risos) 1ª vez em Noronha vc fica meio assustado c/ as ondas, mas depois vira meio estilo Disneylândia: 6, 7 horas de surf sem sair da água...

Quebrou muita prancha?
1ª vez eu levei 4 pranchas e quebrei todas! (risos) Voltei c/ todas as pranchas "toradas"... Mas depois vc vai a 2ª, a 3ª... Da última vez eu nem quebrei prancha, vc já surfa mais tranquilo, vai na onda certa, né.

Quais suas ondas preferidas?
Thermas, né velho, aqui do lado, uma esquerda alucinante... Lá em Natal tem a Lajinha, que é uma direita fundo de pedra que quebra uns tubos estilo The Box, na Austrália... E Cacimba do Padre mesmo, velho. Você vai pra Fernando de Noronha, só quer surfar Cacimba do Padre, que é onde tá os tubos mesmo, os caldos, pá... Boldró é irado tb, Abras já surfei, já surfei no Rurus, mas a onda mesmo em Fernando de Noronha é a Cacimba: onda power, fundo de areia, tubo dos 2 lados...

Sua manobra favorita é o tubo?Tubo e aéreo. Hoje em dia eu me amarro em ficar dando umas manobras meio loucas aí, saca...
Tipo o quê?
Tipo o "Sex Change". A tradução, dizem que é "troca de sexo"... (risos) Tipo, vc tem que acertar ela 2X pq se acertar uma só vc vira mulher (mais risos), saca. Você tem que acertar outra pra virar homem (gargalhadas)... Você dá um aéreo, segura a prancha, troca de base e cai c/ a base ao contrário, tipo um "varial" segurando a prancha. Essa eu tô mandando
direto, tenho várias filmadas.
O que determinou a hora de virar PRO?
Eu já tava precisando, tava correndo os profissionais, me dando bem e ganhando só a metade. Aí eu vi que tinha que ser um profissional mesmo, afiliado, p/ poder buscar meu objetivo, que é correr o Super Surf e estar ali, na "elite".

Mas vc ainda não tinha patrocínio qdo se profissionalizou, certo?
É, só tinha patrocínio de prancha (Beto Alves). Só tinha o apoio do meu pai, que sempre me apoiou, e do meu tio Robson, lá de Natal... Agora tá legal, fechei c/ a South to South, e tal... Eu nunca tive um patrocínio assim, como eu tô tendo hoje. Recebo um salário, faço um trabalho
de marketing pra marca...

Sua mina tb compete, né?
É, Karine. Tem 2 anos que a gente tá namorando. Eu acho que graças a Deus eu encontrei a pessoa certa na minha vida. Uma pessoa que eu gosto muito, amo, e atleta tb, vai comigo pros campeonatos, muito instigada. Ela corre o circuito Senhoritas, em Salvador (BA), corre o Petrobras, só não foi pro Rio pq é muito caro, ela tá sem patrocínio ainda, mas foi pra Fortaleza (CE) e foi pra essa etapa do pernambucano comigo e quebrou lá, deu na lata das meninas todas, as pernambucanas (risos)
... E foi o "casal nº 1", eu ganhei e ela ganhou tb.Então, podemos dizer que este é o melhor momento da sua vida?Meu irmão, se melhorar estraga! Eu não posso reclamar de nada, minha vida tá 10.
Netinho vence a segunda consecutiva em Pernambucano:o título "oficial" ficou c/ o local Alan Donato, mas é só olhar a cara dos dois p/ saber quem foi o verdadeiro campeão
agradecimentos: Genisson (pelo MP3), Alysson (pela pilha) e Lú (por todos os adiantos)
fotos surf: site
Ondulação

sábado, novembro 10, 2007

UM CARA DURÃO
Duelo de gigantes: Norman Mailer X Muhammad Ali
Morreu Norman Mailer, o último dos escritores machos. Tinha 84 anos e há tempos sofria c/ problemas pulmonares. Autor de 39 livros, viveu intensamente, sempre disposto a encarar uma briga. Convocado p/ a 2ª Guerra Mundial, abandonou o curso de engenharia aeronáutica na Universidade de Harvard. De volta aos EUA, escreveu sobre sua experiência nas Filipinas e no Japão durante a guerra. "Os Nus e os Mortos", seu livro de estréia em 1948, foi sucesso de público e crítica. Aos 25 anos, Mailer tornou-se um homem rico e famoso. Foi um criadores do "new journalism", um estilo de reportagem que aliava a narração dos fatos à narrativa literária e que teve como expoentes, além dele, Tom Wolfe, Truman Capote e, numa linha mais radical, Hunter S.Thompson. Na década de 1960, fundou o Village Voice, um dos mais influentes jornais alternativos do mundo. Mesmo c/ todo dinheiro e respeito, passou a vida se metendo em encrencas: em 1960, esfaqueou c/ um canivete sua segunda esposa, Adele Morales (que não prestou queixa), ganhando o ódio eterno do movimento feminista - c/ o qual, diga-se de passagem, nunca tentou se redimir - ; em 1967 publicou "Os Exércitos da Noite", sobre a grande marcha pacifista em Washington contra a Guerra do Vietnã, o que lhe valeu os principais prêmios literários de seu país (incluindo o Pulitzer e o National Book Award) e uma prisão política; em 1973 publicou a biografia de Marilyn Monroe, atribuindo a morte da atriz ao FBI e à CIA, por causa do romance c/ o senador Robert Kennedy. No ano seguinte, viajou pro Zaire (atual República do Congo) p/ cobrir a "luta do século", na qual Muhammad Ali recuperou o cinturão dos pesos-pesados ao derrotar George Foreman. Boxe era seu esporte. Em 1979 recebeu seu 2º Pulitzer por "A Canção do Carrasco", sobre a execução do assassino Gary Gilmore. Casou-se 6 vezes e teve 9 filhos. Por 2X tentou concorrer à Prefeitura de Nova Iorque mas nunca passou das primárias - chamava os ex-aliados políticos de "bando de porcos mimados". Considerava-se "anti-sistema" e, ao mesmo tempo, "conservador de esquerda". Gostava de fumar maconha e freqüentar cassinos clandestinos, sempre enxugando o copo. Em uma festa em Hollywood, foi desafiado p/ uma luta por ninguém menos que Charles Bukowski. Segundo Howard Sounes, autor da biografia do velho Buk, Norman estava em forma e nocautearia seu desafiante no 1º round, mas mesmo assim declinou do "convite". O motivo? Mailer era fã de Bukowski.

quarta-feira, outubro 31, 2007

PEDALA, ROBINHO Na noite do último dia 17 a Seleção Brasileira de futebol venceu a do Equador por 5x0, no Maracanã. Enquanto o país comemorava os dribles geniais do Robinho e a goleada no fraco adversário, 4 elementos que se encontravam sob custódia da delegacia da Barra dos Coqueiros (SE) escaparam do cárcere ao melhor estilo "Fuga de Alcatraz": cavaram 2 buracos, um na parede da cela, outro na parede externa, usando colheres (foto). O único policial de plantão só deu pela ausência dos "hóspedes" às 6:00 da manhã do dia 18.
Isso aconteceu numa quarta-feira. Coincidência ou não, no sábado eu e minha namorada Gil estávamos entrando numa tradicional padaria da Barra quando tudo aconteceu: 2 sujeitos que estavam no balcão pediram 2 pães doces.
- Mais alguma coisa?, perguntou o português enquanto entregava os pães.
- Mais nada!, respondeu um deles.
Foi tudo muito rápido, como essas coisas costumam ser. Eu acabara de estacionar a moto que herdei do meu irmão (uma Honda Biz 2007) e minha mina já estava dentro da padaria. Vi o interlocutor do portuga pôr a mão na frente da barriga, levantando a camisa amarela folgada, e a adrenalina que percorreu meu corpo me deu certeza do que estava por vir.
- Isso é um assalto!, disse o de amarelo mostrando o três-oitão; Passa todo o dinheiro do caixa senão eu te papóco!
O outro ficou mais preocupado em render os funcionários, e eu aproveitei p/ puxar a Gil pra fora da padaria. Nada de movimentos bruscos. Segurei na mão dela e saímos andando. Tenho certeza que ela estava rezando nesse momento, enquanto eu apenas torcia pros caras continuarem seu trabalho sem dar atenção à gente. Deixei a moto lá e fui pegá-la depois. Perguntei pro português se ele precisava de alguma coisa, ele disse: "Chama o Capitão Nascimento!"

Pois é,
eu também fui um dos 10 milhões de espectadores da versão pirata de "Tropa de Elite". Tanto já foi falado sobre esse filme e o BOPE, que eu me abstenho de entrar em detalhes sobre toda a discussão social em torno dele. Um dos temas-chavão foi o suposto prejuízo financeiro que a pirataria trouxe p/ a produção, mas desde que estreou nos cinemas "Tropa..." já vendeu mais de 2 milhões de ingressos e é uma das 10 maiores bilheterias do ano, perdendo apenas p/ blockbusters americanos como "Homem-Aranha" e "Shrek". É um filme legal, não tão bom quanto "Cidade de Deus" e nem tão ruim quanto "Carandiru". É legal porque mostra um lado indigesto do sistema: uma polícia preparada p/ agir em situações limites envolvendo risco de vidas inocentes, mas que no final das contas funciona mais p/ matar bandido em favela do que qualquer outra coisa. A polícia militar é mostrada como uma força (?) literalmente fudida & mal-paga (pouco mais de R$ 600 por mês), e totalmente corrompida & prostituída - as prisões de 40 PMs por envolvimento c/ o tráfico no Rio e o popular apelido de "coxinha" por causa do hábito de comer sem pagar em lanchonetes atestam que não há exagero no retrato pintado no filme. É legal porque tira uma onda c/ essa molecada universitária cheia de "consciência social", que não passa de playboys que gostam de se chapar.O diretor do filme, José Padilha, tem conhecimento de causa. Antes de filmar seu primeiro longa de ficção, Padilha já era um documentarista respeitado no meio cinematográfico. O próprio "Tropa..." nasceu como um projeto de documentário. Padilha entrevistou e conviveu c/ policiais, psiquiatras da PM e ex-traficantes presos durante 2 anos. Em novembro de 2006, traficantes do morro Chapéu Mangueira, onde as filmagens foram feitas, seqüestraram parte da equipe que trabalhava no filme e roubaram as armas cenográficas. 59 delas eram réplicas e 31 verdadeiras, adaptadas para tiros de festim. As filmagens foram paralizadas por cerca de duas semanas. Tudo isso ajudou a dar ainda mais realismo às cenas, mas achei MUITO estranho o mítico CAVEIRÃO, o veículo blindado c/ o qual os "caveiras" sobem os morros, não aparecer em NENHUMA cena do filme. Será que na versão final rola?
No final das contas, "Tropa de Elite" parece mais um veículo de propaganda do Bope. "No último fim de semana tivemos 26.000 acessos. Ficamos contentes c/ isso.", afirmou o atual comandante do batalhão, coronel Pinheiro Neto, sobre o remodelado
site dos hômi. Se você também é um dos novos fãs do Batalhão de Operações Policiais Especiais e acha que os caras mandam bem pra caramba, sugiro que assista "Ônibus 174", documentário de 2002 do Padilha. Todos devem lembrar do seqüestro daquele ônibus no Rio em 2000, protagonizado pelo Sandro, um ex-garoto de rua. O filme intercala cenas do drama (que ocorreu no bairro do Jardim Botânico e foi transmitido em tempo real pela TV) c/ o retrospecto da vida do seqüestrador, que viu a mãe ser degolada dentro do próprio bar e sobreviveu à chacina da Candelária depois de ter virado menino de rua. Pois bem, a operação de resgate foi orquestrada pelo famoso BOPE, que meteu os pés pelas mãos e disparou o tiro que matou uma das reféns. Sandro não matou nenhum, e ainda morreu asfixiado dentro do camburão. Além disso, o Bope não é a única "tropa de elite" do país. Em São Paulo existe a ROTA, temida força-tarefa especializada em soluções de seqüestros e contenção de rebeliões em presídios. Recomendo o livro "Rota 66", do jornalista Caco Barcellos (aquele mesmo do Profissão Repórter da Globo), cujo subtítulo já dá a letra: "A história da polícia que mata".

P/
José Padilha, diretor de "Ônibus 174" e "Tropa de Elite", a tese de que a desigualdade social gera violência não se sustenta. P/ ele, a violência no Brasil é causada mesmo pela polícia e pelo Estado: "Estudos da ONU mostram que alguns países da África têm situação pior que o Rio e não têm os mesmos índices de violência.", declarou à Folha de S.Paulo. Ele cita seu documentário p/ exemplificar: "O personagem principal (o seqüestrador Sandro) se tornou violento em decorrência da violência produzida pelo Estado, na Febem, na prisão...".
O Estado produz muitas formas de violência. O trabalhador brasileiro, por exemplo, precisa trabalhar o equivalente a 5 meses do ano p/ pagar todos os seus impostos. Enquanto o salário mínimo ainda vai chegar a R$ 400 no ano que vem, os parlamentares duplicam seus próprios salários e passam a ganhar em 1 mês o que um assalariado ganha em 5 anos. Como se $24 mil reais por mês não fossem o bastante, os putos ainda gozam (literalmente) de regalias como ajudas de custo p/ manter seus gabinetes, assessores, viagens e apartamentos em Brasília.
Falando nisso, foi publicado edital de concorrência p/ a reforma dos apartamentos funcionais dos nobres deputados, que custará aos cofres públicos a bagatela de R$ 36 MILHÕES. Entre os itens da reforma, estão a instalação de banheiras de hidromassagem da marca Mondialle, c/ preço unitário estimado em R$ 2.869,15, o que significa que só c/ banheiras serão gastos R$ 274.438,40 do NOSSO DINHEIRO. O deputado sergipano José Carlos Machado, 4º secretário da Câmara, que cuida da administração de imóveis, é um dos defensores das hidro: "Os técnicos informaram que a diferença de preço entre uma banheira comum e uma c/ hidromassagem era pequena." Ah, então tudo bem. E não esqueçam dos trituradores de alimentos da marca In-Sink-Erator, R$ 1.788,88 cada.E por falar em cara-de-pau, onde anda o Renan? Depois de ser absolvido do processo de cassação no Senado, o Presidente da casa viu que era melhor tirar uns dias de férias e assim desanuviar um pouco de toda pressão e stress que sofreu nos últimos meses, quando foi indiciado em 3 outros processos, por crimes como uso de lobista p/ pagar contas pessoais, laranjas p/ lavar dinheiro e espionagem contra colegas parlamentares. Calheiros retirou-se em "licença médica" de 45 dias num momento desfavorável p/ ele dentro do Senado, após não ter abandonado a presidência como fora acordado à boca pequena, em troca de sua absolvição. A licença termina no dia 24 de novembro e deve ser renovada. Mas Renan continua afirmando sua inocência e, político brasileiro que é, não larga o osso. Brasília é igual às cadeias do Brasil: todo mundo é inocente. Tava na hora de ser criada uma tropa de elite pra essa elite que tá aí. Os parlamentares eleitos passariam por um treinamento semelhante ao dos aspirantes do Bope, e se o Presidente do Senado fosse acusado de corrupção, o Capitão Nascimento apareceria em cena dando uns tapas na cara do safado e gritando:
- Pede pra sair, Renan! Pede pra sair!!!!

sábado, setembro 29, 2007

BAD BOYS DON'T CRY
Nando, aos 12, arrepiando na mini-ramp (1989)
Eu e Nando sempre brigamos. Sabe como é, eu sempre fui um cara esquentado e ele, um garoto-problema. Segundo dos 3 filhos do casal Ana Sá & Carlos Regis, Fernando Augusto, ou Nando, como sempre foi chamado, sempre precisou de cuidados especiais, mas cresceu numa casa conturbada, em meio a crises financeiras e discussões diárias. Quando tinha 4 anos, a psicóloga da escolinha onde fazia o infantil recomendou que ele fizesse ludoterapia, uma espécie de tratamento psicológico p/ crianças. Meu pai achou que era frescura e tratou de orientá-lo ao seu estilo: estudo, esporte, trabalho, religião.
ESCOLA DE GOLPES DUROSNando repetiu de ano tantas vezes que abandonou os estudos antes de completar o 1º grau. Andou de skate durante alguns anos, mas desencanou na adolescência. Nunca parou num emprego - não era chegado ao trabalho. Começou a roubar, mas só dentro de casa. Nunca foi um mala de verdade, pelo contrário. Pegava uns trocados do meu coroa (às vezes meus, ou da minha mãe) e sumia de casa, passava uns dias charlando, fazendo várias prézas pros amigos, depois voltava, negando tudo. Geralmente minhas brigas c/ ele eram motivadas por isso. A primeira vez que acertei um soco nele foi quando capeou 2 discos do Stooges da minha coleção. Por sorte recuperei-os, e fechei o tempo. O tempo fechava direto. Nando saiu na mão comigo várias vezes, mas tb entrou na porrada c/ meu irmão mais novo e até meu pai. Teve uma, c/ Lú, o caçula, em que eu tive que levá-lo às pressas ao hospital c/ o nariz quebrado. Fratura exposta. O tempo fechava direto. Lú pediu desculpas, mas foi Nando que teve de ser operado e ficar uma semana no hospital c/ um ferro na cara. School of hard knocks.
Apesar do que pode parecer, todos nós sempre fizemos de tudo p/ ajudá-lo. Eu mesmo o intimava direto: "E aí, velho, que é que vc quer da vida? Que acha de terminar os estudos? Escolher uma profissão? Não dá pra ficar na barra dos nossos pais a vida toda né?" Mas ele nunca me deu uma resposta concreta, ou demonstrou interesse por qualquer coisa além de mulher & música. Foi "casado" c/ uma garota durante alguns anos, e fez uma tattoo c/ o nome dela no punho, que escondia c/ o relógio nos últimos anos. Tinha uma nova namorada, sabe como é. Durante os anos de skate ouvia muito Nirvana, teve toda a coleção em vinil, até o "Bleach". Depois, virou fã do King Diamond. Chegou a riscar o logo do Merciful Fate na perna. Tinha umas 30 tatuagens espalhadas pelo corpo: motivos "metal", inscrições em várias línguas, alguns tribais e um Taz - sua primeira tattoo. Eu gostava de 2 demônios estilo cartoon que ele fez nas costas, na altura dos ombros.
"Lembro de uma vez que Nando foi num show só pra arrumar confusão...", me contou Hugo, amigo meu das antigas e head banger até hoje. Com o passar do tempo Nando estava ficando sinistro, só aprontava. Teve uma vez que eu tentei contê-lo e quase morri c/ um mata-leão que ele me aplicou. Cheguei a apagar. Mas aí, começaram as crises. Nando passou a ouvir vozes. Às vezes ficava extremamente nervoso e gritava e batia as portas, a ponto de estremecer a casa. Outras, tinha crises de consciência em que batia a cabeça contra a parede, numa espécie de autoflagelo. A princípio, meu pai, espírita fervoroso, tentou curá-lo da "influência dos maus espíritos" através de métodos kardecistas, como fizera por toda a vida. Minha mãe, que sempre foi mais esperta, ouviu meus conselhos e finalmente encaminhou-o a um psiquiatra, no início de 2005. O diagnóstico: esquizofrenia. Por isso as vozes e as crises.
CONTRADIZENDO A FÉ, DERRUBANDO A RAZÃO
À base de Respidon e Melleril, meu irmão regenerou-se nos últimos 2 anos. Parou de fumar e se drogar, e o melhor da sua personalidade veio à tona. Nando nunca cresceu de verdade, tipo o Peter Pan: de riso fácil e sempre solícito, era dos 3 irmãos o que mais gostava de crianças. Adorava pegar um bebê no colo. De 2005 pra cá, era c/ ele que minha mãe contava p/ acompanhá-la no médico ou no supermercado, onde quer que ela precisasse ele estava lá. Sempre c/ um sorriso no rosto. Respeitava todo mundo e era incapaz de guardar rancor de alguém. Antes mesmo da crise, eu nunca ouvi ele falar mal de ninguém.
Na noite do dia 14 deste mês, Nando teve uma nova crise, aparentemente uma convulsão, como a que tivera há 2 anos, quando começou a se medicar. Eu não estava perto quando tudo começou, estava no quarto e ouvi uns gritos do meu pai. Ao ver a cena, imediatamente peguei a moto e me joguei pra cidade em busca de socorro. Pedi pra minha mãe ligar pro SAMU, mas de tão nervosa ela não conseguiu. Nando vomitou e não conseguia falar ou se mover. Urrava de dor. Em 15 minutos eu estava de volta c/ a ambulância, mas era tarde demais. Meu irmão, Fernando Augusto, falecera de infarto fulminante. Tinha 29 anos. Mais uma vez, não consegui ajudá-lo.
...
Nando, que nunca foi muito magrinho, passou a sofrer de obesidade mórbida nos últimos anos como efeito colateral da medicação controlada, aliada ao sedentarismo e à gula (o moleque se amarrava em comer). Segundo os médicos, foi isso que o matou. Chegou a pesar 131 quilos, mas vinha perdendo peso graças às caminhadas na praia c/ nosso pitbull, o Chacal. Estava c/ 115 kg e descendo na balança. Parou de ouvir metal, e ultimamente seu som favorito era Coldplay. Gostava de ficar sossegado na varanda lá de casa ouvindo aquelas baladinhas. Iria começar em breve um curso profissionalizante.
Dois dias após seu enterro, minha mãe encontrou esta poesia em sua carteira. Nando nunca foi do tipo que lê poesia, mas se ele guardou essa é porque gostou, e se há uma última homenagem que eu possa fazer a esse irmão c/ quem tanto briguei e pouco abracei, é esta:
"
Viajando entre os cosmos/ Entre horizontes desconhecidos/ Onde o mistério prevalece
Contradizendo a fé/ Derrubando a razão/ Rompendo com os paradigmas/ Impostos até então
(...) Incandescente/ Que refuga as nossas mentes/ Como uma droga ingerida/ Eliminando a dor da vida
"
Nando, saudade.
@dolfo s@'

TRILHA SONORA: Jay-Z, "it's a hard knock life (for us), it's a hard knock life..."

sexta-feira, agosto 31, 2007

AGOSTO À GREGA
A que ponto chega a especulação imobiliária
Gosto deste mês que está acabando, c/ toda sua aura de desgosto, infelicidade & má sorte. Questão de identificação, eu acho. Pessoalmente, não enxergo um grande futuro p/ a humanidade, e nem acho que ela mereça. Vejam só o incêndio que consumiu 180.000 hectares de área florestal na Grécia: causado pelo homem! A polícia grega descobriu que o fogo foi causado por especuladores do ramo de imóveis, que pretendiam desvalorizar algumas terras do governo. O incêndio se alastrou rapidamente c/ o vento, queimou 500 casas, matou 63 pessoas e até agora ainda há chamas, no Peloponeso e na ilha de Eubea. O fogo chegou a ameaçar invadir Atenas e destruir as ruínas de Olímpia. Mais de 10 suspeitos de envolvimento c/ o incêndio já foram presos, mas o prejuízo é incomensurável.
Reza a Bíblia que o mundo vai se acabar em fogo. O mundo eu não sei, mas a área que eu moro c/ certeza vai acabar é em água mesmo. Essa história de aquecimento global, derretimento das geleiras & aumento do nível do mar não é caô. A parada já está rolando. Esta semana um quiosque perto da minha casa, na Atalaia Nova, foi derrubado pela força da maré, que já invadiu várias casas da região. Cidades praianas como Caueira e Pirambu também vêm perdendo suas faixas de areia p/ o mar. Pra provar que não estou mentindo nem exagerando, eis o fato noticiado no jornal Correio de Sergipe: “O avanço das águas do mar, fenômeno da natureza que antes só acontecia em março, agora parece permanente. (...) A preocupação dos moradores do local é que se a situação continuar, vai se perder toda área de praia. Segundo dados, o mar já avançou cerca de 30 metros e formou paredões de areia de quase dois metros de altura. Aos poucos, bares e casas estão sendo aterrados.”

quinta-feira, agosto 23, 2007

BOTECOSPÍCIO
Álvaro Müller é meu amigo e por acaso um dos melhores jornalistas da nova geração. Tem um estilo "old school" de escrever e não gosta de aparecer. Trabalhamos na mesma empresa de televisão, na qual sou editor de imagens e ele redator-chefe. Uma de suas funções é corrigir os textos dos repórteres de vídeo, a maioria recém-saída da faculdade & ainda não-saída da barra da saia da mamãe. Um trabalho ingrato, posso lhes garantir, amiguinhos.O cara tem um blog, o Botecospício, que além de um nome maneiro traz boas crônicas no cardápio, como o episódio em que uma repórter local perguntou pro filho do Henfil por que seu pai não veio p/ Aracaju prestigiar a exposição em sua homenagem. Deve ser porque é meio difícil viajar quando SE ESTÁ MORTO HÁ MAIS DE 20 ANOS: "(...) Uma falta de respeito mesmo do Henfil não conceder uma entrevistazinha à TV. (...) Mas quem disse que ela se satisfez. Ligou pra redação e relatou a desfeita: Quem ele pensa que é? O rei da França? (...) Nessa hora todos tiveram certeza que ela era a Graúna reencarnada."O boteco do Müller passou uns meses fechado mas reabriu semana passada, e está funcionando 24 hs. Em seu mais recente post, ele segue zoando o jornalismo-malhação que impregna a TV atual, tudo c/ muita classe, que nem jornalista das antigas. É c/ você, Alvão:
"Filhos da Pauta!(...) O repórter televisivo deixou de ser a víbora e encarnou lagartixa. Perante o entrevistado, balança insistente e positivamente a cabeça, sorri de forma cínica, como se estivesse a processar as informações que recebe, mas nada disseca. As absorve apenas e, boas ou ruins, verdades ou mentiras, as regurgita na redação. Filho da pauta, agarra-se a ela como um rebento primata preso às costas da mãe. E não a larga por nada. Já não tem mais fontes. Já não sugere pautas – nem mesmo aquelas que gostaria de cobrir. Já não se orgulha por trazer da rua a informação a mais que a pauta não lhe dava. Não. O universo do repórter engomadinho e maquiado resume-se ao espaço de uma folha A4. E só.Incompreendeu que é a alma do jornalismo. Pior, desaprendeu a ser repórter. Não fuça, não esmiúça, não escarafuncha nada. Deixou de ser o pugilista das palavras que, à primeira abertura de guarda do entrevistado, socava-lhe o estômago com uma pergunta ácida e fulminante, capaz de derrocar uma história inventada. Supervaloriza alguns segundos de passagem (momento em que aparece no vídeo) e os sobrepõem à sua capacidade textual e de discernimento, ao seu olhar crítico sobre as coisas.
Reúne a família para assistir às suas performances e sente-se um Deus. Crê em um reconhecimento tão ilusório quanto tem sido o seu papel de informador. Ego nas alturas (alguns sequer cumprimentam os colegas de profissão), sente a 'glória' do reconhecimento, quando, na verdade, é apenas um conhecido fadado ao esquecimento caso suma da tela por alguns meses ou até mesmo dias. (...)"
Álvaro Müller (http://www.botecospicio.blogspot.com/)

quinta-feira, agosto 09, 2007

PROGRAMA DE ROCK
Aumenta que isso aí é rock'n'roll!

Adelvan Kenobi & Fabinho Snoozer têm um PROGRAMA DE ROCK que vai ao ar todas as sextas à noite, das 20H às 22H, na Aperipê FM (104,9 mhz). Os caras sabem tudo do assunto e tocam um repertório bem abrangente: vai de Belle&Sebastian a Brujeria, por exemplo. No blog do Kenobi dá pra ver o set list de todas as edições até agora. Volta e meia eles recebem convidados, como as bandas locais Plástico Lunar e Rockassettes, ou as rockers Fabila Tozzi, vocalista da banda mineira de doom metal Silent Cry, e Deborah Loserbitch, do blog Beijo de Arlequim (foto acima).
Nessas, EU, o infame Homem-Brasa, A.K.A. Adolfo Sá, fui o convidado da última sexta-feira, por ocasião do lançamento aqui na cidade da revista Tarja Preta, da qual sou colaborador. Estava bêbado & estragado nessa noite.
Rafael Jr., irmão de Fabinho e baterista da Snooze e Maria Scombona, apareceu na área e o início da entrevista rolou c/ nós dois respondendo a perguntas sobre nosso finado (e enterrado) zine Cabrunco... Rafael parecia animado, mas eu não tava muito a fim de falar do passado, além disso o álcool tava fazendo efeito, e daí minhas boas maneiras foram por ladeira abaixo. Soltei pérolas tipo:
- O Cabrunco, como tudo o que eu faço na vida, foi feito sem pensar muito.
- O Rafael era o editor bom, eu era o mau!
- Decidi acabar c/ o fanzine quando liguei o foda-se...

Diante do meu comportamento anti-social, meus amigos apresentadores fizeram uma pausa, colocando a primeira música que eu havia escolhido, “I Wanna Be Your Dog”, dos Stooges.
Pediram pra eu maneirar, eu pedi pra mudar de assunto pra Tarja Preta. Tava lá pra vender meu peixe, porra! Fizeram um sorteio, primeiro de uma Tarja, depois de um ingresso p/ o festival “A Hora e a Vez do Rock Crescer”, que vai rolar neste sábado c/ Jason, Matanza e uma banda australiana aí. O mesmo moleque ligou nas duas vezes e levou os dois prêmios. Deu pra ver que a audiência tava grande...
Daí Rafael caiu fora e a entrevista continuou. Finalmente falamos na Tarja. Quiseram saber como eu conheci o
Matias, se ele é mesmo o Capitão Presença, como eu fui parar no Rio... Bad Brains na trilha sonora, essa foi a parte mais legal, mesmo que os caras não tenham comentado nada da minha HQ, ou se eu pretendo seguir fazendo quadrinhos ou sei lá... Como meu estado etílico também não ajudava, chamaram a seqüência que eu bolei: “Blunt of Judah” – Nação Zumbi; “Loose” – The Stooges; “Sabotage” – Beastie Boys; “Woman” – Wolfmother. Só hits!
Meu chapa Adelvan, amigo de muitos rocks nos anos 90, me homenageou tocando “Sweet Leaf” do Black Sabbath, quase fiquei emocionado, cof-cof... Vale dizer que ele já havia homenageado o
Antonioni, que morrera naquela semana, tocando “For Your Love” dos Yardbirds (eles fazem uma ponta em “Blow Up”). Grande Kenobi. Pra finalizar, mesmo alcoolizado, lembrei pra quê eu tinha ido lá e deixei o recado:
- Aí, pra quem gosta de quadrinhos e for louco, a Tarja Preta pode ser encontrada aqui em Aracaju na Venice Skate Shop, Reggae Station, Freedom e na livraria Poyesis. Valeu!
Os apresentadores convidaram o autor deste blog pro seu programa, mas devem ter se arrependido... Da esq. p/ a dir.: Rafael e Fabinho (Snooze), Brasaman e Adelvan Kenobi

terça-feira, julho 31, 2007

A SAIDEIRA
A vida é um jogo de xadrez. Xeque-mate!

Julho 2007, o mês mais merda dos últimos tempos. Além da palhaçada do Pan, teve aquele horrível acidente do avião da Tam, menos de um ano após a catástrofe do avião da Gol... Lula foi vaiado na abertura dos jogos panamericanos e ficou c/ os olhos vermelhos, mas ele devia chorar mesmo é pelas vítimas do governo dele... O próprio presidente, num lampejo de lucidez, afirmou que “entrega a Deus” na hora de voar. Vai vendo... De boa notícia, apenas a morte do sinistro ACM, o popular Toninho Malvadeza, que demorou pra abraçar o capeta. Pra finalizar esse mêsinho fudido, morreram numa só tacada dois dos melhores diretores de cinema de todos os tempos, Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni, autores das obras-primas “O Sétimo Selo” e “Blow-Up”. A conta, por favor!

Pan! Pan! Pan! Pan! Pan!

sábado, julho 07, 2007

VÍCIOS
Sid, o maior garoto-propaganda do punk

Sexo, drogas & rock’n’roll. Além de clichês, são também alguns dos meus vícios. Ficou em cartaz por 2 meses em São Paulo a exposição “Rockers”, do fotógrafo americano Bob Gruen, um cara que acompanhou a cena rock dos últimos 40 anos e ainda está na ativa. A exposição acabou mas virou livro.
Todos os grandes nomes foram retratados por ele: Elvis, Lennon, Dylan, Marley, Bowie, Iggy, Ozzy, Kiss, Led Zep... até Green Day e White Stripes. Mais do que isso, Gruen viu nascer o movimento punk, tanto nos EUA c/ Ramones quanto na Inglaterra c/ Sex Pistols, e como se isso fosse pouco, tornou-se amigo de todos eles e conseguiu as fotos mais legais já registradas desse período. Uma em particular do Sid Vicious tocando todo fudido e ensangüentado resume toda a história.
Sid não foi o punk mais perigoso que já existiu, mas foi talvez o mais fotogênico, e como era bem bagaceiro, sua imagem acabou associada p/ sempre ao movimento. Foi chamado p/ tocar baixo no Sex Pistols quando era batera da Siouxie & The Banshees, mas tinha mais talento p/ injetar heroína na veia do que fazer música. Como todos sabem, os Pistols não duraram nem um ano na ativa após o lançamento de “Nevermind the Bollocks...”, e Sid tentou uma carreira solo cujo ponto mais alto foi a versão punk de “My Way” de Frank Sinatra. Em outubro de 1978, sua namorada Nancy morre esfaqueada no quarto de hotel que dividiam e Sid é o principal suspeito. Logo em seguida, Sid passa 55 dias preso por acertar uma garrafada no rosto do irmão de Patti Smith, e no dia seguinte à sua libertação, morre de overdose. Esta história é contada em detalhes no filme “Sid & Nancy – o amor mata”, de 1986.E também está no livro Mate-me Por Favor, de Legs McNeil e Gilian McCain, narrado pelos protagonistas: Velvet Underground, Stooges, MC5, Ramones, Television, Blondie, N.Y.Dolls, Dead Boys, The Clash, Whores of Babylon, todos contando histórias de brigas, drogas, prostituição, promiscuidade, autodestruição e, às vezes, até música. Tá tudo lá, desde a viadagem de Lou Reed até o niilismo de Dee Dee Ramone, passando por todas as loucuras de Iggy Pop – que não foram poucas. O quarto do Scott Asheton na “Fun House” dos Stooges tinha as paredes decoradas c/ marcas de sangue dos viciados que frenqüentavam o lugar p/ tomar pico. Wayne Kramer, guitarrista do MC5, passou vários anos preso por tráfico de drogas. Johnny Thunders, do New York Dolls, morreu de overdose. Os Dead Boys eram tão fodidos que, quando não levavam facadas em brigas, acabavam nocauteados por pedestais de microfone em shows. Richard Hell (Television): A cena junkie era como o sexo, pura farra.”
Livros e gibis, outros dos meus vícios... Punk rock & quadrinhos sempre andaram juntos na minha vida. Aos 10 anos, eu já ouvia
Camisa de Vênus (c/ seus hits “Sílvia”, “Eu Não Matei Joana D’arc” e “Beth Morreu”) e lia Chiclete com Banana, o genial gibi do Angeli, que hoje é mais conhecido por suas tiras na Folha de S.Paulo e suas charges políticas matadoras. Um amigo meu escondia suas Chiclete junto c/ as revistas pornô, era uma espécie de leitura proibida p/ nossa idade. Esta semana descolei a antologia
das primeiras edições (apenas R$ 5,90), lançada num esquema de parceria pelas livrarias Devir e Sampa. Serão 16 edições compilando material de 1985 a 1995, incluindo aí as histórias da Rê Bordosa, Mara Tara, Skrotinhos, Bibelô, Osgarmo, Meia Oito, Wood & Stock, Los 3 Amigos e Bob Cuspe, o punk moicano que eu gostava de desenhar no caderno durante as aulas. Bob Cuspe foi o meu ticket p/ o submundo punk: inspirado no personagem que morava no esgoto e cuspia na cara da sociedade, passei a pixar muros e usar calças rasgadas no final dos anos 80.
Você sabia que o nome “PUNK” vem de um fanzine que retratava a cena rocker do C.B.G.B., em Nova Iorque?
“Enquanto eu estava na cadeia, um dos meus camaradas comprou uma assinatura da revista Billboard p/ mim. Comecei a ler sobre os Ramones (...). Então todos aqueles artigos diziam que aquele tipo de banda era inspirada no MC5 e, onde eu estava, ‘punk’ não tinha uma boa conotação. Por isso eu jogava os artigos na privada, porque na cadeia um punk é alguém que eles submetem e fazem de namorada. Sabe como é: ‘Vou fazer você ser minha punk’ – e você podia ser morto por esse tipo de coisa, certo?” Wayne Kramer (MC5), “Mate-me Por Favor.

Quadrinho de Angeli publicado na Chiclete #1
Por Adolfo Sá (Viva La Brasa)
trilha sonora: The Stooges - The Weirdness (2007)

sábado, junho 30, 2007

WAR B(R)USH
Bush mais uma vez mostrando que tem visão

A ocupação americana no Iraque está em seu 4º - e mais sangrento – ano. O número de mortos nessa guerra já passa dos 700.000. Além dos civis iraquianos, os EUA já sofreram mais baixas em suas tropas do que na guerra do Vietnã, sua maior derrota militar até então.
Está na cara do mundo que a invasão ianque é um fiasco, mas o comediante George W.Bush
, que há 7 anos ocupa a Casa Branca, discorda do resto da humani-dade. Em seu progra-ma de rádio esta sema-na, pediu aos norte-americanos paciência: “Ainda estamos no começo dessa ofensiva, mas estamos vendo alguns sinais que dão esperança. Estamos engajando o inimigo e matando ou capturando centenas. A luta no Iraque tem sido dura e continuará difícil. Uma nova geração de americanos deu um passo à frente e se ofereceu p/ defender os ideais de fundação da nossa nação. Eles ajudaram a trazer a liberdade p/ o povo iraquiano.”
Nem todos os gringos concordam c/ seu presidente, porém. O octacampeão mundial de surf Kelly Slater
, natural da Flórida (o estado que elegeu Bush em 2000), chamou a atenção de todos na mais recente etapa do circuito mundial (WCT), que rolou no Chile – desta vez não por sua performance na água (ficou em 9º lugar) mas por causa da pintura de sua prancha, c/ motivos militares (tags c/ silhuetas de soldados e aviões).
Meu amigo Júlio Adler, sempre ligado, publicou em seu
blog a declaração de Slater sobre o brush do seu foguete e a situação do seu país no Iraque. Traduzi p/ vocês terem uma prova de que o estereótipo de alienação dos surfistas tem tudo p/ cair por terra neste mundo cada vez mais globalizado e conflitante. Ou não:“São minhas imagens favoritas da guerra... Não, brinca-deira. É apenas uma pintura de um amigo p/ atrair alguma atenção p/ o que está acontecendo no Iraque (...). Pop culture meets political awareness.
Bruce Gilbert, meu companheiro de viagens e um dos meus melhores amigos, começou a fazer pôsters c/ essas imagens. Originalmente, eram números de tropas e civis mortos, mas esses números sempre ficam defasados – por volta de 3500 tropas e quase um milhão de iraquianos morreram desde o início da guerra!
Por que a prisão de Paris Hilton por três semanas chama mais atenção do que 500 iraquianos sendo assassinados todo dia em seu próprio país, assim como várias tropas americans? Isso p/ não mencionar os feridos, que daria um número dez vezes maior que o de mortes. É uma mudança radical na vida de muita gente. Um crime da humanidade.
Mas peraí... Eu tô fora dessa. Eu apenas gostei do visual das cores, eu acho. É, é isso aí.”
Hehehe. Apesar da piada no final, Slater falou bem sério, e trouxe à tona um tipo de discussão que os surfistas normalmente evitam. Quem surfa costuma pensar apenas em pegar ondas perfeitas, mas não dá mais p/ se contentar c/ o ostracismo intelectual a esta altura. As mudanças climáticas irão interferir diretamente no ecossistema do surf – bancadas de coral estão morrendo c/ a radiação solar, geleiras derretendo estão aumentando o nível do mar e modificando a linha costeira mundial, etc... Além disso, os conflitos humanos estão em todos os continentes e não se restringem mais às diferenças entre países. Na Palestina, por exemplo, Fatah e Hamas estão se matando há meses e deixando o inferno mais quente. Aqui no Brasil, o Rio de Janeiro também virou praça de guerra, e já faz tempo. A alienação política dos surfistas sempre foi uma aberração, pois sempre houve zonas de guerra em paraísos de ondas como o Marrocos, na África, e El Salvador, na América. A própria Indonésia, região c/ a maior concentração de ondas perfeitas do mundo, vive uma guerrilha há quase 10 anos. Quem viu "Apocalipse Now", um dos melhores filmes de guerra já feitos, deve lembrar da seqüência em que soldados americanos detonam uma vila vietnamita p/ aproveitar as boas ondas do pico, localizado em território inimigo. "Charlie don´t surf", dizia o capitão Kilgore (Robert Duvall) p/ seus recrutas, enquanto helicópteros do exército bombardeavam civis "na mais desconfortável cena de surf do cinema", como definiu o blog Ondas.Por essas e outras, concordo c/ o Kelly: o visu da prancha ficou irado! Indonésia: mais um paraíso ameaçado pela ação do homem