terça-feira, março 20, 2007

ARACAJU FAMILY
No último fim-de-semana Aracaju comemorou 152 anos, c/ shows de Zeca Pagodinho & Jorge Benjor na praça do Mercado Central. Eu amo esta cidade. Pequena, agradável, entre o rio e o mar, uma das melhores qualidades de vida do Brasil e sem a maioria dos problemas das cidades grandes. Parabéns, baby. Continue assim.
No meio das comemorações o destaque fica p/ a
capa que o skatista Adelmo Juninho emplacou na revista SKT de março, c/ um ollie shift sobre um pé de planta, no deserto de L.A., Califórnia. Adelmo faz parte da "Aracaju Family", a tríade de skatistas profissionais sergipanos que tomou de assalto o cenário competitivo internacional nos anos 90/2000.
Tudo começou c/ Lúcio Flávio, o "Mosquito". Campeão nordestino e vice brasileiro, Mosquito foi o primeiro local a se destacar no cenário nacional, primeiro a competir no circuito mundial, e primeiro a se mudar pro exterior. Em seguida vieram Juninho (ex-"E.T.") e Fabrízio "Cara-de-Sapo", ou "The Breeze" como chamam os gringos, o nome mais famoso dos três mundo afora, campeão da etapa da Suíça em 2000 e astro do novo filme da Oakley, "Our Life".Entrevistei Mosquito em 1996 pro meu zine "Cabrunco", junto c/ Rafael Jr., batera da Snooze. Na época o skate praticamente não existia como profissão aqui no Nordeste, situação que não mudou muito - tanto que os caras foram morar na gringa:
Cabrunco - Dá pra viver de skate no Brasil?
Mosquito - Dá e não dá ao mesmo tempo, dependendo da pessoa. Por exemplo, se você é profissional de ponta e sempre se dá bem em campeonatos que têm premiação em dinheiro, isso acarreta em demonstrações e um aumento de salário por parte do patrocínio. Agora, se não for, fica difícil.
Nessas, os caras mudaram pra Califórnia no início da década e não voltaram mais - a não ser pra visitar a família, ou coisa do tipo. "Aqui no Brasil, skatista bom tem que se dar bem em campeonato. Nos Estados Unidos não, tem muita gente andando. Só que é difícil se dar bem nos campeonatos. Aí já tem essa visão, de que você pode estar andando bem sem estar correndo campeonato", dizia Mosquito em 96. A prova tá aí: Adelmo Juninho nunca foi muito de competir, sempre fez um estilo rasgador, de rua, e hoje está estrelando vídeos estrangeiros e capas de revista.No caso da SKT, ele e Cara-de-Sapo foram enfocados na matéria "A Positividade do Skate", sobre a influência da cultura rasta no esporte: "A filosofia Rastafari prega que cada um deve seguir seu caminho de forma natural, livre. Ao fazer uma analogia com o skate, do ponto de vista da liberdade, percebe-se que o estilo de vida de um skatista se assemelha ao da cultura jamaicana - viva a vida à sua maneira, respeitando o próximo", escreve Charles Franco, autor da matéria. A reportagem é bem legal, fala de Marcus Garvey, Haile Selassie, Nyabinghi ("morte aos opressores brancos e negros"), alimentação natural, uso da erva etc., e traz seqüências iradas de Juninho num nollie shovit passando um corrimão numa escada de 10 degraus em Los Angeles, e de Cara-de-Sapo mandando um hardflip blindside fakie sobre um vão em Santa Ana, Califórnia.
Andei de skate quando era moleque e só parei porque me contaminei c/ o vírus do surf. Sabe como é, o asfalto é mais duro que o mar.


@dolfo s@´