quinta-feira, maio 17, 2007

SUSHI DI RATO

“A fome vergonhosamente apresenta: Mukeka di Rato – Nãããooo!!!”
Inspirados em uma reportagem sobre miseráveis nordestinos que comiam ratos no lixão, uns moleques bagaceiros de Vila Velha (ES) se juntaram a fim de fazer um som direto & violento, que só foi piorando c/ o passar do tempo. Entitularam a banda como Mukeka di Rato – c/ dois ‘k’ igual às bandas filandesas de crust – e lançaram a demo “Sobrevivência” em 1995, passando a ganhar destaque em zines e programas de rádio. Seguindo a linha dos "três notão"(sol-lá-ré), gravaram o disco de estréia no ano de 97, em Brasília: “Pasqualin na Terra do Xupa Kabra”. Na capa, um palhaço em frente ao Palácio do Planalto.
Conheci os caras em 1999, no Abril Pro Rock em Recife. Na época, estavam criando um selo próprio, Läjä Records, por onde lançariam os trabalhos seguintes: “Gaiola” (99) e “Acabar com Você” (2001), considerado o melhor disco da banda. Em 2004, sai “Máquina de Fazer” pelo selo carioca Urubuz Records, c/ a banda soando ainda mais pesada e agressiva que antes.
C/ a moral conquistada lá fora através de participações em diversas coletâneas de HC, e prestes a lançar “Carne”, seu quinto CD, os moleques foram convidados p/ uma série de 10 shows no Japão, que começaram no mês passado e só terminaram no início de maio. É lógico que os japas arregalaram os olhos c/ o HC tosco da Mukeka. Quem conta é o baixista Mozine:
“Todos os shows da turnê foram com casa cheia. Puta que pariu, sem comentários! Principalmente o último, em Tóquio, na Golden Week Punk, um bagulho totalmente inédito no Japão. Além de nós, do Brasil, teve o Pisschrist da Austrá-lia, que é uma banda bem crust, o World Burns to Death dos EUA, o Foward, que é famoso pra caralho aqui, a japonesa Vivisick, e o Gauze, tipo Ratos de Porão. Nunca vi tanta gente chorando num show de hardcore, chorando mesmo, em todos os shows da noite. Uma doideira.
O show no Nagoya Huck Finn foi ‘o bicho’, uma lendária casa do punk local. Devia ter pelo menos uns 60 ou 70 brasi-leiros, o resto era tudo japonês. E isso em pleno 2 de maio, feriadão por lá. Em Tóquio também tocamos num local chamado Earthdom. Velho, pelo amor de Deus, esse lugar, destinado ao undergrond hardcore, não tem igual no Brasil, toquei com uns amps maiores que eu. Quem passava o som eram duas japinhas, simpáticas pra caralho. Nunca imaginei ver duas minas cuidando de todo o som, e nunca vi tanta qualidade. Foi muito foda isso.
As bandas que tocaram com a gente durante esses dias foram muito boas também, posso destacar o Concre que é tipo um Atari Teenage Riot, só que melhor na minha opinião, e o The Napoleons, um psychobilly daqueles japoneses malucos, mas não é pscyho vestido de monstro, hardcore não, psycho mesmo, lembra um pouco umas partes rock’n’ roll do Teengenerate. É de chorar. Os caras aqui são extremos no palco, dão o sangue. Ficamos impressionados.
A gente não quis criar expectativa nesta viagem, viemos de bola baixa. Chegamos aqui e vimos os japas cantando o bagulho em português, com papelzinho na mão para não errar a pronúncia, muito doido. Tem uns que até fingem falar português (rs).
No primeiro dia rolou também o show com o Fuck on The Beach, no mesmo lugar do último dia, o tal do Earthdom. Eu nunca vi tanta insanidade na vida, foram 25 minutos de um barulho infernal, com tudo ligado no máximo. Mas entenda máximo como MÁXIMO mesmo! Um inferno na Terra, nunca vi aquilo antes.”
por MOZINE, Japão, 2007

3 comentários:

Escarro Napalm disse...

sensacional o Mukeka, fizeram dois shows memoraveis aqui em Aracaju também, um no Emes e um no Mukifo - com uma fossa estourada na frente do palco !!!!!!!!!!

Roberto disse...

Blz? Estou deixando o link da materia e do video que eu fiz com o Mukeka para vc compartilhar com seus leitores.

http://robertomaxwell.com/2007/05/08/materia-exclusiva-com-o-mukeka-di-rato-no-japao/

Viva La Brasa disse...

Ah, mas que classe, mano! Valeu.