sábado, junho 30, 2007

WAR B(R)USH
Bush mais uma vez mostrando que tem visão

A ocupação americana no Iraque está em seu 4º - e mais sangrento – ano. O número de mortos nessa guerra já passa dos 700.000. Além dos civis iraquianos, os EUA já sofreram mais baixas em suas tropas do que na guerra do Vietnã, sua maior derrota militar até então.
Está na cara do mundo que a invasão ianque é um fiasco, mas o comediante George W.Bush
, que há 7 anos ocupa a Casa Branca, discorda do resto da humani-dade. Em seu progra-ma de rádio esta sema-na, pediu aos norte-americanos paciência: “Ainda estamos no começo dessa ofensiva, mas estamos vendo alguns sinais que dão esperança. Estamos engajando o inimigo e matando ou capturando centenas. A luta no Iraque tem sido dura e continuará difícil. Uma nova geração de americanos deu um passo à frente e se ofereceu p/ defender os ideais de fundação da nossa nação. Eles ajudaram a trazer a liberdade p/ o povo iraquiano.”
Nem todos os gringos concordam c/ seu presidente, porém. O octacampeão mundial de surf Kelly Slater
, natural da Flórida (o estado que elegeu Bush em 2000), chamou a atenção de todos na mais recente etapa do circuito mundial (WCT), que rolou no Chile – desta vez não por sua performance na água (ficou em 9º lugar) mas por causa da pintura de sua prancha, c/ motivos militares (tags c/ silhuetas de soldados e aviões).
Meu amigo Júlio Adler, sempre ligado, publicou em seu
blog a declaração de Slater sobre o brush do seu foguete e a situação do seu país no Iraque. Traduzi p/ vocês terem uma prova de que o estereótipo de alienação dos surfistas tem tudo p/ cair por terra neste mundo cada vez mais globalizado e conflitante. Ou não:“São minhas imagens favoritas da guerra... Não, brinca-deira. É apenas uma pintura de um amigo p/ atrair alguma atenção p/ o que está acontecendo no Iraque (...). Pop culture meets political awareness.
Bruce Gilbert, meu companheiro de viagens e um dos meus melhores amigos, começou a fazer pôsters c/ essas imagens. Originalmente, eram números de tropas e civis mortos, mas esses números sempre ficam defasados – por volta de 3500 tropas e quase um milhão de iraquianos morreram desde o início da guerra!
Por que a prisão de Paris Hilton por três semanas chama mais atenção do que 500 iraquianos sendo assassinados todo dia em seu próprio país, assim como várias tropas americans? Isso p/ não mencionar os feridos, que daria um número dez vezes maior que o de mortes. É uma mudança radical na vida de muita gente. Um crime da humanidade.
Mas peraí... Eu tô fora dessa. Eu apenas gostei do visual das cores, eu acho. É, é isso aí.”
Hehehe. Apesar da piada no final, Slater falou bem sério, e trouxe à tona um tipo de discussão que os surfistas normalmente evitam. Quem surfa costuma pensar apenas em pegar ondas perfeitas, mas não dá mais p/ se contentar c/ o ostracismo intelectual a esta altura. As mudanças climáticas irão interferir diretamente no ecossistema do surf – bancadas de coral estão morrendo c/ a radiação solar, geleiras derretendo estão aumentando o nível do mar e modificando a linha costeira mundial, etc... Além disso, os conflitos humanos estão em todos os continentes e não se restringem mais às diferenças entre países. Na Palestina, por exemplo, Fatah e Hamas estão se matando há meses e deixando o inferno mais quente. Aqui no Brasil, o Rio de Janeiro também virou praça de guerra, e já faz tempo. A alienação política dos surfistas sempre foi uma aberração, pois sempre houve zonas de guerra em paraísos de ondas como o Marrocos, na África, e El Salvador, na América. A própria Indonésia, região c/ a maior concentração de ondas perfeitas do mundo, vive uma guerrilha há quase 10 anos. Quem viu "Apocalipse Now", um dos melhores filmes de guerra já feitos, deve lembrar da seqüência em que soldados americanos detonam uma vila vietnamita p/ aproveitar as boas ondas do pico, localizado em território inimigo. "Charlie don´t surf", dizia o capitão Kilgore (Robert Duvall) p/ seus recrutas, enquanto helicópteros do exército bombardeavam civis "na mais desconfortável cena de surf do cinema", como definiu o blog Ondas.Por essas e outras, concordo c/ o Kelly: o visu da prancha ficou irado! Indonésia: mais um paraíso ameaçado pela ação do homem

domingo, junho 24, 2007

FEBEAPÁ 2007
bem que o Hugo Chaves disse que o Senado brasileiro é a maior papagaiada
"É difícil ao historiador precisar o dia em que o Festival de Besteira começou a assolar o País.” Em 1966 o jornalista Sérgio Porto, sob o pseudônimo Stanislaw Ponte Preta, lançou o livro FEBEAPÁ, sigla p/ Festival de Besteira que Assola o País, p/ ironizar a situação política do Brasil de então, dominado pela ditadura militar. Segundo o site Releituras, “dizem seus estudiosos que no citado livro teria encontrado seu grande filão:a irreverência. Começou uma obra carioquíssima, até hoje insuperável, transpondo para jornais, livros e revistas o saboroso coloquial do Rio de Janeiro. Afirmam, também, que as melhores crônicas são aquelas onde a disposição de desfazer o sentido de uma palavra ou de uma situação não se manifesta apenas no final do enredo, mas parece atingir a estrutura da narrativa; quer dizer, a partir de pistas falsas, a história é conduzida visando a um final que não acontece, substituído por outro, totalmente inesperado”.
Passados 40 anos do lançamento da inspirada obra de humor de Sérgio Porto, a classe política brasileira continua uma comédia, protagonizando um novo festival de besteiras que vêm assolando o país há mais de um mês e não tem prazo p/ terminar.
CONTRA O VERDADEIRO CALHEIROS
No final de maio, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), teve seu esquema de pagamento de pensão alimentícia a uma ex-amante exposto em ampla escala pela mídia brasileira. Apesar de ganhar R$ 12.800,00 como senador, Renan pagava $12.000 de pensão à jornalista Mônica Veloso, mãe da sua filha fora do casamento (bastarda), mais $4.500 de aluguel do apartamento em que ela mora (o que dá um total de R$ 16.500 mensais).
Foi provado que ele usava um lobista p/ fazer esses pagamentos.
Renan diz que Cláudio gontijo, o tal lobista, apenas intermediava a transação, e que esse dinheiro era adquirido através de vendas de cabeças de gado. O senador apresentou notas fiscais à Polícia Federal, que confirmou serem verdadeiras mas ressaltou haver uma série de incongruências nelas, como preços superfaturados, por exemplo. História bem estranha, não? Você apostaria seu salário na idoneidade do Sr. Calheiros? Aparentemente, seus colegas parlamentares apostariam, pois o absolveram no Conselho de Ética antes mesmo que as provas fossem analisadas.Em entrevista ao jornal Estadão, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) acusou Renan de usar sua posição p/ intimidar senadores, “ameaçando divulgar confidências sobre eles, usou suplentes, que não temem a pressão popular, p/ favorecer sua absolvição no Conselho (...) e ainda foi beneficiado por uma oposição conciliadora”. Grande Gabeira! Não é à toa que sua filha Maya é a maior big rider do Brasil. É preciso disposição p/ enfrentar uma máfia c/ imunidade diplomática. Calheiros continua firme na presidência do Senado igual a merda de cachorro na sola do sapato. Diz que não vai abrir mão da presidência e não vai permitir que os trabalhos legislativos sejam prejudicados pelo processo que tramita na Casa contra ele.
Ontem (23/06), o Estadão apresentou nova denúncia: segundo a reportagem do jornal, Renan teve sua campanha eleitoral de 1994 financiada pelo bicheiro
Plínio Batista, que comandou o jogo do bicho em Maceió do fim da década de 80 até 2002. Plínio contou que, além de financiar o atual presidente do Senado, também emprestou dinheiro ao irmão do cara, Remi Calheiros, quando este foi prefeito da cidadezinha de Murici (AL): “Dei dinheiro até p/ pagar pessoal. Era só o Renan dar a ordem que eu fazia. Ele e os irmãos dele foram todos financiados pelo jogo do bicho.” RELAXA E GOZAEste mês estourou também a terceira crise do sistema aéreo nacional, desta vez em larga escala. A coisa é tão séria que há gente passando DIAS em aeroportos à espera de seus vôos. A Agência Nacional de Aviação Civil acusa os controladores de vôo de sabotagem, que por sua vez acusam a Aeronáutica, que acusa as companhias de aviação. Enquanto isso, ninguém sabe informar nada nos check-ins da vida. Num momento tão delicado é que a gente vê o alto nível dos nossos políticos.
Marta Suplicy, ex-prefeita de São Paulo e atual ministra do Turismo, teceu uma pérola que vai entrar p/ os anais (literalmente) da política brasileira.
Durante o lançamento do Plano Nacional de Turismo do governo Lula na última quarta, ela sugeriu que os passageiros não levassem tudo tão à sério: “Esquece! Relaxa e goza! Assim você esquece dos transtornos.” O que esperar de uma mulher que é mãe do Supla e cuja profissão é “sexóloga”? Ontem (sábado) ela provou do próprio remédio. Convidada a participar dos festejos juninos de Sergipe pelo governador Marcelo Déda (ambos são do PT), achou melhor declinar e desistir da viagem, ao saber da situação caótica nos aeroportos de Brasília e Aracaju.
Marta culpa as companhias aéreas pelo caos, declarando que as empresas não investem em aeronaves, e disse ainda que “esse não é um problema só do Brasil, é um problema mundial”. Parece que nesse ponto não há consenso entre a politicalha, já que o ministro da Fazenda, Guido Mantega,
atribui a crise do sistema de aviação à “prosperidade da economia” (sic): “Há aumento do fluxo de tráfego. É a prosperidade do país, mais gente viajando, mais aviões nas rotas.” Mas a ministra do Turismo não disse que o problema é a falta de aviões?
O vice-presidente do país, José Alencar, defendeu Mantega afirmando que, c/ o crescimento da economia, a demanda nos aeroportos aumentou e a estrutura do setor ainda não “digeriu” a mudança. Difícil é digerir esses caras... Alencar fez ainda um apelo ao povo brasileiro:
“Essas coisas são assim. Nós precisamos compreender, precisamos ajudar (...). A sociedade tem que estar de espírito aberto p/ ajudar.” CULTURA DE GREVEApós 50 dias de greve estudantil, os alunos da USP desocuparam o prédio da Reitoria, que haviam tomado como protesto a medidas do governo José Serra (PSDB), a quem acusavam de interferir na autonomia da universidade. Depois de negociações entre os estudantes, funcionários e a reitora Suely Vilela, um documento foi assinado pelas três partes, garantindo reinvidicações condicionadas ao fim de greve. A desocupação, no entanto, não foi pacífica. Os “revolucionários” da USP usaram uma mangueira de bombeiro p/ espantar os jornalistas c/ jatos d’água, sendo que alguns ainda foram agredidos por estudantes c/ rostos cobertos. Houve brigas entre universitários de correntes políticas opostas, enquanto um carro de som dos funcionários tocava “Para Não Dizer que Não Falei das Flores”.Durante a ocupação, foi criado o movimento “cultura de greve: ocupação é formação”, cujo objetivo é continuar mobilizando os estudantes através de debates e palestras. “Isso é p/ que haja um trabalho cultural, de construção da idéia de greve, que é um ato político”, explicou a universitária Apoena Cosenza.
Enquanto os alunos da USP encerravam sua greve,
os da Universidade Federal de Sergipe (UFS) começavam a deles por aqui, em solidariedade à paralização dos servidores. “Entendemos que a greve deles tem um pano de fundo muito maior do que puramente a questão salarial”, disse Danilo de Santana, secretário geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE). Segundo a estudante de farmácia Diana dos Santos, “a greve serve como instrumento de mobilização e de luta por uma maior qualidade de ensino na universidade”.
O reitor da UFS, Josué Sobrinho, afirma estar aberto a negociações e salienta: “Reconheço a legitimidade, a autonomia e a independência dos organismos sindicais. A questão é saber qual o limite disso, se ele (o movimento grevista) não compromete os direitos individuais e coletivos. Com certeza compromete, reitor. Uma amiga minha que está se formando em administração contou que faltava apenas um mês p/ o final do período, e ela não está sozinha ao discordar dessa greve. A maioria dos estudantes manifestou-se contra a paralização. Eu mesmo editei duas matérias sobre o assunto e, ao ver os rebeldes de classe média montando campana na reitoria, numa espécie de cópia do movimento dos estudantes da USP, uma dúvida pairou sobre minha cabeça: Quantos desses trabalham?À FRANCESASegundo o jornalista Diego Casagrande, a situação dos senadores ameaçados por Renan Calheiros é semelhante ao episódio do revolucionário francês Danton à beira da guilhotina, a mando do ex-companheiro Robespierre. Casagrande também compara o cinismo do ministro Guido Mantega ao de François Guizot, ministro de Luís Felipe, rei da França de 1830 a 1848, período em que o voto era sensitário e só as elites votavam. Ao ser perguntado sobre o que os pobres deveriam fazer p/ votar, Guizot respondeu: “Enriquecei-vos!”
Uma das maiores riquezas do mundo em que vivemos é a informação. Hoje há mais e melhores meios de se saber das coisas, mesmo que o acesso à internet não seja assim tão democrático quanto dizem, ou que as escolas públicas no país estejam sucateadas. Informe-se, do jeito que puder, pois os donos do poder agem na política da mesma forma que o Stanislaw Ponte Preta escrevia: “a partir de pistas falsas, a história é conduzida visando a um final que não acontece, substituído por outro, totalmente inesperado.” No caso do Brasil, o final nem é tão inesperado assim. Geralmente acaba em pizza, que eles comem e a gente paga.

por Adolfo Sá
*todas as charges deste post são do genial Leonardo

domingo, junho 17, 2007

PLAY WITH PARIS
O que há c/ essas pop stars americanas? Todas querem ser a Madonna! Desde que Lousie Veronica Ciccone surgiu nos anos 80 cantando que tinha dado pra um cara e se sentiu como na primeira vez (“Like a Virgin”) e que mesmo que o pai reprovasse ela ia ter o filho que tava esperando (“Papa Don´t Preach”), a música pop nunca mais foi a mesma – nem as cantoras do ramo. Madonna andava com viados e travestis, ia pra cama com mulheres, gravava clipes de inspiração herege (“Like a Prayer”, onde fazia um santo querer comê-la) e sadomasoquista (“Justify My Love”), simulava masturbação numa cama em seus shows, lançou um livro de fotos eróticas chamado Sex... Nunca uma mulher havia exposto tanto os tabus sexuais, e tudo isso sem culpas e pro mundo todo ver e ouvir. Claro que se ela não vendesse tantos discos teria um séquito infinitamente menor de clones. Mas, segundo o próprio Livro dos Recordes, ela é a artista feminina de maior sucesso de todos os tempos, c/ 275 milhões de discos vendidos, perdendo apenas p/ Beatles, Elvis e Michael Jackson no ranking geral de vendas.
Dizem que as partes mais erógenas do corpo são O EGO & O BOLSO. Depois de ter dado tão certo (c/ o perdão do trocadilho), Madonna criou um nicho de mercado: o das cantoras bonitas, gostosas e rampeiras: Britney Spears, Cristina Aguilera, Jennifer Lopez, Beyoncé – todas cantando como divas e rebolando como strippers. Nada contra a safadeza (muito pelo contrário), mas não deixa de ser bizarro que artistas que agem como prostitutas ou maníacas sejam um modelo pras menininhas que ainda estão formando suas personalidades.
Acontece que nenhuma das performers supracitadas nasceu em berço de ouro.
Paris Hilton, por sua vez, não só nasceu num berço de 18 quilates, como é herdeira do berçário – sua família é dona da rede internacional de hotéis Hilton. Símbolo máximo do culto aos famosos nos EUA, ela não precisaria fazer nada além de compras pro resto da vida, mas nossa querida Paris (uma habitué deste blog) também gosta de fazer barulho: além de tirar onda de modelo, lançou um disco ano passado c/ direito a “Happy Birthday” de lingerie pro Hugh Heffner como estratégia de lançamento. Ela tb ataca de atriz e, apesar de já ter feito alguns filmes de Hollywood, o único papel digno de Oscar até agora foi sua atuação num vídeo pornô caseiro que “vazou” na internet, na linha do clássico de lua-de-mel da Pamela Anderson c/ o Tommy Lee.
Paris é parecida c/ a Lolitta Pille, ninfeta francesa que escreveu o best-seller Hell, relato autobiográfico sobre uma patricinha fútil, perdulária e drogada. Sim, usar drogas e causar problemas tem se tornado um dos itens essenciais no currículo das celebridades femininas da música pop. A inglesa Lily Allen viu as vendas de seu disco de estréia aumentarem depois de dizer que ganhava dinheiro traficando drogas antes da fama. A loira Britney já entrou e saiu de várias clínicas de desintoxicação, e bateu seu próprio recorde de esquisitices ao aparecer de cabeça raspada e quebrar o vidro do carro de um paparazzo num acesso de fúria. Aguilera adotou um visual dreadlock-topa-todas na época do disco “Dirty”, e ambas (ela e Brit) beijaram na boca sua matriz (Madonna) numa misancéne durante uma premiação da Mtv (foto ao lado). Paris Hilton não é tão bagaceira quanto suas concorrentes, mas ela é uma putinha de grife, afinal. Ano passado, fez mais sucesso na sua condição de “natural born celebrity” do que por seus dotes artísticos: estrelou ao lado da filha do Lionel Ritchie a série de TV “Simple Life”, onde tinham que se virar numa casa classe média sem luxos nem cartões de crédito. O programa deu tão certo que este ano estréia uma versão dele aqui no Brasil, c/ Karina Bacchi e Ticiane Pinheiro (as nossas celebridades são melhores que as deles).Mas nem tudo correu bem p/ nossa patricinha favorita em 2006. No mês de setembro, foi enquadrada dirigindo bêbada, teve sua carteira de motorista suspensa e acabou condenada a três anos de liberdade condicional – por ser ré primária. Bad girl por vocação, Paris foi pega este ano dirigindo sem autorização, não só uma vez, mas DUAS. Aí não teve jeito e ela teve que “tocar pianinho no xis”: inicialmente condenada a 23 dias de prisão, cumpriu apenas um fim de semana na cadeia, o que gerou acusações de favorecimento por parte da lei. Perante à má repercussão c/ a opinião pública, um juiz de Los Angeles ordenou o retorno da celebridade de 26 anos à prisão p/ terminar de cumprir sua pena por violação de condicional.Chorando e gritando “Mãe, mãe, não está certo”, Paris ouviu o veredito no tribunal e voltou a ser trancada no dia 08 deste mês. Ela passou a primeira noite em claro, aos prantos, em sua cela c/ porta de vidro, isolada das demais. No dia seguinte foi levada a um terapeuta e desde então parece ter se acostumado à idéia de que ela tb está sujeita à lei, e não se teve mais notícias de sua temporada no “hotel 100 estrelas”.
Mas se você, leitor(a), tá c/ peninha da patricinha, pode ajudá-la a cumprir seus trabalhos forçados no jogo “
The Prison Life: Paris”, onde nossa herdeira favorita precisa carimbar placas numa esteira, vigiada pela carcereira lésbica. A idéia é engraçada e o joguinho é divertido – é preciso acertar o maior número de placas sempre tomando cuidado pra não prensar o cãozinho de estimação Clinckerbell, o que leva à desclassificação automática. As inscrições das placas já valem a piada: “CRY-BABY”, “NOT-RITE”, “RICHGRL”, “SXTAPE”, “SMPLIFE”, “DY-NASTY”, “ABUVLAW”, “TRAUMA”, “FOODSUX”, “WANNABE”, “WLDTHNG”, “ILUVME”, “DRV2FST” e “ESCAPE”, entre outras pérolas que descrevem c/ perfeição o histórico da menina.
Clique no link acima e jogue. Acredite, esta será sua única chance de brincar c/ a Paris Hilton.

Capa do disco da Paris na versão pirata do grafiteiro Banksy, c/ as músicas "Por que sou famosa?", "O que eu fiz?" e "Pra que eu sirvo?"

sábado, junho 09, 2007

O BARATO DE GRACE KELLY
Amanhã (domingo) acontece a Parada do Orgulho Gay em São Paulo. Até aí tudo bem, não faço parte do clube e não me interesso pelo assunto. Há causas que me atrairiam mais, como os confrontos dos punks c/ a polícia no Dia do Trabalho ou a ocupação da USP por universitários rebeldes durante o mês de maio, mas também nunca fui do tipo que adere a passeatas ou outras manifestações públicas e coletivas. Fui um dos únicos estudantes do Brasil que não pintou a cara e não saiu nas ruas para protestar contra o presidente Collor no início dos anos 90 – embora eu achasse o cara um bosta. Acho que no final das contas sou um cara que prefere andar só do que mal acompanhado.
O que me chamou a atenção p/ esta passeata foi um panfleto impresso pela Associação da Parada – não só a minha atenção, mas de toda a imprensa e autoridades judiciárias: uma cartilha de 8 páginas que orienta a comunidade “GLBT” (sigla p/ gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros) sobre como evitar doenças sexualmente transmissíveis e como fazer um uso “responsável” das drogas.
O panfleto, que começou a ser distribuído na quinta-feira numa Feira Cultural, tinha o patrocínio da Prefeitura de São Paulo, do programa contra DST/AIDS do governo estadual, da Embratur, e dos Ministérios do Turismo e da Saúde, e um de seus capítulos tinha o título “Vai viajar? Fique só com o barato”, c/ dicas espertas do tipo:

> “Compartilhe a droga, nunca o material a ser usado.”
> “Faça uma piteira de papel se for rolar um baseado.”
> “Para cheirar, prefira um canudo individual a notas de dinheiro.”
> “Não misture drogas. Beba muita água. Alimente-se bem. Isso vai melhorar sua volta.”

Bruahahaha! Esses gays são uma parada, haha... É lógico que sujou geral e todos saíram dando... explicações. Regina Fachini, vice-presidente da Parada, disse que o objetivo do texto era “alertar p/ o risco de contaminação durante o uso de drogas, de acordo c/ dicas do Ministério da Saúde.” O representante desse ministério em SP disse que o folheto foi mal redigido: “É uma publicação p/ um público direcionado. (...) e vai buscar incentivar que as pessoas deixem de usar. Especificamente, não conseguindo ter essa redução do uso, estabelecer práticas que minimizem os efeitos no campo da saúde.” Mas não teve jeito e a cartilha foi
retirada de circulação na sexta-feira.
O lançamento de um panfleto assim mostra que a Parada reconhece que lá se vai usar cocaína e maconha”, afirmou o delegado Ferreira Neto, do Departamento de Investigação de Narcóticos, que disse ainda que o evento está na mira da lei: “Esse panfleto é uma aberração. É um incentivo ao uso de drogas e ao tráfico, que são crimes. A preocupação em alertar p/ cuidados de higiene não pode ser maior que a preocupação sobre o uso de drogas.” Segundo ele, o Denarc investigará a Parada p/ checar se há facilitação ou omissão ao tráfico.
A Parada do Orgulho Gay acontece todo ano na Avenida Paulista, e costuma levar às ruas milhões de pessoas. Pessoalmente, sou a favor da descriminalização das drogas,
uma medida legal simples que diminuiria drastica-mente os números da violência gerada pelo tráfico e pela clan-destinidade do uso. Todo ano, por exemplo, ocorre simultaneamente em 180 cidades de todo o mundo a Marcha Mundial pela Legalização da Maconha, no dia 8 de maio. Em São Paulo a repressão aos manifestantes costuma ser radical (a brutalidade da PM paulista é notória), mas no Rio de Janeiro o passeio da malucada pelas ruas de Ipanema costuma rolar no maior astral. Tá aí uma causa à qual eu me juntaria.

sexta-feira, junho 01, 2007

ESCARRO NAPALM Conheci Adelvan Barbosa nos anos 90. Ele editava um dos melhores zines do Nordeste (e, por que não, do país), chamado Escarro Napalm. O zine acabou, mas virou um blog, onde Adelvan “Kenobi” discorre principalmente sobre ROCK, em especial a cena local – o cara já foi vocalista das bandas de HC crust ExTxCx e 120 Dias de Sodoma (foto ao lado). Às vezes ele tb. fala de cinema, como no seu último post, em que dá uma geral no filme “Baixio das Bestas”, exibido por aqui (Buracaju) no Festival Curta-SE, um evento muito fino promovido há 7 anos pela incansável Rosângela Rocha & sua turma. Eu queria ter visto esse filme e tb. “O Cheiro do Ralo”, adaptação de uma HQ do Lourenço Mutarelli, mas não sei como, sempre consigo PERDER essas oportunidades. Fiquem então c/ a versão do nosso repórter-cinéfilo-punk:
“Eu queria muito assistir o 'BAIXIO DAS BESTAS', o novo filme de Cláudio Assis ('Amarelo Manga'). Tanto que me sujeitei pacientemente à falta de respeito do Cinemark, que transferiu o Festival CURTA-SE (em cuja programação o filme estava inserido) para uma sala menor por conta da estréia do 'Homem-Aranha', o que resultou num atraso de 1 hora e meia ou mais. Depois de uma seqüência de curta-metragens que durou ao todo quase duas horas (seqüência razoável, um tanto quanto irregular mas no geral interessante), eis que chega a hora de anunciar o longa. Antes, uma surpresa (pelo menos para mim, desinformado): o figuraça estava lá em pessoa e ia dizer umas palavras. Mandou o Cinemark tomar no cu e se mostrou indignado pelo festival ser segregado a uma sala minúscula por conta da tarântula hollywoodiana. E de quebra reclamou de Lula que obedientemente baixou a cabeça ante à ordem do senhor imperial para que se plante mais cana.
Luzes apagadas, começa a sessão. Caralho, que porra é essa ? Tem alguma coisa errada, a imagem aparece distorcida. E os energúmenos que operam o projetor parecem nem notar, só param a exibição diante dos berros do diretor em pessoa. E tome mais uma espera de meia hora.
Mas valeu a pena. O filme é cruel e ultra-realista, não faz concessões. Um caldo de cultura resultante da ignorância e da má distribuição de renda resulta numa vida dura, violenta e sem perspectivas para as pessoas de baixa renda da zona da mata pernambucana. Especialmente para as mulheres, ininterruptamente violentadas de todas as formas possíveis, tanto física quanto psicologicamente. Excelentes atuações de atores globais como Caio Blat, Mateus Nachtergale e Dira Paes, mas o destaque vai certamente para a atriz Mariah Teixeira (também presente ao evento), que faz o papel da adolescente explorada sexualmente pelo avô.
O único senão é que, a meu ver, as cenas de violência poderiam ter sido mais realistas. Há algo de contido nas perfomances dos atores. Talvez seja impressão minha, ou talvez depois de '
Irreversível' meu nível de exigência de veracidade em cenas de estupro esteja num patamar mais alto. Mas acho que o filme pedia por isso, as cenas chocantes são importantes para ressaltar a brutalidade da trama. É um “defeito” menor, no entanto – se é que é um defeito, não sei. Vale muito a pena. Parabéns ao Cláudio por mais um filme corajoso. Eis que nasce um novo herói do cinema nacional.
por Adelvan Kenobi (ilustração: Yuri Hermuche)