sexta-feira, junho 01, 2007

ESCARRO NAPALM Conheci Adelvan Barbosa nos anos 90. Ele editava um dos melhores zines do Nordeste (e, por que não, do país), chamado Escarro Napalm. O zine acabou, mas virou um blog, onde Adelvan “Kenobi” discorre principalmente sobre ROCK, em especial a cena local – o cara já foi vocalista das bandas de HC crust ExTxCx e 120 Dias de Sodoma (foto ao lado). Às vezes ele tb. fala de cinema, como no seu último post, em que dá uma geral no filme “Baixio das Bestas”, exibido por aqui (Buracaju) no Festival Curta-SE, um evento muito fino promovido há 7 anos pela incansável Rosângela Rocha & sua turma. Eu queria ter visto esse filme e tb. “O Cheiro do Ralo”, adaptação de uma HQ do Lourenço Mutarelli, mas não sei como, sempre consigo PERDER essas oportunidades. Fiquem então c/ a versão do nosso repórter-cinéfilo-punk:
“Eu queria muito assistir o 'BAIXIO DAS BESTAS', o novo filme de Cláudio Assis ('Amarelo Manga'). Tanto que me sujeitei pacientemente à falta de respeito do Cinemark, que transferiu o Festival CURTA-SE (em cuja programação o filme estava inserido) para uma sala menor por conta da estréia do 'Homem-Aranha', o que resultou num atraso de 1 hora e meia ou mais. Depois de uma seqüência de curta-metragens que durou ao todo quase duas horas (seqüência razoável, um tanto quanto irregular mas no geral interessante), eis que chega a hora de anunciar o longa. Antes, uma surpresa (pelo menos para mim, desinformado): o figuraça estava lá em pessoa e ia dizer umas palavras. Mandou o Cinemark tomar no cu e se mostrou indignado pelo festival ser segregado a uma sala minúscula por conta da tarântula hollywoodiana. E de quebra reclamou de Lula que obedientemente baixou a cabeça ante à ordem do senhor imperial para que se plante mais cana.
Luzes apagadas, começa a sessão. Caralho, que porra é essa ? Tem alguma coisa errada, a imagem aparece distorcida. E os energúmenos que operam o projetor parecem nem notar, só param a exibição diante dos berros do diretor em pessoa. E tome mais uma espera de meia hora.
Mas valeu a pena. O filme é cruel e ultra-realista, não faz concessões. Um caldo de cultura resultante da ignorância e da má distribuição de renda resulta numa vida dura, violenta e sem perspectivas para as pessoas de baixa renda da zona da mata pernambucana. Especialmente para as mulheres, ininterruptamente violentadas de todas as formas possíveis, tanto física quanto psicologicamente. Excelentes atuações de atores globais como Caio Blat, Mateus Nachtergale e Dira Paes, mas o destaque vai certamente para a atriz Mariah Teixeira (também presente ao evento), que faz o papel da adolescente explorada sexualmente pelo avô.
O único senão é que, a meu ver, as cenas de violência poderiam ter sido mais realistas. Há algo de contido nas perfomances dos atores. Talvez seja impressão minha, ou talvez depois de '
Irreversível' meu nível de exigência de veracidade em cenas de estupro esteja num patamar mais alto. Mas acho que o filme pedia por isso, as cenas chocantes são importantes para ressaltar a brutalidade da trama. É um “defeito” menor, no entanto – se é que é um defeito, não sei. Vale muito a pena. Parabéns ao Cláudio por mais um filme corajoso. Eis que nasce um novo herói do cinema nacional.
por Adelvan Kenobi (ilustração: Yuri Hermuche)

2 comentários:

espedito disse...

O Adelvan é o baterista? Ele tá pelado????

Escarro Napalm disse...

sim, o baterista está nu, mas não sou eu, eu sou o vocalista com "spikes" maléficos no braço. Obrigado aí Adolfo pela reprodução do texto e divulgação do blog - e desde já, aos que visitarem desculpa a bagunaça lá. Sou meio analfabeto nisso e tenho pouco tempo pra aprender, mas com o tempo vai melhorar, acreditem.
e ouçan o PROGRAMA DE ROCK, toda sexta às 20:00 na 104,9 FM. Produzido por mim e Fabinho da Snooze.