domingo, junho 24, 2007

FEBEAPÁ 2007
bem que o Hugo Chaves disse que o Senado brasileiro é a maior papagaiada
"É difícil ao historiador precisar o dia em que o Festival de Besteira começou a assolar o País.” Em 1966 o jornalista Sérgio Porto, sob o pseudônimo Stanislaw Ponte Preta, lançou o livro FEBEAPÁ, sigla p/ Festival de Besteira que Assola o País, p/ ironizar a situação política do Brasil de então, dominado pela ditadura militar. Segundo o site Releituras, “dizem seus estudiosos que no citado livro teria encontrado seu grande filão:a irreverência. Começou uma obra carioquíssima, até hoje insuperável, transpondo para jornais, livros e revistas o saboroso coloquial do Rio de Janeiro. Afirmam, também, que as melhores crônicas são aquelas onde a disposição de desfazer o sentido de uma palavra ou de uma situação não se manifesta apenas no final do enredo, mas parece atingir a estrutura da narrativa; quer dizer, a partir de pistas falsas, a história é conduzida visando a um final que não acontece, substituído por outro, totalmente inesperado”.
Passados 40 anos do lançamento da inspirada obra de humor de Sérgio Porto, a classe política brasileira continua uma comédia, protagonizando um novo festival de besteiras que vêm assolando o país há mais de um mês e não tem prazo p/ terminar.
CONTRA O VERDADEIRO CALHEIROS
No final de maio, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), teve seu esquema de pagamento de pensão alimentícia a uma ex-amante exposto em ampla escala pela mídia brasileira. Apesar de ganhar R$ 12.800,00 como senador, Renan pagava $12.000 de pensão à jornalista Mônica Veloso, mãe da sua filha fora do casamento (bastarda), mais $4.500 de aluguel do apartamento em que ela mora (o que dá um total de R$ 16.500 mensais).
Foi provado que ele usava um lobista p/ fazer esses pagamentos.
Renan diz que Cláudio gontijo, o tal lobista, apenas intermediava a transação, e que esse dinheiro era adquirido através de vendas de cabeças de gado. O senador apresentou notas fiscais à Polícia Federal, que confirmou serem verdadeiras mas ressaltou haver uma série de incongruências nelas, como preços superfaturados, por exemplo. História bem estranha, não? Você apostaria seu salário na idoneidade do Sr. Calheiros? Aparentemente, seus colegas parlamentares apostariam, pois o absolveram no Conselho de Ética antes mesmo que as provas fossem analisadas.Em entrevista ao jornal Estadão, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) acusou Renan de usar sua posição p/ intimidar senadores, “ameaçando divulgar confidências sobre eles, usou suplentes, que não temem a pressão popular, p/ favorecer sua absolvição no Conselho (...) e ainda foi beneficiado por uma oposição conciliadora”. Grande Gabeira! Não é à toa que sua filha Maya é a maior big rider do Brasil. É preciso disposição p/ enfrentar uma máfia c/ imunidade diplomática. Calheiros continua firme na presidência do Senado igual a merda de cachorro na sola do sapato. Diz que não vai abrir mão da presidência e não vai permitir que os trabalhos legislativos sejam prejudicados pelo processo que tramita na Casa contra ele.
Ontem (23/06), o Estadão apresentou nova denúncia: segundo a reportagem do jornal, Renan teve sua campanha eleitoral de 1994 financiada pelo bicheiro
Plínio Batista, que comandou o jogo do bicho em Maceió do fim da década de 80 até 2002. Plínio contou que, além de financiar o atual presidente do Senado, também emprestou dinheiro ao irmão do cara, Remi Calheiros, quando este foi prefeito da cidadezinha de Murici (AL): “Dei dinheiro até p/ pagar pessoal. Era só o Renan dar a ordem que eu fazia. Ele e os irmãos dele foram todos financiados pelo jogo do bicho.” RELAXA E GOZAEste mês estourou também a terceira crise do sistema aéreo nacional, desta vez em larga escala. A coisa é tão séria que há gente passando DIAS em aeroportos à espera de seus vôos. A Agência Nacional de Aviação Civil acusa os controladores de vôo de sabotagem, que por sua vez acusam a Aeronáutica, que acusa as companhias de aviação. Enquanto isso, ninguém sabe informar nada nos check-ins da vida. Num momento tão delicado é que a gente vê o alto nível dos nossos políticos.
Marta Suplicy, ex-prefeita de São Paulo e atual ministra do Turismo, teceu uma pérola que vai entrar p/ os anais (literalmente) da política brasileira.
Durante o lançamento do Plano Nacional de Turismo do governo Lula na última quarta, ela sugeriu que os passageiros não levassem tudo tão à sério: “Esquece! Relaxa e goza! Assim você esquece dos transtornos.” O que esperar de uma mulher que é mãe do Supla e cuja profissão é “sexóloga”? Ontem (sábado) ela provou do próprio remédio. Convidada a participar dos festejos juninos de Sergipe pelo governador Marcelo Déda (ambos são do PT), achou melhor declinar e desistir da viagem, ao saber da situação caótica nos aeroportos de Brasília e Aracaju.
Marta culpa as companhias aéreas pelo caos, declarando que as empresas não investem em aeronaves, e disse ainda que “esse não é um problema só do Brasil, é um problema mundial”. Parece que nesse ponto não há consenso entre a politicalha, já que o ministro da Fazenda, Guido Mantega,
atribui a crise do sistema de aviação à “prosperidade da economia” (sic): “Há aumento do fluxo de tráfego. É a prosperidade do país, mais gente viajando, mais aviões nas rotas.” Mas a ministra do Turismo não disse que o problema é a falta de aviões?
O vice-presidente do país, José Alencar, defendeu Mantega afirmando que, c/ o crescimento da economia, a demanda nos aeroportos aumentou e a estrutura do setor ainda não “digeriu” a mudança. Difícil é digerir esses caras... Alencar fez ainda um apelo ao povo brasileiro:
“Essas coisas são assim. Nós precisamos compreender, precisamos ajudar (...). A sociedade tem que estar de espírito aberto p/ ajudar.” CULTURA DE GREVEApós 50 dias de greve estudantil, os alunos da USP desocuparam o prédio da Reitoria, que haviam tomado como protesto a medidas do governo José Serra (PSDB), a quem acusavam de interferir na autonomia da universidade. Depois de negociações entre os estudantes, funcionários e a reitora Suely Vilela, um documento foi assinado pelas três partes, garantindo reinvidicações condicionadas ao fim de greve. A desocupação, no entanto, não foi pacífica. Os “revolucionários” da USP usaram uma mangueira de bombeiro p/ espantar os jornalistas c/ jatos d’água, sendo que alguns ainda foram agredidos por estudantes c/ rostos cobertos. Houve brigas entre universitários de correntes políticas opostas, enquanto um carro de som dos funcionários tocava “Para Não Dizer que Não Falei das Flores”.Durante a ocupação, foi criado o movimento “cultura de greve: ocupação é formação”, cujo objetivo é continuar mobilizando os estudantes através de debates e palestras. “Isso é p/ que haja um trabalho cultural, de construção da idéia de greve, que é um ato político”, explicou a universitária Apoena Cosenza.
Enquanto os alunos da USP encerravam sua greve,
os da Universidade Federal de Sergipe (UFS) começavam a deles por aqui, em solidariedade à paralização dos servidores. “Entendemos que a greve deles tem um pano de fundo muito maior do que puramente a questão salarial”, disse Danilo de Santana, secretário geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE). Segundo a estudante de farmácia Diana dos Santos, “a greve serve como instrumento de mobilização e de luta por uma maior qualidade de ensino na universidade”.
O reitor da UFS, Josué Sobrinho, afirma estar aberto a negociações e salienta: “Reconheço a legitimidade, a autonomia e a independência dos organismos sindicais. A questão é saber qual o limite disso, se ele (o movimento grevista) não compromete os direitos individuais e coletivos. Com certeza compromete, reitor. Uma amiga minha que está se formando em administração contou que faltava apenas um mês p/ o final do período, e ela não está sozinha ao discordar dessa greve. A maioria dos estudantes manifestou-se contra a paralização. Eu mesmo editei duas matérias sobre o assunto e, ao ver os rebeldes de classe média montando campana na reitoria, numa espécie de cópia do movimento dos estudantes da USP, uma dúvida pairou sobre minha cabeça: Quantos desses trabalham?À FRANCESASegundo o jornalista Diego Casagrande, a situação dos senadores ameaçados por Renan Calheiros é semelhante ao episódio do revolucionário francês Danton à beira da guilhotina, a mando do ex-companheiro Robespierre. Casagrande também compara o cinismo do ministro Guido Mantega ao de François Guizot, ministro de Luís Felipe, rei da França de 1830 a 1848, período em que o voto era sensitário e só as elites votavam. Ao ser perguntado sobre o que os pobres deveriam fazer p/ votar, Guizot respondeu: “Enriquecei-vos!”
Uma das maiores riquezas do mundo em que vivemos é a informação. Hoje há mais e melhores meios de se saber das coisas, mesmo que o acesso à internet não seja assim tão democrático quanto dizem, ou que as escolas públicas no país estejam sucateadas. Informe-se, do jeito que puder, pois os donos do poder agem na política da mesma forma que o Stanislaw Ponte Preta escrevia: “a partir de pistas falsas, a história é conduzida visando a um final que não acontece, substituído por outro, totalmente inesperado.” No caso do Brasil, o final nem é tão inesperado assim. Geralmente acaba em pizza, que eles comem e a gente paga.

por Adolfo Sá
*todas as charges deste post são do genial Leonardo

3 comentários:

espedito disse...

Texto legal e charges mais ainda, o leonardo é bom mesmo, fui no blog dele e adicionei aos favoritos. Escreva mais sobre política! É um festival de besteiras que está rolando no nosso país. Abraço, Es.

Viva La Brasa disse...

Eu gostaria de escrever mais sobre política, mas isso demandaria atualizações mais constantes, e isso é inviável pra mim no momento... Além disso, o blog só teria notícias ruins, como essas aqui...
LULA DEFENDE RENAN:
http://jc.uol.com.br/tvjornal/2007/06/28/not_129561.php
CASO JOAQUIM RORIZ:
http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL57685-5601,00.html
PLAYBOYS ESPANCADORES:
http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdNoticia=49918

Anônimo disse...

E ainda faltou falar do escandalo do irmao do pres lula, o tal do vava... Parece q todo mundo esqueceu essa historia?