sábado, junho 30, 2007

WAR B(R)USH
Bush mais uma vez mostrando que tem visão

A ocupação americana no Iraque está em seu 4º - e mais sangrento – ano. O número de mortos nessa guerra já passa dos 700.000. Além dos civis iraquianos, os EUA já sofreram mais baixas em suas tropas do que na guerra do Vietnã, sua maior derrota militar até então.
Está na cara do mundo que a invasão ianque é um fiasco, mas o comediante George W.Bush
, que há 7 anos ocupa a Casa Branca, discorda do resto da humani-dade. Em seu progra-ma de rádio esta sema-na, pediu aos norte-americanos paciência: “Ainda estamos no começo dessa ofensiva, mas estamos vendo alguns sinais que dão esperança. Estamos engajando o inimigo e matando ou capturando centenas. A luta no Iraque tem sido dura e continuará difícil. Uma nova geração de americanos deu um passo à frente e se ofereceu p/ defender os ideais de fundação da nossa nação. Eles ajudaram a trazer a liberdade p/ o povo iraquiano.”
Nem todos os gringos concordam c/ seu presidente, porém. O octacampeão mundial de surf Kelly Slater
, natural da Flórida (o estado que elegeu Bush em 2000), chamou a atenção de todos na mais recente etapa do circuito mundial (WCT), que rolou no Chile – desta vez não por sua performance na água (ficou em 9º lugar) mas por causa da pintura de sua prancha, c/ motivos militares (tags c/ silhuetas de soldados e aviões).
Meu amigo Júlio Adler, sempre ligado, publicou em seu
blog a declaração de Slater sobre o brush do seu foguete e a situação do seu país no Iraque. Traduzi p/ vocês terem uma prova de que o estereótipo de alienação dos surfistas tem tudo p/ cair por terra neste mundo cada vez mais globalizado e conflitante. Ou não:“São minhas imagens favoritas da guerra... Não, brinca-deira. É apenas uma pintura de um amigo p/ atrair alguma atenção p/ o que está acontecendo no Iraque (...). Pop culture meets political awareness.
Bruce Gilbert, meu companheiro de viagens e um dos meus melhores amigos, começou a fazer pôsters c/ essas imagens. Originalmente, eram números de tropas e civis mortos, mas esses números sempre ficam defasados – por volta de 3500 tropas e quase um milhão de iraquianos morreram desde o início da guerra!
Por que a prisão de Paris Hilton por três semanas chama mais atenção do que 500 iraquianos sendo assassinados todo dia em seu próprio país, assim como várias tropas americans? Isso p/ não mencionar os feridos, que daria um número dez vezes maior que o de mortes. É uma mudança radical na vida de muita gente. Um crime da humanidade.
Mas peraí... Eu tô fora dessa. Eu apenas gostei do visual das cores, eu acho. É, é isso aí.”
Hehehe. Apesar da piada no final, Slater falou bem sério, e trouxe à tona um tipo de discussão que os surfistas normalmente evitam. Quem surfa costuma pensar apenas em pegar ondas perfeitas, mas não dá mais p/ se contentar c/ o ostracismo intelectual a esta altura. As mudanças climáticas irão interferir diretamente no ecossistema do surf – bancadas de coral estão morrendo c/ a radiação solar, geleiras derretendo estão aumentando o nível do mar e modificando a linha costeira mundial, etc... Além disso, os conflitos humanos estão em todos os continentes e não se restringem mais às diferenças entre países. Na Palestina, por exemplo, Fatah e Hamas estão se matando há meses e deixando o inferno mais quente. Aqui no Brasil, o Rio de Janeiro também virou praça de guerra, e já faz tempo. A alienação política dos surfistas sempre foi uma aberração, pois sempre houve zonas de guerra em paraísos de ondas como o Marrocos, na África, e El Salvador, na América. A própria Indonésia, região c/ a maior concentração de ondas perfeitas do mundo, vive uma guerrilha há quase 10 anos. Quem viu "Apocalipse Now", um dos melhores filmes de guerra já feitos, deve lembrar da seqüência em que soldados americanos detonam uma vila vietnamita p/ aproveitar as boas ondas do pico, localizado em território inimigo. "Charlie don´t surf", dizia o capitão Kilgore (Robert Duvall) p/ seus recrutas, enquanto helicópteros do exército bombardeavam civis "na mais desconfortável cena de surf do cinema", como definiu o blog Ondas.Por essas e outras, concordo c/ o Kelly: o visu da prancha ficou irado! Indonésia: mais um paraíso ameaçado pela ação do homem

Um comentário:

graffiti rectown disse...

tenho uns tags aki, dá pra grafittar sua prancha tb, Brasa!! é só a gente acertar o preço...