sábado, novembro 10, 2007

UM CARA DURÃO
Duelo de gigantes: Norman Mailer X Muhammad Ali
Morreu Norman Mailer, o último dos escritores machos. Tinha 84 anos e há tempos sofria c/ problemas pulmonares. Autor de 39 livros, viveu intensamente, sempre disposto a encarar uma briga. Convocado p/ a 2ª Guerra Mundial, abandonou o curso de engenharia aeronáutica na Universidade de Harvard. De volta aos EUA, escreveu sobre sua experiência nas Filipinas e no Japão durante a guerra. "Os Nus e os Mortos", seu livro de estréia em 1948, foi sucesso de público e crítica. Aos 25 anos, Mailer tornou-se um homem rico e famoso. Foi um criadores do "new journalism", um estilo de reportagem que aliava a narração dos fatos à narrativa literária e que teve como expoentes, além dele, Tom Wolfe, Truman Capote e, numa linha mais radical, Hunter S.Thompson. Na década de 1960, fundou o Village Voice, um dos mais influentes jornais alternativos do mundo. Mesmo c/ todo dinheiro e respeito, passou a vida se metendo em encrencas: em 1960, esfaqueou c/ um canivete sua segunda esposa, Adele Morales (que não prestou queixa), ganhando o ódio eterno do movimento feminista - c/ o qual, diga-se de passagem, nunca tentou se redimir - ; em 1967 publicou "Os Exércitos da Noite", sobre a grande marcha pacifista em Washington contra a Guerra do Vietnã, o que lhe valeu os principais prêmios literários de seu país (incluindo o Pulitzer e o National Book Award) e uma prisão política; em 1973 publicou a biografia de Marilyn Monroe, atribuindo a morte da atriz ao FBI e à CIA, por causa do romance c/ o senador Robert Kennedy. No ano seguinte, viajou pro Zaire (atual República do Congo) p/ cobrir a "luta do século", na qual Muhammad Ali recuperou o cinturão dos pesos-pesados ao derrotar George Foreman. Boxe era seu esporte. Em 1979 recebeu seu 2º Pulitzer por "A Canção do Carrasco", sobre a execução do assassino Gary Gilmore. Casou-se 6 vezes e teve 9 filhos. Por 2X tentou concorrer à Prefeitura de Nova Iorque mas nunca passou das primárias - chamava os ex-aliados políticos de "bando de porcos mimados". Considerava-se "anti-sistema" e, ao mesmo tempo, "conservador de esquerda". Gostava de fumar maconha e freqüentar cassinos clandestinos, sempre enxugando o copo. Em uma festa em Hollywood, foi desafiado p/ uma luta por ninguém menos que Charles Bukowski. Segundo Howard Sounes, autor da biografia do velho Buk, Norman estava em forma e nocautearia seu desafiante no 1º round, mas mesmo assim declinou do "convite". O motivo? Mailer era fã de Bukowski.

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