terça-feira, abril 24, 2007

A CULPA É DE QUEM?

"Nenhum morto é inocente". A frase é do comandante do BOPE, o tenente-coronel Pinheiro Neto, ao fechar a contagem de corpos abatidos na troca de tiros da terça-feira passada no Catumbi, Rio de Janeiro. Só lá foram 13, todos associados às duas facções que disputavam o controle das bocas no Morro da Mineira. O confronto, que envolveu a polícia e chegou ao asfalto, ocorreu à luz do dia, e foi amplamente filmada e divulgada na mídia ao longo da semana. Enquanto isso, outros 6 acusados de tráfico morreram em Bangu, zona oeste, e uma tentativa de assalto no centro da cidade terminou c/ mais 2 vítimas fatais - totalizando 21 mortos só na terça.
No dia seguinte (18/04), 190 pessoas morreram em mais uma ação terrorista em Bagdá, contabilizando o episódio mais sangrento envolvendo civis inocentes desde o início da ocupação do Iraque pelos EUA.
O primeiro atentado ocorreu c/ uma viatura-bomba no mercado de Al-Sadriyah, às margens do rio Tigre, uma área freqüentada pela maioria xiita. Em seguida, outra viatura-armadilha explodiu contra um posto de controle do exército em Sadr City, matando mais 48 xiitas. Além dos mortos, uma centena de outros iraquianos ficou gravemente ferida, evidenciando a ineficácia da intervenção americana naquele país, que continua tão (e talvez até mais) violento quanto antes da morte de Saddam Hussein. Após os atentados, a multidão em fúria gritava "onde está o plano de segurança?" e "abaixo Maliki!". Nouri Al-Maliki, o primeiro-ministro iraquiano, acusou os "vampiros takfiri", extremistas sunitas, de serem os responsáveis pelo ataque.
Foi a semana mais sangrenta dos últimos tempos, lá e cá, mas tudo isso não passou de mais um capítulo numa história que está longe de acabar. De quem é a culpa pelos ataques no Iraque? Dos sunitas? Dos EUA? Da ONU? E dos tiroteios e assaltos no Rio e São Paulo? Dos traficantes? Dos ladrões? Da polícia?
Um problema comum aos dois casos é tão velho quanto a humanidade: disputa de território.
O Iraque é um país formado artificialmente na divisão do espólio dos império britânico no Oriente Médio, que por sua vez é palco de disputas seculares. No caso iraquiano, reuniram sob o mesmo mapa xiitas, sunitas e curdos, tribos distintas e rivais que se viram obrigadas a conviver sob a mesma bandeira em um país que até o início do século passado não existia - pelo menos não da maneira como o conhecemos. No Rio, as favelas se proliferaram nos morros como territórios esquecidos pela sociedade, lugares onde supostamente não devia chegar água nem luz, que cresceram independentes do Estado. Como não existe terra-sem-lei, hoje há quem mande nelas, e onde a luz e a água do Governo não chegavam, agora chegam metrancas e fuzis invocados. A culpa é da favela?
A violência fora de controle não é privilégio do Rio ou de Bagdá – é um sintoma do buraco em que nos metemos.
Sergipe é o menor estado do Brasil e Aracaju, sua capital, tem um dos melhores níveis de qualidade de vida do país, mas uma pesquisa do Instituto Padrão revelou que 69% dos aracajuanos não só não confiam na polícia como a temem. Há duas semanas, uma família inteira foi chacinada em casa na cidade de Lagarto, incluindo o cachorro e uma criança, por causa de dívidas de droga. Só nesse município, mais de 10 envolvidos c/ tráfico já foram assassinados este ano. Mortes por encomenda são a moda por aqui. A mesma pesquisa mostrou que 49% da população de Aracaju considera a cidade “pouco tranqüila” hoje em dia, mas 82% não a trocaria por outra. É óbvio.
Basta ver as notícias. Só hoje, terça-feira 24 de abril, mais 4 pessoas morreram e 10 ficaram feridas num ataque c/ morteiros no sul de Bagdá, no mesmo dia em que a polícia local encontrou 19 corpos c/ marcas de tiros e sinais de tortura em pontos diversos da cidade.
No Rio, onde crianças são arrastadas pelo asfalto e/ou jogadas em caminhões de lixo, o confronto polícia X tráfico continua fazendo estragos. Desde o episódio no Catumbi, mais duas trocas de tiros ocorreram, matando mais 3 traficantes. Inspirados no site Iraq Bodycount, que desde 2003 reporta o número de civis mortos c/ a ocupação das tropas de Bush, um grupo de cariocas criou o Rio Bodycount. "Não acreditamos em paz vigiada, queremos inclusão social", dizem os autores. No ar desde 1º de fevereiro, e atendo-se às mortes divulgadas nos jornais, o site contabiliza, até agora, 773 mortos e 414 feridos só este ano – e sem contar o mês de janeiro. Números que já estarão desatualizados quando você terminar de ler este texto.
por Adolfo Sá (Brasa)
trilha sonora: Ratos de Porão - Homem Inimigo do Homem

sexta-feira, abril 13, 2007

CAPITÃO PRESENÇA RETURNS
Da Prez´s back!

Ele está de volta p/ salvar o dia! Depois de se candidatar a presidente e abrir uma loja especializada em, aham, “cultura alternativa”, o cucaracha Matias Maxx acaba de lançar a 5ª (e já lendária) edição da sua revista de quadrinhos & chapação Tarja Preta (acima). Em 5 anos de atividade, o gibi do inapagável Capitão Presença volta c/ mais páginas, capa colorida, e um time responsa de colaboradores: Jaca, MZK, Schiavon, Leonardo, Dúnia, Allan Sieber, Sylvio Ayala etc. – até eu tô no bonde...
Principal personagem da Tarja e ícone da massa fumaceira, o Préza (criação do cartunista Arnaldo Branco) já virou livro e ganhou até uma música em sua homenagem, c/ o grupo Instituto cantando os efeitos da erva mais popular do mundo e principal fonte de energia do nosso herói, um campeão 100% nacional que não deixa nada a dever aos Freak Brothers no que diz respeito a fazer a cabeça. Além de lojista e alter-ego de super-herói, Matias Maxx tb é DJ, fotógrafo & o maior jornalista gonzo do pedaço. Neste momento, ele está em Recife junto c/ seu fiel escudeiro Arnaldo, cobrindo o Abril Pro Rock pra revista Bizz. Certeza de “muita fumaça no ar”...

por Adolfo Sá (Brasa) / ilustrações de Jaca, Arnaldo Branco & Danilo