terça-feira, julho 31, 2007

A SAIDEIRA
A vida é um jogo de xadrez. Xeque-mate!

Julho 2007, o mês mais merda dos últimos tempos. Além da palhaçada do Pan, teve aquele horrível acidente do avião da Tam, menos de um ano após a catástrofe do avião da Gol... Lula foi vaiado na abertura dos jogos panamericanos e ficou c/ os olhos vermelhos, mas ele devia chorar mesmo é pelas vítimas do governo dele... O próprio presidente, num lampejo de lucidez, afirmou que “entrega a Deus” na hora de voar. Vai vendo... De boa notícia, apenas a morte do sinistro ACM, o popular Toninho Malvadeza, que demorou pra abraçar o capeta. Pra finalizar esse mêsinho fudido, morreram numa só tacada dois dos melhores diretores de cinema de todos os tempos, Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni, autores das obras-primas “O Sétimo Selo” e “Blow-Up”. A conta, por favor!

Pan! Pan! Pan! Pan! Pan!

sábado, julho 07, 2007

VÍCIOS
Sid, o maior garoto-propaganda do punk

Sexo, drogas & rock’n’roll. Além de clichês, são também alguns dos meus vícios. Ficou em cartaz por 2 meses em São Paulo a exposição “Rockers”, do fotógrafo americano Bob Gruen, um cara que acompanhou a cena rock dos últimos 40 anos e ainda está na ativa. A exposição acabou mas virou livro.
Todos os grandes nomes foram retratados por ele: Elvis, Lennon, Dylan, Marley, Bowie, Iggy, Ozzy, Kiss, Led Zep... até Green Day e White Stripes. Mais do que isso, Gruen viu nascer o movimento punk, tanto nos EUA c/ Ramones quanto na Inglaterra c/ Sex Pistols, e como se isso fosse pouco, tornou-se amigo de todos eles e conseguiu as fotos mais legais já registradas desse período. Uma em particular do Sid Vicious tocando todo fudido e ensangüentado resume toda a história.
Sid não foi o punk mais perigoso que já existiu, mas foi talvez o mais fotogênico, e como era bem bagaceiro, sua imagem acabou associada p/ sempre ao movimento. Foi chamado p/ tocar baixo no Sex Pistols quando era batera da Siouxie & The Banshees, mas tinha mais talento p/ injetar heroína na veia do que fazer música. Como todos sabem, os Pistols não duraram nem um ano na ativa após o lançamento de “Nevermind the Bollocks...”, e Sid tentou uma carreira solo cujo ponto mais alto foi a versão punk de “My Way” de Frank Sinatra. Em outubro de 1978, sua namorada Nancy morre esfaqueada no quarto de hotel que dividiam e Sid é o principal suspeito. Logo em seguida, Sid passa 55 dias preso por acertar uma garrafada no rosto do irmão de Patti Smith, e no dia seguinte à sua libertação, morre de overdose. Esta história é contada em detalhes no filme “Sid & Nancy – o amor mata”, de 1986.E também está no livro Mate-me Por Favor, de Legs McNeil e Gilian McCain, narrado pelos protagonistas: Velvet Underground, Stooges, MC5, Ramones, Television, Blondie, N.Y.Dolls, Dead Boys, The Clash, Whores of Babylon, todos contando histórias de brigas, drogas, prostituição, promiscuidade, autodestruição e, às vezes, até música. Tá tudo lá, desde a viadagem de Lou Reed até o niilismo de Dee Dee Ramone, passando por todas as loucuras de Iggy Pop – que não foram poucas. O quarto do Scott Asheton na “Fun House” dos Stooges tinha as paredes decoradas c/ marcas de sangue dos viciados que frenqüentavam o lugar p/ tomar pico. Wayne Kramer, guitarrista do MC5, passou vários anos preso por tráfico de drogas. Johnny Thunders, do New York Dolls, morreu de overdose. Os Dead Boys eram tão fodidos que, quando não levavam facadas em brigas, acabavam nocauteados por pedestais de microfone em shows. Richard Hell (Television): A cena junkie era como o sexo, pura farra.”
Livros e gibis, outros dos meus vícios... Punk rock & quadrinhos sempre andaram juntos na minha vida. Aos 10 anos, eu já ouvia
Camisa de Vênus (c/ seus hits “Sílvia”, “Eu Não Matei Joana D’arc” e “Beth Morreu”) e lia Chiclete com Banana, o genial gibi do Angeli, que hoje é mais conhecido por suas tiras na Folha de S.Paulo e suas charges políticas matadoras. Um amigo meu escondia suas Chiclete junto c/ as revistas pornô, era uma espécie de leitura proibida p/ nossa idade. Esta semana descolei a antologia
das primeiras edições (apenas R$ 5,90), lançada num esquema de parceria pelas livrarias Devir e Sampa. Serão 16 edições compilando material de 1985 a 1995, incluindo aí as histórias da Rê Bordosa, Mara Tara, Skrotinhos, Bibelô, Osgarmo, Meia Oito, Wood & Stock, Los 3 Amigos e Bob Cuspe, o punk moicano que eu gostava de desenhar no caderno durante as aulas. Bob Cuspe foi o meu ticket p/ o submundo punk: inspirado no personagem que morava no esgoto e cuspia na cara da sociedade, passei a pixar muros e usar calças rasgadas no final dos anos 80.
Você sabia que o nome “PUNK” vem de um fanzine que retratava a cena rocker do C.B.G.B., em Nova Iorque?
“Enquanto eu estava na cadeia, um dos meus camaradas comprou uma assinatura da revista Billboard p/ mim. Comecei a ler sobre os Ramones (...). Então todos aqueles artigos diziam que aquele tipo de banda era inspirada no MC5 e, onde eu estava, ‘punk’ não tinha uma boa conotação. Por isso eu jogava os artigos na privada, porque na cadeia um punk é alguém que eles submetem e fazem de namorada. Sabe como é: ‘Vou fazer você ser minha punk’ – e você podia ser morto por esse tipo de coisa, certo?” Wayne Kramer (MC5), “Mate-me Por Favor.

Quadrinho de Angeli publicado na Chiclete #1
Por Adolfo Sá (Viva La Brasa)
trilha sonora: The Stooges - The Weirdness (2007)