sexta-feira, agosto 31, 2007

AGOSTO À GREGA
A que ponto chega a especulação imobiliária
Gosto deste mês que está acabando, c/ toda sua aura de desgosto, infelicidade & má sorte. Questão de identificação, eu acho. Pessoalmente, não enxergo um grande futuro p/ a humanidade, e nem acho que ela mereça. Vejam só o incêndio que consumiu 180.000 hectares de área florestal na Grécia: causado pelo homem! A polícia grega descobriu que o fogo foi causado por especuladores do ramo de imóveis, que pretendiam desvalorizar algumas terras do governo. O incêndio se alastrou rapidamente c/ o vento, queimou 500 casas, matou 63 pessoas e até agora ainda há chamas, no Peloponeso e na ilha de Eubea. O fogo chegou a ameaçar invadir Atenas e destruir as ruínas de Olímpia. Mais de 10 suspeitos de envolvimento c/ o incêndio já foram presos, mas o prejuízo é incomensurável.
Reza a Bíblia que o mundo vai se acabar em fogo. O mundo eu não sei, mas a área que eu moro c/ certeza vai acabar é em água mesmo. Essa história de aquecimento global, derretimento das geleiras & aumento do nível do mar não é caô. A parada já está rolando. Esta semana um quiosque perto da minha casa, na Atalaia Nova, foi derrubado pela força da maré, que já invadiu várias casas da região. Cidades praianas como Caueira e Pirambu também vêm perdendo suas faixas de areia p/ o mar. Pra provar que não estou mentindo nem exagerando, eis o fato noticiado no jornal Correio de Sergipe: “O avanço das águas do mar, fenômeno da natureza que antes só acontecia em março, agora parece permanente. (...) A preocupação dos moradores do local é que se a situação continuar, vai se perder toda área de praia. Segundo dados, o mar já avançou cerca de 30 metros e formou paredões de areia de quase dois metros de altura. Aos poucos, bares e casas estão sendo aterrados.”

quinta-feira, agosto 23, 2007

BOTECOSPÍCIO
Álvaro Müller é meu amigo e por acaso um dos melhores jornalistas da nova geração. Tem um estilo "old school" de escrever e não gosta de aparecer. Trabalhamos na mesma empresa de televisão, na qual sou editor de imagens e ele redator-chefe. Uma de suas funções é corrigir os textos dos repórteres de vídeo, a maioria recém-saída da faculdade & ainda não-saída da barra da saia da mamãe. Um trabalho ingrato, posso lhes garantir, amiguinhos.
O cara tem um blog, o Botecospício, que além de um nome maneiro traz boas crônicas no cardápio, como o episódio em que uma repórter local perguntou pro filho do Henfil por que seu pai não veio p/ Aracaju prestigiar a exposição em sua homenagem. Deve ser porque é meio difícil viajar quando SE ESTÁ MORTO HÁ MAIS DE 20 ANOS: "(...) Uma falta de respeito mesmo do Henfil não conceder uma entrevistazinha à TV. (...) Mas quem disse que ela se satisfez. Ligou pra redação e relatou a desfeita: Quem ele pensa que é? O rei da França? (...) Nessa hora todos tiveram certeza que ela era a Graúna reencarnada."
O boteco do Müller passou uns meses fechado mas reabriu semana passada, e está funcionando 24 hs. Em seu mais recente post, ele segue zoando o jornalismo-malhação que impregna a TV atual, tudo c/ muita classe, que nem jornalista das antigas. É c/ você, Alvão:
"Filhos da Pauta!
(...) O repórter televisivo deixou de ser a víbora e encarnou lagartixa. Perante o entrevistado, balança insistente e positivamente a cabeça, sorri de forma cínica, como se estivesse a processar as informações que recebe, mas nada disseca. As absorve apenas e, boas ou ruins, verdades ou mentiras, as regurgita na redação. Filho da pauta, agarra-se a ela como um rebento primata preso às costas da mãe. E não a larga por nada. Já não tem mais fontes. Já não sugere pautas – nem mesmo aquelas que gostaria de cobrir. Já não se orgulha por trazer da rua a informação a mais que a pauta não lhe dava. Não. O universo do repórter engomadinho e maquiado resume-se ao espaço de uma folha A4. E só.
Incompreendeu que é a alma do jornalismo. Pior, desaprendeu a ser repórter. Não fuça, não esmiúça, não escarafuncha nada. Deixou de ser o pugilista das palavras que, à primeira abertura de guarda do entrevistado, socava-lhe o estômago com uma pergunta ácida e fulminante, capaz de derrocar uma história inventada. Supervaloriza alguns segundos de passagem (momento em que aparece no vídeo) e os sobrepõem à sua capacidade textual e de discernimento, ao seu olhar crítico sobre as coisas.
Reúne a família para assistir às suas performances e sente-se um Deus. Crê em um reconhecimento tão ilusório quanto tem sido o seu papel de informador. Ego nas alturas (alguns sequer cumprimentam os colegas de profissão), sente a 'glória' do reconhecimento, quando, na verdade, é apenas um conhecido fadado ao esquecimento caso suma da tela por alguns meses ou até mesmo dias. (...)"
Álvaro Müller (http://www.botecospicio.blogspot.com/)

quinta-feira, agosto 09, 2007

PROGRAMA DE ROCK
Aumenta que isso aí é rock'n'roll!

Adelvan Kenobi & Fabinho Snoozer têm um PROGRAMA DE ROCK que vai ao ar todas as sextas à noite, das 20H às 22H, na Aperipê FM (104,9 mhz). Os caras sabem tudo do assunto e tocam um repertório bem abrangente: vai de Belle&Sebastian a Brujeria, por exemplo. No blog do Kenobi dá pra ver o set list de todas as edições até agora. Volta e meia eles recebem convidados, como as bandas locais Plástico Lunar e Rockassettes, ou as rockers Fabila Tozzi, vocalista da banda mineira de doom metal Silent Cry, e Deborah Loserbitch, do blog Beijo de Arlequim (foto acima).
Nessas, EU, o infame Homem-Brasa, A.K.A. Adolfo Sá, fui o convidado da última sexta-feira, por ocasião do lançamento aqui na cidade da revista Tarja Preta, da qual sou colaborador. Estava bêbado & estragado nessa noite.
Rafael Jr., irmão de Fabinho e baterista da Snooze e Maria Scombona, apareceu na área e o início da entrevista rolou c/ nós dois respondendo a perguntas sobre nosso finado (e enterrado) zine Cabrunco... Rafael parecia animado, mas eu não tava muito a fim de falar do passado, além disso o álcool tava fazendo efeito, e daí minhas boas maneiras foram por ladeira abaixo. Soltei pérolas tipo:
- O Cabrunco, como tudo o que eu faço na vida, foi feito sem pensar muito.
- O Rafael era o editor bom, eu era o mau!
- Decidi acabar c/ o fanzine quando liguei o foda-se...

Diante do meu comportamento anti-social, meus amigos apresentadores fizeram uma pausa, colocando a primeira música que eu havia escolhido, “I Wanna Be Your Dog”, dos Stooges.
Pediram pra eu maneirar, eu pedi pra mudar de assunto pra Tarja Preta. Tava lá pra vender meu peixe, porra! Fizeram um sorteio, primeiro de uma Tarja, depois de um ingresso p/ o festival “A Hora e a Vez do Rock Crescer”, que vai rolar neste sábado c/ Jason, Matanza e uma banda australiana aí. O mesmo moleque ligou nas duas vezes e levou os dois prêmios. Deu pra ver que a audiência tava grande...
Daí Rafael caiu fora e a entrevista continuou. Finalmente falamos na Tarja. Quiseram saber como eu conheci o
Matias, se ele é mesmo o Capitão Presença, como eu fui parar no Rio... Bad Brains na trilha sonora, essa foi a parte mais legal, mesmo que os caras não tenham comentado nada da minha HQ, ou se eu pretendo seguir fazendo quadrinhos ou sei lá... Como meu estado etílico também não ajudava, chamaram a seqüência que eu bolei: “Blunt of Judah” – Nação Zumbi; “Loose” – The Stooges; “Sabotage” – Beastie Boys; “Woman” – Wolfmother. Só hits!
Meu chapa Adelvan, amigo de muitos rocks nos anos 90, me homenageou tocando “Sweet Leaf” do Black Sabbath, quase fiquei emocionado, cof-cof... Vale dizer que ele já havia homenageado o
Antonioni, que morrera naquela semana, tocando “For Your Love” dos Yardbirds (eles fazem uma ponta em “Blow Up”). Grande Kenobi. Pra finalizar, mesmo alcoolizado, lembrei pra quê eu tinha ido lá e deixei o recado:
- Aí, pra quem gosta de quadrinhos e for louco, a Tarja Preta pode ser encontrada aqui em Aracaju na Venice Skate Shop, Reggae Station, Freedom e na livraria Poyesis. Valeu!
Os apresentadores convidaram o autor deste blog pro seu programa, mas devem ter se arrependido... Da esq. p/ a dir.: Rafael e Fabinho (Snooze), Brasaman e Adelvan Kenobi