sábado, maio 31, 2008

IDENTIDADE
Alan Saulo apresentando seu RG
Lançado no início do ano, “Identidade” é o melhor filme de surf já feito em Sergipe. Dirigido e editado por Leonardo Menezes, do site Ondulação, o vídeo é dedicado ao surf nordestino e tem um formato atual, c/ clipes dos atletas embalados por uma trilha sonora rock. Segundo o diretor, a idéia é “valorizar os surfistas nordestinos evidenciando o repertório de manobras dos mesmos em algumas das principais praias da região”. Estão lá várias gerações do cenário competitivo: Adilton Mariano, Lucinho Lima, Fábio & André Silva (CE); Marcelo Nunes e Thiago de Souza (RN); Saulo Carvalho e Jano Belo (PB); Pedro Lima e Halley Batista (PE); Franklin Serpa e Bruno Gallini (BA); Marcondes Rocha (AL); Romeu Cruz [foto], Daniel Silva e Bruno Marujinho (SE); entre tantos outros, como o longboarder Robson Siri e os amadores Bruno Cainã e Galeguinho do Coque, que tb arrebentam. Tem até uns takes de Diogo Lemos, meu amigo "Rato", o cara que me levou pro hospital quando me fodi de moto em 2005.
É a segunda produção de Léo Menezes, que estreou no mercado há 2 anos c/ o vídeo Merrecas, filmado nas valinhas de Aracaju. Desta vez ele foi atrás de ondas melhores, como Thermas, Francês e Maracaípe. Há até imagens de Fernando de Noronha, Santa Catarina e Indonésia, enviadas por colaboradores. São 50 minutos de hi-performance em mares de diversos tamanhos e formações. Destaque p/ os tubos do baiano Dennis Tihara logo no início do filme, as sessions do paraibano Alan Saulo em Floripa, o ataque do atual campeão nordestino pro, o cearense Messias Félix, o power surf do legend local Romeu, e o repertório de manobras e linha de surf limpa do campeão sergipano Valmir Neto [foto], responsável pela melhor seqüência de “Identidade”: batidas retas de back, rabetadas de front, e aéreos p/ todos os lados – é o único do filme a completar vários “sex change”, manobra derivada do skate. Não à toa, é ele o surfista da capa. O título do vídeo “vem do pressuposto que cada surfista tem características únicas, seja no seu estilo, nas manobras, no seu físico, sua cidade natal, na habilidade em cima da prancha”, explica o autor. “Cada um possui seu jeito de surfar e agir, mas todos no vídeo têm algo em comum, que é a paixão pelo surf e a importância desse esporte na vida deles.”
O filme começa c/ uma cédula de RG jogada na beira do mar. No lugar de uma foto 3x4, temos uma imagem de surf, que dá mote às cenas de ação. Como eu disse, é a melhor produção de surf já feita no estado, mas a concorrência é praticamente nula. Fora o “Merrecas”, a outra (e única) iniciativa do gênero foi o Arquivo 03(2007), do longboarder Toninho Costa. “Identidade” teve patrocínio do Shopping Jardins e Prefeitura de Aracaju, e apoio das marcas South to South, Venice, Spy, Wellcon, Litoral 655 e Câmera Surf. O lançamento foi numa casa noturna (Excalibur) no dia 29 de fevereiro. Chique no último. Mas esse formato de filme, c/ clipes dos surfistas ao som de uma trilha “emo”, apesar de ter apelo comercial (e justamente por causa disso), já foi explorado até a última gota, desde sua criação em “Focus”, do californiano Taylor Steele, no início dos anos 90, até os vídeos da marca carioca Que!... Lembro de uma frase do jornalista Fred D´Orey, top 16 do Brasil nos anos 80: “filme de surf é igual a filme de sacanagem, tem uma hora que enjoa”. O Léo Menezes tem talento, tanto na ilha de edição quanto c/ a câmera na mão, mas poderia ter usado bandas locais p/ sonorizar seu filme, como Pepê Cezar e Júlio Adler fizeram no clássico “Cambito”, recheado de músicas do manguebeat. As sergipanas Karne Krua, Lacertae, Reação, Plástico Lunar, e até Alapada soariam bem melhor que essas bandinhas cantando em inglês. “Identidade”, ainda estamos em busca de uma.
Daniel Silva em Ponta dos Mangues (SE). Fotos: Eurico MF

Um comentário:

guilherme disse...

Legal a iniciativa de fazer um filme de surf só com surfistas do nordeste, principalmente da nossa terra, Sergipe. A identidade acho que vem com o tempo.