quinta-feira, junho 26, 2008

BREVÊ
Phil Rajzman é o atual campeão mundial de longboard. Apesar do nome gringo, é brasileiro, nascido e criado no Rio de Janeiro. Foi o primeiro longboarder do Brasil a conquistar o título máximo da categoria, em 2007 na França. Até o ano passado, o mundial de longboard era decidido em apenas um campeonato, patrocinado pela marca francesa Oxbow e sancionado pela ASP. Phil recebeu seu troféu no Havaí (EUA), na mesma festa que premiou os outros campeões mundiais da temporada '07: o campeão do WCT, Mick Fanning; o do WQS, Jordy Smith; e as campeãs da 1ª e 2ª divisões do surf feminino, Stephanie Gilmore e a brasileira Jaqueline Silva, respectivamente.
Filho do ex-jogador de vôlei Bernard – vice-campeão mundial em 1982, vice olímpico em 84, e criador do saque "jornada nas estrelas" – , Phil começou a surfar na escolinha do lendário Rico de Souza, na Barra da Tijuca. Seguindo um caminho próprio, especializou-se no pranchão, enquanto a molecada da sua geração só queria saber de voar & rodar. Ele tb arrepia na pranchinha, tanto que seu estilo no long é calcado nas manobras radicais das shortboards: batidas, floaters, cut-backs e impressionantes aéreos. Seu grande porte físico facilita nessa hora, mas habilidade é essencial na hora de manobrar uma prancha de 9'. Manda bem nos tubos, e ao longo da década sempre se destacou nas temporadas havaianas. Sua base nas ondas grandes lhe valeu a primeira vitória internacional, em Puerto Escondido, México, há 2 anos, num evento especial da Red Bull onde só valiam os tubos. Puerto é considerada a "Pipeline mexicana", e todos os campeões mundiais do pranchão estavam competindo: o californiano Joel Tudor, o havaiano Bonga Perkins, o australiano Collin McPhillips, e o brasileiro "tetra-vice" mundial Picuruta Salazar, lenda viva de Santos(SP). "O Phil não tá somente preparado para ser bem sucedido no esporte, mas na vida em geral", elogia Picuruta.Rajzman é engenheiro de som e está se formando em psicologia e educação física, simultaneamente. Além disso, é considerado o mais completo "waterman" do Brasil: "Phil Rajzman é dono de uma técnica fora de série. Pode ser de pranchinha ou de pranchão, o cara arrebenta! Não deve nada a nenhum big rider gringo nem brasileiro", atestou o cineasta Roberto Moura após filmar uma sessão insana em The Box, reef break de tubos quadrados e tubarões brancos no oeste australiano. "Foi uma sessão incrível. Quando chegamos ao pico havia uns 20 bodyboarders e todos ficaram olhando, preocupados, como se pensassem: - O que esse maluco vai fazer de longboard aqui?.. Logo na minha 1ª onda levei uma vaca absurda, mas foi bom porque já bati no fundo e fiquei mais relaxado, mais integrado c/ o pico. Depois disso me soltei e peguei tubos alucinantes", diverte-se o campeão. Por essas e outras, ele é o maior destaque de Surf Adventures II, megaprodução que deve estrear nos cinemas nos próximos meses. Água é c/ ele mesmo, nem que seja congelada - é o mais novo integrante da seleção brasileira de snowboard. A sessão em The Box fez parte da preparação de 1 mês na Austrália, p/ o mundial da França. “Passei a curtir o surf mais clássico, que é fazer manobras no bico, sem pensar tanto nas manobras de pranchinha”, afirmou Rajzman após despachar seus adversários em Biarritz - entre eles, o amigo Danilo Mullinha na final, outro da nova geração do long brazuca. Apesar do berço de prata, do título mundial profissional e do respeito da comunidade internacional, até ontem (25/06) Phil não tinha patrocínio. Mesmo sendo "galego", o que, reza a lenda, sempre ajuda na hora de fechar um contrato c/ empresas de surf.
Em 2007 ele tb foi campeão brasileiro e pan-americano, mas este ano ainda não arrumou nada. Ficou em 5º lugar na 1ª etapa do brasileiro, no Espírito Santo, e em 3º na sua 1ª defesa do título mundial, na etapa de abertura do circuito, novamente na França. Ele já estava pensando em abandonar o pranchão e começar a competir no WQS, onde há mais grana em jogo. "Durante vários anos eu disputei eventos de pranchinha e longboard paralelamente. Sempre achei que um ajudava o outro na evolução, mas não consegui dar sequência aos campeonatos de pranchinha. Pretendo disputar umas 3 ou 4 etapas do 'QS, p/ retom
ar o ritmo, ganhar confiança e mostrar que tenho potencial", disse à imprensa recentemente.
AVIÕES DO SURF?Aí entra na história a banda cearense Aviões do Forró, fenômeno da música brega p/ as massas, que já chegou a vender 500.000 cópias em um único disco c/ o seu “forró elétrico” – uma mistura de forró e axé. Sem nenhuma ligação direta c/ o surf, a banda tomou conhecimento da situação pela qual passava o atual campeão mundial de longboard e decidiu apoiá-lo na próxima etapa do circuito brasileiro, que será realizada em Porto de Galinhas, Pernambuco, nos dias 28 e 29 de junho. "Estou muito feliz por poder continuar na briga pelo título brasileiro e mais feliz ainda em saber que existem pessoas que simplesmente acreditam no meu potencial e no esporte brasileiro", comentou Phil sobre seu novo patrocinador.
Não é a primeira vez que uma banda brasileira patrocina um surfista.
O carioca André Gioranelli, hoje residente na Califórnia (EUA), foi o primeiro pro a levar no bico da prancha o adesivo de um grupo,
o Detonautas Roque Clube, que bancava as despesas de suas viagens e inscrições nos campeonatos. Mas nesse caso, Gioranelli era amigo e professor de yoga do vocalista Tico Santa Cruz, que tb surfa. E o surf sempre teve um envolvimento direto c/ o rock, o que não acontece c/ o forró. Ou o axé.
O que levou uma banda que arrasta multidões, muitas vezes no interior do país, a investir no campeão de uma categoria que não é popular nem entre os praticantes do esporte no qual se insere - o surf? "Sempre que viajo p/ o norte ou p/ o nordeste gosto de ouvir um forró p/ me sentir em casa. Numa dessas minhas idas tive a oportunidade de conhecer o pessoal da produção e fechamos o início de uma parceria, que começa nesta segunda etapa. Acho muito legal esta atitude deles. É uma forma de popularizar ainda mais o esporte e c/ isso mais pessoas vão poder conhecer o surf e as coisas que englobam o surf, como a natureza, a saúde e o bem-estar. Além disso, as pessoas que gostam de surf também vão poder conhecer mais sobre o forró e vice-versa", disse Phil em enrevista ao site RicoSurf. "Propaganda é a alma do negócio. Tudo é válido. O forró está rompendo barreiras. O segredo de tudo é Deus que está sempre c/ a gente, não deixando que o sucesso suba à nossa cabeça. A simplicidade é fundamental. Nós só pedimos a Deus proteção p/ que tudo dê certo", declararam os cantores Xandy e Solange sobre a inusitada parceria.
Aviões: a música é ruim, mas a equipe é campeã

quinta-feira, junho 12, 2008

DIA DOS NAMORADOS





















Quadrinhos românticos do Rafael Sica.

terça-feira, junho 10, 2008

O ZECA SECA
Você compraria um disco de ROCK deste cara?
Eu não. Aliás, faz tempo que não compro um disco. De rock, de jazz, de samba, de nada. Desde a invenção do MP3, passei a ouvir mais música no computador do que em qualquer outro lugar. Sinal dos tempos. "A música muda, as drogas mudam"... Não era do Trainspotting essa fala? A tecnologia também muda, e a internet vem sistematicamente quebrando as pernas da indústria de entretenimento - cinema e música. 90% dos CDs em países emergentes do naipe de México e China (campeã mundial de pirataria digital) são ilegais. PIRATAS, mesmo. Nos EUA, as vendas de CD desabaram de 712 milhões em 2001 p/ 89 milhões em 2007.
Em lugares como Sergipe, no entanto, esse tipo de prejuízo não é muito percebido (a não ser pelo massivo fechamento de lojas de discos desde o ano 2000), porque não temos um astro em voga na mídia nacional, tipo Roberto Carlos ou Ivete Sangalo - os mais pirateados, invariavelmente. Apenas Clemilda, cantora de forró desde os anos 60 que estourou na década de 80 c/ os hits "Prenda o Tadeu" ( "seu delegado, prenda o Tadeu/ ele pegou a minha irmã e... ãhn!" ) e "Forró Cheiroso" (c/ o singelo refrão "talco no salão/ talco no salão/ pro forró ficar cheiroso/ e ter mais animação"), chegou ao patamar do disco de ouro, honraria p/ quem vendia mais de 150 mil cópias de um LP - hoje são 500.000... P/ quem não sabe, Clemilda é viúva de Gerson Filho, clássico sanfoneiro do 8 baixos, e ainda está viva e na ativa, apresentando um programa de rádio e um de TV, "Forró no Asfalto", do qual tive a honra de ser editor por quase 2 anos. O programa já existe há mais de 2 décadas, e dona Clemilda promete voltar c/ disco novo ainda este ano! Mas essa é outra história...
Comecei a divagar sobre a indústria fonográfica e a carreira da Clemilda porque queria falar do ROCK SERTÃO, festival de bandas locais realizado na cidade de Nossa Senhora da Glória (SE) desde 2003. Este ano o evento teve o apoio do Governo do Estado e trouxe uma "atração nacional": Zeca Baleiro. Veja bem, estamos falando de um festival de rock, certo? Pelo menos, tem ROCK no nome. Que eu saiba, esse Zeca é MPB. Pelos $40.000 reais que pagaram pro cara, podiam ter trazido umas 2 ou 3 bandas de ROCK do naipe de Jason, Mukeka di Rato ou Autoramas. Bom, EU já organizei um festival, há 10 anos: ROCK-SE. Eu + uma trupe: Bruno Montalvão, que hoje mora em SP e agencia uma banda, a Vanguart; Clínio Jr., que tocou guitarra na Snooze e da última vez que eu soube tava tocando na Pelv's(RJ); Vagner "Só", atualmente diretor de filmes publicitários; Jade Moraes, que ganhou uma edição do Doc.TV c/ um filme sobre a prostituta Candelária; e Eloísa Galdino, atual Secretária de Estado da Comunicação Social. Nossa produtora chamava-se Marginal e os principais nomes do 1º Rock-SE (1998) foram Marcelo D2 e O Rappa. A idéia seria trazer o Planet Hemp, mas tava embaçado, os caras foram presos no ano anterior, e o D2 tava lançando o 1º disco solo p/ desembaçar. Outras bandas que tocaram nesta edição: Pin Ups, Eddie, Mechanics, 2 Sapos & Meio...
Agora é 2XX8, e o Rock Sertão #6 aconteceu há 2 semanas, 23 e 24 de maio. "É um evento que promove um encontro da juventude de todos os cantos do nosso Sergipe, celebrando a música e a cultura. Quando recebemos o projeto, logo percebemos sua força aglutinadora, sobretudo por envolver várias bandas sergipanas e a possibilidade do intercâmbio", disse Eloísa, que mostrou que ainda é do rock. Eu não fui, pra variar. Nos últimos anos, é mais fácil você NÃO ME VER nos lugares do que o contrário. O último show que fui p/ curtir foi Nação Zumbi em fevereiro; e trabalhando, Mensagenegra em abril (1º trampo de cinegrafista), ambos na Rua da Cultura.
Não fui pro sertão este ano, nem nos outros. Imagino que um festival de rock por essas bandas deve ser muito bem-vindo p/ quem curte um som que não toca nas rádios, independente da idade. No interior o que mais se ouve é brega, pagode e sertanejo. Mas em qualquer lugar tem emo, punk e metaleiro. Então, público há. Ainda mais no esquema do Rock Sertão: 0800 na praça - a alegria da molecada é o inferno da vizinhança.
Eu não fui, mas meus amigos foram. Alguns tocaram, como os irmãos Snooze [foto], e Tacer, batera do Lacertae em nova fase - projeto solo e Unicampestre. Outros, só pela balada. Adelvan Barbosa, o blogueiro mais roqueiro de Itabaiana, foi um deles: "Fui só por ir mesmo, uma galera pagou a gasolina... mas mesmo assim me arrependi, estrada ruim do caralho, acabei furando pneu, empenando roda, uma merda. E pra ver Zeca Baleiro, putz. Fala sério, que merda." Maíra Ezequiel, esposa de Fabinho “snoozer”, trabalha comigo na TV e conferiu o evento. Ela escreveu uma resenha em seu blog, reproduzida no site Ladonorte, e agora, no Viva La Brasa:
"A uma semana da abertura oficial dos famigerados festejos juninos de Sergipe, só mesmo uma Glória, bem no meio do sertão, pra me dar esse já raro privilégio de participar de um festival de rock. E ainda mais de graça.
Pra quem quase não ia, o resultado pra mim acabou sendo bem mais que proveitoso. Me rebolei, mas consegui articular pra que a TV (Aperipê, onde trabalho) estivesse presente nos dois dias do evento. Na sexta, mandei cinegrafista e consegui quem fizesse as sonoras pra mim. No sábado consegui uma carona de ida com o brother Adelvan, encontrei a equipe por lá, e voltei na van da Snooze/Maria Scombona [foto acima]. 4 horas de viagem ida e volta, com metade só de buraqueira, chegando em casa às 6 da matina e com a filhota acordando às 8... (jornalista, mãe e roqueira é uma combinação complicaaaada!) O esforço rendeu uma matéria bacana que foi ao ar em nosso telejornal. Espero com isso ter dado minha parcela de contribuição tanto para o evento quanto para as bandas, já que fomos o único veículo de imprensa presente por lá.
O que presenciei valeu a pena a jornada. Um festival super democrático, praça cheia, de metaleiros, dondocas, quarentões, famílias completas, doidões e caretas... todo mundo igualmente empolgado com os shows de um jeito que faz tempo não vejo aqui em Aracaju. Aliás, como bem disse Rafael Jr, Aracaju não tem mais um festival como esse. Ponto pra eles. O povo de Glória dança e aplaude as bandas, mesmo as que não conhece. Mais um ponto. Aqui em Aracaju a galera nem entra no evento. Prefere ficar na porta.
Essa foi a sexta edição do Rock Sertão. Só isso já é um grande mérito, com certeza. Foi a primeira que contou com o patrocínio do governo do Estado que deu estrutura bacana (de som, palco e luz profissa - o que é sempre muito bom) e bancou uma atração 'de renome', como a galera gosta de dizer.
Pois num é que foi aí que o negócio melou? O tal do Zé Cabelereiro parece que só veio pra atrapalhar. Aquela coisa: produção no palco estressada com o horário, apressando as bandas porque a estrela tinha que tocar na hora x. Aí, adivinha. Alguém ia sair pra Cristo. Nêgo tira a Maria Scombona (parceira do evento, há três anos tocando de graça, e esse ano tocando por migalha) porque o Cabaleiro precisava do palco livre uma hora antes de tocar. Só que a buraqueira não perdoou e furou dois pneus da comitiva oficial que trazia a estrela, e o evento que ia num ritmo bom, com uma banda atrás da outra e público empolgado, ficou lá com um buraco de quase duas horas sem nada acontecendo, público mofando, banda com cara de tacho, e o efeito cascata que inevitavelmente aconteceria mais tarde com todas as outras bandas que ainda esperavam pra tocar 'na brodagem'. Uma lástima.
Resultado: o cara vem de fora, arranca o cachê de 40 mil paus do governo, não faz nenhuma diferença pro festival – pois quem esteve presente nos outros anos afirma que o publico foi exatamente o mesmo – e ainda envenena a relação da organização com as bandas que foram as que ergueram o nome do festival, topando tocar de graça, acreditando no conceito, e que numa hora dessas são preteridas sem dó nem piedade porque todos tem que dizer amém à estrela que amanhã não vai nem lembrar o nome da cidade que tocou.
Mas, antes de eu terminar esse texto preciso dizer que os meninos que produzem o Rock Sertão são muito legais, tem todo o mérito do mundo por encarar essa parada e se esforçaram o tempo inteiro para manter o respeito no relacionamento com as bandas mesmo na hora que o clima esquentou. Os caras jogam limpo. E isso aqui não é um texto de acusação, ok?
Agora, francamente: até quando vai se manter essa cultura do tratamento bizarramente diferenciado entre os 'locais' e as estrelas (porra, até nos camarins a diferença é brutal!)? E até onde realmente vale a pena acreditar que um evento só se eleva quando se agrega um nome de fora a ele?
Deixo aberto o questionamento.
Vida longa ao Rock Sertão!"NOTA DO EDITOR:
Eu falei p/ não chamar o Zeca. O Zeca seca!
23 de maio - sexta-feira
Rotten Horror / The Baggios (São Cristóvão) / The End (Poço Redondo) / Justiça Cega /Naurêa / Alapada / Tchandala / Unicampestre (Lagarto) / Anjos Inocentes (Propriá)
24 de maio - sábado
Dark Visions (Tobias Barreto) / Bago de Bruxa (Estância) / Snooze / Fator RH (Nsa. Sra. da Glória) / Zeca Baleiro / Maria Scombona / Scarlet Peace [foto] / Forte Paradoxo

segunda-feira, junho 09, 2008

Q DE QUALIDADE
Essa máquina substitui o cérebro dos apresentadores

No último sábado a jornalista Zileide Silva passou por maus bocados apresentando o Jornal Hoje. Logo no início da transmissão, o tele-prompter falhou e ela não soube o que fazer. Durante 15 segundos, olhou p/ as câmeras c/ olhos esbugalhados e ar de pânico, balbuciando palavras como “me perdi aqui, desculpem", "vamos ver aqui”, “tá, hum, hum, tá”, “vamos tentar”, “gente, não dá!”... provavelmente, respondendo aos gritos do diretor no ponto eletrônico. Muito nervosa e desorientada. Eu estava almoçando c/ a TV ligada e vi tudo em tempo real. Foi de dar pena, e de chorar de rir ao mesmo tempo.
Tele-prompter é o monitor no qual o apresentador lê as notícias a serem exibidas. Zileide não é nenhuma iniciante. Já foi repórter de economia do TJ Brasil, do SBT, e era correspondente da Globo em Nova Iorque quando aconteceu o atentado das torres gêmeas em 2001: "É chavão, mas fui testemunha ocular de um fato histórico". Atualmente, faz parte do quadro de rodízio de apresentadores de sábado do Jornal Hoje. Ela poderia simplesmente ter dado uma desculpa tipo “problemas técnicos”, mas sua reação foi tão bizarra que instantaneamente virou hit no YouTube, c/ 10 vídeos baixados. Gafes no ar são relativamente comuns em telejornais, principalmente porque são transmitidos ao vivo. A séria Lílian Wite Fibe já teve uma crise de riso enquanto dava uma notícia, William Waack já chamou a repórter Zelda Melo de "Zelda Merda” num ato falho, a câmera do Jornal Nacional já ficou desgovernada, etc. No canal Globo News, o logo do noticiário já caiu atrás da apresentadora e Ernesto Lacombe já se viu às voltas c/ uma mosca. Até Galvão Bueno já teve que apresentar ouvindo a torcida no estádio mandá-lo tomar lá onde não bate sol. Mas nenhum deles ficou tão desestabilizado quanto Zileide no último sábado.
Se serve de consolo p/ ela, o caso mais clássico de mico em pleno ar ainda é do Fernando “Alô, você!” Vanucci. O cara já tinha sido despedido da Globo por “motivos alcoólicos”, mas no final da Copa de 2006 ele se superou, apresentando o Bola na Rede, da Rede TV, totalmente mamado. É claro que foi despedido. De novo.

terça-feira, junho 03, 2008

HEY BO DIDDLEY!
Morreu o pai do rock. Bo Diddley era um negão que tocava músicas de 1 acorde numa guitarra quadrada e influenciou de Elvis Presley a Jack White. Nascido no Mississipi em 1928, Ellas Otha Bates - seu nome de batismo - tocou violino na igreja durante a infância e trabalhou como carpinteiro, mecânico e pugilista na adolescência, antes de ganhar uma guitarra da irmã e se mudar p/ Chicago, na década de 1940. Começou a tocar blues nas ruas, influenciado por John Lee Hooker. Dizem que seu nome artístico significa “moleque danado” e foi ganho nos ringues. Procede. Seus riffs de guitarra eram como jabs de direita. Nos anos 50 emplacou seu 1º compacto, “Bo Diddley/ I´m a Man (Chess Records). Depois de quase uma década tocando nas sarjetas, Bo estreava direto no nº 1 das paradas de sucesso. “Na canção ‘Bo Diddley’, Bo utilizou tremolo, fuzz e efeitos c/ feedback, que nunca foram pensados antes. Somente Jimi Hendrix, 10 anos depois, iria voltar a experimentar c/ a proposta e evoluir a técnica”, relata o blog Blues Everyday num artigo de janeiro de 2007. “Em ‘I'm A Man’, Diddley criou um riff de blues devastador, c/ uma gaita que incita inesgotável combustão.”
A batida dessas músicas virou uma de suas marcas registradas – uma base rítmica poderosa semelhante à rumba, que começou a ser imitada pelas bandas da época. Os Blues Rockers a usaram em "Callin' All Cows", Johnny Otis em “Willie and the Hand Jive” e Buddy Holly em “Not fade Away”. Nascia o rock.
“O ritmo é tão importante na música de Bo Diddley que a harmonia é freqüentemente reduzida a uma inclusão mínima. Suas canções na maioria não apresentam mudanças de acorde; isto é, elas não foram compostas com claves musicais, e o músico tem de cantar e tocar no mesmo acorde durante todo o tempo”, explica a Wikipedia na página dedicada a ele. Bo não era bobo, e estava sempre em busca de elementos que o diferenciassem dos demais. “Em suas apresentações ao vivo, forjara uma imagem de selvagem e ameaçador, enquanto pulava e dançava, vestido todo em couro preto, cinto c/ fivela gigantesca e um chapéu de cowboy imenso na cabeça. Um visual que seria repetido em um momento ou outro na carreira de gente como Jim Morrison, Lou Reed e os rappers Run DMC.” (Blues Everyday)

Sua outra marca registrada era a guitarra retangular que tocou toda a vida, a “Big B”. Ela nasceu no dia em que Bo tirou o braço e todos os circuitos da sua guitarra Gretsch e colocou no corpo quadrado que ele mesmo construiu. O modelo original tinha 17,75” x 9,25” x 2”, corpo vermelho c/ duas pickups FilterTron, uma ponte Tune-O-Magic e captadores de ouro. Foi o 1º a usar distorção nos amplificadores e desenvolver a técnica de tremolos e reverbs p/ modular o som, ou como ele dizia, “fazer a guitarra falar”. Foi o 1º band-leader a ter uma mulher guitarrista na banda, e o primeiro a tocar guitarra pelas costas, entre as pernas e c/ os dentes. Nos anos 60 emplacou seus últimos grandes sucessos, “Before You Accuse Me” e “Who Do You Love”. Mas a essa altura várias bandas de rock calcadas no blues já lhe rendiam homenagens. The Animals gravaram “The Story of Bo Diddley” e The Yardbirds, banda que revelou Eric Clapton e Jimmy Page, fizeram sua versão p/ “I’m a Man”.
Nas décadas de 1970 e 80 Bo esteve fora do foco da mídia e do grande público, mas nunca saiu da ativa. Tocou c/ grupos como The Clash e Grateful Dead, e guitarristas como Keith Richards e Ron Woods, dos Rolling Stones, tiveram participações em alguns de seus discos. Em 1987 deixou suas digitais no Rock and Roll Hall of Fame, na Califórnia; em 98 recebeu um Grammy especial pelo conjunto da obra; e no ano seguinte a
Gretsch reeditou o modelo Big B em comemoração aos 70 anos do seu criador. Bo seguiu gravando discos e fazendo shows até o início de 2007, porque “precisava do dinheiro”, como ele mesmo dizia. Só parou quando sofreu um AVC durante uma apresentação em Iowa, maio do ano passado. Em agosto, sofreu um ataque cardíaco na Flórida, onde morava. Também havia perdido alguns dedos do pé devido à diabete, mas só entregou os pontos ontem, morrendo em casa rodeado de familiares e amigos. Tinha 79 anos e odiava o rumo que a música negra americana tomou nos últimos anos: “Detesto gangsta rap. Chamo isso de 'rap-crap' (rap de bosta). Faz meu sangue ferver de ódio”, disse em uma de suas últimas entrevistas, ao jornalista Jim Loney da agência Reuters. Em outra entrevista, ao jornal The Sydney Morning Herald (março de 2007), Diddley dispensou exame de DNA p/ assumir a paternidade do rock: "Little Richard veio 2 ou 3 anos mais tarde, ao lado de Elvis e Chuck Berry. Em outras palavras, eu fui o primeiro!"
"Bo Diddley done had a farm/ on that farm he had some women/ Women here, women there/ women, women, women everywhere/ But one little girl lived on a hill/ she rustled and tussled like Buffalo Bill/ One day she decided she'd go for a ride/ with a pistol and a sword by her side/ She rolled right up to my front door/ knocked an' knocked 'til her fist got sore/ When she turned and walked away/ all I could hear my baby say/ Hey Bo Diddley/ oh Bo Diddley/ Hey Bo Diddley/ oh Bo Diddley/ Saw my baby run across the field/ slippin' and slidin' like an automobile/ Hollerin', my baby got towed away/ slipped on from me like a Cadillac-8/ Hey Bo Diddley/ oh Bo Diddley/ Hey Bo Diddley/ oh Bo Diddley" [Hey Bo Diddley]