quinta-feira, junho 26, 2008

BREVÊ
Phil Rajzman é o atual campeão mundial de longboard. Apesar do nome gringo, é brasileiro, nascido e criado no Rio de Janeiro. Foi o primeiro longboarder do Brasil a conquistar o título máximo da categoria, em 2007 na França. Até o ano passado, o mundial de longboard era decidido em apenas um campeonato, patrocinado pela marca francesa Oxbow e sancionado pela ASP. Phil recebeu seu troféu no Havaí (EUA), na mesma festa que premiou os outros campeões mundiais da temporada '07: o campeão do WCT, Mick Fanning; o do WQS, Jordy Smith; e as campeãs da 1ª e 2ª divisões do surf feminino, Stephanie Gilmore e a brasileira Jaqueline Silva, respectivamente.
Filho do ex-jogador de vôlei Bernard – vice-campeão mundial em 1982, vice olímpico em 84, e criador do saque "jornada nas estrelas" – , Phil começou a surfar na escolinha do lendário Rico de Souza, na Barra da Tijuca. Seguindo um caminho próprio, especializou-se no pranchão, enquanto a molecada da sua geração só queria saber de voar & rodar. Ele tb arrepia na pranchinha, tanto que seu estilo no long é calcado nas manobras radicais das shortboards: batidas, floaters, cut-backs e impressionantes aéreos. Seu grande porte físico facilita nessa hora, mas habilidade é essencial na hora de manobrar uma prancha de 9'. Manda bem nos tubos, e ao longo da década sempre se destacou nas temporadas havaianas. Sua base nas ondas grandes lhe valeu a primeira vitória internacional, em Puerto Escondido, México, há 2 anos, num evento especial da Red Bull onde só valiam os tubos. Puerto é considerada a "Pipeline mexicana", e todos os campeões mundiais do pranchão estavam competindo: o californiano Joel Tudor, o havaiano Bonga Perkins, o australiano Collin McPhillips, e o brasileiro "tetra-vice" mundial Picuruta Salazar, lenda viva de Santos(SP). "O Phil não tá somente preparado para ser bem sucedido no esporte, mas na vida em geral", elogia Picuruta.Rajzman é engenheiro de som e está se formando em psicologia e educação física, simultaneamente. Além disso, é considerado o mais completo "waterman" do Brasil: "Phil Rajzman é dono de uma técnica fora de série. Pode ser de pranchinha ou de pranchão, o cara arrebenta! Não deve nada a nenhum big rider gringo nem brasileiro", atestou o cineasta Roberto Moura após filmar uma sessão insana em The Box, reef break de tubos quadrados e tubarões brancos no oeste australiano. "Foi uma sessão incrível. Quando chegamos ao pico havia uns 20 bodyboarders e todos ficaram olhando, preocupados, como se pensassem: - O que esse maluco vai fazer de longboard aqui?.. Logo na minha 1ª onda levei uma vaca absurda, mas foi bom porque já bati no fundo e fiquei mais relaxado, mais integrado c/ o pico. Depois disso me soltei e peguei tubos alucinantes", diverte-se o campeão. Por essas e outras, ele é o maior destaque de Surf Adventures II, megaprodução que deve estrear nos cinemas nos próximos meses. Água é c/ ele mesmo, nem que seja congelada - é o mais novo integrante da seleção brasileira de snowboard. A sessão em The Box fez parte da preparação de 1 mês na Austrália, p/ o mundial da França. “Passei a curtir o surf mais clássico, que é fazer manobras no bico, sem pensar tanto nas manobras de pranchinha”, afirmou Rajzman após despachar seus adversários em Biarritz - entre eles, o amigo Danilo Mullinha na final, outro da nova geração do long brazuca. Apesar do berço de prata, do título mundial profissional e do respeito da comunidade internacional, até ontem (25/06) Phil não tinha patrocínio. Mesmo sendo "galego", o que, reza a lenda, sempre ajuda na hora de fechar um contrato c/ empresas de surf.
Em 2007 ele tb foi campeão brasileiro e pan-americano, mas este ano ainda não arrumou nada. Ficou em 5º lugar na 1ª etapa do brasileiro, no Espírito Santo, e em 3º na sua 1ª defesa do título mundial, na etapa de abertura do circuito, novamente na França. Ele já estava pensando em abandonar o pranchão e começar a competir no WQS, onde há mais grana em jogo. "Durante vários anos eu disputei eventos de pranchinha e longboard paralelamente. Sempre achei que um ajudava o outro na evolução, mas não consegui dar sequência aos campeonatos de pranchinha. Pretendo disputar umas 3 ou 4 etapas do 'QS, p/ retom
ar o ritmo, ganhar confiança e mostrar que tenho potencial", disse à imprensa recentemente.
AVIÕES DO SURF?Aí entra na história a banda cearense Aviões do Forró, fenômeno da música brega p/ as massas, que já chegou a vender 500.000 cópias em um único disco c/ o seu “forró elétrico” – uma mistura de forró e axé. Sem nenhuma ligação direta c/ o surf, a banda tomou conhecimento da situação pela qual passava o atual campeão mundial de longboard e decidiu apoiá-lo na próxima etapa do circuito brasileiro, que será realizada em Porto de Galinhas, Pernambuco, nos dias 28 e 29 de junho. "Estou muito feliz por poder continuar na briga pelo título brasileiro e mais feliz ainda em saber que existem pessoas que simplesmente acreditam no meu potencial e no esporte brasileiro", comentou Phil sobre seu novo patrocinador.
Não é a primeira vez que uma banda brasileira patrocina um surfista.
O carioca André Gioranelli, hoje residente na Califórnia (EUA), foi o primeiro pro a levar no bico da prancha o adesivo de um grupo,
o Detonautas Roque Clube, que bancava as despesas de suas viagens e inscrições nos campeonatos. Mas nesse caso, Gioranelli era amigo e professor de yoga do vocalista Tico Santa Cruz, que tb surfa. E o surf sempre teve um envolvimento direto c/ o rock, o que não acontece c/ o forró. Ou o axé.
O que levou uma banda que arrasta multidões, muitas vezes no interior do país, a investir no campeão de uma categoria que não é popular nem entre os praticantes do esporte no qual se insere - o surf? "Sempre que viajo p/ o norte ou p/ o nordeste gosto de ouvir um forró p/ me sentir em casa. Numa dessas minhas idas tive a oportunidade de conhecer o pessoal da produção e fechamos o início de uma parceria, que começa nesta segunda etapa. Acho muito legal esta atitude deles. É uma forma de popularizar ainda mais o esporte e c/ isso mais pessoas vão poder conhecer o surf e as coisas que englobam o surf, como a natureza, a saúde e o bem-estar. Além disso, as pessoas que gostam de surf também vão poder conhecer mais sobre o forró e vice-versa", disse Phil em enrevista ao site RicoSurf. "Propaganda é a alma do negócio. Tudo é válido. O forró está rompendo barreiras. O segredo de tudo é Deus que está sempre c/ a gente, não deixando que o sucesso suba à nossa cabeça. A simplicidade é fundamental. Nós só pedimos a Deus proteção p/ que tudo dê certo", declararam os cantores Xandy e Solange sobre a inusitada parceria.
Aviões: a música é ruim, mas a equipe é campeã

3 comentários:

Álvaro Müller disse...

Nem tudo está perdido...

Boogie Boy disse...

cara, massa o teu blog...
e o que é melhor, DE UM CONTERRÂNEO...

abraço.

disse...

MAS RAPAZ... FINALMENTE A GENTE TERIA ALGUMA COISA INTERESSANTE PRA FALAR SOBRE ESSE POVO E VOCÊ NEM ME DEU O TOQUE!! AGORA A TRANSMISSÃO JÁ ACABOU. E EU NÃO ESTOU RECLAMANDO TÁ?