quarta-feira, dezembro 24, 2008

BETTIE MORREU Nunca houve mulher como Bettie Page. Ícone sensual dos anos 50, precursora da revolução sexual, a mais fotogênica mistura de inocência e safadeza que já se viu.

Bettie abalou as estruturas da careta sociedade americana do pós-guerra c/ suas fotos eróticas. Nascida no Tennessee, cresceu numa família pobre durante a Grande Depressão americana [após a quebra da Bolsa de Nova Iorque em 1929], morou num orfanato após a separação dos pais, e foi estuprada pelo próprio pai aos 15 anos. Aos 21, já estava casada e formada em Artes no Peabody College. Uma sobrevivente.

Trabalhou como professora em Nashville e secretária em São Francisco. Em uma viagem c/ o marido p/ o Tahiti, pira no exotismo das praias e da cultura local. Inspirada nas tahitianas, passa a tomar banho de sol nua, igual a Luz del Fuego no Brasil na década de 40. De volta aos Estados Unidos, resolve se separar e troca a Califórnia por Nova Iorque, onde conhcece o policial e fotógrafo amador Jerry Tibbs, autor do seu 1º portfólio.
Por sugestão de Tibbs, Bettie passa a usar uma de suas marcas registradas: a franja convexa lisa [ele achava a testa dela grande demais p/ usar o cabelo repartido ao meio]. Seu ensaio, ainda que amador, catapultou a carreira de modelo de Page. Em apenas 3 anos, de 1953 a 1955, ela posou p/ as revistas Eyeful, Beauty Parade e Wink, atuou nos filmes Strip-O-Rama, Varietease e Teaserama, foi a garota do poster do natal de 1954 na Playboy, e recebeu do dono da revista, Hugh Hefner, o título de “Miss Pin Up Girl of the World”.

Através das lentes de Irving Klaw e Bunny Yeager ["a mais bela fotógrafa do mundo"], Page tornou-se a personificação do ideal de pin up: a garota jovem, bonita e sorridente em poses eróticas c/ pouca ou nenhuma roupa. Fez inúmeros ensaios sensuais, numa época em que até falar de sexo era tabu. Ela tinha a manha: posava sempre na ponta dos pés, fitando a lente c/ os olhos azuis, e muitas vezes produzia seu figurino – o clássico maiô de oncinha é invenção dela.

Assim como sua franja negra, outra de suas marcas também surgiu por acaso: quando posou p/ Klaw, foi obrigada por contrato a fazer algumas fotos explorando fetiches sexuais. Nascia Bettie Page, a rainha do bondage. Amarrada e amordaçada, batendo ou apanhando de outras garotas, c/ cinta-liga, luvas de couro e chicote na mão, Page incendiou o imaginário de homens e mulheres, e tornou-se um ícone do sadomasoquismo.

Claro que tanta vanguarda e erotismo não passariam em branco. Os valores familiares e cristãos estavam em voga nos EUA da década de 50, auge da Guerra Fria. Na caça às bruxas do comunismo, foi convocada a depor numa comissão de inquérito presidida pelo senador Carey Estes Kefauver. Isso a deixou tão abalada que, em 1958, retirou-se de cena definitivamente, casada pela 3ª vez e convertida à religião.
Na mesma medida em que se dedicava ao estudo da Bíblia, entrou em forte depressão e passou a sofrer distúrbios mentais. Foi presa na década de 70 após atacar sua caseira c/ uma faca. Sentenciada a cumprir 10 anos em uma instituição psiquiátrica da Califórnia, caiu no esquecimento, mesmo continuando a influenciar o sexo, a moda e até a música – muitas das inspirações visuais do movimento punk, por exemplo, vieram das fotos de Bettie.

Só voltou a conceder entrevistas nos anos 90, mas raramente aparecia em público ou deixou-se fotografar novamente. Fez isso p/ preservar o mito no imaginário popular. E conseguiu. Sua influência ainda é presente e forte nas mais diferentes e improváveis áreas, como os quadrinhos e a tatuagem, passando por cantoras doidonas tipo Juliette Lewis e Amy Winehouse. E suas fotos ainda despertam a libido de qualquer um(a) que a veja congelada no tempo, pele branca, olho azul, franja na testa, caras e bocas, peito empinado, cintura fina, bunda farta, coxas grossas. Tão gostosa quanto uma brasileira. Na praia ou num parque de diversões, nua ou de biquini, trancada em quartos de hotéis, sozinha ou acompanhada, brincando c/ chicotes e depois apanhando no colo de alguma amiga. Escrava & dominatrix. Miss Pin Up of the World. Rainha do bondage. Nunca houve mulher como Bettie Page.
Em 2005 foi lançado o filme The Notorious Bettie Page, dirigido por Mary Harron [Psicopata Americano] e estrelado pela ninfeta Gretchen Mol. O filme reproduz c/ fidelidade as mais insanas sessões de foto de Bettie.

Bettie Page faleceu no último dia 11, de parada cardíaca, após 9 dias em coma, aos 85 anos. “Com seu espírito independente e sua sensualidade sem vergonha, ela era a encarnação da beleza”, escreveu em comunicado seu agente e amigo, Mark Roesler.

Bettie Page encarnava a mulher independente do pós-guerra. Ela era a pin up subversiva enquanto Marilyn Monroe era a pin up mainstream.” Jornal do Brasil

5 comentários:

Ludwig B.L Guimarães disse...

Que a Betty Page viva também no Céu Imaginário, pois no Imaginário dos homens e mulheres ela já vive e viverá por muitas décadas :)
Muito boa matéria, como sempre nos mostrando o seu olhar crítico e sagaz sobre os mais diversos assuntos.
Abraços e um 2009 repleto de realizações

Viva La Brasa disse...

Crass, man.
Força total.

Álvaro Müller disse...

Show de bola. Adolfo, cara, esses seus textos precisam ser publicados nos jornais locais e, sobretudo, nessas revistas tipo Piauí etc. e tal.
Tá vacilando.

Anderson Ribeiro disse...

Puta que pariu! Esse Adolfo é mesmo de fuder! o cara escreve pra caralho
e traz temas dos mais variados e sagazes. Ele deveria estar em outros meios (de comunicação)para que o mundo pudesse conhecer a qualidade dos textos do Senhor Adolfa Sá. Com certeza a Bettie Page iria adorar. hehehehehe

fabio" binho "nunes disse...

....animale, vou correr atras do filme The Notoriuos Bettie Page... man!, deve ser um filme para se colecionar com certeza, boa materia, nota 10, parabens...deu gosto de ler, ahhh feliz 2009 ae, fica na paz