terça-feira, abril 28, 2009

SANGUINHO NOVO

JÁ É: Mineirinho come quieto e representa

Desde que surgiu como força emergente do surf mundial no final dos anos 80, c/ Fábio Gouveia e Teco Padaratz fazendo frente e vencendo eventos, o Brasil não via uma troca de guarda tão forte quanto a atual. O ano de 2008 terminou c/ um gosto agridoce p/ nossos representantes no circuito da ASP: Silvana Lima foi vice-campeã mundial feminina e Adriano de Souza fechou entre os Top 10 do WCT, em 7º lugar, a melhor colocação brasileira no tour desde 2001, quando Jacqueline Silva foi vice entre as mulheres e Peterson Rosa foi o 7º entre os homens. Além disso, Pablo Paulino [foto] sagrou-se bicampeão mundial pro-jr. na Austrália; Bruno Santos venceu a prestigiada etapa de Teahupoo, Tahiti, competindo como convidado e acabando um jejum de 6 anos sem vitórias nacionais no WCT; e Maya Gabeira venceu pela 2ª vez a categoria feminina do XXL Awards, o maior prêmio de ondas grandes do mundo. Mas também perdemos metade de nosso contingente no WCT, culminando no menor número de atletas brasileiros no mundial desde que o WCT foi criado, em 1992: apenas Jihad Khodr, Heitor Alves e Adriano se reclassificaram, nenhum novo nome garantiu a vaga entre os 45 principais surfistas competidores do planeta, e 3 perderam suas vagas – Neco Padaratz, Rodrigo Dornelles e Léo Neves.

Muita gente apontou uma suposta decadência brazuca. Se no mundo real somos uma economia emergente, no mundo dos sonhos, digo, do surf, os emergentes são outros. Nos últimos anos, países c/ pouca tradição de resultados como Portugal, Espanha, França, Tahiti e até Alemanha têm emplacado surfistas no WCT, enquanto nós vamos perdendo nossos antigos astros: Gouveia, Teco, Peterson, Victor Ribas [caindo na foto], Guilherme Herdy, Renan Rocha, Joca Jr., Cristiano Spirro, Armando Daltro, Danilo Costa, Paulo Moura, Marcelo Nunes, Raoni Monteiro, Bernardo Pigmeu, Pedro Henrique... todos foram deixando a cena ao longo da década, alguns se aposentaram, outros passaram a competir apenas no Brasil, e os mais novos continuam tentando uma volta – que por enquanto não veio. Como se os feitos mensionados no 1º parágrafo deste texto não fossem suficientes p/ encher de orgulho esta pátria que nos pariu, onde deputados e senadores levam suas famílias p/ passear de avião às custas do erário público [ou seja, NOSSO DINHEIRO] enquanto atletas como os já citados Léo, Raoni e Pedro Henrique não têm sequer patrocínio p/ competir.

QUEM EMPRESTA NÃO PRESTA

Você não acha chique o Brasil emprestar dinheiro pro FMI?”, perguntou Lula ao repórter do Estadão. “Eu passei parte da minha juventude carregando faixa contra o FMI em São Paulo”, contou o presidente. Pela 1ª vez na história, somos credores do Fundo Monetário Internacional. O ministro Guido Mantega explica a manobra: “O mecanismo escolhido é subscrever uma emissão de títulos do FMI, que devem entrar nas reservas. Ou seja, na prática, a operação pode aparecer como uma diversificação. Ao invés de títulos do governo norteamericano, por exemplo, uma parte das reservas será aplicada nos títulos do fundo. Dessa forma, os US$ 200 bilhões acumulados pelo país não serão reduzidos.

This is the guy!”, disse Barack Obama ao secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, na abertura da cúpula do G20 em Londres, no início do mês. “I love this guy!”, sorriu apontando p/ o presidente do Brasil. Disse que Lula é o político mais popular da Terra. Obama não é bobo. Sabe que os U$A estão quebrados, e tem consciência do papel estratégico de Lula no mapa geopolítico da América Latina, servindo como mediador entre os governos de esquerda antigringos – Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador – e presidindo o maior e mais rico país americano do hemisfério sul. Lula entendeu que os elogios foram “uma gentileza, ou uma brincadeira”: “Tenho consciência do meu tamanho e não consigo entender de outra forma. O Obama é o 1º presidente dos EUA que tem a cara da gente. Se encontrasse c/ ele na Bahia, diria que é baiano”, disse, arrancando risos dos jornalistas na coletiva de imprensa. “Sou torcedor do Obama e do Ronaldão no Corinthians”.

Ronaldo marcou 2 gols no 1º jogo da final do campeonato paulista de futebol. Apesar de gozarmos de uma situação tão confortável no cenário econômico internacional a ponto de emprestar din-din pro FMI, as marcas de surf nacionais não acompanharam a evolução sócio-econômica do país, e poucas realmente investem o necessário p/ que nossos surfistas possam competir em pé de igualdade c/ os bichos-papões do WCT. Poucas empresas fazem investimentos a longo prazo na formação da molecada, e menos ainda são as que têm cacife p/ mandar seus patrocinados p/ o exterior atrás de ondas perfeitas ou mesmo campeonatos. O caso mais clássico é do cearense Fábio Silva [foto], um dos maiores diamantes brutos que já produzimos, saído da favela do Titanzinho, em Fortaleza. Após vitórias em etapas do WQS na Argentina, Brasil e França, ele se classificou p/ o WCT em 97 e abandonou o tour no ano seguinte por não saber falar inglês: “Me sentia um animal no meio dos caras”, disse ele à época p/ uma revista especializada. A falta de planejamento já destruiu a carreira de muita gente boa. Se isso acontece c/ jogadores de futebol milionários tipo Ronaldo e Adriano, por que não poderia acontecer c/ surfistas mal patrocinados?

AH, MOLEQUE!

Salvo exceções como Hang Loose e Mormaii, que patrocinam e acompanham seus atletas desde a infância até a maioridade, as marcas nacionais não têm a visão além do alcance. Somente c/ a entrada no país de gigantes do segmento é que começamos a ver guris bem orientados fora d’água. Oakley e Billabong são os 2 melhores exemplos de sucesso da fórmula “potencial + investimento = resultados”: Maya e Silvana são da Bong, e Adriano virou cidadão do mundo desde que entrou p/ o time do ‘O’ quadrado. Mais que isso, eles são a ponta-de-lança da renovação do surf do Brasil.

Adriano de Souza, o “Mineirinho”, é um fenômeno: venceu seu 1º campeonato profissional aos 14 anos, aos 16 foi campeão mundial pro-jr. [até hoje o mais jovem a conseguir o feito], aos 18 venceu o circuito WQS e se classificou p/ o WCT. Ano passado imprimiu um “tour-de-force” e fez sua melhor temporada na elite, chegando a 2 semifinais e terminando a temporada como 7º melhor do mundo, c/ performances elogiadas nas pesadas esquerdas de Teahupoo [5º lugar], Fiji [3º] e Pipeline [9º]. Adriano é hoje o principal nome da Oakley internacional, tem um patrocínio espanhol que lhe fornece pranchas dos melhores shapers do mundo – Tokoro, DHD, Pepper etc. – e está de mudança p/ a Califórnia, onde se concentram as maiores revistas e indústrias do ramo. De todas as promessas brasileiras ao título do WCT, ele é a mais verossímil.

A disputa do título mundial faz parte do meu plano de carreira”, declarou o moleque ao site Waves. “É claro que, p/ buscar um resultado e posicionamento consistente no ranking, você deve traças sua estratégia evento a evento também. Cada etapa tem suas características específicas. ‘Tou trabalhando e treinando muito, não e fácil. Você deve buscar cada vez mais experiência, já que o nível técnico do tour é muito elevado. Tanto a conquista como a perda de um título como este são decididas nos detalhes. Por isso meu foco é buscar sempre a evolução técnica e psicológica, p/ tentar ser o 1º campeão mundial brasileiro.

ACREDITE

2009 começou bem p/ Mineirinho – e os brasileiros, em geral. Além de não sentirmos o pior da crise financeira mundial, nossos atletas estão passando o rodo. Adriano estreou no WCT fazendo a final da 1ª etapa em altas ondas na Gold Coast australiana. O herói local Joel Parkinson venceu essa etapa e a seguinte, liderando invicto o circuito deste ano. Mineirinho perdeu na estréia em Bells Beach e aparece em 6º no ranking provisório, mas já conta c/ a torcida de caras como o jornalista Lewis Samuels e o eneacampeão mundial Kelly Slater, que continua na disputa. “Ele é um dos favoritos este ano”, afirmou KS. “Acredite. Esse garoto é tão real quanto qualquer um. Se você não pode admitir isso, é provavelmente porque você odeia brasileiros”, escreveu Samuels na sua coluna Power Rankings, do site Surfline: “Adriano pode não ter o estilo mágico de alguns campeões do passado, mas ele compensa isso c/ foco, dedicação e agressividade competitiva. Ele trouxe à mesa um surf revelador nesse início de temporada, c/ profundo comprometimento nas cavadas e grandes explosões nos lips das ondas. Se considerarmos seu peso, Adriano talvez esteja fazendo as mais poderosas curvas do tour. Sim, Jordy e outros caras jogam mais spray, mas ponha Adriano perto deles e perceba o quanto é incrível a técnica do garoto. Ele é pequeno, estrangeiro e sub-patrocinado demais p/ fazer o que ele está fazendo. Mas ele está fazendo. Acredite.

Se Mineiro começou bem, o mesmo não pode ser dito de Slater. Depois de dominar geral ano passado, vencendo 6 das 11 etapas do WCT p/ obter seu 9º título mundial, Kelly terminou em 17º lugar nos 2 eventos de abertura do circuito deste ano, caindo frente a adversários inexperientes e que nem mesmo fazem parte ainda da elite – os convidados locais Julian Wilson e Owen Wright. Tudo bem que, na Gold Coast, K9 surfou c/ um modelo experimental 5’3” quadriquilha, quase um skate, mas em Bells ele usou uma triquilha tradicional e mesmo assim perdeu. O que querem dizer 2 derrotas prematuras seguidas de um cara que não costuma perder quase nunca?

O óbvio: troca de guarda. Por mais genial e sobrehumano que Slater seja, ele não vai ficar p/ semente. Do mesmo jeito que os brasileiros dos anos 90 se aposentaram, também vai chegar uma hora que Superman vai pendurar sua camiseta de lycra. Talvez quando conquistar o mítico e milionário 10º título do WCT, talvez antes. Mas uma coisa é certa: a renovação já começou. Mineirinho, por exemplo, tem 22 anos, e faz parte de uma geração formada pelo americano Dane Reynolds [23], o sulafricano Jordy Smith [21] e o francês Jeremy Flores [21], todos apontados como futuros campeões mundiais. Julian Wilson e Owen Wright, os algozes de Slater na Austrália, têm menos de 20 anos. Outro jovem aussie, Adam Robertson, que também competiu como convidado na 2ª etapa, foi o vice-campeão do WCT em Bells.

SURFAGETTES

A atual bicampeã mundial feminina também é australiana: Stephanie Gilmore, de apenas 20 anos. Detentora da incrível marca de 12 vitórias em 21 eventos do WWT disputados na carreira, ela estava invicta há 6 meses – vencera os 4 últimos eventos disputados pelas meninas, incluindo a 1ª etapa deste ano. Sua marcha de triunfos foi interrompida na última páscoa pela brasileira Silvana Lima, 23 anos, em seu 5º confronto contra Steph. A bicampeã vencera as 4 finais anteriores, e Silvana chegou à sua 7ª decisão na carreira disposta a quebrar o tabu: “Eu sempre acreditei que ia chegar meu dia e ele chegou num dos melhores eventos do mundo, aqui em Bells. Agora vou balançar o sino”, disse a cearense no pódio, comemorando sua 1ª vitória no circuito mundial [foto acima]. “Foi muito difícil p/ mim, chegar em 6 finais e não vencer nenhuma. Não queria de jeito nenhum um sétimo 2º lugar, tinha que vir um 1º, e enfim chegou a minha hora”. Mais do que uma grande competidora, Silvana é o maior expoente do surf aéreo entre as mulheres. A surfista mais voadora do mundo.

Esta garota surfa melhor do que eu e você......e esta aqui dropa morras c/ as quais nós nem sonhamos

Maya tem 22 e já foi tema de post aqui no VxLxBx. Pudera: linda e loira, a filha do deputado Fernando Gabeira é a maior big rider do planeta. Não são muitas mulheres a arriscar seu pescoço em massas d’água do tamanho de um prédio e condições inóspitas como as encontradas em picos como Maverick’s na Califórnia e Dungeon’s na África do Sul, c/ águas geladas infestadas de tubarões e vagalhões quebrando em frente a penhascos ou em alto mar. A norteamericana Jamilah Star dominou este cenário vencendo nos 2 primeiros anos em que o prêmio XXL contemplou as garotas. Criada p/ promover o surf em condições extremas, a premiação é constantemente chamada de “Oscar das ondas grandes” pela mídia leiga, e a comparação procede. Realizado na Califórnia, o XXL Awards é um evento de gala que premia os big riders por categorias – maior onda na remada, melhor tubo, etc... O escolhido pela “performance do ano” leva US$ 50.000. A melhor entre as mulheres leva apenas US$ 5 mil.

Em 2007, c/ apenas 19 anos, Maya Gabeira desbancou Jamilah ao surfar Teahupoo de tow-in. Maya tomou uma vaca histórica em sua 1ª onda, mas ao invés de voltar chorando pro barco, voltou ao pico e dropou 2 bombas, botou p/ dentro e escreveu seu nome na história ao se tornar a 1ª mulher a surfar ondas daquela magnitude. Ano passado repetiu a dose, graças a sua presença em swells na Califórnia e África do Sul. 2 semanas atrás, a garota de Ipanema, radicada no Havaí há 5 anos, tornou-se a 1ª tricampeã do XXL Awards, após desbravar ao lado de Carlos Burle as ondas gigantes e congelantes do Alasca: Estou muito feliz por representar o Brasil. Esse prêmio significa um ano todo de trabalho. Estou muito honrada de participar de uma noite como essa, c/ a presença de grandes surfistas, como Greg Noll. É muito bom fazer parte disso, devagarzinho estou escrevendo minha história no surf”, disse ela ao canal SporTV. Devagarzinho? Imagina o que deve ser velocidade p/ essa garota...

VOA, CANARINHO, VOA

Maya é uma gata e bota pra baixo, mas pegou mal a passagem que Gabeira pai deu a ela, depois que as viagens de avião pagas c/ dinheiro público p/ familiares e assessores de parlamentares viraram assunto principal na mídia nacional, semana passada. Deputados federais e senadores têm direito a uma cota mensal de passagens aéreas, valor que pode chegar a R$ 18 mil. O benefício foi criado nos anos 50, quando a capital do país mudou do Rio de Janeiro p/ a distante Brasília, possibilitando que os digníssimos voltem p/ seus estados de origem ao final de cada semana. O que já seria uma puta regalia – qual emprego você conhece que oferece isso? Como não usam a totalidade da cota todo mês, repassam as sobras p/ as famílias, que gastam em viagens internacionais. Eles poderiam DEVOLVER o dinheiro aos cofres púbicos se quisessem, mas não. Fernando Gabeira viu seu nome envolvido em meio aos de adversários políticos como ACM Neto, Heráclito Fortes e Inocêncio Oliveira, por ter entrado na farra, que inclui outras estrelas da máfia brasiliense – Ciro Gomes, Michel Temer, Tasso Gereissati... Isso p/ ficar nos mais conhecidos. Estima-se que 51% da Câmara [mais de 260 deputados] utilize o expediente. “Agi como se a cota fosse minha propriedade soberana. Confesso que caí na ilusão patrimonialista brasileira”, disse o arrependido Gabeira, disposto a ressarcir o valor da passagem p/ o Havaí c/ que presenteou Maya.

O salário de um parlamentar é de R$ 16.500 mensais, mais verba de gabinete – que pode ir de R$ 15.000 a R$ 60.000 – , mais auxílio-moradia, mais plano de saúde, mais verba indenizatória p/ despesas c/ alimentação, telefone, contratação de assessores, aluguel de escritórios, e até encher o tanque do carro. São 3 dias de trabalho por semana. E não precisa passar pelo check-in nos aeroportos – nem mesmo em tempo de gripe suína. O site Contas Abertas fez um levantamento do custo real desses ilustres cidadãos p/ a União: cada deputado custa em média R$ 108.000 por mês, totalizando R$ 1.300.000 ao ano – multiplique isso por 513, total de deputados federais. Senadores saem mais caro: R$ 168.000 todo mês, R$ 2 milhões a cada ano. Multiplique por... Deixa pra lá, você já entendeu.

A democracia brasileira não tem preço”, ironiza o jornalista Leandro Kleber. E também não tem memória. Só p/ dar uma idéia, José Sarney é o atual presidente do Senado, que conta em seu plantel c/ gente do naipe do sergipano Almeida Lima, presidente da Comissão do Orçamento, cuja maior realização política foi a defesa incondicional a Renan Calheiros no episódio da pensão da amante paga por lobbista; e do ex-presidente do Brasil Fernando Collor de Mello, aquele do PRN e do PC, do golpe da poupança, da cascata de US$ 1 milhão e do impeachment, renascido do inferno p/ presidir a Comissão de Infraestrutura. É como se os lobos tomassem conta das ovelhas. Mas lembre-se, eles só estão lá porque foram eleitos pelo voto popular.

BUSTIN’ DOWN THE DOOR

Alheios à política nacional, os surfistas brasileiros da nova geração continuam fazendo estragos nas competições e ajudando a melhorar a imagem do Brasa aos olhos do mundo. No último fim de semana, mais 2 representantes da nova geração deixaram suas marcas nas 2 etapas simultâneas do WQS: o catarinense Alejo Muniz venceu em Estoril, Portugal, e o potiguar Jadson André [foto] foi o melhor em Durban, África do Sul. Ambos têm 19 anos e c/ esses resultados entram c/ tudo na briga por uma vaga no WCT 2010. Alejo competia pela 1ª vez no mundial este ano, e logo de saída conseguiu uma inédita vitória. “Vencer Tim Boal e Marlon Lipke [europeus estreantes no WCT] é algo que lembrarei por algum tempo. Senti um pouco de pressão enfrentando tão bons surfistas, mas realmente pensei que se focasse no meu prazer e diversão, poderia chegar a algum lugar. Essa foi a minha maior lição neste evento”, contou o inesperado campeão, US$ 20.000 mais rico.

Jadson, por outro lado, terminou o ano passado a poucos pontos da classificação p/ a 1ª divisão, foi o vice-campeão do mundial pro-jr. na Austrália em janeiro, e já vinha embalado no circuito. “Estou realmente muito feliz c/ esta vitória”, vibrou o pivete, que pertence à mesma equipe de Mineirinho e já tinha uma vitória no currículo, no WQS da Gatorade em São Francisco do Sul, Santa Catarina, em setembro. “Quero agradecer meus amigos e todos que torceram por mim hoje aqui. Quando eu estava me concentrando p/ entrar na final, muita gente veio me dar apoio e eu ‘tou contente por vencer um evento como esse, nível máximo. Me dá mais confiança p/ buscar minha vaga no WCT e legal também que foi c/ o Owen, que é meu melhor amigo da Austrália.” Owen Wright, alçado ao estrelato após derrotar Slater em Bells, lidera o ranking mas tem Jadson André mordendo seu calcanhar, apenas 13 pontos atrás num somatório que já atinge os 6600. A final no evento prime em Durban teve gosto de revanche p/ André, que perdera p/ o aussie uma final do pro-jr. australiano. “Foi a 2ª final que fiz c/ o Jadson este ano. Ganhei o pro-jr. lá na Austrália, perdi aqui, mas somos bons amigos, e o 2º lugar também foi um bom resultado”, disse Wright.

Jadson André, Alejo Muniz, Silvana Lima, Maya Gabeira, Pablo Paulino, Adriano “Mineirinho” de Souza. Líderes de uma nova geração disposta a escrever sua história no surf mundial. E ainda há outros garotos c/ sangue no olho p/ reforçar o time: o ubatubense Wiggolly Dantas [foto], 19, vencedor de 2 etapas do WQS em 2008 [Inglaterra e Brasil]; os catarinenses Ricardo dos Santos, 19, campeão da etapa do Chile no sulamericano pro-jr. ano passado, e Willian Cardoso, 23, vice-campeão brasileiro e 1º lugar no WQS da Espanha; e o pernambucano Ian Gouveia, 16, filho da lenda viva Fábio “Fabuloso” e 5º colocado no último Hang Loose Pro Contest realizado em Fernando de Noronha. Entre as meninas, a loirinha Bruna Schmitz, 19, já aparece entre as Top 10 em seu ano de estréia no WWT. Isso só p/ citar os que já tem resultados internacionais. Há ainda Jerônimo Vargas, Felipe Cesarano, Marco Giorgi e Jessé Mendes, destaques na temporada de inverno havaiana. Não existe evolução sem renovação. E, pelo menos nas mãos dessa petizada, o Brasil tem futuro.

2010 temos eleições novamente. Iremos escolher o próximo presidente do país e também nossos novos representantes no Senado e na Câmara Federal. Se você vota, aja consciente de quem está escolhendo. Chega de Sarneys, Collors, Renans, ACMs e Almeidas. Já passou da hora de dedetizar Brasília. Como dizia Dadá Figueiredo, o mais inovador surfista brasileiro, nos anos 80: “Morte aos parasitas!”.

Bruna Schmitz: o Brasil tem futuro

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