sexta-feira, maio 01, 2009

SEGURO-DESEMPREGO

"Faço casamentos e bar mitzvahs": tem jornalista apelando na gringa

Por falar em Lewis Samuels, o jornalista revelação americano, famoso pela coluna virtual Power Rankings, na qual analisa os top do surf mundial sem dó nem piedade, foi despedido do site Surfline. Comparado ao lendário Derek Hynd pelo estilo impetuoso de escrever, Samuels aponta como motivo da demissão a submissão dos veículos de comunicação à indústria de moda surf - ele escreveu um artigo que teria desagradado um dos anunciantes do site: "Foi algo bem inócuo comparado a muitas coisas que o Surfline me pagou p/ escrever sobre 'pro surfers' nesses últimos anos. A diferença é que desta vez eu expressei uma opinião sobre peixes graúdos, ao invés de algum brasileiro subpatrocinado", desabafou em 'Fired', post de 23 de março, em seu blog PostSurf.

Lewis é mais um yankee na fila do seguro-desemprego
, que atingiu o maior número de pedidos da sua história em abril, desde que o governo dos EUA começou a monitorar os dados: de 93.000 desempregados em 1967, hoje são mais de 6 milhões. A pulverização de vagas de trabalho atingiu o ápice em janeiro, c/ 741.000 cortes. Em fevereiro, foram 651.000 demitidos, e em março, 663 mil. A taxa de desemprego subiu p/ 8,5% da população, o maior nível desde 1983.


Dono dos direitos da Power Rankings, Lewis levou consigo a coluna que fez sua fama. Ao contrário de Hynd, Samuels não é um ex-Top 16 da ASP. Longe disso, é um goofy-footer c/ nível de surf absolutamente normal. Mas seu texto é o mais instigante da atualidade entre os gringos, resultado da mistura entre linguagem fácil e referências eruditas - cita Dostoiévski e Sartre em resenha dos Top 45, compara viagens de CEOs de multinacionais da surf wear p/ estâncias de luxo em paraísos tropicais ao escândalo dos bônus aos executivos da falida seguradora AIG, etc.

Seu maior herói no surf é o Kelly Slater. "O plano p/ 2009 é claro: Slater vai usar pranchinhas esquisitas semidisfuncionais", escreveu em sua análise de final de ano do WCT. "Há uma linda simetria aqui, p/ estudantes de história do surf. Lembre de 1992, quando Slater venceu seu 1º título mundial surfando pranchas finas como wafer, que assim como o sapato da Cinderela, só serviam no pé dele. Metade dos caras seguiram a tendência, e todos pareceram obsoletos. Pode ser que ele use a mesma estratégia p/ levar pra casa seu título final."

PÉ NA PORTA
9x campeão do mundo e na ativa, Slater ainda não engrenou este ano. Perdeu na 3ª fase da 1ª etapa da ASP e dançou de prima no 2ª, num novo formato de competição criado por ele mesmo. Todos sabem que a Quiksilver ofereceu um bicho de $10 milhões de dólares caso ele consiga seu 10º título do WCT. Mas o Kareca entrou numas de testar pranchas não-convencionais em 2009, depois de vencer o Pipe Masters pela 6ª vez em dezembro surfando os tubos mais power do mundo c/ um modelo experimental, batizado de Deep Six: uma prancha c/ outline aparentemente normal da rabeta até o meio do deck, mas c/ um bico arredondado tipo funboard e tamanho reduzido - no caso de Pipe, uma 5'11". Nas merrecas da Gold Coast, em março, usou uma absurda 5'4" e mesmo assim venceu sua bateria de estréia.

"Ao perder p/ Julian Wilson no Quik Pro, Slater apagou duas décadas de domínio competitivo", escreveu Samuels em um de seus últimos trabalhos p/ o Surfline. "Nós podemos comparar o Kelly de agora a Cheyne Horan, que terminou 4X como vice-campeão mundial usando equipamento alternativo. Sim, Kelly venceu o Pipe Masters surfando c/ material similar, e havia os 9 títulos... Mas isso foi ano passado, hoje a história é outra. O uma-vez-infalível Slater, que nunca entregou uma bateria na vida, falhou em conseguir uma segunda onda p/ pontuar. Ficou claro que ele não é mais o melhor surfista do mundo", arrematou o implacável jornalista, que não poupa nem seu maior ídolo.

Agora, K9 resolveu radicalizar de vez. Inspirado na comoção gerada pelo momento de crise financeira global, o Dr.Manhattan do surf vestiu seu longjohn, pôs terno e gravata, pegou uma porta e foi surfar umas marolas na Califórnia. A cena bizarra é parte de Mr.Slater Goes to Work, novo filme do amigo-músico-surfista Jack Johnson, havaiano que nas horas vagas ataca de cineasta. As fotos acima foram publicadas na edição de março da Sports Illustrated, maior revista de esportes dos EUA.

Ei, Lewis, manda seu currículo pra lá!

2 comentários:

Anônimo disse...

na verdade o power ranks continua no surfline,só q. agora tem dois:o samuel tem a versão dele no blog e o surfline contratou 3 caras pra ficar no lugar dele.mesmo assim a materia tá du carallo!!um amigo apresentou seu blog,di fude!!slater ainda é o melhor

Viva La Brasa disse...

É verdade, Anonymous, e um dos caras que substituiu o Lewis é o Ian Cairns, top 16 dos anos 70, um clássico!.. Valeu a dica.