quinta-feira, julho 30, 2009

QUANTO VALE O SHOW
BRETT, o primo rico do BART
Ganhar $ 100 mil dólares em uma semana, que tal?
Huntington Beach, a praia da Califórnia que sediou os clássicos OP Pro nos anos ’80, onde Curren & Occy iniciaram sua rivalidade; onde Andy Irons venceu 2 etapas back-to-back em ’98; onde Neco Padaratz derrotou Fábio Gouveia na única final verde-amarelo do WCT, em ’99; voltou a entrar p/ a história c/ o maior prêmio pago a um campeão de surf: US$ 100.000,00.
Comparado a outros esportes individuais como tênis e golfe, isso é uma ninharia – o troco do caddie. Roger Federer e Tiger Woods chegam a ganhar US$ 1 milhão por vitória. Mas comparado ao que ganham os surfistas pros, é uma verdadeira fortuna. Só p/ dar uma idéia, cada etapa do WCT – o Grand Slam do surf – paga ao campeão US$ 40.000,00.
ALMA SURFA?O Hurley US Open 2009 atraiu alguns dos maiores stars do surf: Kelly Slater, Mick Fanning, CJ Hobgood... Só p/ dar outra idéia, dos 8 classificados p/ o último dia de campeonato, 6 fazem parte da elite. Normalmente os tops não estão nem aí pro WQS [que, na real, é a 2ª divisão do pro surf mundial] mas um cheque de 6 dígitos não é algo que se despreze. Principalmente no mundo capitalista do qual esses caras fazem parte – e representam.
Precisamos construir ídolos e personalidades, disse Slater à revista EXPN: “Em nossos eventos, poderíamos ter um espaço p/ os atletas darem entrevista ao vivo pela internet depois das baterias. [...] A ASP deixou esse trabalho p/ os patrocinadores, mas é função da entidade vender seu principal produto.Atenção p/ a palavra ‘produto’ – o eneacampeão do mundo tem consciência de que sua imagem é uma COMMODITY p/ o mercado: “É importante que a entidade que regula o esporte esteja baseada na Califórnia, onde fica a maior parte da indústria do surf. E precisamos de mais eventos nos EUA.
O passe de Kelly é da Quiksilver, Mick é da Rip Curl, CJ da Globe, Mineirinho da Oakley, e assim vai... O mar ainda é de graça, mas viajar o mundo atrás de onda custa caro. Até free surfers têm patrocínio hoje em dia, afinal alguém precisa pagar as despesas daquela trip de sonhos, onde os ‘surfistas c/ alma’ [soul surfers] pegam tubos que se tornam fotos em revistas e imagens em filmes – registro do life style e retorno do investimento.
Seriam os competidores 'surfistas sem alma'?
SIMPSON$P/ o bem do patrocinador do evento e felicidade geral da nação [norte-americana], Brett Simpson levou a bolada de 100 mil doletas. O local de Huntington, que pertence ao time da Hurley, teve a performance de sua vida ao derrotar Mick Fanning na final. Competindo há 5 anos no ‘QS, Simpson nunca havia chegado nem perto da classificação p/ o ‘CT. Os 2500 pontos ganhos no US Open o alavancaram p/ o Top 5 no ranking de acesso.
É o melhor dia da minha vida!”, exultava Brett no pódio: “Eu nem sei o que dizer. Tô amarradão! Minha meta sempre foi competir no World Tour e esse resultado é um puta empurrão na minha confiança. Mal posso esperar pelo resto do ano!” O azarão californiano bateu 3 CTs no domingo: o conterrâneo Nathaniel Curran nas quartas, o campeão mundial de 2001, CJ, nas semis, e o de 2007, Mick, na última bateria.
Fanning chegou na final derrotando Mineirinho na semi. “Foi uma semana incrível p/ mim”, disse Mick: “Eu não competia aqui há 7 anos e voltar num evento como esse é alucinante! O cenário, o público, as ondas, é tipo um sonho!” Falar em sonho, Adriano de Souza, 22, realizou um dos seus – venceu pela 1ª vez Kelly Slater num confronto direto: “Obviamente, foi meu ponto alto no evento. Não rolaram muitas ondas nessa bateria, mas eu consegui pegar as melhores e surfar bem. Só fiquei desapontado por não achar as ondas contra o Mick”. Foram 9 derrotas p/ KS até esta desforra, muito comemorada.
Mas “mineiro” mesmo foi o Brett Simpson. Comendo quieto, pelas beiradas, passou as fases pontuando médias regulares, na casa dos 13 pontos, e guardou seu melhor jogo p/ a final, quando marcou 6,83, 7,83 e 9,10 em suas melhores ondas c/ “razor-sharp turns, explosive aerial maneuvers and a supernatural rapport”, segundo descrição original do site da ASP – algo como ‘curvas afiadas como navalhas, manobras aéreas explosivas e sobrenatural conhecimento do pico’.
O MESSIASMais do que um grande prêmio, o que faz um campeonato clássico são AS ONDAS. E Huntington Beach, que normalmente tem ondas c/ cor e formação de merda, desta vez bombou. “Este foi c/ certeza o melhor campeonato de todos os tempos!”, empolga-se o havaiano Kai Barger, vencedor do Nike 6.0, a categoria sub-21 do US Open: “O maior público, altas ondas, sol, muita grana... Eu nunca vou nas baterias pensando no que preciso fazer p/ passar. Eu vou p/ vencer. Foi o que fiz hoje e eu tô tendo um grande ano!
Barger é o atual campeão mundial pro-jr., título que obteve em janeiro na Austrália derrotando o brasileiro Jadson André, companheiro de equipe do Mineirinho, que chegou na Califórnia liderando o WQS mas foi ultrapassado pelo australiano Daniel Ross. De qualquer modo, Jadson é o melhor brasileiro no ranking e está praticamente garantido no WCT do ano que vem. Ambos – Barger e André – têm 19 anos.
Enquanto os dólares corriam na Califórnia, em Ubatuba [SP] acontecia a 3ª etapa do SuperSurf, valendo 1000 pontos no ranking nacional e $21 mil reais p/ o campeão. Um décimo do que pagou a Hurley, mas pergunta pro Messias Félix se ele está achando ruim. Em uma inédita final cearense, ele derrotou Márcio Farney p/ chegar à sua 1ª vitória no circuito e assumir a liderança na corrida ao título.
Messias, que tem a mesma idade do campeão do US Open – 24 anos – , vem de uma trajetória ascendente: campeão nordestino 2007, Top 4 do SuperSurf ano passado, chegou à sua 1ª final no mês de junho, em Salvador, e venceu a 6ª etapa da ANS há apenas 2 semanas.Fiquei meio triste na Bahia por ter perdido a final, mas depois entendi que era da vontade de Deus”, declarou Félix. Sobre sua nova vitória, afirma ter sido “mais emocionante ainda por ter sido contra um cearense, um grande amigo, e em altas ondas.
MOTOR V8Messias Félix tem sido o algoz dos seus conterrâneos nas finais. Além de Márcio Farney no brasileiro em Ubatuba, derrotou Thiago de Souza no regional em Pernambuco. “Eu paro o que estiver fazendo p/ assistir as baterias do Messias”, exalta Amélio Jr., vice-presidente da Associação Cearense de Surf. Félix é herdeiro da linha de surf moderno e aerialista iniciada c/ Fábio Silva nos anos ’90 e que hoje tem em Heitor Alves seu principal expoente.
Thiago de Souza, o 1º campeão da ANS em 2005, é outro em grande fase. Venceu a Seletiva Petrobras em maio e está de novo na briga pelo título nordestino, c/ os vices nas etapas de Aracaju [SE] e da Praia do Náutico [PE]. Thiago também é destaque na nova edição da revista virtual V8SURF, que traz um especial c/ 3 expedições às ondas geladas e perfeitas do Peru: uma barca c/ surfistas do sul do Brasil, uma de nordestinos composta por Thiago, Charlie Brown e Ernesto Nunes, e outra gringa c/ Rob Machado e Clay Marzo quebrando tudo num dia em que El Hueco quebrou clássico.
A revista é um projeto de Jonathas de Souza, artefinalista do jornal O Povo, de Fortaleza [CE]. A reportagem é de Ricardo Alves, e as fotos, de Javier Larea. A V8 é totalmente free, tanto no acesso quanto no enfoque ao surf livre. Machado é californiano, patrocinado pela Hurley e já venceu o US Open, mas hoje é mais fácil encontrá-lo em um pico perdido no deserto peruano do que na Meca do surf capitalista. Por mais que se inventem campeonatos milionários, no surf o verdadeiro pote de ouro escondido atrás do arco-íris são AS ONDAS.
Até Andy Irons, o surfista mais competitivo do mundo, já admitiu, em entrevista p/ o Surfline: “Surfar sempre vai me fazer feliz, independente de eu ser pago p/ isso ou não.
V8SURF - 3X PERU
Nº 5 julho 2009
THIAGO DE SOUZA
ROB MACHADO
CLAY MARZO
MARCOS PASTRO

2 comentários:

Viva La Brasa disse...

Na verdade a Hurley só imitou a idéia do Maloof Money Cup, uma competição de skate criada ano passado que distribui US$ 450.000,00 entre 4 categorias.
Em 2008, Paul Rodrigues ganhou $100 mil pela vitória no street, c/ o 2º lugar levando $40, o mesmo que um campeão do WCT... o campeão do vert levou $75 mil...
este ano o evento aconteceu de novo, no mesmo período do US Open.
O Slater já está mexendo os pauzinhos p/ um novo circuito, mais rico - e elitizado.
A polêmica já começou, e pra variar o mestre Marreco está acompanhando tudo up-to-date:
http://julioadler.blogspot.com/

URUBLUESBASS disse...

Adolfo, me informe seu mail para eu mandar as edições dos zines em pdf.