terça-feira, julho 14, 2009

SE GRITAR ‘PEGA LADRÃO’...
- Ribamar é o caralho, meu nome é Zé Sarney, porra!

"You can stand under my umbrella/ Ella ella eh eh eh"... Quem nunca ouviu essa música? O sucesso da cantora Rihanna –aquela que apanhou do namorado, o pagodeiro Chris Brown –inspirou a operação policial que desbaratou uma quadrilha de assaltantes de banco que agia em 6 estados do Brasil: RS, SC, PR, BA, SE, AL.

A ‘Operação Umbrella’ foi uma investigação coligada do COPE [Complexo de Operações Especiais] e da DIPOL [Divisão de Inteligência e Planejamento Policial],divisões da Polícia Civil, c/ o apoio do COE [Comando de Operações Especiais], da PM. A quadrilha, formada por 5 homens e 2 mulheres, ficou notória pelo estilo de roubar: sombreiros eram utilizados p/ isolar os sensores das agências bancárias e enganar o alarme. Em dezembro, invadiram o Banco do Brasil de Propriá [SE] e levaram R$ 850.000. Ribeirópolis, Moita Bonita e Riachão do Dantas foram os outros alvos dos ‘Guarda-Chuvas’ aqui no estado: “Eles escolhiam agências que oferecessem mais facilidade p/ a execução dos arrombamentos e tivessem mais dinheiro guardado”, diz o delegado Thiago Leandro, do COPE.

A quadrilha era formada por 6 gaúchos e 1 sergipano, responsável pela logística. As minas faziam o levantamento da área, filmavam o movimento e davam a letra p/ a gangue, que planejava a execução do crime de acordo c/ as informações. “Eles começavam os trabalhos na quinta-feira, na sexta à noite entravam na agência p/ arrombar os cofres. Carlos [o sergipano] fazia todo o isolamento do sistema de alarme c/ os guarda-chuvas. No sábado, entravam novamente no banco e o furto era consumado”, explica o delega Cristiano Barreto, do SISP [Subsistema de Inteligência em Segurança Pública].

As prisões ocorreram na madruga do sábado pro domingo, no momento em que retornavam da cidade baiana de Paripiranga, onde haviam completado mais um roubo. Foram apreendidos 2 home teathers, 3 notebooks, 6 celulares, vários chips, 3 revólveres calibre 38, munição, maconha, pés-de-cabra, sombreiros, luvas, ferramentas, 5 compressores de ar, 1 Escort preto, 1 Gol prata e o Monza azul c/ o qual vieram do Paraná. Nada de dinheiro.

IN MADOFF WE TRUST

Malandro não para, malandro dá um tempo”, já dizia a namorada do Cabeleira no Cidade de Deus. Aos 71, Bernard Madoff, dono do grupo de investimentos Madoff Trustee, está procurando o melhor hotel p/ sua aposentadoria compulsória – mais especificamente, uma prisão de luxo na qual passará o resto dos seus dias na Terra. Madoff foi condenado a 150 anos pela megafraude que lesou investidores de todo o planeta em mais de $60 BILHÕES de dólares.

Atuando há mais de 50 anos em Wall Street, Bernie Madoff revolucionou o mundo acionário nos anos 70 e foi um dos fundadores da bolsa de valores Nasdaq nos anos 90. Só isso já bastaria p/ fazer do homem uma lenda. Mas sua empresa ainda gerava rentabilidade até 12% superior nas ações que negociava, independente das oscilações do mercado. “É bem provável que Bernie não embolsasse tanto dinheiro. Ele sempre pagava no prazo e nunca deixava ninguém na mão. O dinheiro saía o tempo todo, em grandes quantidades. Era uma corrida constante para sacar. A Hadassah (organização de mulheres sionistas), por exemplo, investiu US$ 90 milhões – mas retirou US$ 130 milhões ao longo dos anos”, escreveu Steve Fishman no brilhante perfil “O Monstro de Wall Street”, publicado na revista Época Negócios [abril/09].

Madoff conquistou boa parte de seus clientes [e amigos] freqüentando clubes exclusivíssimos e festas beneficentes da nata da sociedade judaica dos EUA: gente do cinema como Steven Spielberg, Jeffrey Katzenberg e Kevin Bacon, o escritor Eli Wiesel, e Ezra Merkin, administrador das ações de mais de 30 instituições de caridade e de 2 renomadas escolas, a Ramaz e a Yeshiva. “Ezra faturava dezenas de milhões por ano com seus fundos. E, para ele – bem como para Bernie – , dinheiro não era apenas dinheiro. Era a escada que o alçaria ao universo do seu pai [N.E.: Henry Merkin, falecido investidor de Wall Street], um mundo celestial que agora ele habitava por direito. [...] Em 1995, ele pagou US$ 11 milhões por um apartamento no endereço mais prestigiado de Nova York: o número 740 da Park Avenue, onde Jackie O. fora criada e John D.Rockfeller Jr morara”, revela Fishman.

O castelinho desse pessoal caiu quando todos foram sacar suas economias ao mesmo tempo após o estouro da crise, em setembro do ano passado. Os rendimentos do seu fundo de investimento eram na verdade capital dos novos investidores, um velho golpe conhecido como Esquema Ponzi – elevado à enésima potência. Aqui no Brasil, esse tipo de aplique é conhecido como “pirâmide”. Todo mundo já caiu nessa, embora ninguém por aqui tenha perdido bilhões como os judeus americanos.

NAÇÃO ZUMBI

Ei, Ribamar/ Olhe só o que você fez/ Sua cabeça vai rolar/ Se der errado outra vez/ Não adianta congelar/ Os produtos vão sumir/ A fábrica do Ribamar/ É a primeira a falir”... As músicas “Plano Furado” e “Plano Furado 2” foram o modo que João Gordo e o RxDxPx encontraram p/ homenagear o então Presidente do Brasil, José Sarney, e seus 2 Planos Cruzados, tentativas furadas de acabar c/ a inflação nos anos 80. Passadas mais de 2 décadas, Sarney continua na ativa aos 79 anos. E não há quem faça sua cabeça rolar.

Nas últimas semanas, o atual presidente do Senado tem sido pivô de uma série de denúncias de irregularidades: Sarney teria usado seu cargo p/ conseguir benefícios à fundação que leva o seu nome; um de seus netos intermediava empréstimos consignados do Senado; outro recebia salário mesmo morando na Espanha; mais 7 parentes fariam parte da folha de pagamento do Congresso; o mordomo de sua filha recebia R$ 12.000 como funcionário do Estado; e o próprio ‘Bigodão’ recebia auxílio-moradia de R$ 3.800, mesmo possuindo residência em Brasília. A oposição passou a pedir sua renúncia, e até o PT, que fecha c/ o PMDB, uniu-se ao coro: “Temos de dar transparência às ações desta Casa. Os que forem responsáveis terão de pagar, sejam quem forem”, afirmou Aloizio Mercadante, líder do partido no Senado.

Mas a sede de justiça foi arrefecida pelo Presidente Lula: “O senador tem história no Brasil suficiente p/ que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum”, disse durante visita ao Cazaquistão, a terra de Borat, personagem simplório do comediante Sacha Baron Cohen que virou filme em 2007. Lula, o Borat da política, está certo; Sarney tem história. Lançou-se na política em 1955, 10 anos depois elegeu-se governador pela 1ª vez prometendo mudanças. Lá se vai meio século, e o Maranhão, governado pela 3ª vez por sua filha, Roseana, tem hoje o pior índice de IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] do Brasil, segundo a ONU; tem o dobro da taxa de analfabetismo do país [21,5% dos maranhenses não sabem ler]; a segunda mais alta taxa de mortalidade infantil nacional [39%]; e 64% da população está abaixo da linha de pobreza.

Como se não bastasse possuir um estado da Federação, Ribamar arrendou o vizinho Amapá, pelo qual elegeu-se p/ o Congresso. Só no Maranhão, sua família possui 1 jornal, 17 emissoras de rádio, 4 de TV, parte de um shopping, e uma ilha particular c/ 2 mansões. Possuem mais 1 mansão em São Luís, 2 em Brasília, 1 apartamento em Búzios, 1 casa de veraneio em Búzios e mais de 20 propriedades menores, além de lojas em 3 estados: MA, AP e RJ. Esses são seus bens declarados, porque foi descoberta uma conta no exterior atribuída a ele, a ‘JS-2.

SINDICATO DE LADRÕESEsta não é uma crise minha! É uma crise do Senado!”, bradou o autor de Marimbondos de Fogo assim que as denúncias começaram a pipocar na imprensa. Ele tem razão. Zé Ribamar pode estar mais sujo do que pau-de-galinheiro, mas não é o único. O último presidente da Casa a renunciar, Renan Calheiros, não perdeu o mandato e continua a dar as cartas – assim como o ex-ministro José Dirceu, que caiu mas tem livre acesso aos bastidores. O cast do PMDB no Senado é assustador: Almeida Lima [SE], Gilvan Borges [AP] e Valter Pereira [MS], da tropa de choque de Renan; Leomar Quintanilha [TO], réu no STF por formação de quadrilha, fraude em licitações e desvio de dinheiro público; Mão Santa [PI], cassado por corrupção em 2001 quando era governador; Romero Jucá [RR], ex-Ministro da Previdência afastado por fraudar empréstimos no Banco da Amazônia; Valdir Raupp [RO], réu em 2 processos no STF por crimes conra o sistema financeiro; Lobão Filho [AM], que usou a empregada doméstica como laranja em uma de suas empresas; e o cabeludo Wellington Salgado [MG], réu em 3 inquéritos no Supremo por crimes contra a Previdência e um dos escudeiros do velho Sarna.

Isso p/ não falar em Fernando Collor, eleito em Alagoas pelo PTB, ou os deputados Edimar Moreira [MG] – o do castelo – e Sérgio Moraes [RS] – aquele que se lixa p/ a opinião pública. Não por acaso, os únicos senadores peemedebistas a saírem ilesos da avalanche de processos e denúncias são os que têm menos apoio do partido: Pedro Simon [RS] e Jarbas Vasconcelos [PE], que expôs o fisiologismo do PMDB em uma entrevista à revista Veja no início do ano e ganhou a pecha de “louco” dos correligionários. Em discurso no Plenário, Jarbas voltou a vestir as luvas em sua luta quixotesca contra os moinhos de vento, comparando a interferência presidencial na crise do Senado ao período da ditadura militar: “Procurou intimidar os senadores do PT, planejou todos os eventos políticos p/ ao final eleger sua candidata, a ministra Dilma, de forma consagradora, não p/ ela, mas p/ si próprio”.

Lula é um amigo fiel. Defendeu Dirceu no Mensalão, Palocci na quebra do sigilo bancário do caseiro, Renan no caso do lobbista, Paulinho da Força Sindical no esquema de propina do BNDES, o ex-ministro Romero Jucá, que deixou a Previdência acusado de fraude bancária, e Severino Cavalcanti, que deixou a presidência da Câmara dos Deputados após cobrar ‘mesada’ de um dono de restaurante. Em um evento do PAC, beijou a mão de Jader Barbalho – mais um ex-presidente do Senado a renunciar sob denúncias de corrupção. Semana passada, fez a cúpula do PT desmentir o posicionamento favorável ao afastamento de Sarney – a quem um dia chamou de “grande ladrão” –, pois a saída do coronel do Maranhão implicaria na retirada do apoio do PMDB ao governo, o que inviabilizaria a candidatura de Dilma em 2010: “Minha combatividade está a serviço de Lula”, disse Mercadante c/ o rabo entre as pernas.

Nosso presidente não tem pudor algum”, diz Jarbas Vasconcelos: “Ele fará de tudo p/ permanecer no poder e destruir a dignidade no Congresso. Deslumbrado pelo poder, ele considera-se acima das instituições, [...] interveio p/ constranger seus próprios partidários”. Sarney agradeceu o presente tomando medidas ‘moralizadoras’ – e convenientes – como a derrubada dos Atos Secretos e a instalação da CPI da Petrobras. "No mensalão eu fui pro córner e sei o que passei. Agora, no final do meu governo e c/ eleição pela frente, a base tem que estar unida", afirmou Lula. Dizem que no encontro que tiveram a portas fechadas, Ribamar cantou p/ o Presidente a versão de “Umbrella” da banda Aviões do Forró: “Se não souber valorizar/ Vai me perder eh eh eh...”.

Chris Brown cumprirá 5 anos de liberdade condicional pela agressão a Rihanna. Lei Maria da Penha nele... Bernard Madoff pegou 150 anos por causar um rombo de US$ 65 bilhões. O azar de Bernie foi não morar no Brasil. Aqui, crime de colarinho branco não dá cadeia. Na pior das hipóteses, ele acabaria no Senado, debaixo do guarda-chuva do Presidente.

MARIMBONDOS ME MORDAM A crise do Senado na visão dos cartunistas

ANGELI

LEONARDO

BENETT

BETO SANTOS

de novo, LEONARDO

Um comentário:

EQUEDE disse...

...NÃO FICA UM MERMÃO!....