domingo, setembro 13, 2009

ROCK ME BABY

13 de julho é o Dia do Rock. 13 de agosto morreu Les Paul. E amanhã, 14 de setembro, se completam 2 anos desde o fatídico dia da morte do meu irmão, Fernando Augusto.

Lester William Polfus foi O CARA: inventou a guitarra elétrica e o sistema de gravação em canais. Nascido no Wisconsin em 1915, ‘Les Paul’ começou a experimentar aos 13 anos, quando já tocava em bandas country profissionalmente – insatisfeito c/ as limitações do violão [‘guitar’, em inglês], implantou um receptor telefônico e, em seguida, uma agulha de fonógrafo sob as cordas, amplificando o som do instrumento.

Lançou seus primeiros discos em 1936, um tentativa frustrada usando o pseudônimo ‘Rhubard Red’ e outro como músico da banda de Georgia White [além de guitarra, tocava gaita e banjo]. Só quando se lançou como guitarrista de jazz usando seu apelido de infância, Les Paul engrenou. Criou seu protótipo de guitarra em ’41: um violão elétrico quadrado, de madeira maciça, apelidado de ‘O Tronco’: “Levei o instrumento a uma casa noturna e toquei. Todos me rotularam de maluco”.

Todos, incluindo a diretoria da fábrica Gibson, a qual Les apresentou o projeto [ao lado, o manuscrito original]. Foi ridicularizado e deixado de lado, até que em 1950 a concorrente Fender lançou o modelo Broadcaster, sucesso de vendas.A Broad, que na década seguinte mudou de nome p/ Telecaster e se eternizou nas mãos de Jimi Hendrix, tinha corpo sólido, cordas de aço e captadores elétricos – o mesmo princípio usado por Les Paul 9 anos antes.

GLPRestou à Gibson correr atrás do prejuízo. Procuraram o guitarrista do Wisconsin, que a essa altura já havia se firmado como astro do jazzao longo da carreira atingiu 11 vezes o nº1 das paradas e conquistou 36 discos de ouro, muitos em parceria c/ a cantora Mary Ford, sua esposa. Gibson/ Les Paul firmaram então a parceria que criou um dos maiores ícones da música: a guitarra de cintura fina e som encorpado.

Les Paul foi um exemplo brilhante de como a vida de uma pessoa pode ser intensa. Ele era tão brilhante e cheio de energia positiva. Estou honrado por ter tocado c/ ele algumas vezes nestes anos”, disse Slash em julho. O ex-guitarrista do Guns’n’Roses é só um dos muitos nomes de peso na lista dos fãs da Gibson Les Paul: George Harrison, Pete Townshend, Jeff Beck, Eric Clapton, Jimmy Page, Tony Iommi, Ace Frehley, Eddie Van Halen, Kirk Hammett, Zakk Wilde, Tom Morello, David Grohl... Só p/ citar os que eu curto. De John Frusciante e Buckethead a Lúcio Maia e Julico da The Baggios, todo mundo AMA a GLP.

Essa guitarra já foi motivo de briga entre os irmãos Baptista, dos MutantesSérgio usa Gibson mas também umas Fender, promiscuidade inaceitável p/ Arnaldo. Paul McCartney, de tão fissurado, pediu uma personalizada ao próprio mestre [que presenteou outros stars c/ séries especiais depois disso]. Les ingressou no Hall da Fama do Grammy em ’78 e no Rock’n’Roll Hall of Fame na década seguinte. Demorou.

FATHER OF INVENTION

You say you want a revolution”... [Lennon/McCartney]

A amplificação da guitarra ocorreria de um jeito ou de outro ao longo do séc.XX. Nas décadas de 40/50, Leo Fender e Adolph Rickenbacker faziam pesquisas paralelas e desenvolveram suas próprias técnicas. Contemporâneo dos dois, o criador do modelo mais clássico da Gibson já seria um mito, pelo pioneirismo e excelência. Mas a grande revolução de Les Paul foi a gravação multicanais.

Em 1948, Les gravou uma faixa p/ a Capitol Records na garagem de casa: “Lover (When You´re Near Me)”. O ‘Professor Pardal’ tocou 8 partes da música na guitarra, algumas gravadas a meia rotação, que pareciam ter o dobro da velocidade quando tocadas normalmente. P/ criar esse efeito ele usou discos de acetato ao invés da fita magnéticagravava uma trilha e depois a si mesmo tocando junto c/ o 1º disco, e assim sucessivamente.

Foram 500 discos de acetato até chegar num resultado satisfatório. A 1ª gravação multicanal foi, portanto, uma experiência de garagem. O sistema de gravação criado por Les Paul gerou a [milionária, ainda que quebrada] indústria musical que existe hoje – de cantoras pop a orquestras sinfônicas, música eletrônica, o escambau.

Les foi reconhecido em vida e morreu aos 94 anos de pneumonia. Sem drama. Um gênio. Passou os últimos anos tocando todas as segundas-feiras num clube de jazz de NY, o Iridium, sempre acompanhado de roqueiros como Mark Knopfler, Bruce Springsteen, Van Halen, Jimmy Page e seu chapa Slash. Velhinho envenenado esse Les Paul.

ECHOES

Hope I die before I get old[My Generation, The Who]

Les Paul foi genial, inventou o rock e a indústria musical – embora não tenha recebido nem 1/10 dos dividendos que merecia – e foi um bon vivant, curtindo sua passagem pela Terra numa longa viagem de quase 1 século. Menos sorte teve meu mano. Nando não teve chance. Infarte fulminante. Aos 29 anos.

Meu irmão não inventou nada, mas curtia o barulho possibilitado a partir do advento da guitarra elétrica. Começou curtindo Nirvana quando andava de skate, depois adotou o metal c/ tanta ênfase que tinha o logo do Mercyful Fate tatuado na perna. Era o maior fã do King Diamond que eu já vi.

Eu também curtia Nirvana, e Soundgarden, Mudhoney, Melvins, etc. Metal, p/ mim, era Blue Cheer, Sabbath, Led Zep e Deep Purple. E Pantera, Slayer e Sepultura [c/ o Max]. Sempre ouvi de tudo: Bad Brains, Black Flag, Sonic Youth, The Meters, Gladiatorspunk, HC, noise, funk, reggae... E samba de breque, partido alto, rap gringo: Moreira, Bezerra, Public Enemy, Cypress Hill, Beastie Boys. P/ dar uma idéia, caras tão diferentes quanto Cab Calloway, Serge Gainsbourg, Chico Science, Manu Chao estão entre os meus preferidos. P/ não falar em Bird, Miles, Mingus & Monk; Billie Holliday, Chet Baker, Art Blakey & John Coltrane. Jazz é o crime.

LOUDER THAN LOUDSó p/ não fugir do tema, faço minha homenagem a Nando & Les Paul disponibilizando a seguir uma série de vídeos extraídos do Alto-Falante, da Rede Minas de televisão. Criado em '97 pelo jornalista Terence Machado, o programa é uma revista eletrônica semanal de música. Ao lado da gatinha Luíza Damazio e do tiozinho Adriano Falabella, o careca Terence apresenta e recebe bandas p/ sessões nos estúdios da TV, que cobre todos os festivais underground que acontecem no Brasil e no mundo como o Goiânia Noise e o Reading Festival.

Os 1ºs vídeos fizeram parte do especial Dia do Rock, uma retrospectiva dos principais nomes e movimentos desde os anos 50/60 até o início dos 2000. Eu o dividi em 2 partes, cortando entrevistas de convidados e bandas que não fizeram parte da minha história. Deixei apenas as que eu ouvi muito e apareceram na reportagem. O 1º vídeo começa c/ Chuck Berry [ainda que eu prefira a “Johnny B.Good” do Peter Tosh],passa por Jerry Lee Lewis e seu misto de selvageria & estilo impecável, e daí p/ frente é só pedrada: Beatles, Yardbirds, Animals, Hendrix, Doors, Creedence, Steppenwolf, Sabbath, Zeppelin, Purple, Pink Floyd, Sex Pistols, Clash, Iggy Pop e Ramones ao vivo c/ "Psycho Therapy". Este vai p/ o Les Paul:

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O 2º bloco é p/ Nando o que representa os anos 90. Começa c/ Red Hot, vai p/ Nirvana e segue c/ Soundgarden, Jon Spencer, Asian Dub Foundation e Rage Against the Machine. Dessas, assisti Asian Dub e Blues Explosion em diferentes edições do Abril Pro Rock - 2 dos shows mais irados que já vi na vida. Falta muita gente nessa sequência: Pixies, Beck, Pavement, Portishead, Sublime, Ministry, FNM, White Zombie etc. Mas, pelo preço, não reclamem:

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MONDO ROCKER

Adriano Falabella apresenta a Enciclopédia do Rock no Alto-Falante. Os 3 vídeos a seguir foram extraídos desse quadro, que traz à tona raridades valiosas do 'mondo rocker'. O 1º clipe da trilogia que preparei traz os Rolling Stones em '66 tocando "Paint It Black" no Eddie Sullivan Show, o mesmo que lançou os Beatles nos EUA. Brian Jones ainda estava vivo e aparece tocando cítara. Mick Jagger ostenta um mullet 20 anos à frente da moda, e Keith Richards, a bordo de uma Les Paul, ainda parecia humano. Os Stones nunca foram muito bons compositores nem músicos, mas o charme está na vagabundagem. Como disse o crítico Bruno MacDonald, da revista Q, “sua arrogante vulgaridade provocou um abalo sísmico no pop polido de então - e continua a repercutir até hoje”:

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Raridade mesmo é este aqui: Deep Purple tocando no Playboy's Penthouse, o programa de TV que o Hugh Hefner tinha nos anos 60. A banda aparece em sua formação original, que não é a mais clássica [conhecida como 'Mark 2', c/ Ian Gillan no vocal], mas o registro é histórico e o som é “Hush”, o 1º hit do DP. A cena é lisérgica, os caras c/ roupas bufantes coloridas e as coelhinhas da época dançando muito. Tempos de revolução sexual e pílula anticoncepcional, AIDS não existia, imagina a sacanagem que rolava nessas festas. Como diria o cabeludo Falabella: “Gostas do delírio, baby?

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P/ terminar, os 4 cavaleiros do apocalipse: Black Sabbath circa 1970. O disco de estréia dos caras pode ser considerado o 1º álbum de metal do mundo o peso, a demência e as temáticas mórbidas e satânicas já estão lá. "O álbum parece grosseiro porque foi gravado em apenas 2 dias c/ um orçamento apertadíssimo - e mais, simulando uma gravação ao vivo, c/ picos de volume e tudo", explica o jornalista Tim Jones no livro 1001 Discos. "O guitarrista Tony Iommi, c/ seus dedos deformados por um acidente industrial, toca a guitarra meio tom abaixo do mi bemol, acentuando ainda mais o tom opressivo da música." Aqui eles aparecem tocando uma versão cheia de anfetamina de "Blue Suede Shoes", antecipando o hardcore [c/ uma Gibson]:

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IN MEMORIAN
Fernando Augusto de Sá Regis Fontoura - * 20/12/1977 + 14/09/2007
Lester Willian Polfus - * 09/06/1915 + 13/07/2009

3 comentários:

fabio" binho "nunes disse...

Les Paul Rest In Peace and Nando.

Vamos homenagea los como podemos, escutando muito som e tocando guitarra!!!!!!

vc faz o primeiro( escutar os sons) e eu o segundo( tocando minha guita) e assim prestamos nossa homenagem ha quem merece de verdade!!!

Agatha disse...

Muito, muito bom!

Riot disse...

tb curti. :*
rock me baby !!!