sábado, outubro 10, 2009

SE DEUS É 10, A SUPERVIA É 666 Senhores passageiros c/ destino a Deodoro, Bangu, Campo Grande, Santa Cruz, Nova Iguaçu, Queimados, Japeri, Paracambi, Belford Roxo, Gramacho, Saracuruna e Vila Inhomirim: vocês estão fodidos!

Durante 2 dias desta semana, uma pequena guerra civil foi travada nos trilhos que partem da Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Começou na manhã do dia 07/10, c/ um trem enquiçado nas imediações da estação de Nilópolis. O maquinista abandonou a composição e deixou os usuários presos nos vagões lotados – a maioria ali a caminho do trabalho. Após 20 minutos sem notícias, geral começou a forçar as portas e saltar pelas janelas. Alguns pés quebrados e tornozelos torcidos. Muita revolta.

A população voltou aos guichês da estação p/ exigir seu din-din de volta. A empresa responsável recusou-se a devolver o real, e um protesto instantâneo irrompeu: o povo indignado destruiu a bilheteria, arrancou uma das catracas, invadiu a linha férrea e ateou fogo num trem.

Na tarde de quinta, 08/10, um novo protesto causado por atraso nos embarques fechou a Central por mais de 1 hora. O Batalhão de Choque da PM foi chamado e conteve o tumulto c/ bombas de gás e tiros de escopeta. Mais de 20 feridos contabilizados nesses 2 dias. Na manhã de ontem, os trens no ramal de Deodoro a Santa Cruz circularam c/ atraso novamente. Desta vez não houve revolta popular. Aparentemente, as pessoas cansaram de apanhar.

PAGUE P/ ENTRAR, REZE P/ SAIR
Trens não se compram como sapatos ou bolsas nas lojas, é preciso encomendar e esperar”, diz o Secretário de Transportes do Rio, Júlio Lopes.
A SuperVia Concessionária de Transporte Ferroviário S/A, administradora da malha [sub]urbana carioca, alega que a pane da manhã de quarta e os atrasos dos últimos dias ocorreram “devido a problemas em uma subestação de energia”. Em entrevista concedida ontem ao programa RJTV, da Globo, o secretário Lopes ‘garantiu’ que vai cobrar da empresa um plano de emergência. Ele admitiu a precariedade do sistema de transportes da capital fluminense, mas condenou as manifestações: “Pessoas mal intencionadas se incluem no meio dos usuários e praticam vandalismo, o que aumenta ainda mais o sofrimento dos passageiros que precisam utilizar os trens p/ trabalhar”.

O Estado é ausente, a polícia é repressora, a iniciativa privada é mal intencionada e o povo é quem paga o pato. “Em 2007 um acidente provocado pela empresa, o pior em 10 anos, deixou 8 mortos e 111 feridos, o que também gerou a revolta da população”, informa o site do Partido da Causa Operária. Além de incompetente, a SuperVia é reincidente em maltratar seus clientes.

Quem não lembra das cenas gravadas em abril de funcionários da concessionária chicoteando os passageiros pendurados em portas e janelas, p/ que entrassem nos vagões? "Em relação às imagens na estação de Madureira, a SuperVia informa que os agentes de controle são orientados a coibir tentativas de depredação ao patrimônio público, atos de vandalismo e condutas que coloquem em risco os demais passageiros e a operação regular dos trens", informou em nota.

RAP DO TREM
Pegar o trem é arriscado/ trabalhador não tem escolha/ então enfrenta aquele trem lotado”, já rimava o rapper Sandrão há 10 anos. Ele e todos os integrantes do grupo RZO são de Heliópolis, periferia de São Paulo. No Rio, outra banda de suburbanos também fez música p/ o sistema ferroviário de sua cidade: A SuperVia Deseja a Todos Uma Boa Viagem” é uma homenagem de Ronaldo ‘Chorão’ aos serviços prestados pela famigerada companhia.
Morador de Campo Grande e trabalhando das 8:00 às 18:00 de segunda à sexta, o vocalista da Gangrena Gasosa sente na pele as agruras de 2 viagens diárias em trens sob condições subumanas: "Senhores passageiros a SuperVia informa/ Hoje todos os ramais operam com atraso/ Senhores passageiros a supervia informa/ A composição vazia só vai fazer manobra", canta o refrão.

Mais conhecidos pelo satanismo afrodescendente, Chorão e a Gangrena provam que basta morar longe da zona sul carioca p/ se sentir um frango de despacho numa encruzilhada: “As letras são um crossover do dia-a-dia do brasileiro tosco c/ temática de macumba. Você não precisa estudar p/ falar disso, basta viver no Rio de Janeiro e ter o dom de rir das desgraças."

A SUPERVIA DESEJA A TODOS UMA BOA VIAGEM

2 comentários:

fabio" binho "nunes disse...

Muito foda, vandalismo com força total!!!!!

O povo Brasileiro, ou melhor o Carioca, quando quer atropelar ninguém controla!!!!!, vamos mandar um trem desse cheio lá pra Brasília, he,he,he....

Destruição Totallll

Ludwig Birkner disse...

Essa é a sede das Olimpíadas 2016... Tenha medo!!!