sábado, outubro 03, 2009

THE WEIRDNESS O surf punk aerialista surgiu nos anos ’80, c/ Christian Fletcher & Matt Archbold na Califórnia e Dadá Figueiredo no Rio de Janeiro. Esses caras eram cabeludos, selvagens, malucos, drogados e perigosos, vestiam roupas pretas rasgadas e se metiam em brigas de gangue e tretas c/ a polícia. Moscas na sopa da estética colorida & alto-astral que imperava no mercado.

A Cyclone só patrocina loirinho!”, sentenciou Dadá há 20 anos. O campeão carioca de 1989 tinha tattoos, dreadlocks, uma banda de rock e fazia suas próprias regras – e pranchas. Começou c/ a Anti-Fashion junto c/ o shaper Crivella, e quando a Anti começou a virar moda, desfez a parceria e criou a Necrose Social.

Somente na década seguinte surgiram nos EUA as primeiras grifes voltadas p/ a gurizada que pegava onda mas também andava de skate, e que curtia hardcore em vez de pop australiano. As californianas Volcom & ...Lost! começaram alternativas e atualmente são multinacionais c/ equipes gigantes. O jogo se inverteu e o mainstream absorveu a rebeldia. Até a veterana Billabong tem uma linha de bermudas c/ nomes de bandas: Metallica, Red Hot Chili Peppers, Wolfmother...

SATÃ SURFNo Brasil, a carioca Que! Life Style marcou o início dos anos 2000 c/ seus premiados filmes na linha do Taylor Steele: nova geração voando p/ todos os lados ao som de HC EMO... Recentemente, a marca Vibe promoveu o maior campeonatos de aéreos do país, premiando a melhor manobra – um 540 BS air do catarinense Riquinho – c/ $3.000 reais.

A equipe nacional da MCD é formada por surfistas tatuados e roqueiros: Bronco, Fanta, Cássio Sanches, James Santos, Binho Nunes etc. “A galera que trabalha lá é ligada em arte, comportamento, e por coincidência todos têm tattoos dos pés à cabeça, melhor impossível, pois lá não me sinto um peixe fora d’água”, diz Binho [foto]. Além disso, a MCD promove eventos como o LAB e o Manifest, e também apóia este ilustre blog que você lê agora.

Na Califa, marcas como Wrong e Azhiaziam representam o underground. Nenhumas dessas, no entanto, é tão esquisita, bagaceira & satânica quanto a Weird, de São Paulo. Seu time de surfistas é amador e basicamente aerialista, seu marketing é tão agressivo quanto pornográfico, e seu envolvimento c/ a cena metal/hardcore é total – patrocinam Jão, do RxDxPx [foto acima], e mais umas 10 bandas infernais. Se o diabo é pai do rock, ele é padrinho da Weird.

DIRIJA E JOGUE FORA

No início do ano comprei uma calça na loja virtual, modelo Vigarista do Petróleo, e junto recebi o DVD Drive’ n’Throw-Up, um filme de surf cuja estrela é um kombão punk. “Colocamos 8 desgraçados durante 1 mês numa Kombi caindo aos pedaços do ano de 1978, c/ motor de fusca 1500 enferrujado retirado de um saco de lixo, e mantendo uma alimentação precária durante todo o trajeto, que foi de São Paulo ao Rio de Janeiro, e em seguida de volta ao Sul até Santa Catarina”, explica Santi, idealizador do projeto. “6.000 km c/ o mínimo de segurança automotiva possível!

O filme tem sexo c/ boneca inflável, cultura freak e roubadas na estrada. No surf, Rodrigo Generick, do Guarujá, rouba a cena voando nas ondas, domando cavalos, quebrando o braço e bebendo mijo. “Retiramos as carcaças imundas de nossos tricksters do sofá c/ a intenção de mostrar um filme real da qualidade das ondas, hospedagem, e cultura que nosso litoral oferece, e mostrar ao mercado uma realidade dos surfistas brasileiros, que têm pouco incentivo, e ainda assim, tocam-se em evoluir o esporte tanto dentro quanto fora d’água.

Santi já está tocando o novo projeto da Weird, o documentário Darkside. Entre takes de aéreos rodando e moleques se autodestruindo, ele respondeu algumas perguntas:

VLB > Você é o dono da Weird?

W > O dono da Weird é Satã, eu apenas sou um coadjuvante.

VLB > Como e quando surgiu a marca?

W > Fazem uns 6 anos... Surgiu de uma simples idéia: fazer a marca mais ASQUEROSA do mercado. O negócio evoluiu, e podemos ver como existe público para o asco.

VLB > Quais são as influências e inspirações?

W > Moda urbana agressiva como um todo – desde stencil de expressão artística, bandas de punkrock oldschool, heavymetal anos 80 e 90... Acho que temos uma geração grande de pessoas que fazem alguns anos estavam escutando o CD do MetallicaKill'em All’ e pensando: nem tudo está perdido!

VLB > DRIVE’N’THROW-UP lembra um pouco aqueles The Decline e What's Going Wrong da …Lost!...

W > Sim, os filmes da ...Lost! sempre influenciaram nossa linha pois crescemos assistindo essa linguagem. Aliás, toda nossa infância foi fortemente influenciada pelos americanos: MacDonalds, Reebok, Rambo, Goonies, e por aí vai! Lavagem cerebral no 3º Mundo, hehe...

VLB > A Weird só patrocina moleques aerialistas. Vocês são pedófilos fetichistas?

W > Exatamente, mas acredito que eles gostam!

VLB > Qual era a idade dos fedelhos que estrelam o Drive’n’Throw-Up na época em que o filme foi feito? Parecem todos menores de idade... Vcs tiveram que pegar autorização dos pais p/ levá-los na estrada?

W > O pai do ‘Genériko’ por exemplo trocou um cavalo da família por uma fita k7 de sertanejo... Não acho que ele tenha muito problema em ver seu filho conhecendo o Brasil em uma kombi velha! Mas a resposta é sim, foi uma autorização informal dos responsáveis. Além do mais eles parecem menores do que realmente são, acho q em media tinham 18 anos já.

VLB > O Generik bebe mesmo mijo naquela cena? E aquelas performances de ‘cowboy’ em rodeio? O moleque cresceu na roça ou o quê?

W > Ele bebeu mijo realmente... e ninguém sabe de onde vieram os dotes de cowboy! Ele simplesmente montou no animal e se deram bem.

VLB > Vou tentar limpar a barra de vcs: pelo menos lá no Sul rolaram umas minas, certo?

W > Digamos que provavelmente parte da verba do filme será destinada para pagar pensão...

VLB > Na real a estrela do filme é a Kombi, né. O estilo punk moicano que vcs aplicaram nela e o lastimável estado de conservação da bagaça não deu merda em nenhum posto da Polícia Rodoviária, não?

W > Fomos parados apenas umas 4 vezes... Não tivemos grandes problemas, pois a Kombi tinha documentos e etc. Ela só deu trabalho na parte mecânica... Era estressante ver aquela lata velha desistindo de andar!

VLB > Além da nova geração do surf, vcs patrocinam atletas de outros esportes e umas bandas tb, né?

W > BMX - Wake - Skate - bandas e por ai vai: Etam Paese, Cristian Muller, Alan Fendrich, Tiago Arraes, Felipe Sapulha, Caetano Vargas, Petterson Thomaz, Allan Trasher III estão no batalhão aquático. Temos no skate Hélio Matos, Luciano PT (‘Punker’) e Loriato... no BMX, André Jesus. E bandas temos Jåo do Ratos de Porão, Presto?, Questions, Severah, Your Fall, Mindflow, Through the Storm, Drown in Ashes, Claustro Burial, e outras.

VLB > E a parceria c/ a Azhaziam?

W > Temos uma amizade com o Mike da Azhi, desde que a Weird iniciou-se. Começamos praticamente juntos e passamos por muitas coisas parecidas. Gostamos de nos sentir parceiros e representando o surf aerialista na América Latina enquanto a Azhiaziam manda bala no Norte.

VLB > Vcs inauguraram uma loja este ano, estão c/ novo projeto gráfico no site... Vão virar playboys?

W > Gostamos de pensar que conquistamos a independência, passando de uma marca de amigos p/ um incômodo ao mercado da moda! Nossa pretensão é levar o lixo ao luxo e manter sempre uma linha de pensamento e linguagem em torno da marca Weird.

VLB > O que é mais metal/HC: power surf & ondas grandes ou air tricks & Toni da Gatorra?

W > Ler livros, ser nerd, e não surfar & pagar de surfista... Mas quando surfar, entrar na água para praticar e não para se divertir. Acho q essa é a diferença número 1 em nossa equipe. Skate on water!

VLB > E vc, Santi, tens a manha de mandar uns vôos e voltar na base?

W > Meu surf é lamentável, meu estilo é feio e meus aéreos são baixos.

FAILURE BY DESIGN

Sadomasoquismo é Weird

Christian Muller num kerrupt-no-hands...

...p/ faturar $500 pratas no VQS tour

Santi, o tatuador Chris Name e um tal de Phil Anselmo

Etam Paese mandando um crooked no bowl

clientela VIP no showroom da marca

O FILME NÃO POSSUI AS MELHORES MANOBRAS JÁ FILMADAS, E NEM PRETENDEMOS ISSO, MAS SIM A TENTATIVA DELAS DURANTE O MÊS DE JULHO. Weird, 2007

video

5 comentários:

fabio" binho "nunes disse...

Acho q ninguem exceto eu e vc sabemos quem é Phil Anselmo, por falar nisso escuta a nova banda dele, ela se chama Down, ele canta com os caras do Corrosion of Conformity nas guitas, é pesadão e bom.
Procura por Down no Download festival, festival sinistro que rola em Londres....acho que tem no youtube.

Movimento Core sempre!!!!!

Abrax

Yara disse...

Obrigada!
Adorei o seu blog!
Muito legal!
Beijos

Titof, disse...

hail to the king! phil anselmo! depois do pantera gostava mais do superjoint ritual mesmo... mas sobre weird so uma frase... ave satan

SAINT disse...

ANIMAL

Anônimo disse...

Binho, todo mundo sabe quem e phil anselmo e o down nao e novo e de 1995.