quinta-feira, novembro 26, 2009

THE SNIPER A temporada havaiana já começou e o local Joel Centeio largou na frente, ao vencer a 1ª prova da Tríplice Coroa. Todo ano é a mesma coisa: no mês de novembro o circo do surf desembarca na ilha de Oahu, a maior do Havaí, onde são realizadas as etapas finais do circuito mundial. O Hawaii é considerado a Meca do Surf – comparação que seria mais apropriada à Indonésia, país muçulmano que abriga a surfistada em seus tubos de maio a setembro. Mas na temporada de ondas grandes, que vai de novembro a março – inverno do Hemisfério Norte – , competidores, big riders e wanna-be’s de todo o mundo dirigem suas orações às ilhas havaianas, onde estão Sunset, Pipeline e Waimea, santíssima trindade das ondas.
Stephan Figueiredo tem essas 3 ondas no pé, e muitas outras. Freqüentador do Havaí desde os 16, este carioca de 28 anos montou sua base em Sunset Beach, onde mora desde 2008. Ao contrário dos Tops do WCT, WQS, e da maioria dos brasileiros – que costumam deixar as ilhas antes da virada do ano, logo após a Triple Crown – Stephan só sai de seu cafofo estrategicamente localizado p/ surfar as rainhas planeta afora. Caçador de swells, viajou este ano p/ o Tahiti, Chile, México, passou pelo Brasil, e está de volta ao lar [havaiano] desde julho. Foi capa da edição de aniversário de 20 anos da revista Hardcore em maio, e é destaque na última edição da revista Blackwater, numa matéria onde descreve 4 das suas escolhidas: Pipeline, Teahupoo, Puerto Escondido e El Gringo.
Free surfer por opção, profissional por vocação, Stephan é o melhor tube rider brasileiro junto a Bruno Santos [campeão em Teahupoo ano passado, lembram?]. Trilhando um caminho diferente do amigo de Niterói, que compete no Super Surf e WQS em busca da vaga no WCT, o ‘galego’ da Barra da Tijuca desencanou dos campeonatos há muito tempo, desde que descobriu que seu barato era pegar onda sem compromisso de formatos, fosse de pranchas ou de abordagens. Seus gostos são alternativos: “Eu escuto muito rock, não muito pauleira, mais anos 70 mesmo. Poderia dizer que minha discografia é basicamente Pink Floyd e Raul Seixas. Pra complementar escuto Linda Perry (4 Non Blondes) e Maurício Baia (Baia & Rock Boys), Raimundos e mais um monte de música brasileira.”

Seus filmes favoritos são Shelter e Fábio Fabuloso. “Gosto muito das produções do Jack McCoy e do Rafael Mellin. Existem inúmeros filmes de alta performance bons, principalmente os produzidos pelo Taylor Steele e Gustavo Camarão”, disse ao site do Rico:
Outro brasileiro que faz um trabalho bem legal é o Pablo Aguiar, o filme Simples Olhar
foi o último de surf que vi, gostando bastante.
” O vídeo citado é um belo trabalho de fotografia, trilha sonora, pós-produção e surf moderno em locações improváveis, como Malásia e Alemanha. O clip de encerramento é protagonizado por Stephan em tubos intermináveis no paradisíaco e afiado recife de Desert Point, na Indonésia. Ele dichava essa onda internacional c/ alto grau de dificuldade usando uma fish, tipo de prancha recomendado p/ marolas inofensivas.


DIVERSÃO É SOLUÇÃO SIM
Surgido no final dos anos 90 como uma promessa no surf em ondas grandes e tubulares, fama adquirida em viagens à Indo ou pegando a melhor do dia num Pipe apinhado de gente no ápice da temporada, ‘Fun’, como é conhecido, abandonou as baterias assim que se profissionalizou, c/ 18 anos, mas se viu forçado a voltar às competições quando perdeu o patrocínio da marca havaiana que o apoiava. Numa época difícil, em que garantia a grana do aluguel c/ subempregos tipo figurante da Rede Globo, ele venceu um campeonato de aéreos no quintal de casa, contra especialistas em vôos como Marcos Sifu, Robson Santos, Daniel Cortez e Léo Hereda, e competidores da nova geração: Martins Bernardo, Eduardo Rollins, Jorge Spanner…

No mesmo ano [2004], classificou-se p/ o Super Surf, onde se manteve até descolar os atuais patrocínios, que o liberaram p/ se expressar da maneira que quiser. “Eu vivo exclusivamente do surf e pra que isso aconteça, tenho de agradecer aos meus patrocinadores, que são a MCD e a Globe, além do apoio da CT.” C/ o Fun não tem tempo ruim. Recuperando-se de um tímpano estourado no 1º swell da temporada, Stephan tem postado seus vídeos – os que ele estrela e os que ele mesmo filma e edita – no blog FUN in somewhere: “No início do mês furei meu tímpano surfando em Pipe. Peguei uma onda de uns 4’, botei p/ dentro do tubo, só que fiquei meio ‘deep’, pulei e bati c/ o ouvido na água. Quando levantei tava tudo girando. Aí um cara que tava do meu lado quando levantei me empurrou na espuma da onda e quando eu cheguei na areia o ‘lifeguard’ já estava me esperando p/ me socorrer. Final das contas, vou ficar em torno de 1 mês fora d’água.” Enquanto isso, mantém a forma c/ yoga, pilates, bicicleta e caminhadas na praia. Em condições normais, somam-se a essas atividades natação, kite surf, stand-up paddle e mergulho.
O californiano Rob Machado, vicecampeão mundial em ’95 e ídolo de gerações, passou 1 ano na Indonésia apenas surfando e convivendo c/ os locais, numa espécie de busca pelo “sentido da vida”. Deixou o cabelo crescer [ainda mais], comprou uma moto velha e ajudou em obras de construção: “Estive flutuando por aí, ouvindo o som da respiração e das batidas do coração, contemplando as nuvens que passam, errando pelas correntes”, escreveu o poeta em seu diário. Machado tem 36 anos, é patrocinado pela Hurley, uma subsidiária da Nike, e abandonou as competições em 2001 c/ o ego ferido após ser eliminado do WCT num ano atípico. Sua jornada “soul” na Indo virou o documentário The Drifter, lançado nos EUA em outubro e candidato aos principais prêmios do ramo.

É fácil entrar numas de Jack Kerouac e pagar de motoqueiro roots c/ a carteira recheada e sendo filmado 24 horas por uma equipe de Hollywood. Easy rider mesmo é o Stephan Figueiredo, que é do 3º Mundo, mora no Havaí c/ a namorada & sua moto envenenada, e viaja pelo globo fazendo o que mais gosta: surfar ondas grandes, perfeitas e tubulares. Se Machado é “o errante”, Fun é “the sniper”, o atirador de elite “que escolhe e acerta a vítima”, como ele mesmo se define na entrevista exclusiva concedida ao Viva La Brasa. P/ esse cara, diversão é Banzai Pipeline e Jaws 20’.

ON NOV 12, 2009, AT 6:57 AM, ADOLFO S WROTE:
Você tem algum parentesco c/ o ex-presidente João Figueiredo?
Olha, até já perguntei lá na minha família se ele fazia parte da nossa árvore genealógica, mas nem faz. Na verdade meu sobrenome é "de Figueiredo", mas acabo usando só o Figueiredo nos campeonatos, no começo minha família falava que esse não era o meu sobrenome, mas acabei deixando mesmo assim.
O que é melhor: fazer sexo ou pegar tubo?
O que é melhor?!?!?.. hummm, tá difícil!!!! Isso depende do momento que se está passando... Mas se tivesse que escolher ficaria com o tubo sem dúvida. Será!??!?!?!?!?
Ih, rapaz, vai começar a entrevista apanhando da namorada...
O nome dela é Camila Pires. Ela é parceira, só fortalece a firma.
***
Com qual idade começou a surfar? Como foi?
Eu comecei a surfar com prancha de surf aos 8 anos. Antes disso eu ia para praia com um morey que me deixava todo assado, era muito engraçado!!!! Eu morava no Riviera, um condomínio na Barra da tijuca, e sempre que eu ia a praia via a galera pegando onda de surf... Foi chegando perto do meu aniversário, meu pai me perguntou o que eu queria, aí falei para ele: um videogame (na época era um Master System) ou uma prancha de surf... Quando cheguei em casa da escola tinha a prancha em cima da cama... Melhor impossível!!!
Quais seus principais títulos quando amador?
Títulos acho que não tenho nenhum... heheheh!.. Mas obtive bons resultados, venci campeonatos no circuito carioca e no brasileiro. Como amador tenho na cartola a primeira nota 10 unânime da história da Abrasa [Associação Brasileira de Surf Amador, hoje CBS – Confederação Brasileira de Surf], claro com um tubo!!!!!
***
Você é da mesma geração do Raoni Monteiro, Pedro Henrique, Bruno Santos, e disputava os campeonatinhos c/ esses feras qdo era moleque. Ainda havia o Grillo, o Pigmeu, o Marcondes na sua categoria do circuito brasileiro...
Eu literalmente cresci com eles, nós surfávamos muitas baterias juntos, dos 13 aos 18 anos ainda como amador. Tb tinha o Gustavo Fernandes, Léo Neves, Eric Rebiere, Anselmo Correia, Phil Rajzman e muitos outros. Foi um tempo em que havia muitos bons surfistas amadores no Rio, que se profissionalizaram e tiveram sucesso nas suas carreiras. Já pelo Brasil acabei disputando poucas baterias com esses surfistas, mas tive oportunidade de viajar com eles pelo Brasil e pelo mundo.
Você e o Bruno Santos têm muitos pontos em comum: ambos são cariocas, têm a mesma idade, mesmo tamanho e são goofy footers especialistas nos tubos em ondas grandes. O Bruno é local de Itacoatiara, uma das ondas mais tubulares do país. E sua escola, qual foi?
O Bruno é muito mais anão que eu, eu sou quase um gigante do lado com meu 1,71 m e 65 kg. Eu aprendi surfar na Barra da Tijuca e minha escolinha foi o Postinho, lá era sempre onde rolava os tubos e as maiores ondas abrindo, cresci vendo o Marcos Brasa [campeão carioca nos anos 80] surfar e também meu amigo André Gioranelli, sempre que o mar subia e rolava os tubos era uma pilha um no outro, sempre para pegar a maior e melhor onda, era muito legal, uma disputa saudável entre moleques.
O BS prefere usar pranchas pequenas p/ entubar nas bombas. O que vc acha dessa opção?
É muito mais bonito ver o cara surfando com uma prancha pequena, pois ele tem que surfar sempre no seu limite e no da onda, consecutivamente é muito mais difícil. Atualmente tenho diminuído o tamanho das minhas pranchas, pra surfar mais no meu limite. É um desafio pessoal e que lhe faz ficar mais instigado ainda de surfar.
Falei das semelhanças, mas uma grande diferença na carreira dos 2 são as participações do Santos no WCT, primeiro correndo as triagens,depois competindo como convidado no Pipe Masters e no The Search do Chile, até a histórica vitória em Teahupoo, ano passado. Você já chegou a correr algum desses trials [Pipe, T-poo...]?
Eu cheguei a correr uma triagem em Teahupoo só que competi em 0.5 metro de onda e uma em Pipeline onde cheguei a passar pelo Conan Hayes num mar com 4-5 pés bom, fiquei amarradão. Na outra já peguei um mar mexido e perdi. Não gosto de competição, não fico amarradão quando visto uma lycra de competição.
***
Você passou todo o ano de 2008 no Havaí. Voltou ao Brasil no início deste ano, viajou por alguns países e retornou a Oahu em julho. Pode-se dizer que você mora no Hawaii?
Sempre que me perguntam onde eu morava, ficava na dúvida também, passo tanto tempo em lugares diferentes que o único endereço que tenho é o de e-mail. Só que agora como minha namorada está morando aqui, posso dizer que moro em Sunset Beach no Hawaii.
São quantas temporadas, ao todo?
Venho desde a temporada 97/98, só que teve duas delas que infelizmente não pude vir por falta de patrocínio. Pelas minhas contas essa é 11º temporada.
Com que idade chegou aí pela 1ª vez? Qual foi a sensação?
Cheguei aqui pela 1º vez com 16 anos. Vim com o Goró [o bodyboarder profissional Alexandre Varella] e o Anselmo Correia [vicecampeão brasileiro Super Surf 2003], éramos da mesma equipe [Cyclone]. Quando chegamos aqui pela primeira vez é mais que um sonho realizado, sentimos e passamos por muitas coisas, a gente fica perdido, com medo, adrenalizado, fissurado, amarradão...Todo surfista cresce sonhando com o Hawaii, somos bombardeados de notícias sobre o Hawaii, então muita coisa passa por nossa cabeça.
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Quando foi que começou a se destacar nos tubos? E qdo descobriu q. tinha gosto pelas morras?
Nos campeonatos sempre achava uns tubos e fazia uma nota 10 ou boa, desde a época de amador. O gosto pelas ondas grandes acho que foi desde sempre, mas sempre no meu limite. E sempre quando o mar subia era aquela instigação entre os amigos, para conseguir entrar no mar e pegar mais ondas.
Com que idade virou profissional?
Competi até a categoria Junior, 17/18 anos, nessa época comecei a viajar mais pelo mundo e vi realmente o que eu gostava: mais dos desafios pessoais, surfar um tubo melhor, pegar uma onda maior. Com 22 anos fiquei sem patrocínio e fui obrigado a voltar as competições, agora como profissional para conseguir um lugar ao sol.
Imagino que vc venha de uma família classe média, no mínimo. Como seus pais reagiram qdo vc optou por ser surfista em tempo integral?
Até os meus 15 anos, minha família tinha um condição boa, mas aos poucos as coisas mudaram e até hoje não tenho mais moleza, tudo que tenho e faço é fruto do meu trabalho. Meus pais sempre me apoiaram, principalmente meu pai, já minha vó era um saco, vivia falando para eu estudar. Até então tudo bem! Mas quando eu fiquei sem patrocínio por mais de um ano, e eu já não sabia mais o que fazer, meu pai me chamou para conversar e falou para eu tomar uma decisão na minha vida: “Dá o gás no surf ou volta a estudar”. Não pensei nem 2 vezes!!!!!!!
Chegou a cursar alguma faculdade?
Terminei o segundo grau com muito esforço. As coisas mudaram bruscamente na minha vida. Ou eu estudava ou surfava. Tinha que viajar, surfar, morava longe da praia, não tinha dinheiro, então frequentar uma escola ficava difícil, mas no fim das contas terminei o segundo grau.
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No início da carreira, vc passou um tempo sem patrocínio. Como fazia p/ viajar pro exterior e se manter na cena?
Fiquei 2 temporadas sem vir ao Hawaii ou fazer uma viagem internacional. Aconteceram muitas coisas, estranhas e engraçadas. Na verdade comecei a sumir do mercado.
Já passou muita roubada por falta de grana?
Já não recebia um centavo dos meus pais desde os 17 anos. Na época que eu estava sem patrocínio eu não tinha um puto no bolso, foi sinistroo!!!!!!! Contei muito com a ajuda dos meus amigos, para me manter surfando, ter onde dormir e comer e correr alguns campeonatos, eles que me patrocinaram durante um tempo. Isso que ainda trabalhava de juiz em alguns campeonatos amadores e de figurante em novelas e programa da Xuxa... hahahah, tem que rir, isso foi engraçado!!!!!
O Lost Air Simulator em 2004 foi um divisor de águas p/ vc, certo? Fale sobre aquele campeonato e sua vitória, inesperada até certo ponto. Como foi o convite? E sua confiança durante a competição, cheia de especialistas em aéreos?
Esse campeonato rolou no meu quintal da minha casa, usei o meu conhecimento da onda e do vento a meu favor e deu tudo certo. Eu não estava nem um pouco preocupado com quem estava surfando no evento, eu estava muito à vontade, tinha muitos amigos meus lá. Lembro que aqueles dois dias do evento foram muito bons e que várias coisas legais aconteceram para mim.
Na época vc disse que iria p/ Puerto Escondido c/ a grana da premiação...
Caramba, eu disse isso mesmo! Lembro que queria muito, mas não sei o que aconteceu que acabei não indo, acho que acabei pagando umas dívidas, isso sim!!!!!
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No ano seguinte vc participou do Super Surf, onde chegou a perder baterias mesmo marcando nota 10. Como vc se classificou p/ esse circuito?
O ano anterior (mesmo do Lost Air Simulator) eu corri o Brasil Tour inteiro pela 1º vez e me classifiquei pro Super Surf . No ano seguinte corri o Super Surf e o Brasil Tour, me classifiquei pelo Brasil Tour novamente. Tive uma performance legal nessa bateria contra o Mineirinho em Maresias, fiz uma nota dez mas acabei perdendo, mas foi bem legal!!! Só que na verdade eu tinha voltado a competir porque estava sem patrocínio, não foi porque eu queria, competição nunca me satisfez, mas naquele momento da minha vida eu precisei.
Quais sãos seus principais ‘títulos’ pro?
Hahahahah! Não tenho, mas quem sabe um dia... Ainda terei um.
Lembra do último campeonato que correu?
O último campeonato foi ano passado no Arpoador [RJ], acho que uma etapa do Brasil Tour. Eu estava lá no Rio e aproveitei para rever os amigos e lembrar como era vestir uma lycra....Urgh!!!!!!
Como é sua relação c/ as competições hoje em dia?
Esse formato de campeonato que temos hj não me agrada participar, não sinto prazer em competir, ainda mais que as condições do mar estão 90% ruins. Tô com umas ideias legais junto com outro amigo em relação a montar uns campeonatos em um outro formato, quem sabe não conseguimos concretizar e fazer algo mais dinâmico e mais legal para o surfista e o telespectador.
Você acha que o Mineirinho será campeão mundial nos próximos 3 anos, como previu Ian Cairns no Surfline?
Olha, estou torcendo muito por ele, é um surfista concentrado, determinado e tá no caminho certo para isso. Ele evoluiu muito o surf dele em onda de condições boas e pesadas. O título dele vai ser fruto de um trabalho de longos anos.
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Só neste ano vc já esteve no Tahiti, Chile e México. E está de volta ao Havaí. A gente vê muito surfista profissional RECLAMANDO das viagens. O que vc acha de viajar – e ainda ser pago p/ fazer o que gosta?
Eu só tenho a agradecer, amo muito o que faço e batalhei muito por isso, não tenho que reclamar, sempre sonhei em viver do surf. Tem seus lados negativos como em qualquer profissão, o que é normal.
Você já foi patrocinado pela Da Hui... Tem algum amigo Black Trunk?
Fui patrocinado durante 3 anos. Conheci uns black trunks, falo com alguns deles até hoje, mais não são meus amigos e tá difícil desses caras terem amigos, principalmente brasileiros.
Agora que vc já tá ‘local’, deve ser mais fácil encarar o crowd em Pipeline. Mas como foi nas 1ªs temporadas? Boiava muito até sobrar uma p/ vc? Algum havaiano já embaçou seu lado?
No começo a gente não sabe de muita coisa, quem é quem, como posicionar, e qualquer onda que nós surfamos é a melhor de nossas vidas. Eu respeito a galera, espero minha vez e quando chega na minha vez eu vou. Já tive alguns problemas, o maior deles na marola em Rocky Point no 1º ano que fui, mas não deu em nada!!!! Mas hoje em dia já conheço a maioria dos surfistas que estão sentado no outside, então fico mais tranquilo para pegar as ondas!!!!
Como é a vizinhança aí no Havaí? O bairro em q. vc mora é tipo "town" ou tipo "country"?
As pessoas aqui são meio fechadas, até conheço uns vizinhos, mas nunca vai ser que nem no Brasil, é impossível se sentir em casa aqui. Eu moro em Sunset Beach no North Shore, da minha casa posso ir andando ou de bicicleta para a maioria dos picos.
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Graças a seu talento, você pode se dedicar somente ao surf, mas a maior parte dos brasileiros que mora no Havaí tem que se virar em trampos de pedreiro, peão de fazenda, ou salva-vidas na melhor das hipóteses...
É, desde que entrei na MCD as coisas melhoraram e muito para o meu lado, mas nem sempre foi assim!!!!!!!
Os pros brasileiros costumam fazer seu pé de meia c/ a premiação dos campeonatos, já que normalmente os salários mal cobrem as despesas de viagens e subsistência. Como vc se prepara p/ o futuro? Ou não se preocupa c/ isso e apenas deixa as coisas acontecerem?
Eu sempre fui um cara que olha para o presente, nunca fui muito de me preocupar com o futuro. Acho que se vc faz um bom trabalho no presente, vc só terá coisa boa para colher no futuro.
Quando está no Brasil, vc cai na laje do Sheraton [praia do Vidigal/RJ] sempre que dá onda lá?
Sempre que estou no Rio e que tenho a oportunidade de surfar lá eu vou, é um dos poucos picos no Brasil em que se pode surfar ondas com mais de 3 metros e ter uma performance. Uma das primeiras vezes que vi aquela onda foi de uma foto do Rick Werneck onde o Rodrigo Resende dropava uma bomba.
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Qual é o melhor tubo: Teahupoo ou Pipeline? Ou os melhores tubos estão mesmo na Indo?
A melhor é Pipeline, porque lá tive os melhores e piores momentos dentro d'água, talvez se eu tivesse frequentado Teahupoo tantas vezes poderia achar lá melhor. Mas para quem quer só passear na onda, curtir um tubo tranquilo, não há nada como a Indonésia.
E a pior vaca?
A última foi ano passado. Peguei uma onda em Pipe de uns 8 pés, achando que ia me dar bem e na hora que comecei a cavar, vi que ela começou a fechar, e na hora que botei reto a onda fechou e o lip quebrou em cima da minha cabeça. Na hora que tomei a porrada fiquei todo dormente, achei que fosse apagar e me machucar muito feio, a onda estava muito buraco. Mas quando levantei vi que estava inteiro e só tinha me arranhado um pouco no fundo e quebrado a prancha. Sai da água achando que estava muito no lucro de sair inteiro.
E Jaws? Como foi q. vc começou a cair lá? Já tinha feito tow-in antes?
Fui para Jaws em fevereiro de 2008, surfei um dia em que o mar estava pequeno (20 pés) para os padrões de lá. Usei equipamento emprestado e eu nem tinha muita experiência pilotando. Peguei algumas ondas, foi legal, deu para sentir que quando fica grande o negócio é sério, tem que estar com equipamento bom, pois qualquer vacilo você vai passar um perrengue terrível.
Quem é seu parceiro no jet ski?
Tenho treinado com uma galera diferente o tempo todo para ganhar experiência, no começo treinava muito com meu amigo Rafael Paiva no Rio, agora tenho treinado com a Maya Gabeira, Luiz Fernando e Pato no Hawaii.
Como vc monitora os swells?
Eu checo em vários sites, normalmente quando quero checar o globo inteiro eu uso o wetsand.com, aí dependendo para onde o swell está indo e eu quero checar mais especificamente onde vai entrar o swell, uso o windguru.com, stormsurf.com ou magicseaweed.com, e quando estou no Brasil olho todos os sites de surf para ver as previsões.
E tow-at, o q. vc acha?
É um segmento do surf que ainda vai evoluir muito, tem muito a ser explorado, acho que em breve a galera vai estar mandando umas manobras áreas muito animais.
***
Tô sabendo q. vc tá viciado em Call of Duty. Sempre curtiu videogames?
Gosto muito de videgame, mas fazia bastante tempo que não achava um jogo que eu curtisse, até que ano passado experimentei o Call of Duty Modern Warfare para o MAC e me viciei em jogar on-line. É bom quando não se tem nada para fazer, mas quando tem algo para fazer acaba te atrapalhando!!!!!!
Você toca mesmo bateria? Podia ser o batera reserva dos Bife Killers, hein?
Olha, eu sou frustrado quando o assunto é música. Amo muito música, curto demais, só que nunca consegui tocar nenhum instrumento, já tive de tudo que é instrumento desde criança, mas nunca tive talento para o assunto. O máximo que vou fazer dentro da bando vai ser carregar os instrumentos.
E a motoca? Qual o ano, modelo e cilindradas? Fale sobre sua relação c/ ela...
Moto... nossa, adoro falar, ver, escutar e andar. Quando eu era mulequinho lá pelos 10, 12 anos, meu pai tinha um sítio e lá eu tinha herdado uma moto do meu irmão mais velho. Uma motinho Honda de 3 marchas estilo custom, com certeza foi aí que começou toda paixão... Aquela moto era tudo para mim, até que um dia emprestei a moto para um amiguinho meu dar uma volta e o retardado conseguiu bater na árvore com a moto e empenar a roda, depois disso nunca mais a vi de novo. Aí só com 25 anos tive a oportunidade de comprar uma moto novamente. Quando resolvi ficar aqui no HI direto eu resolvi pegar uma moto aqui, peguei uma Harley Davidson 08 modelo Sportster Custom 883 cilindradas, uma máquina!!!!!! Cuido como se fosse minha filha: dou banho, carinho, levo para passear, recebe tratamento vip dos melhores. Andar de moto te dá muita sensação de liberdade e não há nada melhor na vida!!!!
Você andava de moto qdo tava no Rio?
Tenho no Rio uma Virago 250 99, um beleza para o dia-dia da cidade grande. Adoro ela, me deu e me dá muita felicidade, tem muita história!!!!!! só trocaria ela para pegar uma moto que eu pudesse viajar, mas mesmo assim terei que me apaixonar pela outra, senão não troco.
Já caiu?
Nunca caí, já passei uns pequenos sustos e sei que o perigo existe. Sei que não depende somente da nossa prudência dirigindo, mas não vou deixar de fazer o que gosto por causa dos outros.
***
Você é surfista, mergulhador, vive no mar, e qdo está em casa [RJ] gosta de fazer trilha na pedra da Gávea. Ou seja, é um cara que curte estar na natureza. Como te atinge o aquecimento global? Vc acha que paraísos como Fiji e Maldivas têm alguma chance? [estimativas prevêem que as Maldivas estarão completamente inundadas em 50 anos, e Fiji em 100]
Olha, li uns artigos sobre isso mas nunca fui muito fundo nesse assunto especificamente.Mas uma coisa é certa, todos nós que vivemos ligados a natureza diretamente, podemos perceber várias mudanças. Existe todo um ciclo na natureza, tanto no mar, terra, quanto com os animais, e isso tem mudado ao passar dos anos, aos poucos, só que a maioria das pessoas vivem ocupadas e não tem tempo de prestar a atenção nisso. Daqui a 20 anos vamos olhar para trás e ver que mudou muita coisa, mas como o ser humano se adapta a qualquer condição, o futuro vai ser normal para os homens presentes.
A sua temporada havaiana vai até quando? E depois, qual o roteiro?
Vai até março/abril, daí já vou para algum lugar. Roteiro eu não tenho, vou fazendo de acordo com que me convém de melhor, pode ser Austrália, Indo, Tahiti, Brasil. Espero que seja um lugar novo para mim.
Vc tá sempre raspando a cabeça, tem a ver c/ jiu jitsu ou coisa do tipo?
Nada, nem nunca treinei, tenho muitos amigos meus bons no jiu-jitsu, faixa preta e campeões do mundo, mas sempre tive medo de me machucar treinando. Eu já fui cabeludo, mas depois que raspei nunca mais deixei crescer, me sinto melhor careca.
Podemos te considerar um homem-bomba?
Homem-bomba não!!!!! Esse é suicida, detona com todos e não acerta o alvo, talvez um "sniper" que escolhe e acerta a vítima... hahahha!
SURF FOR FUN
ARSENAL P/ ENCARAR QUALQUER PARADA
BANZAI PIPELINE, A ONDA FAVORITA

SURFANDO A 'FOAM BALL' EM TEAHUPOO
CURTINDO UM DIA DAS 'PEQUENAS' EM JAWS
EM PLENO VÔO: NEM SÓ DE BOMBAS VIVE O HOMEM
BORN TO BE WILD: ESTILO CHICANO & HARLEY-DAVIDSON

10 comentários:

fabio" binho "nunes disse...

Animale Brasa essa entrevista, melhor do que qualquer entrevista de revista de surf, isso é uma entrevista decente, vc conhece um pouco da História do cara de verdade.
Esse é o cara, muito soul e vibe total, meu parceiro de mili anos.
Vida longa ao Fun e sua jornada pelo mundo afora!!!!!

abrax

DSC disse...

muito boa entrevista.....parabéns ao fun e ao blog...aloha GD

MaiNe disse...

Essa entrevista realmente quebrou a bateria!! ANIMAL!! Até tinha pensado em fazer umas perguntas para o Fun nesse início de temporada havaiana, mais depois dessa, sem chances!! Só mesmo pedindo autorização pra republica-lá daqui a algum tempo lá no meu. Pode ser?! PARABÉNS!!

Viva La Brasa disse...

Já é, MaiNeLand.
É noizzz @

MaiNe disse...

Valeu Irmão!

Mais uma vez "MATOU A PAU!!"

Mahalo

Branca Gil disse...

Funtástico!
te amo gillll

guilherme "guilhota" disse...

animal a entrevista, mandou bem braza.
Agora, o fun dizer que nao treina jiu jitsu com medo de se machucar é piada né? o cara boa pra baixo nas craca de 10 pés em Pipe porra! haha

o cara é um ídolo, vida longa aos soul surfers!

onec!gar disse...

Muito bom!! Bom demais!! impressos no Brasil não mais...
Obrigado pelo Blog.

Julio Adler disse...

Boa Homem Brasa!
Pena que ninguem imprime isso.
Abrazzo
Julio

revistaPARAFINA disse...

Olá Homem Brasa!

Sou editor da Revista Parafina e por intermédio do meu grande amigo Mario "Maine" Morais descobri essa fogueira de jornalismo musico-surfístico e pirei!

O Júlio Adler têm razão, é uma pena que não se publique isso... Então, eu quero publicar, topas?

Me contate pelo e-mail rodrigo@revistaparafina.com.br e vamos sacudir as coisas. Que me diz my friend?

Ps. O Dino JR. é duca! Sonzeira e é por isso que tenho tudo dos caras!

Abração em nome de todos nós da Parafa.

Aloha!

Rodrigo Oliveira - Editor
www.revistaPARAFINA.com.br