quinta-feira, fevereiro 05, 2009

RENEGADOS Flávio de Abreu é um nome em ascensão no rap nacional. Quer dizer, o nome em ascensão é “Renegado”, alcunha do Flávio desde sua entrada no hip-hop, aos 13 anos. Vencedor do prêmio Hutúz 2008 nas categorias “artista revelação” e “melhor site”, Renegado esteve presente nos estúdios a céu aberto do Periferia p/ gravar uma participação especial no programa que vai ao ar este sábado, às 14H30, na Aperipê TV.
Há 4 meses no ar, o Periferia sempre traz um convidado no banco e outro nas pick-ups. Já passaram pelo programa psicólogas, educadores, esportistas, jornalistas, videomakers, e DJs dos mais diferentes estilos: desde o rap c/ Preto JB, DJ Brasil e W-Jay, passando pelo reggae e raggamuffin c/ Buiú e Shalom, até o rock c/ Adelvan, do Programa de Rock, e Cabelo, do Vanguarda, ambos veiculados pela Aperipê FM. A Aperipê é uma fundação estatal que leva o nome de índios guerreiros sergipanos ancestrais e que tem, nos últimos 2 anos, procurado modernizar sua grade, tanto do canal de TV quanto das duas rádios, AM e FM.
O Periferia é o carro-chefe dos programas jovens da APTV – que conta ainda c/ o Olha Aí, sobre cinema, e o ainda inédito Programa de Rock, adaptação do sucesso da FM p/ a televisão. Há mais de 1 ano vem sendo cogitado p/ a programação fixa da TV Brasil. O piloto chegou a ser exibido em fevereiro do ano passado, mas as negociações nunca se concretizaram. Enquanto isso, vamos tocando o barco semanalmente, contra tudo e contra todos.
“SE ESSA PORRA NÃO VIRAR, OLÊ-OLÊ-OLÁ...”A rebeldia. É o nome do site do Renegado, e é o que vem mantendo o Periferia no ar desde nossa estréia, em 20 de setembro. Passamos por muitos perrengues p/ viabilizar um programa semanal c/ o máximo de conteúdo & o mínimo de infraestrutura. Tivemos que brigar por nossas posições – ideológicas, laboriais, etc. – contra interesses que desvirtuariam a proposta inicial, de mostrar a produção cultural suburbana de gente pobre, marginalizada, que não tem acesso à mídia usualmente. Gente que você não vê na TV.
É comum termos que subir morros e sujar os pés de lama p/ produzirmos nossas matérias. No último sábado foi exibida uma de nossas melhores empreitadas, que demorou meses p/ ser concluída: a reportagem “O que te salvou?”, enfocando 3 personagens que cresceram em favelas e hoje sobrevivem explorando suas aptidões – a cabelereira e rapper Negratcha, no bairro Suissa [assim, c/ 2 "esses" mesmo], o skatista Charles Jr., local do Rosa Elze, e o rasta Moziah, da banda Reação [foto à direita], no morro Santos Dumont. 9 minutos de música, ação e histórias de vida. Quase um documentário.
Matérias extensas são outra marca registrada. Não raro, nossas reportagens principais têm a duração de um curta-metragem. Foi assim c/ as bandas Mente Armada e Guerreiros Revolucionários, dos bairros São Carlos e Bugio; os skatistas Fabrízio Santos e Adelmo Jr., radicados na Califórnia; o sandboarder Nativo, ex-menino de rua; o carioca Chorão 3, da banda Gangrena Gasosa; o evento de graffiti Just Writin' My Name, em São Paulo; a série “Uma Breve História do Rap”; e uma sobre a resistência da cultura do vinil, c/ depoimentos de caras como KL-Jay e DJ Negralha, mas cujo foco foi o colecionador Fúria, de N.Sra. do Socorro.
O CONVIDADORenegado esteve em Aracaju p/ mais um show na turnê do disco Do Oiapoque a Nova York, vindo da Bienal da UNE, em Salvador, e indo p/ Porto de Galinhas, Pernambuco. Ele se apresentou na segunda-feira [26/01] na Rua da Cultura, e no dia seguinte apeou na APTV a convite do Hot Black, nosso apresentador, p/ gravar sua participação especialíssima no Periferia.
Desde 1997 na estrada c/ o NUC [Negros da Unidade Consciente], o Flávio já havia gravado 3 discos antes deste que lhe valeu o prêmio de revelação de 2008: “Sou um rapper que tenta misturar os mais variados ritmos brasileiros ao hip-hop. Tento fugir do clichê do rap que retrata muita violência e crime, e busco trazer uma positividade maior p/ a música que eu realizo, c/ ritmos brasileiros envolventes. Minha idéia é agregar cada vez mais pessoas e valores, como o nosso irmão Hot Black, porque nós estamos formando a rede do hip-hop, tentando dialogar c/ os grupos que estão fora do eixo RJ-SP, p/ que essa rede seja feita na comunhão.”
Ele também está fora do eixo das grandes gravadoras – é mineiro e lançou seu disco por um selo independente. Articulado e gente-fina, foi entrevistado durante 2 blocos e cantou 3 músicas – “Renegado”, “Mil Grau” e “Sei Quem Tá Comigo” – acompanhado de seu DJ, Spider, que também tocou seu set particular. O resultado ficou tão bom que o programa deste sábado é quase todo sustentado pela presença dos 2 – além deles, somente o vídeo de “R&B”, da banda Naurêa, c/ participação do Black nos vocais, e uma versão clipada do documentário Operação Free Jazz, de Matias Maxx.
WITH A LITTLE HELP FROM MY FRIENDSOs colaboradores são o 4º pilar sobre o qual se sustenta o programa. Só do meu amigo Matias, editor da revista Tarja Preta, já usamos os curtas No a La Guerra e Batalha do Real, além de um clipe do Autoramas no Japão. Toni C., diretor do longa É Tudo Nosso, foi cinegrafista nas 2 últimas vezes que o Hot Black esteve em São Paulo. Outro que também já fez câmera pra gente foi o maranhense Beto Matuck, ex-diretor da TV e autor do documentário Orixás. Joana Côrtes liberou a série de reportagens “AI-5 – 40 anos depois”, e Gabriela Caldas e Pascoal Maynard, “Maloca” e “Lateiros Curupira”, respectivamente. Júlio Detefon, editor da revista Ôxe!, é um dos nossos produtores, e sozinho realizou alguns dos melhores trampos, como o perfil do Nativo e a cobertura do nordestino de skate em Imperatriz do Maranhão.
Em março o Periferia entra em outra fase, c/ cenário novo e mais colaboradores ilustres, como Allan Sieber e Júlio Adler, 2 dos meus maiores [anti-]heróis. A seguir, uma palhinha de Renegado & DJ Spider no Periferia. O programa pode ser assistido na íntegra sintonizando o canal 2 em Sergipe, ou acessando o site da fundação – exibição on-line simultânea.
É nóis na fita & us playboy no DVD.
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