quarta-feira, dezembro 30, 2009

1 ANO, 1 MÊS, 1 SEMANA E 1 DIA

O casamento vem do amor, assim como o vinagre vem do vinho.Lord Byron

O casamento é uma cerimônia em que dois se tornam um, um se torna nada e nada se torna suportável.Ambrose Bierce

O casamento é como enfiar a mão num saco de serpentes na esperança de puxar uma enguia.Leonardo da Vinci

AMAR É ou A MARÉ

Os prognósticos não eram animadores. Mas eu não tive muita escolha:

- Adolfo, você não vai me levar no bico!, me intimou minha namorada no início de 2008: - Ou a gente casa até o fim do ano ou eu chuto esse seu traseiro magro e caio fora dessa cidade!

Garota de atitude essa Gil Nogueira. Quando a conheci ela era gerente de uma famosa rede de fast food e tinha uma Honda Biz comprada c/ a grana do próprio trampo. Eu estava desempregado há quase 6 meses, andava de ônibus e não tinha dinheiro nem p/ pagar a conta nos lugares onde a gente ia.

Foi Gil quem ligou e me convidou p/ sairmos e nos conhecermos. No 1º encontro, fomos parados numa blitz. No 2º, ela me chamou de 'PALHAÇO' porque cheguei atrasado. Acho que foi ali que me apaixonei: “Tá aí uma garota que me entende!

Nós somos um exemplo real de opostos que se atraem. Ela é boa, eu sou mau; ela é alegre, eu sou triste; ela é iluminada, eu sou sombrio. Ela é evangélica, eu sou agnóstico; ela é cheia de virtudes, eu de vícios; ela é bossa nova, eu sou partido alto. Além disso, ela cozinha divinamente, eu sou ruim pra diabo no fogão.

Foi Gil que me pediu em casamento. E eu, que não sou bobo nem nada, disse “sim” antes que ela tivesse tempo de se arrepender.

BAMBOLÊ DE OTÁRIO

Fui casado por um juiz. Devia ter pedido um júri.George Burns

Se não fosse pela mulher, o casamento já teria desaparecido há muito tempo. Nenhum homem comprometeria seu presente ou envenenaria seu futuro c/ um bando de pirralhos fazendo alarido pela casa, se não fosse forçado. Cabe à mulher pô-lo a nocaute, amarrá-lo e arrastá-lo à presença de duas testemunhas p/ obrigá-lo a isso.Preston Sturges

Segundo dados do IBGE, o número de casamentos no Brasil cresceu 3,6% – de 806.968 p/ 835.846 – mas o de divórcios também – de 1200 p/ 1300 ao mês, tendência de 9% a mais de separações por ano. Proporcionalmente, o número de casais que se separam é quase 3X maior do que os que se juntam.

Obviamente, o casamento de um ateu & uma crente tinha tudo p/ dar errado. Começando pela cerimônia, que não pôde ser realizada em nenhuma igreja evangélica, já que eu sou um herege convicto. Mas “o que é que a gente não faz por amor”, já perguntava a Zizi Possi. Eu, que nunca vesti um terno em toda minha vida, abri essa exceção e me meti num risca-de-giz alugado, c/ uma gravata prateada – sugestão da mina da loja. Nos pés, um model MD2 da Drop Shoes. Fiz a barba. Em compensação, minha mulher era de fato a mais linda daquela noite, que afinal de contas era DELA [e minha também, por que não].

O pastor – marido da minha cunhada – fez suspense: “Infelizmente, não posso realizar este casamento...” Pensei: “Fodeu! Vai tentar me converter agora!” Mas o engraçadinho se saiu c/essa: “...Não posso realizar este casamento porque quem oficializará a união de vocês será Deus, e não eu.” Ufa! Não foi fácil p/mim ficar na frente de toda aquela gente – mais parentes e amigos dela do que meus – e ainda por cima SORRIR. 1 back & ½ doce me ajudaram a posar p/ as fotos, mas eu curtiria aquele momento independente de qualquer aditivo.

Levei uns vinis velhos, e depois do "...pode beijar a noiva” rolou Led Zeppelin, Black Sabbath, Ramones, Defalla e Chico Science na beira da piscina, até o aluguel expirar e sermos expulsos da mansão do Ricardo Sá [que apesar do sobrenome não é meu parente]. Esse Sá aí enriqueceu fornecendo a melhor aparelhagem p/ shows do estado: toneladas de caixas, mesas de som, etc. Sua casa fica no alto da colina do Santo Antônio, um dos lugares mais bonitos da cidade.

Partimos p/ a lua-de-mel na nossa carruagem-abóbora. Mais abóbora que carruagem, ma non troppo: não tivemos direito a uma lua-de-mel por causa dos nossos trabalhos, que continuavam na segunda-feira, mas levei-a p/ 1 noite & 1 manhã no Starfish Resort, o mais caro hotel da minha área.

DANOS MATERIAIS C/ VÍTIMAS

Nosso coração é sentimental e duro. Cremos estar participando do sofrimento da pessoa amada, quando na verdade é tudo um pretexto p/ nos enternecemos c/ a gente mesmo, c/ a nossa própria compaixão.

A sentença é de um anônimo, e assim como as outras citações, foi extraída de O Amor de Mau Humor, compilação de tiradas sarcásticas editada pelo escritor Ruy Castro, na esteira do sucesso editorial de O Melhor do Mau Humor, no início dos anos 90.

Eu & Gil estamos casados há 1 ano, 1 mês, 1 semana e 1 dia. Logo em nosso primeiro ano enfrentamos dificuldades financeiras, brigas entre parentes, vizinhos que ouvem forró no subwoofer, quase uma enchente e até um acidente: na noite de 12 de novembro, prestes a comemorar nosso 1º aniversário, minha esposa, pilotando a moto que pertenceu a meu irmão Nando – e que agora é nossa –, foi atropelada por um taxista psicopata.

Danos Materiais com Vítimas”, é a classificação do Boletim de Ocorrência: “Segundo levantamento feito no local do acidente e declaração de um dos condutores dos veículos envolvidos, podemos informar que o v1 transitava pela Rua Nossa Senhora das Dores, pista que mede 9,00m de largura, no sentido Sul/Norte, pela faixa de trânsito da direita, quando ao cruzar com a Avenida Desembargador Maynard, obtendo um avanço de 11,50m, veio abalroar-se transversalmente com o v2, que transitava pela Avenida acima citada na pista que mede 6,00m de largura, no sentido Leste/Oeste, pela faixa de trânsito da direita e que obteve um avanço de 2,00m. Após o impacto, o v1 deslocou-se 7,00m e o v2 permaneceu no lugar, ficando afastados da guia do lado direito, 3,20m e 1,20m respectivamente. Obs: A condutora do v2 foi conduzida ao hospital [...]”.

CLANDESTINO

Gil quebrou a mão, passando por uma cirurgia de emergência e um processo de fisioterapia que dura até hoje. Eu estou c/ ela e não abro: fui 'voando' pro local do acidente, bradei umas paradas pro taxista, acompanhei-a na ambulância do SAMU, fiquei no hospital até saber o resultado da operação p/ recolocar os ossos no lugar, e até tirei minha habilitação de moto após 5 anos andando clandestino, ou na fita dela.

Se participar “do sofrimento da pessoa amada” é um subterfúgio p/ “nos enternecermos c/ a gente mesmo”, sentir a dor alheia talvez seja sinal de algo maior. E, convenhamos: um puto punk & velho, feio & pobre, descrente do Céu e da Terra, ficar falando de AMOR num blog de jornalismo gonzo talvez seja a prova definitiva de que é possível contrariar estatísticas, prognósticos e clichês.

Sem medo de ser feliz.

Há vários motivos p/ NÃO se amar uma pessoa, mas basta UM só p/ amá-la.Carlos Drummond de Andrade

A maior felicidade é a certeza de sermos amados apesar de ser como somos.Vitor Hugo

O CASAMENTO EVANGÉLICO [22/11/2008]

O TAPETE É VERMELHO, MAS NEM TUDO SÃO ROSAS NO CAMINHO

ENROLADO C/ AS ALIANÇAS: MUITA CALMA NESSA HORA!..

A HORA DO BUQUÊ É UM CLASSICO: MULHERADA SE JOGA...

O EDITOR MARANHENSE BETO MATUK TIRANDO ONDA DE DJ...

TURMA DO FUNIL: WERDEN, PAULA, GABI, BRASA & ODÉCIO

NOIVO BÊBADO & AMIGOS SKATERS: SÉRGIO, RENATA, DETEFON

PISCINA DO RESORT: KING FOR A DAY, FOOL FOR A LIFETIME

segunda-feira, dezembro 28, 2009

A 8ª EFERVESCÊNCIA Plástico Lunar é de Aracaju, capital de Sergipe. Um Estado do Nordeste que não é muito comentado em termos de música. Se eu pedir pra você citar uma banda ou artista de lá não será muito fácil, não é?

A pergunta da jornalista Viviane Menezes está no ar há 4 anos, desde que ela postou no site Coquetel Molotov uma entrevista c/ Léo Airplane e Plástico Jr. [que na época assinava ‘Bicho-Grilo’]. Mas o menor estado da federação tem algumas bandas bem sacadas no cenário underground nacional:

Karne Krua, grupo punk do incansável Sílvio Sartana [foto], resiste desde a era do vinil e não dá sinais de extinção, como todos vimos após o Guidable. Lacertae, psicodelismo de Lagarto [sertão sergipano], e Snooze, ícone indie local, estão aí desde os anos ’90 – os lacertaes Deon & Tacer participaram da coletânea Brasil Compacto, da Rock It!, e lançaram Berimbau de Cipó Imbé em 1999, um ano após o 1º disco dos irmãos “snoozers” Fabinho & Rafael, Waking Up/ Waking Down, que já gravaram mais 3 desde então. O reggae-roots-favela da Reação despontou no início da década de 2000 c/ canções fortes emplacando nas rádios locais, como ‘Azul e Vermelho’, e está c/ seu CD independente na praça, Na Força da Fé. O duo The Baggios começa a ficar conhecido após uma pequena tour nordestina e show no Festival DoSol. Naurêa tem disco, DVD e já viajou 3X p/ a Europa. Alapada e Rockassetes mudaram-se p/ São Paulo mirando no mercado pop...

E tem a Plástico. “A Plástico Lunar é uma banda muito comentada por aqueles que entendem de psicodelia e rock tradicional em nosso país. O Senhor F, Fernando Rosa, Luis Calanca da Baratos Afins, são alguns entusiastas desse grupo”, escreveu Viviane em 12/10/05. Corta p/ 2009.

GARGANTAS DO DESERTOO clipe da faixa 10 do álbum Coleção de Viagens Espaciais é lançado na madruga de 20/12 durante a Sessão Notívagos, no Cinemark do Shopping Jardins. Uma estréia tumultuada, começando c/ uma pequena treta entre 2 dos produtores [não, eu não era um deles], passando pela exibição do vídeo na sala 7, c/ som ‘estalando’, ANTES do filme principal – Shine a Light – quando deveria ter sido exibido DEPOIS na sala 8 – o que acabou ocorrendo, porém sem a mesma ‘mágica’ de uma estréia perfeita, e c/ as luzes de apoio no corredor acesas. Fade a light, porra!..

‘Gargantas do Deserto’ é um videoclipe rodado c/ orçamento zero. O programador de sistemas Ricardo dos Santos, o Bebegás, surgiu c/ a idéia, o roteiro e uns efeitos gráficos produzidos numa câmera hi-8; a AP.TV entrou c/ a infra e cedeu os cinegrafistas Junior Guedes e Manoel Gonçalves; eu fiz a luz de estúdio, dirigi as cenas e montei os takes; André Franco, o Ruivão, equalizou as imagens no After Effects. E Roberto Nunes, do Cine Cult, viabilizou o lançamento na Notívagos. Tudo na base da ‘brodagem’. Assim como os figurões citados pela jornalista paulista, nós também somos muito fãs da Plástico.

Que está em nova fase, reestruturando-se após a saída do vocalista principal, Daniel ‘T-Rex’ [foto]. Plástico Jr. e Julico Andrade, baixo e guitarra, estão segurando a onda da banda, compondo novas canções e adaptando as antigas: ‘Gargantas...’, ‘Coleção...’, ‘Moderna’, ‘Banquete dos Gafanhotos’ e ‘Quarto Azul’ entraram no repertório que eles apresentaram no saguão de entrada do cinema, após o filme & o clipe. “Estamos trabalhando vocalizações e pondo todo mundo pra cantar”, disse o genial Jr. na entrevista p/ o Programa de Rock, no dia anterior. Sozinho, ele compôs 4 das 13 músicas do disco, e colaborou em outras 4.

A Plástico Lunar vai passar a virada de 2009/10 no festival Psicodália, em Santa Catarina, onde tocarão pelo 2º ano consecutivo. Não poderia haver réveillon melhor p/ esses caras. A seguir, a sensacional entrevista de Léo e Júnior p/ o Coquetel Molotov em 2005, na qual os 2 chapados estabelecem novos patamares p/ a psicodelia na Era de Aquário. De bônus, o vídeo de ‘Gargantas do Deserto’, 2009.

BOA VIAGEM [no tempo]


Viviane Menezes - De onde vem essa ligação da banda com o rock do final dos anos 60 e dos anos 70?

Plástico Jr. - Coisas da alma... Lá em casa sempre rolou muita Jovem Guarda, Os Pholhas, Raul e outras velharias. Existe uma identificação muito forte com a sonoridade daquela época, e mais, não só com o rock, mas com todo aquele momento! O período de 1966 a 1972 representou uma época sem paralelos em toda história da humanidade. O mundo ocidental presenciou uma série de movimentos simultaneamente. Uma verdadeira revolução de comportamento e na forma de pensar das pessoas acontecia. Uma revolução musical, social e ideológica. Houve a quebra de vários tabus e um novo conceito de comunidade foi erguido e o melhor foi que não ficou só no papel. As pessoas, de fato, praticavam a harmonia, a paz e o amor. Aconteceu na Inglaterra e se espalhou pela Europa... Paralelamente acontecia nos EUA o movimento Hippie, e da América para o resto do mundo! Foram anos mágicos. Pensadores da época chegaram a afirmar que uma nova ordem havia surgido e os hippies iriam dominar o mundo (apesar de não ser isso que se pretendia). Claro que não aconteceu! Mas os reflexos daquele movimento influenciam os jovens atuais e continuará por gerações e gerações. Também quero ver meu filho cantando ‘All You Need Is Love’.

VM - Qual o grande barato da Plástico Lunar? Fazer esse tipo de som que vocês fazem é mais que música, mas talvez uma filosofia de vida?

PJr - De fato, o rock não é apenas um tipo de música. É um estilo de vida... Mexer com psicodelia é ainda mais profundo. O rock psicodélico tende a afetar outros sentidos além da audição e convidar o público a uma visita no jardim do psíquico, seja com ruídos e microfonias, letras reflexivas ou com uma complexa combinação de acordes, porém não nos importamos muito se as pessoas conseguem ou não entender a viagem de nossas músicas. Não importa! Gostamos de estar na noite tocando e nos divertindo. A Plástico Lunar foi formada com o propósito inicial de diversão, queríamos apenas encher a cara em dias de shows e fazer rock’n’roll sincero, desapegado a modismos e tendências impostas pelas rádios. Hoje, já esperamos algumas coisas a mais de nossa arte. Afinal, tenho 23 anos [hoje, 27] e já percebi que não sirvo para trabalhar em um escritório, porém as pretensões não influenciam no som da banda. Gostamos de tocar e tocamos o que gostamos!

VM - Entendo. Mas é muito complicado fazer esse tipo de música no Brasil, onde muitas vezes o pop mais acessível é que tem vez na grande mídia...

PJr - No nordeste a complicação ainda é maior! Êta cultura de pandeiro que sufoca qualquer outra manifestação artística! Mas no Brasil como um todo, até que as coisas estão melhorando. Claro que existe a chamada “indústria da arte” que serve para vender produtos independentemente de sua qualidade. Mas isso não rola só no Brasil, é uma tendência global, faz parte do capitalismo. Porém existe a mídia alternativa (é aí que entra a Coquetel Molotov, por exemplo) que desempenha um papel importantíssimo na divulgação da arte com poucas máscaras. Hoje no Brasil, os selos independentes já são responsáveis por mais de 50% da produção fonográfica, a Internet está quebrando as grandes gravadoras. E Sandy & Júnior continuam no Faustão, que fiquem por lá mesmo!

VM - Você já falou um pouco do que te influenciou quando pequeno, mas você poderia citar mais alguma coisa?

PJr - Por opção própria de pegar uma fitinha do meu pai e colocar no som, eu escutava Beatles pra caralho. Perdi (ou ganhei) muito tempo da minha infância só escutando Beatles, depois vieram os Stones, Pink Floyd e Doors. Aí eu virei adolescente! Meu pai gostava muito de música, então eu cresci escutando, por tabela, Caetano, Novos Baianos, Chico Buarque, Zé Ramalho, Toquinho. Rolava também coisas, como ele mesmo dizia “da pesada”, tipo: Creedence Clearwater Revival e Chuck Berry...

VM - E o que você escuta hoje? Será que mudou?

PJr - Não mudou! Apenas se expandiu. Apesar de ter me afundado em bandas garageiras toscas dos anos 60 tipo Iron Butterfly e Love, eu atualmente tenho escutado mais "roque" do que "rock". Curto psicodelia nacional dos anos 70: O Som Nosso de Cada Dia, Casas das Máquinas, O Terço, Ave Sangria, A Barca do Sol, entre outras coisas desse tipo.

VM - Como são as gravações e o trabalho de divulgação de vocês?

PJr - As gravações são simples, nosso tecladista Léo Airplane tem um laboratório sonoro em casa. É lá que ficamos horas explorando ao máximo os ruídos de nossos equipamentos! A divulgação é feita na cidade por amigos e em shows da banda.

VM - E o que vocês podem me falar de Aracaju? Nunca estive aí...

Léo Airplane - O povo daqui tem o mau costume de nunca querer pagar pra ver artistas locais. Sempre reclamam que não rola nada aqui, mas quando a gente cobra míseros R$ 3,00 de ingresso fica todo mundo na porta da casa e não entra.

VM - Vamos falar de outras coisas... Alguma história engraçada ou interessante sobre os palcos?

PJr - Várias! Já entramos em tantas frias tocando...

LA - Mas por isso toda banda iniciante passa; tocar em som tosco, palco com goteira, bêbados que sobem no palco pra cantar com a gente... As histórias engraçadas são sempre protagonizadas por nosso baterista Marcos Odara. Às vezes ele inventava de fumar um cigarro durante uma música! Era cigarro numa mão e baqueta em outra, e leva assim a música. Ele também é mágico, no intervalo entre duas musicas, ele sempre materializa um copo de cerveja ou um cigarro aceso...

VM - E a inspiração para as roupas? Já copiaram algum modelito de algum artista daquela época?

PJr - Roupas? Sei lá... Jeans? Curto cores, de vez em quando rolam uns óculos psicodélicos ou um paletó colorido!

VM - O que inspira vocês na hora de compor?

PJr - Reflexões e experiências mentais, principalmente!

VM - Alguma outra vertente do rock ou fora dele que está no som da banda e ainda não foi percebido pelo público ou imprensa?

PJr - Dentro do rock, a Plástico passeia por várias vertentes: o progressivo, o hard rock, o mod, entre outras. Fora dele, mas não tão fora assim, tocamos jazz, blues e outros estilos mais exóticos. Eu, particularmente, gosto muito de ritmos circenses e de música celta. Também me amarro em rock rural mineiro com aquelas pegadas "güarânias"!

VM - Quais outras bandas semelhantes à de vocês estão fazendo um trabalho interessante?

PJr - Tem uma rapaziada aí no país fazendo "rock retrô". Criaturas (PR), o Júpiter Maçã (RS), Mordida (PR), a Laranja Freak (SC), Cachorro Grande (RS)... Estamos muito bem servidos de som!

LA - Tem também a Volver (PE) e Rockassetes (SE) que seguem uma linha retrô Jovem Guarda...

VM - Se você pudesse entrar em uma máquina do tempo, para qual época e qual momento você iria? Eu iria para Paris dos anos 60...

PJr - Que legal! Posso escolher o local! Então vamos lá! Uns 400 a.C. na Grécia Antiga, talvez! Tá bom! É mentira! Não queria ser condenado a tomar uma dose de cicuta por viajar demais. Eu iria mesmo era para o subúrbio de Londres em 1966, procurar alguma boate bem tosca ou, quem sabe, para São Francisco em agosto de 67, ficar fazendo bolhinhas de sabão durante todo aquele verão do amor!

VM - Poderia citar com comentários os cinco discos mais bacanas para você?

PJr - Putz! Que injusta essa pergunta! É difícil listar 5 discos sem sacrificar outros 100 clássicos indispensáveis pra mim, mas vamos lá:

Que tal começarmos pelo The Piper at the Gates of Down e toda aquela trip hipnótica "Syd Barrettiana"? Então, lançado em 1968, esse foi o primeiro disco do Pink Floyd e na minha opinião o melhor, o disco é cheio de climas mágicos, aborda temas mitológicos lisérgicos. É possível ir pra longe com esse disco, altamente chapado!

White Álbum: sendo Beatles não há muito que comentar, esse disco é lindo, profundo, melancólico e caótico!

Casa de Rock (Casa das Máquinas): disco clássico do rock nacional, há momentos de puro hard rock curto e grosso, e alguns momentos mais reflexivos e progressivos.

Their Satanic Majest Request (The Rolling Stones): o álbum mais psicodélico dos Stones, lançado em 1967, ele foi a resposta da banda para o Sgt. Peppers Lonely Heart Club Band.

Snegs (O Som Nosso de Cada Dia): um dos melhores discos de rock progressivo da história foi gravado por brasileiros. Apesar de ser pouco conhecida por aqui, essa banda é extremamente cultuada na Europa e demais centros “cult”. O ‘Snegs’ é um disco viajado, virtuoso, muito bem arranjado e executado. Nele, seus 3 integrantes passeiam por compassos complexos e climas reveladores.

FOTOS DAS BANDAS EM AÇÃO POR ARTHUR SOARES & VÍTOR BALDE [SNAPIC], DURANTE AS SESSÕES DOS FILMES LÓKI [AGOSTO] E GUIDABLE [OUTUBRO] – EXCEÇÃO DA QUE ABRE O ‘POST’, POR VIVA LA BRASA

quinta-feira, dezembro 24, 2009

LEI DE MURPHY No último domingo, 20 de dezembro, meu irmão Nando completaria 32 anos caso estivesse vivo. No mesmo dia, 20/12/ 2009, morreu Brittany Murphy, uma das atrizes mais legais de Hollywood. Ela tinha 32 anos.

Foi uma semana agitada essa que passou. Enquanto eu acertava os últimos detalhes p/ o lançamento do clip da Plástico Lunar no sábado, bombas explodiam no Oriente Médio [matando centenas de pessoas no Iraque, Afeganistão e Paquistão], protestos eram reprimidos em Brasília [c/ o espancamento e prisão de centenas de manifestantes] e a Conferência do Clima de Copenhague dava em água.

Temo que estamos todos nós a bordo do Titanic, e ele está afundando”, avisou Ian Fry, delegado das ilhas Tuvalu, um grupo de 9 atóis de coral no oceano Pacífico. “Em termos bíblicos, parece que estão nos oferecendo 30 peças de prata p/ trair nosso povo. Nosso futuro não está à venda.

NAVIO AFUNDANDO, CARGA NELE!Tuvalu é um dos países mais ameaçados de extinção c/ o aumento de 4o no clima mundial previsto até o final do século 21, e o consequente elevamento no nível dos mares. A Cúpula do Clima deste ano começou sob protestos de ativistas – incluindo uma campanha publicitária do Greenpeace onde líderes mundiais como Lula aparecem em 2020 desculpando-se por não terem feito nada p/ impedir o desastre – e assim continuou até o fim. As manifestações públicas eram ruidosas e foram reprimidas na base da força pela polícia dinamarquesa, que desceu o cacete igual aos hômi de Brasília.

Durante 15 dias, presidentes de comissões pediram demissão de seus cargos enquanto o pau comia do lado de fora. Desde o início, a delegação de Tuvalu destacou-se como porta-voz das ilhas do Pacífico, as mais ameaçadas junto a outras do oceano Índico. Incluem-se na lista Bangladesh, Maldivas e Fiji. Não precisa nem viajar p/ tão longe: por aqui mesmo lugares como Abrolhos, Atol das Rocas e Atalaia Nova [mi barrio] serão inundados. Na sexta-feira, EUA, Brasil, China, Índia e África do Sul – alguns dos países mais poluentes do mundo – assinaram um documento que não foi aceito pelos países pobres. “Parece que é necessário abrir consultas formais p/ sabermos se afundamos ou não”, disse Fry sobre o futuro do seu país insular.

A Conferência das Partes sobre o Clima [nome oficial da Cúpula] abrangeu 192 países. O objetivo era traçar um acordo mundial p/ definir a redução de emissões de gases do efeito estufa após 2012, ano que termina o 1º tempo do Protocolo de Kyoto. Tuvalu pediu aos países emergentes que fixem reduções vinculativas de emissões de CO2 [dióxido de carbono] semelhantes às dos países industrializados. Os $tates of Amerikkka recusaram-se a diminuir sua emissão de gás carbônico caso os Chinas não façam o mesmo.

“Não é suficiente p/ combater a ameaça da mudança climática, mas é um primeiro passo importante”, disse Barack Obama defendendo os interesses da indústria norteamericana: “O acordo vinculante será muito duro e levará tempo p/ ser negociado.Lula protestou: “Algumas pessoas pensam que apenas dinheiro resolve o problema. O dinheiro é importante e os países pobres precisam de dinheiro p/ preservar o meio ambiente, mas é importante que nós, os países em desenvolvimento, e os países ricos, quando pensarmos no dinheiro, não pensemos que estamos fazendo um favor, não pensemos que estamos dando uma esmola.” Bonito discurso, presidente, mas a questão não é emprestar dinheiro aos pobres – é como os ricos e emergentes produzem o seu.

GAROTA INTERROMPIDAVejam o caso de Fábio Barreto, filho do produtor mais bem-sucedido do cinema nacional [Luís Carlos Barreto, o ‘Barretão’], indicado ao Oscar por O Quatrilho [uma merda] e diretor de Lula, o Filho do Brasil, filme brazuca mais caro de todos os tempos: R$ 12 milhões. Quem quiser assistir tem que COMPRAR o ingresso no cinema. E ainda dizem que o horário eleitoral é gratuito.

Barretinho, 52 anos, capotou o carro na madrugada de domingo, esse mesmo em que meu irmão completaria 32, o mesmo em que Brittany Murphy – 32 – morreu. Eu costumava passar a pé por aquela avenida quando morei no Bairro Peixoto [RJ]: o túnel que dá acesso àquela pista une Copacabana e Botafogo, onde moram, respectivamente, meus amigos Allan Sieber e Matias Maxx, 2 caras que penam p/ conseguir uns trocados p/ seus [bons] filmes. De um lado do túnel MORAM mendigos e crackeiros. Pergunta se o acidente do Fábio, o filho do Barretão, ou o filme do Lula, o filho do Brasil, vai mudar alguma coisa na vida desse pessoal...

Brittany emplacou seu 1º sucesso em 1995, como Tai, a amiga da Alicia Silverstone no filme As Patricinhas de Bervely Hills. Depois vieram outros hits, como Garota Interrompida em ’99, ao lado de Angelina Jolie e Winona Ryder; 8 Mile, o filme do Eminem, em 2002; e Recém-Casados em 2003, fazendo par romântico c/ Ashtin Kusher. Mas o papel que a fez entrar p/ a galeria de atrizes favoritas do Viva La Brasa foi a garçonete Shellie, de Sin City. A adaptação pro cinema dos quadrinhos de Frank Miller, feita por Robert Rodriguez, reúne os episódios protagonizados pelos personagens Marv & Goldie, Jackie-Boy & Gail e Yellow Bastard & Nancy. “Shellie une as 3 histórias”, disse há 3 anos, quando S.C. foi lançado: “Ela morre de medo, mas ao mesmo tempo está tentando ser uma mulher independente.

Ironia ou não, Britt era insegura, obcecada c/ a própria aparência, dependente da figura materna e viciada em remédios. “Eu estou do mesmo tamanho que estava em Clueless. A gente muda com o tempo, mas esse é meu corpo e eu estou orgulhoso dele”, defendia-se a loirinha anêmica. Ela foi encontrada pela mãe, caída no box do chuveiro, às 8H da manhã de domingo, após vomitar muito e sofrer uma parada cardíaca. Há muito tempo Brittany mostrava sinais de que não ‘tava bem. Cada vez mais magra, filmava cada vez menos. “Ela estava sem foco e nunca sabia suas falas”, afirma a revista People: “Muito diferente de quando começou a trabalhar. Era cheia de vida, determinada. Mas nos últimos anos, começou a despencar.

Falando em despencar, Fábio Barreto está em coma. Os médicos tiveram que retirar um pedaço da tampa craniana p/ o cérebro poder ‘latejar’ até desinchar. Se, segundo a Lei de Murphy, “o que tem chance de dar errado vai dar errado”, segundo a Lei de Deus, “aqui se faz aqui se paga”.

A loirinha de Atlanta poderá ser vista pela última vez no cinema em 2010, no filme Abandoned. "Ela era uma profissional", diz o diretor Michel Feifer: "Fui ao trailer dela e ela apareceu c/ aqueles olhos de Brittany Murphy, me deu um abraço e disse: - Muito obrigado por me receber aqui." Pobre Brittany. Pobre Tuvalu.

IN MEMORIAN: * 10/11/1977 - + 20/12/2009



sexta-feira, dezembro 18, 2009

A NOITE VAI SER BOA Tudo vai rolar? Eu não sei. Mas numa balada c/ Rolling Stones, Plástico Lunar & Viva La Brasa, tudo pode acontecer. "Vou de grande/ E sem grana/ Nessa festa saio em pose de bacana/ A noite eu passo/ Não sei onde vou parar/ A noite eu passo/ Procuro qualquer lugar"... [trecho de 'Boca Aberta', de Daniel Torres, Plástico Jr. e Nara Loupe].


Plástico no Som na Caixa, da Aperipê TV, especial de dezembro de 2007 gravado na concha acústica do Centro de Criatividade


Tocando 'Cantor de Mambo', dos Mutantes, no extinto Tequila Café em setembro de 2006


Festival Psicodália, em Içara [SC], no carnaval deste ano; trilha sonora: 'Quarto Azul'


Plástico Jr. homenageia a lenda do rock sergipano: "De cima do palco eu vi/ Odara cair"...

segunda-feira, dezembro 14, 2009

EXPLOSÃO PLÁSTICA INEVITÁVEL
DANIEL, DA PLÁSTICO LUNAR...

...EM SEQÜÊNCIA DE MARCELINHO HORA

Segue bravamente o seu caminho/ Rumo ao desconhecido/ Enquanto houver brilho no olhar...” O refrão de ‘Gargantas do Deserto’ define bem o momento da Plástico Lunar, banda sergipana psicodélica que caiu na estrada em 2009. Foram 2 turnês por 6 estados – a mais recente delas, Nordeste Fora do Eixo, excursionando c/ Macaco Bong, Burro Morto e Porcas Borboletas, todas bandas de São Paulo e Mato Grosso. Depois de passar por Fortaleza [CE], Natal [RN], João Pessoa [PB], Campina Grande [PB] e Maceió [AL], o circo se monta hoje à noite a partir das 19H na Rua da Cultura, em Aracaju, e segue amanhã p/ a última etapa, em Salvador [BA].

A Plástico existe há mais de 10 anos, tem 2 EPs independentes – Plastic Rock Explosion e Próxima Parada – lançados em 2003 e 2005, e o 1º disco, Coleção de Viagens Espaciais, lançado este ano pela Baratos Afins, gravadora paulista nascida de uma loja de discos que estreou em 1980 c/ nada menos que Singin’ Alone, de Arnaldo Baptista. A parceria entre a Baratos e a Plástico é antiga. Em 2001 o selo lançou a coletânea Brazilian Peebles vol.2 c/ “a nata do rock psicodélico brasileiro do terceiro milênio”, dizia o release. Os sergipanos entraram c/ a canção ‘Meu Jardim’, e roubaram a cena em apresentações em SP e no RJ.

Coleção de Viagens Espaciais é um disco de rock da melhor qualidade, direto e bem-tocado, poético e nervoso, divertido e bem-resolvido, que levou 10 anos sendo gestado. Por que tanto tempo? “A gente não tinha nada na cabeça, só queria saber de tocar bêbado, de encher a cara até de manhã cedo”, disse o baixista Plástico Jr. ao jornalista Rian Santos, do Jornal do Dia, antes do show da banda no Festival DoSol, em Natal. “Se o Coleção [...] tivesse saído antes, a gente provavelmente não ia saber o que fazer com as respostas que conquistamos. Hoje, a gente pode lidar com isso um pouco melhor.

FORMATO CEREJAPlástico Lunar é um grupo que impressionou até Jorge Du Peixe, quando abriu p/ a Nação Zumbi há 2 anos, na mesma Rua da Cultura em que tocará hoje. “Muito boa, essa banda!”, disse o vocalista da Nação em cima do palco: “Vocês têm boas bandas aqui. Não conhecia a Plástico, gostei muito...” Produzido pelo tecladista black power Léo Airplane, Coleção de Viagens Espaciais poderia se chamar "Coleção de Hits Lisérgicos".

Trata-se de um disco que nasceu clássico, c/ potencial p/ tocar nas rádios pela facilidade das melodias e da poesia chapada dos caras. A música de abertura brinca c/ andamentos e ironiza as vítimas da moda: “Modernóide!”, grita o refrão. 'Formato Cereja' foi o 1º clip da banda, feito pelo Núcleo de Produções Audiovisuais aqui da cidade, ainda no tempo dos EPs. É um vídeo bem legal, c/ fotografia que remete ao manguebeat sem imitar ninguém, e a música funciona como um cartão de apresentações: “Minha paranóia está em cima da mesa/ Mergulhada em um copo com um formato cereja/ Dissolvendo-se em bolhas loucas e acesas/ Orientando as cores perdidas em minha cabeça”. É um rockão sessentista.

As décadas de 60 e 70 são a principal referência: The Doors, The Who, Kinks, Animals, Yardbirds, Bob Dylan, Roberto Carlos, Mutantes, Raul Seixas, Greatful Dead, Pink Floyd, Deep Purple, T-Rex, Patrulha do Espaço, sem falar Beatles e Stones, “o feijão com arroz”, segundo Jr. O som que sai daí é uma mistura de blues, mod, hard rock e progressivo, c/ forte acento psicodélico. Fazem parte da mesma escola que o Júpiter Maçã, apenas mais novos e mais pesados. “Ligo o carro/ Piso fundo/ Hoje eu quero ir/ Até o fim de tudo”, dizem em ‘Boca Aberta’. Em ‘Sua Casa É o Seu Paletó’, que virou o 2º clip c/ cenas de expressionismo alemão graças ao videomaker Alessandro Cabelo, o peso valvulado entra em cena p/ embalar uma viagem sobrenatural: “Ontem eu vi uma alma/ Sentada/ Em silêncio, solitária/ Na estrada do tempo”.

‘Quarto Azul’ é melancólica, marcada por um pianinho triste: “Ela não consegue dormir/ Ela está sozinha em casa/ Seu medo diminui se a porta está trancada”... As mulheres são uma fonte de inspiração recorrente, o que só soma pontos. Muitas vezes, as relações são discutidas nas letras: “Você quer falar e não quero ouvir/ Você quer falar e eu quero curtir/ Você quer um pouco disso e daquilo/ Você quer o inferno e eu o paraíso”, diz ‘Tudo do Seu Jeito’, uma das melhores, c/ clima de jovem guarda assegurado pelo timbrão de moog que o Léo baixa da internet p/ envenenar sua tecladêra.

COLEÇÃO DE HITS LISÉRGICOS

Se Belchior tinha medo de avião, Daniel Torres, vocalista e principal letrista, também tem lá suas nóias: “Um cara com um estranho chapéu disse que eu iria voar/ A aeromoça nem me falou quando o avião vai pousar/ Próxima parada eu desço/ Distante mas encontro um jeito”... Ele prefere viajar de trem, enquanto p/ Marcos Odara, a viagem é outra: “As folhas já estão tratadas/ Feche a porta e vamos curtir/ Guarde logo a sua parada/ Entoque, é melhor enrustir/ Porque senão, com os gafanhotos/ Não vai sobrar mais folhas aqui”.

Odara é o Keith do rock sergipano – toca bateria igual ao Keith Moon e é tão detonado quanto o Keith Richards. Mas quantos bateras você conhece que cantam enquanto tocam, que nem ele faz em ‘Banquete dos Gafanhotos’, uma das minhas preferidas entre tantas obras-primas deste disco? O tiozão é a encarnação da palavra ‘lenda-viva’. Tocou na Crove Horrorshow nos anos 80/90, dá aulas de História p/ pagar as contas, é casado e pai de uma filha. Sempre na atividade, influenciou os moleques de modo irreversível.

Existe A.O. e D.O. na história da banda – antes e depois de Odara. Foi dele a idéia de mudar o nome original de Plástico Solar p/ Lunar: “Plástico Solar era muito verão, a gente é da noite”, falou a voz da experiência. Voilá! “Antes, o nosso trabalho era muito ingênuo”, define Jr., que demonstra na entrevista reproduzida a seguir mais lucidez que muita gente careta por aí. Ele, que carrega a banda no nome, é o mano caçula do Daniel, e irá segurar os vocais junto c/ Júlio Andrade, guitarrista solo, agora que seu irmão deixou o grupo e mudou pro Rio. “Hoje eu acordo e me vejo/ No esquema, sorrindo/ Fingindo ser o amigo/ Mais fiel”, canta Jack Daniel’s em ‘Cínico Arrependido’, mais uma acústica.

Todos tocam muito, e em várias bandas diferentes: Júnior é baixista da Corações Partidos, Julico tem a The Baggios, Léo Airplane, além dos teclados da Plástico, toca adordeon na Naurea e na Orquestra Sanfônica. E o Daniel, lembro quando foi morar no mesmo condomínio que eu, o Jardim das Palmeiras – a gente nem se conhecia, mas volta e meia dava p/ ouvir um Led Zeppelin ou uns Byrds saindo pela janela do apê recém-alugado. Ele namorava uma guria tipo hippie universitária e eu pensava: “Esse fedelho tem futuro!

É um grupo de virtuoses sem estrelismo nem xaropagem. E Coleções de Viagens Espaciais, pra mim, é o melhor álbum de rock lançado no Brasil em 2009. Estréia perfeita de uma banda fantástica, repleto de músicas de qualidade e apelo radiofônico. Só num país como o nosso p/ um disco desse passar batido. Enquanto isso, NxZero, Fresno e outras bandas ‘emo’ dominam o mercado.

PRÓXIMA PARADAAssistir a um show da Plástico pode ser uma experiência difícil de ser esquecida”, reforça o coro Werden T., vocalista d’Os Verdes, outro da cena sergipana: “Melodias espaciais, arranjos complexos, timbres envenenados, letras filosóficas, climas que te levam pra longe. Tudo isso tocado por jovens que sabem o que fazem (músicos de mãos cheias) e amantes do bom e velho rock’n’roll. É uma verdadeira viagem de volta aos anos 60 (época de ouro do surrealismo musical), com direito a costeletas quilométricas, óculos escuros, terninhos, plumas e paetês. Tudo emoldurado por boa música e melodias carregadas de sentimento.

Esta semana a juventude roqueira & drogada de Aracaju vai ter muito o que comemorar. Além da passagem da tour Nordeste Fora do Eixo pela cidade hoje à noite, sábado tem mais uma Sessão Notívagos no Shopping Jardins, a partir das 23:59, c/ a exibição de Shine a Light, documentário do Martin Scorsese sobre os Rolling Stones, e a estréia do novo clip da Plástico Lunar, ‘Gargantas do Deserto’, c/ show da banda no saguão do Cinemark fechando a balada em alto estilo. Eles já tocaram lá, quando Lóki, a cinebio do Arnaldo, foi exibida em agosto.

‘Gargantas...’ é a 10ª faixa do disco, e a 1ª a ser transformada em vídeo desde o lançamento. A idéia partiu de Ricardo ‘Bebegás’, um velho conhecido das ruas que me chamou p/ co-dirigir e editar o projeto. Gravamos no estúdio da TV onde eu trabalho numa noite de sexta, em 4 takes. Ricardo criou os efeitos gráficos que servem de pano de fundo p/ a performance dos lunares. Eu mesmo fiz a iluminação, que funcionou melhor do que eu esperava p/ uma 1ª viagem, e contei c/ a ajuda dos cinegrafistas Junior Guedes e Manoel Gonçalves. Passei 2 meses editando o material nas minhas horas vagas, na companhia do lóki do Bebegás.

Mas cada tarde de sábado em frente ao Imac da TV terá valido a pena quando o clip estrear na madrugada de sábado numa tela de cinema, abrindo p/ um filme do Scorsese. “Espanei minha coleção de viagens espaciais/ Livre da inquisição, experimento um pouco mais/ Alcancei outra estação de universos fractais/ Estrelas em formação, poeiras espaciais”...

CAIA NA ESTRADA...... E perigas ver!” Entrevista realizada por Rian Santos, do blog Spleen & Charutos, c/ o baixista Plástico Jr. e o guitarrista Júlio Andrade, p/ o Jornal do Dia [edição de 29/10/2009]. A conversa em uma mesa de bar serviu p/ divulgar a festa Help!, organizada p/ angariar fundos p/ a banda viajar pro Festival DoSol, e foi regada a “algumas brejas”. Os 2 são os novos vocalistas da Plástico Lunar, agora que Daniel – o Syd Barrett da parada – está no Rio.

Rian - A Plástico tem quantos anos? Me lembro de assistir a Plástico, ainda moleque, na ATPN.

Plástico Jr - Esses caras precisam tomar vergonha!

R - Tenha calma que nós vamos chegar aí.

PJr - A Plástico Lunar, com a atual formação, nasceu em 2001, quando Odara entrou na banda. A gente começou tocando no Punka, num palco pequeno, com a Lili Junkie e outros nomes que batalhavam no underground da época.

R - Mas na verdade o núcleo da banda é bem mais antigo.

PJr - Como Plástico Solar, a banda existe desde dezembro de 1998. No ano seguinte, a Plástico tocou pra caralho, mas ainda não existia um circuito independente ou alternativo na cidade. A gente só conseguia se apresentar por que Tiaguinho, nosso baterista, fazia parte do meio pop rock. Nos apresentamos muito no Tequila [Café, bar temático mexicano que virou a boate Live], em uns lugares nada a ver. Tocamos com a Mosaico, a Sibbéria, uns nomes nada a ver.

R - Quando foi que isso mudou?

PJr - Quando Odara entrou na banda. Antes, o nosso trabalho era muito ingênuo. A transformação em Plástico Lunar foi uma tentativa de encarar o trabalho de maneira diferente, a gente precisava ficar mais malicioso.

R - Em que sentido? Às vezes eu tenho a impressão de que o trabalho da Plástico podia ganhar uma dimensão muito maior.

PJr - Nós ficamos muito tempo na garagem. A gente só tocava o que queria. Com o tempo, mesmo defendendo uma personalidade musical, acrescentamos muito à nossa visão inicial do que significa fazer música. A gente percebeu que uma banda não é só composição. Ter uma banda é mais do que fazer músicas boas, com arranjos legais e gravações cuidadosas. Depois de apanhar um bocado, finalmente aprendemos o significado da palavra produção. Hoje nós temos ciência de que fazer a produção da banda é tão importante quanto compor uma música.

R - Apesar disso, a Plástico tem apenas um CD lançado, depois de mais de dez anos de carreira.

PJr - Um jornalista de Brasília já cobrou isso da gente. Ele nos conheceu através de uma coletânea do selo Baratos Afins lançada em 2001, e esperava que o disco não tivesse demorado tanto pra sair. Ele nos perguntou se tinha valido a pena esperar tanto tempo pra lançar o disco. Eu já me martirizei muito tentando responder a esse pergunta, mas talvez tenha sido melhor assim. Se o Coleção de Viagens Espaciais tivesse saído antes, a gente provavelmente não ia saber o que fazer com as respostas que conquistamos. A gente não tinha nada na cabeça, só queria saber de tocar bêbado, de encher a cara até de manhã cedo. Hoje, a gente pode lidar com isso um pouco melhor.

R - Em que medida pegar a estrada é importante para o amadurecimento das bandas?

Julico - Viajar mudou minha cabeça pra caralho. Eu era um cara que reclamava muito. Hoje eu percebo que é preciso botar a cara, batalhar pro trabalho ganhar corpo, pra depois cobrar alguma coisa do governo ou de quem quer que seja. A viagem que faremos agora, por exemplo, será praticamente custeada por nossa conta. A gente podia ficar se lamentando, e desperdiçar a oportunidade de se apresentar em um dos maiores festivais do nordeste, mas preferimos organizar um show pra arrecadar a grana que falta. É preciso ter uma visão profissional da banda. Todo artista independente quer ocupar o palco desses festivais, mas isso não cai do céu. A gente só conseguiu cavar esses espaços por causa de um investimento pessoal, motivados pela fé que a gente leva no trabalho da banda.

myspace.com/plasticolunar

PLASTIC ONE BAND

BANDA QUE TOCA CHAPADA FICA FELIZ & PERMANECE UNIDA

ODARA CANTA 'BANQUETE DOS GAFANHOTOS' NA 13 DE JULHO

ACIMA E ABAIXO, TOCANDO NA RUA DA CULTURA...

...NUMA APRESENTAÇÃO QUE IMPRESSIONOU ATÉ...

...OS CARAS DA NAÇÃO ZUMBI, QUE FECHARAM A NOITE

FORMATO CEREJA

DIREÇÃO: PEDRO SEVERIEN

SUA CASA É O SEU PALETÓ

DIREÇÃO: ALESSANDRO SANTANA - C/ CENAS DE VAMPYR [1932], DIR. CT DRYER