sábado, fevereiro 20, 2010

VENTO QUE VENTA LÁ...

Quinta-feira, 8 da noite: após um dia de muito calor e ressaca pós-carnavalesca, o tempo fecha de repente e o vento vai ficando cada vez mais forte. As rajadas se intensificam, apagando meu back e derrubando as roupas do varal. Uma nuvem de poeira chega e arrasta tudo pelo caminho, de caixas de papelão a cachorros chihuahua.


Lembrei do filme Mágico de Oz. Minha mulher chega em casa assustada: “- Amor, pensei que fosse morrer! Eu tava atravessando a ponte e uma ventania começou a me balançar de um lado pro outro, diminuí a velocidade [da moto] pra 20 km/h e mesmo assim achei que fosse cair lá embaixo...”, narra Gil, minha Dorothy. Ela teve sorte.


Logo ficamos sabendo que a coisa foi séria: em Aracaju, árvores caíram sobre a rede elétrica deixando 30 bairros sem energia; muros de uma faculdade e um campo de futebol foram derrubados; e a tradicional igreja São Pedro Pescador, no Bairro Industrial, foi destelhada, ferindo 4 pessoas. “Graças a Deus foram poucos e não graves os feridos”, diz o padre Aélio, responsável pela paróquia: “Digo que foi uma graça porque a igreja estava lotada, era missa de Renovação da Aliança”.


...VENTA CÁ


Chegou a se falar em ventos de 85 km/h. O Instituto Nacional de Meteorologia registrou intensidade de 67 km/h, e o aeroporto local marcou 65 km/h. “O vórtice ciclônico de alto nível se formou no oceano e apenas sua borda oeste passou pela costa sergipana”, explica o meteorologista Overland Amaral, expert no assunto: “O ciclone forma-se sugando o ar, o que provoca rajadas de ventos e o levantamento de poeira. A velocidade dos ventos chegou a 73 km/h, o que equivale a um peso de 35 a 40 quilos.


A passagem do redemoinho durou de 10 a 15 minutos. O Corpo de Bombeiros registrou 143 chamados nesse período. O SAMU resgatou estudantes atingidos por estilhaços de vidraças quebradas na faculdade onde o muro caiu. O galpão do MOTU [Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbanos], onde famílias estão alojadas, foi destelhado igual à igreja. Assim como inúmeras casas e garagens, da mesma forma que placas e outdoors foram arrancados e retorcidos feito árvores velhas.


Minha garota só escapou de voar pro “mundo de Oz” porque pegou apenas a rebarba do tornado. O vórtice da tempestade estava em alto-mar. “Esse mesmo fenômeno é esperado entre os dias 21 e 23 deste mês”, avisa Overland. Aracaju agora tem sua história de ciclone p/ contar. Não chegou a ser um furacão como o Katrina, mas c/ um pouco de jazz e ruas alagadas, já nos sentiríamos em New Orleans.


GONE WITH THE WIND


Um comentário:

Boogie Boy disse...

Hey Mr. ADOLFo Ganja, blz?

Eu vi umas coisas retorcidas no Hospital João Alves e alí perto da Nova Saneamento, doidera man.
Espero que esses redemoinhos previstos entre os dias 21 e 23 deste mês o mesmo humor que o seu quando passar por aqui.
hehehe

Hasta cabron.