sábado, abril 24, 2010

CACAU, CERVEJA E UM CACHORRO QUE VOA De todas, Stella é a minha preferida. Ela é loira, baixinha, gostosa de pegar e mais ainda de provar. Uma delícia.

Sou um homem de muitos vícios. Álcool é um deles, em especial, cerveja. Das disponíveis no mercado nacional, a belga Stella Artois é a que mais gosto. “Em 1926, a Cervejaria Artois produziu uma cerveja para comemorar o Natal”, explica o rótulo: “Esta cerveja, de excepcional qualidade, foi chamada de ‘Stella’, estrela em latim. A cerveja Stella Artois foi tão apreciada que passou a ser produzida o ano inteiro.” Com baixa fermentação e 5,2% de teor alcoólico, essa belezinha européia é produzida por uma marca c/ mais de 600 anos de experiência – a Artois foi fundada em 1366.


Está chegando ao Brasil a marca Flying Dog, cervejaria de Maryland, EUA. São 10 sabores característicos das cervejas norte-americanas, c/ muito lúpulo e muito álcool. Traduzindo: são amargas e fortes. Por enquanto, só podem ser encontradas em algumas choperias selecionadas, como a Bier Garten, que cobra de $18 a $25 reais, ou na padaria paulista Villa Grano, onde pode ser encontrada a preços um pouco melhores – R$ 13,80 a linha regular e R$ 17,80 a Canis Major.

A Flying Dog começou como um brewpub, bar que vende suas próprias cervejas, em 1990, tocada pelos sócios George Stranaham e Richard McIntyre”, diz o jornalista Roberto Fonseca: “Reza a lenda que o nome surgiu quando George, após uma expedição atrapalhada para tentar escalar a montanha K2 no Himalaia, parou para beber em um bar do Paquistão e viu ali o desenho de um cachorro voador feito por um artista local, que virou uma espécie de ‘mote’ da expedição e depois da cervejaria.


Em termos de sabor, a Flying Dog não difere muito de outras marcas gringas, como a Anderson Valley, que também estreou no Brasil este ano. “Depois de degustar os 16 rótulos – evidentemente, em sessões diferentes – a conclusão inevitável é de que as melhores cervejas norte-americanas por aqui, até agora, são as mais ‘extremas’: a IPA da Anderson Valley e a Gonzo Imperial Porter e a Double Pale Ale da Flying Dog”, Roberto dá seu veredito.

Outras cervejas yankees chegam ao mercado brasileiro ainda em 2010: a mesma Tarantino que importou a F.D. trará a Rogue, e a Brazil Ways, a Brooklyn, do mestre-cervejeiro Garrett Oliver, o rei da harmonização entre bebida e pratos, autor da máxima: “Qualquer um pode jogar lúpulo numa panela de cerveja, mas quem é capaz de torná-la maravilhosa?

ÁGUA NA BOCA
Não se julga um livro pela capa, mas o grande diferencial da Flying Dog é seu rótulo. Ralph Steadman, ilustrador oficial das obras de Hunter S.Thompson, assina o logotipo e todas as embalagens da marca. São dele os desenhos do clássico livro Medo e Delírio em Las Vegas, e é o retrato do jornalista que aparece no selo da GONZO Imperial Porter, uma cerveja “profunda e complexa, a começar pelo rótulo, retrato pós-morte de Thompson. Versão turbinada da Road Dog Porter, ela é escura, encorpada, maltada, com toques torrados, de café, e um surpreendente e original pontapé de lúpulo”, descreve Fonseca.

Nascido no País de Gales em 1936, Steadman é um expressionista que trabalhou nos melhores jornais e revistas da Grã-Bretanha e EUA, como Punch, Daily Telegraph, The Independent, New York Times e Rolling Stone, e ilustrou obras como Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll, A Revolução dos Bichos de George Orwell, Farenheit 451 de Ray Bradbury e O Dicionário do Diabo de Ambrose Bierce, além das biografias de Leonardo Da Vinci e Sigmund Freud. Mas foi nas reportagens caóticas de Hunter que Ralph encontrou a melhor tradução p/ seu estilo de pintura borrado, distorcido e vibrante.


Utilizando técnicas mistas que iam de gravuras e colagens até esculturas e monolitos, “Steadman definiu a Gonzo Art ao acompanhar algumas aventuras jornalísticas, ilustrando fatos em apoio ao que se era relatado por escrito”, define Ibaldo do blog Mindblower: “Esta química originou uma amizade de mais de trinta anos, até a morte do autor em 2005. Segundo Thompson, Steadman é o único ilustrador que realmente entendeu o conceito Gonzo.


Ralph Steadman também escreveu suas próprias histórias, como No Room to Swing a Cat e Cherrywood Cannon, livro infantis c/ desenhos “sinistros e carregados”, segundo a definição de Ibaldo. Também lançou The Big I Am, “uma história sobre Deus”. No Brasil, a editora Globo lançou Pequeno.com, no qual Stead emprega suas garatujas p/ imaginar o que acontece c/ o pequeno ponto dos endereços dos sites depois que desligamos o computador.


O homem é a soma dos seus vícios”, sentenciou Nelson Rodrigues. A parceria c/ a Flying Dog só confirma o estilo Gonzo de Steadman, que também lançou 2 livros sobre vinho e uísque baseado em suas pesquisas de campo. A dica da cerveja foi do degustador Jardel Sebba, em sua coluna Happy Hour na Playboy, que traz na capa deste mês a inebriante Cláudia Colucci, a ‘Cacau’ do último BBB.


Já falei que eu sou chocólatra?

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