quarta-feira, abril 28, 2010

DA LAMA AO CROSS
"LIKE A TRUE NATURE'S CHILD / WE WERE BORN, BORN TO BE WILD..."

Tenzin Gyatso era uma criança quando foi encontrado por monges e considerado a reencarnação do Bodhisattva da Compaixão, tornando-se então o 14º Dalai Lama, líder religioso do budismo e político do Tibet. Fugindo da invasão chinesa em 1959, governa o país do exílio, até hoje.

Rodrigo de Andrade Santos começou a andar de moto aos 3 anos de idade, e aos 13 já competia contra adultos. Aos 16, Rodrigo Lama sagrou-se CAMPEÃO BRASILEIRO DE MOTOCROSS.O apelido é porque treinava muito na chuva, me sujava de lama e meus amigos começaram a me chamar de 'Laminha'. Pegou e ficou até hoje.

Nunca um piloto sergipano foi tão longe. Rodrigo venceu o Campeonato Brasileiro no ano de estréia da categoria 85cc – 2008 – c/ uma etapa de antecipação e 2 vitórias: Arena Cross no Paraná e a 7ª etapa no Espírito Santo. O 1º a ser patrocinado pela Honda, onde passou 3 anos. Maior recordista dos campeonatos locais – Lama é octacampeão estadual – e o mais jovem também. Faz 18 em maio. Nem tirou habilitação ainda.

No final do ano passado, sofreu um acidente durante a Copa Brasil Nordeste, inédita competição nacional realizada no estado. Embicou na volta de um vôo e quebrou o pulso, ficando um tempo em recuperação e perdendo o patrô da Honda na sequência. Ele era o vice-líder do ranking nas categorias MX1 e MX2, atrás apenas de Thales Villardi. “Sempre vou à casa dele e ele vem para a minha”, fala o novo campeão brasileiro sobre a rivalidade dos dois: “Não existe clima ruim. É só alegria.

No último fim-de-semana foi inaugurada a nova pista de MotoCross de Aracaju, na orla de Atalaia, c/ a 1ª etapa do sergipano de MX 2010, e adivinha quem ganhou? “Sonhava com essa vitória”, diz o predestinado, “ainda não fechei com nenhum patrocínio, então vou treinar mais para ganhar mais.” Vitória após gesso, fisioterapia e quase 6 meses sem competir.

DAVI TELES SHOW

Paralelo ao campeonato de cross, rolou a poucos metros dali, na Praia do Meio, o Cyclone Open, 1ª etapa do circuito sergipano de surf 2010. Com presença maciça de surfistas de estados vizinhos e boas ondas no domingo, dia das finais, o campeonato foi “show de surf”, nas palavras do videomaker e presidente da FSS Leonardo Menezes:

Na categoria Open Davi Teles venceu e a galera gritou ‘aleluia’, o motivo explico: Davi é um excelente surfista e está sendo um dos principais destaques do surf sergipano, mas no circuito ele constantemente batia na trave”, diz Léo. Outros destaques foram os baianos Ian Costa, campeão mirim, e Vinicius Witchcestink na júnior, além das barbadas locais: Carine Góis na feminino, Robson Fraga no longboard e Edson Jr., o Papagaio, imbatível na master.

Davi Teles tem 21 anos e é local de Pirambu, cidadezinha do litoral norte de SE. Volta e meia ele embolsa uma expression session ou faz a melhor média de um evento, mas quase nunca vence. Desta vez Davi usou sua prancha como uma pedra numa funda, e acertou 2 aéreos na final p/ largar na pole da corrida ao título da temporada. O campeão da última etapa de 2009, Bruno Marujinho, ficou em 2º.

Davi e Marujinho, dois amigos de origens similares e bases distintas, deixaram um alagoano em 3º e um baiano em 4º. Esta foi a 2ª vitória de Teles no estadual: em 2008 ele venceu o Natural Art Open também na Praia do Meio, derrotando na ocasião um baiano, um potiguar e o local Pedro José, outro da mesma geração. "Comecei a pegar onda com uma tábua."

Na Open há Davi, Marujo, Pedro, Izidório Filho, Kauan Barbosa, Bruno Cainã e Daniel Silva [atual campeão SE] fazendo uma frente. Temos alguns profissionais – Romeu, Valmir Neto, Rafael Melo – e um do mesmo nível no estrangeiro – Diogo Lemos, radicado na Nova Zelândia. Mas nas categorias de base não está rolando renovação, e eu já cantei essa bola antes. Na júnior e na mirim, não emplacamos NENHUM sergipano nas finais.

Faço pranchas a preço de custo pra estimular mais gente a praticar o surf”, incentiva Marujinho: “É importante que gente nova se interesse, pra que possamos ter um maior nível de profissionalização.

EASY RIDER

Falta apoio, investimento, patrocínio. Basta ver a situação de atletas de ponta como Rodrigo Lama, Davi Teles e Bruno Marujinho aqui no estado p/ perceber que ainda há um longo caminho a ser trilhado. O caminho do meio, talvez?

"Muita gente ainda acha que surfista é vagabundo, não vê o esporte como uma profissão. Mas a realidade é outra, o surf é vida e também trabalho, foi esse esporte que eu escolhi para meu futuro", diz Teles.

Determinação, coragem e autoconfiança são fatores decisivos para o sucesso”, ensina o veterano Tenzin Gyatso, o Dalai: “Se estamos possuídos por uma inabalável determinação conseguiremos superar os problemas, independentemente das circunstâncias.

No início de 2009, o Periferia – programa de TV que eu dirigia e editava – exibiu uma matéria c/ Rodrigo, o jovem Lama, poucos meses após a conquista do título brasileiro. A reportagem é do apresentador Ganso e seus amigos franceses, a dupla de rappers Les Frangins. As imagens foram feitas c/ uma miniDV amadora e uma câmera de celular.

Usei "Born To Be Wild" do Steppenwolf p/ a trilha de abertura, um recurso manjadíssimo em reportagens sobre moto na TV. Na verdade, só um truque p/ engatar a 4ª e acelerar tudo c/ a versão final do SLAYER. Nascido p/ ser selvagem...

video

3 comentários:

Warini disse...

os atletas sergipanos são quase todos eles malandros ,rodrigo lama e davi teles são uma exceção ...muitos conseguem patrocínio e jogam fora porque aprontam !!!

Espedito disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Espedito disse...

eu fui pra indaiatuba assistir a corrida qd. rodrigo lama venceu o campeonato brasileiro....
levei a família toda, o rodrigo ficou em segundo....
é um campeão nato,sergipe tem q. investir nesse cara!...
EXP.