terça-feira, maio 04, 2010

CAMINHANDO E CANTANDO

Convidada pela 1ª vez p/ tocar no Abril Pro Rock, a Plástico Lunar foi pra Recife em mutirão: os 4 cavaleiros do apocalipse – Júnior Plástico, Júlio Dodges, Léo Airplane, Marcos Odara – mais o vocalista exilado no RJ – Jack Daniel’s [foto] – e um 3º guitarrista reencarnado – Rafael Costello. Encaixaram 10 músicas próprias, entre elas as novas ‘Algo Forte’ e ‘Quase Desisto’, num set de apenas meia hora e encerraram o show estourando o tempo c/ uma cover de ‘Sentado no Arco-Íris’, canção de um disco obscuro do cantor Leno gravado entre 1970/71, produzido por Raul Seixas e intitulado VIDA E OBRA DE JOHNNY MCCARTNEY. “Um trabalho visionário porque falava de reforma agrária, movimento dos trabalhadores sem-terra e igualdade social”, diz Júnior.

A Plástico tocou na noite de 17/04, data do Massacre de Eldorado dos Carajás. Em 1996, uma marcha de 2500 pessoas interditou um trecho da estrada que liga Belém a Marabá [PA], sendo dispersa através de uma ação policial que resultou em 22 protestantes mortos. O episódio levou à desapropriação da fazenda Macaxeira, à criação do Dia Internacional da Luta Pela Reforma Agrária, e ao surgimento do evento anual Abril Vermelho. Trata-se de um mês inteiro em que o MST intensifica suas ações. O movimento reinvidica o assentamento de 90.000 famílias acampadas, atualização dos índices de produtividade, e políticas públicas p/ as áreas de Reforma Agrária. Este ano, foram mais de 40 ocupações e marchas em 16 estados, entre eles Sergipe.

A maioria das áreas ocupadas já foram classificadas como improdutivas em vistorias do Incra, mas ainda não foram desapropriadas e destinadas à Reforma Agrária”, disse o coordenador nacional do MST, João Paulo Rodrigues, ao jornal Estadão. A Reforma Agrária é uma questão urgente há 500 anos, desde que Portugal instaurou na colônia Brasil as Capitanias Hereditárias. “A Constituição de 1988 garante a desapropriação do latifúndio improdutivo p/ a finalidade pública e interesse social, como a desapropriação da terra com finalidade de reforma agrária ou p/ a criação de reservas ecológicas, não sendo permitida, no entanto, a desapropriação de propriedades que tenham sido invadidas”, informa a Wikipédia: “É feita indenização aos ex-proprietários.

BANANEIRA NÃO DÁ LARANJA

Essa é a quarta ocupação, e nós viemos aqui pra, no mínimo, dar prejuízo a eles”, orientava aos militantes um de seus líderes, Miguel Serpa, antes da ocupação da fazenda da Cutrale em São Paulo. O vídeo foi apreendido pela PF e divulgado na mídia. A propriedade, na mira do movimento pelo cultivo de vegetais transgênicos, foi invadida, saqueada, e teve seus laranjais destruídos. Os funcionários temeram por suas vidas. Na fazenda Santa Marta, no Pará, 2000 hectares de floresta amazônica foram desmatados durante a ocupação do MST ano passado. A denúncia é de tráfico de madeira – cada tora de árvore vale mais de $1500 reais no mercado negro. Fotos da região tiradas pelo Google Earth foram a prova p/ dar a reintegração de posse na Justiça ao antigo dono.

Durante o Abril Vermelho deste ano, José Rainha mandou instalar bandeiras de apoio à pré-candidata do PT à Presidência nos acampamentos de Alta Paulista ao Pontal do Paranapanema [SP]. Numa alusão aos mortos no Massacre de Eldorado, o líder de Base do MST falou ao repórter Zé Maria Tomazela: “A história de cada um daqueles militantes é a história da nossa candidata Dilma, quando enfrentou a ditadura militar.” As bandeirolas contendo a frase “NÓS VOTAMOS DILMA PRESIDENTE” foram estendidas em 20 acampamentos. Diz Tomazela: “De acordo com Rainha, é a contribuição do movimento no oeste do estado de São Paulo para o Abril Vermelho, a jornada de lutas do MST nacional.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra é uma causa social justa – a ex-fazenda Macaxeira, por exemplo, tornou-se um assentamento-modelo – mas como acontece em toda organização humana, valores são desvirtuados no caminho, enquanto a massa é manobrada pelos líderes. Pra não dizer que não falei das flores, encerro este ‘post’ c/ um trecho do programa Cena do Som, exibido todas as quintas-feiras 20H pela AP.TV e apresentado pelo músico e luthier Nino Karvan, natural de Simão Dias, a terra da mangaba.

Fechando o mês do Abril Vermelho, o convidado da semana passada foi o compositor Lupércio Damaceno, pernambucano radicado em Sergipe e coordenador estadual de cultura do MST. Os títulos de suas músicas são quase um manifesto: ‘Samba da Natureza’, ‘Os Transgênicos no Cordel’, ‘Bananeira Não Dá Laranja’... Fiquem c/ ‘Pássaro Sonhador’ e o trecho final do bate-papo, que foi de Tropicália, militância e Teatro do Absurdo ao “suco de chiclete” e “a fruta que faz Coca-Cola”:

video

2 comentários:

rafa disse...

Realmente o MST tem muitas contradições, mas óbvio que os grandes veiculos da nossa mídia, tentam a todo custo criminalizar o movimento,E pensar que alguns anos atras o tema sem-terra fez parte de uma novela global com toques ate romanticos da luta pela reforma agraria. E infelizmente o governo atual vem tentando coopta o movimento, barganhando as conquistas por voto. Mas ainda sim acredito na luta dos trabalhores, como diria Frei Betto "Prefiro correr o risco de errar com os pobres do que ter a pretensão de acertar sem eles".

rafa disse...

Ah, e divulga meu blog ai no seu, rsrsr. Vou tentar deixar a preguiça de lado e atualizar com mais frequencia.

http://fome-de-tudoo.blogspot.com


valeu