sábado, maio 01, 2010

JÁ É
"VOA, CANARINHO, VOA"
Deu até no Jornal Nacional: “Brasileiro vence mundial de surf em Santa Catarina”, anunciou Chico Pinheiro, substituindo Willian Bonner... “Derrotando o maior surfista do mundo na final, o norte-americano Kelly Slater”, completou Fátima Bernardes. O nome do brasileiro campeão nem foi citado na manchete, mas contra fatos não há argumentos. Nesta quinta, 29/04, Jadson André venceu a 3ª etapa do World Tour 2010, o Billabong Pro na Praia da Vila, em Imbituba.
Não sou tão conhecido ainda, mas tudo bem, não tem problema”, disse ao Globo Esporte: “Cada vez que você se destaca nas competições, as pessoas vão te conhecendo melhor. Vou crescendo aos poucos.” Jadson era nosso único representante no último dia de competição, e mesmo assim pouca gente apostaria numa vitória dele contra estrelas como Dane Reynolds, Jordy Smith, CJ Hobgood, Taylor Knox e o monstro Slater, campeão desta etapa no ano passado.
Ele é quase imbatível nessas condições, e detonou todo mundo hoje”, reconheceu KS9, que após o vice no Brasil assumiu a liderança do ranking e está cada vez mais próximo de se tornar KS10: “Eu teria que ter pego umas ondas c/ sessões que possibilitassem uns aéreos”, referindo-se ao surf voador do jovem adversário e às condições do dia final, marolas de 3’ abrindo p/ a esquerda.
NEYMAR DO SURFO garotão Neymar é a nova sensação do futebol brasileiro. O atacante de apenas 18 anos tem habilidade p/ dribles desconcertantes, velocidade p/ burlar defesas, e instinto de matador: média de 1 gol por partida em 2010. Seu contrato c/ o Santos vai até 2014, c/ salário atual de R$ 80 mil e multa rescisória em caso de venda p/ o exterior no valor de US$ 45 milhões.
Já há uma campanha p/ que Dunga o escale p/ a Copa, e tem gente que o considera melhor que Messi, argentino eleito melhor jogador do mundo em 2009. “Neymar não ‘güenta um peido!”, comentou minha amiga Lu Silva sobre a possibilidade do moleque da Vila Belmiro entrar em campo na África do Sul: “aqui no Brasil ele entorta os pernas-de-pau, contra os melhores do mundo não ia dar nem pro cheiro.” Sabe tudo de bola, a Lu.
Neymar joga muito, é goleador, mas ainda não se provou em partidas pela seleção. Por enquanto, é um fenômeno nacional prestes a conquistar o campeonato paulista. Aos 18, Jadson André já havia sido campeão mundial amador jr. [2007] e vencia sua 1ª prova no WQS, o Gatorade Classic, evento 3 estrelas da zona de acesso, resultado que quase o classificou p/ a 1ª divisão logo em sua primeira temporada no circuito mundial.
Eu tive sorte por chegar ao título do Mundial Amador. É incrível, né? Porque aqueles ali serão os surfistas que vão estar entre os melhores do mundo em, sei lá, 10 anos. Então, te dá confiança.” Nessa época, Jadson até usava um moicano igual ao que o Neymar ostenta hoje. “Quando fui pra São Paulo não pensava tão alto. Mas quando os resultados foram aparecendo, tracei meus objetivos e vou fazer de tudo p/ alcançá-los.
Assim como Neymar foi criado pelo Santos F.C., Jadson logo cedo entrou p/ o time da Oakley, sendo assessorado pelo técnico Luís Henrique ‘Pinga’, o mesmo responsável pela carreira bem-sucedida de Adriano Mineirinho, seu companheiro de equipe. “Adriano é o meu herói. Toda pressão tem sido sobre ele nesses últimos anos, e eu aprendi c/ isso. Ele é uma inspiração e tem me ajudado muito este ano.
BOM DA CABEÇA...Tenho que passar uma imagem boa. Não posso relaxar, tenho que evoluir a cada etapa. Faço tudo pra alcançar meus objetivos. Não quero ser mais um louco no surf.
Jadson André nasceu no interior do Rio Grande do Norte e só começou a pegar onda aos 10 anos, idade em que muitos campeões já competem nas categorias iniciantes. “Eu comecei de brincadeira, só comecei a levar o surf a sério mesmo c/ uns 13 anos. Foi dando certo, fui bem em brasileiros e mundiais mirins e acabei me mudando pro Guarujá aos 15 anos pra poder crescer, né? Foi difícil deixar pai, mãe, mas eles sabiam que era importante pra mim. Em Natal não tinha muita gente surfando pra valer, a maioria levava na brincadeira.
Surf é uma profissão informal, e campeonatos, entre outras coisas, envolvem festas, que envolvem garotas, álcool e outras substâncias que todos conhecemos bem. É fácil se perder nesse mundo. Os exemplos são muitos. Adolescentes paulistas, cariocas, nordestinos, apontados como futuros campeões mundiais nas últimas duas décadas que deram c/ os burros n’água por não suportarem a pressão.
Jadson perdeu as 2 finais que disputou no Billabong World Junior da Austrália, válido como Mundial Sub-20 – em 2009 p/ o havaiano Kai Barger e 2010 p/ o azarão Maxine Huscenot. Ele foi o grande destaque nas últimas duas edições do evento, e só não levou em nenhuma das ocasiões por capricho do destino. Tremendo anti-clímax. O contrário do que aconteceu c/ o cearense Pablo Paulino, campeão mundial pro-jr. logo na 1ª vez que correu o campeonato, em 2005, aos 17 anos, e bicampeão mundial jr. em 2008, aos 20.
Pablo tem a mesma idade de Mineirinho, mas ainda não emplacou no circuito mundial. Ano passado fez algumas finais em etapas brasileiras do WQS, acumulando pontos p/ ficar c/ o título sul-americano mesmo sem vencer nenhuma. No entanto, aos 23 anos, ainda busca a classificação p/ o WT. Jadson garantiu a vaga logo em seu 2º ano dando a volta ao mundo, vencendo a etapa 6* Prime em Durban, na África do Sul, derrotando 2 novas promessas da Austrália – Owen Wright na final e Matt Wilkinson na semi – , e terminando o ano em 3º lugar no ranking do Qualifying Series.
“Por causa da estrutura que me criaram, eu me acostumei muito fácil. Nunca tive problemas com fuso, por exemplo. Passo o dia acordado p/ me acostumar”, diz JA, que carrega em seu DNA características do surf de outros campeões de Natal, como o ‘flair’ de Joca Júnior e o ‘power’ de Danilo Costa, responsável por sua entrada na Oakley. “Tenho uma estrutura muito boa por trás. Nunca fiquei numa roubada. Fico nos melhores lugares e tenho os melhores equipamentos. Sou um privilegiado. Tenho até psicóloga. E tenho de dar os parabéns a ela por me aturar.
...E UM FOGUETE NO PÉA etapa do Brasil foi marcada pelo ataque da nova escola: dos 8 primeiros colocados, 5 estrearam este ano ou ano passado. Dane, Jordy e Michel Bourez são da turma de 2009, Jadson e Owen são recrutas. Todos obtiveram upgrades na classificação geral – Reynolds agora é 6º, Smith 2º e Jadson 4º – , o que importantíssimo nesta temporada, que a partir do 2º semestre terá uma redução no quadro de atletas do World Tour, de 45 p/ 32. “Um bom resultado aqui é muito importante”, diz André: “não só p/ ajudar a passar no corte dos Top 32, mas também p/ ajudar no seeding de J-Bay e Teahupoo.
Jadson encontrou seu ritmo logo cedo e eu não pude fazer nada”, reconheceu Dane Reynolds, derrotado na semifinal por 16.67 contra 17.70 a favor do brasileiro. O americano de 24 anos é o atual 'showman' do tour, e aqui não foi diferente. Em sua bateria das quartas-de-final, marcou 9.77 c/ um method air de backside, manobra c/ alto grau de dificuldade. Mas na semi, o nosso atacante mostrou que nesse jogo aéreo também bate um bolão.
É uma manobra que eu treino muito, constantemente. Lá em Ponta Negra as ondas são perfeitas pra isso e hoje elas estavam do jeito que eu gosto aqui. Com certeza a pressão estava mais com o Kelly, porque ele é o favorito, nove vezes campeão mundial e está na ponta do ranking. Eu procurei apenas fazer o surf que vinha fazendo antes e no final deu tudo certo.JA derrotou KS na final pelo placar de 14.40x14.00, virando a partida na última onda c/ 2 vôos que valeram 7.91 de nota.
Acho que todos imaginariam uma final contra o Mick [bicampeão mundial 2007/09], o Joel [vice 2002/05/09], mas estou feliz pelo Jadson”, disse o careca da Flórida. “Certamente, este é um dia que ele jamais vai esquecer, é o seu primeiro ano no tour e ele quebrou neste evento. A cada esquerda ele vinha c/ seus aéreos reverses com grande facilidade.” Elogio de eneacampeão, c/ uma alfinetada no final: “Vamos ver se ele consegue manter a performance em lugares como Teahupoo e Pipeline.
Em ano de Copa do Mundo é sempre bom ver o Brasil vencendo. O triunfo de Jadson nesta quinta quebrou um jejum de 12 anos sem vitória de um local na etapa brasileira do World Tour – a última vez fora c/ Peterson Rosa em 1998, quando o evento ainda acontecia no Rio de Janeiro. Jadson é o 2º nordestino a vencer uma prova da 1ª divisão em 34 anos de circuito mundial – Fábio Gouveia e suas 4 vitórias era o único ‘paraíba’ a marcar tentos até então – e o mais jovem surfista do Brasil a alcançar uma conquista desse naipe – Fabinho tinha 21 quando levou o Hang Loose Pro no Guarujá em 90 e Mineirinho venceu na Espanha aos 23. Sem falar que deu o troco no Slater, que venceu aqui ano passado em cima do Adriano.
É o melhor dia da minha vida”, comemora o craque potiguar: “Tive um momento muito espiritual antes do início da competição. Uma borboleta pousou no meu braço e eu fiquei olhando e imaginando se era um sinal de que alguma coisa maravilhos iria acontecer na minha vida. E aconteceu!

2 comentários:

Escolas de Surfe disse...

Parabéns, SUCESSO.

FUN disse...

O MLQ ta FOD@!!!! surfando muito!!
Muito boa matéria.