sábado, junho 19, 2010

OSSOS DO OFÍCIO 
Caiu de moto?

Foi a pergunta que mais ouvi nos últimos dias.

– Não, mordida de cachorro!

Quarta-feira, 16/06. Eu levava meu cachorro – um pitbull chamado Chacal que herdei junto c/ a casa que comprei no início do ano – p/ seu passeio diário pelo bairro, quando um poodle saiu por um portão aberto, atravessou a rua correndo e latindo, e a pendenga começou. Consegui tirar o cão pentelho das garras de Chacal, mas neste momento ele fechou a bocarra antes que eu tirasse totalmente minha mão de sua mandíbula.

Quase perdi a ponta do dedo médio direito. Unha partida, carne perfurada, osso quebrado; 4 horas no Hospital de Urgência e 10 dias sem beber, tomando vacinas e antibióticos. Pior: Assim que soltou o maldito poodle, Chacal abocanhou o filhote que latia ao lado. Por isso fui mordido. De tabela. Azar. “Pra se topar uma encrenca/ basta andar distraído/ que ela um dia aparece/ (não adianta fazer prece...)”, cantava Moreira da Silva.

Tragédia. O cachorrinho morreu. Na hora.

A primeira coisa que fiz quando tive alta foi procurar a dona do animal e oferecer meus préstimos. Prometi lhe dar um novo filhote, p/ compensar a perda. Quanto ao meu ‘dog’, só volta a sair c/ focinheira. E mesmo assim, apenas quando eu me recuperar, o que p/ Chacal significa uns dias ‘de castigo’ preso no quintal. Fui imprudente, talvez por inexperiência – já tive outros cães, de vira-latas a husky siberiano, mas nenhum do porte ou poder de destruição de um pitbull. Apesar de tudo, é um bicho obediente e tranqüilo c/ humanos – a não ser que você tente invadir minha casa.

Os pitbulls foram estigmatizados no Brasil graças aos seus donos criminosos, protegidos por uma sociedade abertamente injusta”, diz o criador Luiz F. referindo-se aos Pit Boys. “Cães pitbulls bem criados dificilmente se sentem ameaçados com nossa presença e dificilmente atacam por medo. Já perto de um pequenês ou outros cães de pequeno porte, nunca me sinto à vontade. Eles mordem mais frequentemente pois se sentem ameaçados c/ a presença de qualquer animal maior que eles. Este é o grande motivo dos ataques.

No mesmo dia da mordida, recebi o convite que a HARDCORE me enviou pelo correio p/ a festa de 21 anos da revista, que acontece HOJE na boate Sirena, na praia de Maresias, valorizado pedaço do litoral norte de SP. A discotecagem ficará a cargo do Zegon, o Zé Gonzales do Planet Hemp atualmente em carreira internacional c/ o N.A.S.A.. O evento também servirá p/ o lançamento do novo site da publicação paulista. Demorou.

Desde que mudou de editora, a HC estava fora do ar na internet, acessível apenas por redes sociais. Em semelhante situação se encontra a revista Fluir. Ou melhor, não se encontra, já que a revista de surf mais antiga do país só pode ser acessada pelos perfis no Facebook ou Twitter. Sua página oficial na web não é atualizada há quase 2 anos.

Enquanto os grandes boiavam no outside, uma série de novos títulos entrou c/ força no ‘line-up’ virtual brasileiro. A 1ª e mais conhecida é a BLACKWATER, editada pela mesma turma responsável pelos filmes da marca carioca Que! Life Style. O nome da revista faz alusão ao grupo paramilitar americano que agiu em missões secretas na Guerra do Iraque. O nº 1 foi ‘loadeado’ em julho de 2006. “A revista nasceu para usar a internet, inicialmente, como alternativa para um projeto de baixo custo que gerasse um serviço gratuito e de qualidade para o leitor”, explica o fotógrafo Fábio Minduim: “O pioneirismo no Brasil colocou o projeto Blackwater em um oceano azul. Desde então a revista manteve o foco em um conteúdo diferenciado baseado em inovações tecnológicas.

De São Paulo vem a revista PARAFINA, c/ foco em arte, literatura e meio-ambiente. Uma das melhores. E o Guarujá é a nova sede da V8Surf, que nasceu em Fortaleza [CE] e passou a contar c/ o reforço da lenda viva Taiu Bueno – um dos maiores big riders do Brasil, preso a uma cadeira de rodas há quase 20 anos. “Embarquei de corpo e alma (guerreira) neste projeto”, comemorou Taiu.

O foco na gratuidade acoplado com um projeto multimídia levou o surfe a todos os sentidos do surfista moderno”, blogou o jornalista Luís Lima: “A revista Blackwater, por exemplo, tem nos vídeos e áudio a base ideal para transferir todos os sentimentos do surfe direto para a tela do computador.

Diziam que a internet acabaria c/ os livros, revistas e jornais. Previam um futuro tecnológico distópico, uma espécie de sociedade à la Farenheit 451, o famoso romance de Ray Bradbury no qual livros são queimados em "uma América hedonista e anti-intelectual que perdeu totalmente o controle", diz a Wikipedia. "É uma história sobre como a televisão destrói o interesse na leitura", dizia Bradbury. Hoje temos Kindles e Ipads, ‘gadgets’ de leitura virtual que seriam a concretização desse ‘apocalipse’ da mídia impressa tal qual Gutenberg a inventou. Mas os números desmentem as previsões.

A livraria virtual Amazon é o 2º negócio mais lucrativo da net, apenas o Google vale mais. No mês de abril, os jornais dos EUA bateram recorde de audiência on-line – 2 bilhões de acessos. Seguindo uma tendência criada pelos americanos, o maior jornal francês, Le Figaro, reformulou seu site e passou a cobrar por conteúdos específicos – informações em tempo real continuam livres. No Brasil, o Instituto Verificador de Circulação registrou alta de 1,5% no mercado nacional de jornais durante o 1º quadrimestre deste ano.

O mercado de revistas registrou crescimento de 5% a 7,5% nos últimos 3 anos, segundo a ANER. Este tipo de mídia responde a 8,5% da fatia do bolo publicitário no Brasil. A projeção é que em 3 anos atinja 10,5% do ‘share’. Esta evolução pode ser constatada pelos lançamentos dos últimos anos, desde a Piauí da editora Abril às independentes Zupi, +Soma e Vice.

Algumas nascem no mundo real mas vingam mesmo no virtual. É o caso da IdeaFixa, totalmente dedicada à arte: pintura, ilustração, fotografia, design... “O objetivo é inspirar e promover os artistas participantes”, diz Berna Bauer. A NOIZE, voltada ao mundo musical, já está no nº 34. “Todo mundo quer dar uma bocada na coxinha”, zoa a editora Ana Malmaceda, que mensalmente disponibiliza uma nova edição.

Não há limite de tiragem e o alcance é infinito”, resume o ‘blackwaterman’ Minduim. Pode ser que as mídias eletrônicas superem e acabem c/ os veículos impressos, mas esse dia ainda está relativamente distante. “Steve Jobs não é o novo Gutenberg”, compara o jornalista Alexandre Versignassi, da SUPER: “Você sabe por que. Ler um livro inteiro no computador é insuportável. Isso sem falar em outro ingrediente: quem gosta de ler curte tocar, sentir o fluxo das páginas, exibir a estante cheia. Uma relação de fetiche. Amor até.

O Kindle não emite luz, o que facilita a leitura, mas a tinta eletrônica demora p/ se reposicionar ao virar as páginas virtuais. Além disso, a tela é em preto e branco – só funciona bem c/ livros. O Ipad tem tela colorida, mas de LCD, que após algumas horas irritam os olhos. Além disso, vem c/ defeito de fábrica: não lê páginas em Flash, o que impossibilita a visualização de muitas publicações.

Revistas como a Ôxe! Skate e a Inferno Pub podem ser lidas através do site Issuu, um portal que transforma documentos em PDF em páginas diagramadas, que podem ser viradas c/ o mouse, num movimento que emula o papel. A animação é feita em Flash, c/ opções de zoom e impressão, entre outras.

No nordeste é difícil manter uma revista só de skate, existem muitas marcas mas ainda pequenas, e com isso fica complicado de fazer algo relacionado ao esporte”, explica Júlio Detefon, co-editor da sergipana Ôxe!: “O Tiago Rocha já fazia um site chamado Cyberboard. Lançar a Ôxe nesse formato já é difícil, imagine publicar! Mas vamos trabalhando...

Pra mim é a maior terapia editar um zine”, diz DJason, da banda Miami Bros., “não vejo tal tarefa como esforço algum.” O zine Inferno Pub traz notícias musicais e ensaios sensuais c/ gatas do underground carioca. A última edição traz a funkeira Dani Brinks, autora de versos singelos como “[...] me faz de gato e sapato/ me leva logo pro quarto/ ai neném, ai neném/ me seca neném, me seca neném/ me seca (delícia)”.

Dizem que o Sirena é o night-club c/ maior concentração de mulher bonita por metro quadrado na noite paulista. A praia de Maresias produz alguns dos maiores tubos do Brasil. A Hardcore é uma das melhores revistas de surf do mundo. E o DJ da festa é o Zegon!

Fiz 40 anos e toco desde os 17. São 23 anos de noite”, falou Zé à revista OE. Ano passado, ele montou uma base p/ seu grupo em São Sebastião, onde fica Maresias. Seu parceiro Sam trouxe o irmão Spike Jonze, e Zé levou o fotógrafo Bitão e o videomaker Raul Machado: “Paramos tudo, fomos pra praia e montamos um estúdio. De manhã nadava, relaxava, comia um churrasco. Mas chegava a noite e íamos fazer o quê? Música! E toda essa galera surfa, aí ficou a casa do surf com estúdio montado... Foram os melhores dias do ano!

A balada vai ser boa. Mas p/ conferir eu teria que pegar um avião até Sampa e descer pro litoral, tudo isso p/ NÃO surfar, NÃO beber e NÃO pegar ninguém – sou casado, e o convite é individual. Melhor NÃO ir. Fica pra próxima.

Valeu, HC. Se vocês precisarem de um jornalista gonzo, sabem onde me encontrar. Eu já disponibilizo meu conteúdo de graça na internet mesmo...

FOTOS: ADOLFO SÁ + MÁRCIO VENÂNCIO + REPRODUÇÕES
SPECIAL FUCKIN' THANKS: JÚLIO ADLER, STEVEN ALLAIN & PRIMOS STRYJER

3 comentários:

Espedito disse...

melhoras!

Riot disse...

nossa,hardcore mesmo!!! =O
mas,e essas mulheres aí?
kkkk...
bj0s

Viva La Brasa disse...

...uma é a Mary, outra é a Jane.