segunda-feira, julho 12, 2010

BLACK MERDA 
Detroit detona! Conhecida como ‘Motor City’ por causa da pioneira fábrica de carros da Ford, também pode ser considerada a cidade mais ROCK dos EUA. Se de Seattle saíram Jimi Hendrix e Nirvana, da capital de Michigan vieram MC5, Stooges, Iggy Pop, KISS, White Stripes e Racounteurs. Isso p/ não citar o pessoal do soul/funk nos 60/70 – Aretha Franklin, Stevie Wonder, Parliament/Funkadelic, a gravadora Motown...
E foi em ‘Detroit Rock City’ que surgiu a primeira banda do gênero formada exclusivamente por negros: BLACK MERDA.  Parece piada, mas é sério. Muito antes do Living Colour pensar em existir, os guitarristas Anthony ‘Wolf’ Hawkins, seu irmão Charlie ‘Hawk’, o baixista ‘Veesee’ Veasey e o batera Tyrone Hite já faziam música psicodélica, baseados em soul e funk.
The Jimi Hendrix Experience era interracial, The Chambers Brothers era interracial, se você incluir Sly & The Family Stone, eles também eram um grupo interracial”, explica Wolf. “Nós estávamos fazendo nosso rock quando o Funkadelic ainda era uma banda de doo-wop chamada The Parliaments. Nós fizemos um show juntos em Detroit e só depois disso eles se transformaram no Funkadelic!
Lançaram seu 1º single pela Chess Records quando a banda ainda se chamava Soul Agents – a música era Foxy Lady do Hendrix [“fomos os primeiros a gravar um cover dele!”, diz Hawk]. Em 1968 mudam de assinatura, lançam o single CYNTHY-RUTH em 69, e em 70 o álbum de estréia, o homônimo BLACK MERDA. “Em 67 nós já éramos o Black Merda em tudo menos no nome: estilo, roupas, visual, atitude, som e música”, diz Wolf: “Quando nos rebatizamos de Black Merda, já vínhamos fazendo nosso rock desde um ano antes.
Desfizeram a formação pouco tempo depois do lançamento do álbum LONG BURN THE FIRE, de 72. Após um hiato de mais de 30 anos, voltaram a se reunir em 2005, quando rolou uma redescoberta do grupo pelas novas gerações através das coletâneas THE FOLKS FROM MOTHER’S MIXER e THE PSYCH-FUNK OF BLACK MERDA [lançada apenas em vinil]. Em 2006 gravam o 3º disco de estúdio, RENAISSANCE, e em 2009, FORCE OF NATURE.
Quem me apresentou o som foi Júlio ‘Dodges’, guitarrista da Plástico Lunar e The Baggios, um fissurado por blues e rock vintage: “Os conheço há um bom tempo e vi que não é bom classificar a banda pelo nome.” A Black Merda mantém um site cujo slogan é "The First Black Rock Band", onde os fãs podem conversar os integrantes.
A peculiar alcunha vem do sotaque nos guetos negros americanos e do psicodelismo de uma época em que as bandas tinham nomes de cores: Blue Cheer, Pink Floyd, Deep Purple, etc. Mas, p/ azar dos irmãos Hawkins & seus comparsas, o título que escolheram p/ sua banda de rock tem duplo sentido em pelo menos 3 línguas latinas. Quem explica é Veesee ‘The Mighty V’, que além do baixo comanda os vocais da banda: 
Ficamos sabendo na internet que em português, francês e italiano ‘merda’ significa ‘cocô’! Originalmente nosso nome seria Black Murder, mas mudamos a grafia p/ Merda por causa da pronúncia em inglês, então nosso uso da palavra ‘merda’ não vem do português, francês ou italiano. Merda means murder! 
Mas de qualquer jeito, ‘shit’ é usada de diferentes maneiras na cultura afroamericana: ‘You need to get your shit together!’, ‘Where’s my shit?’, ‘Give me the real shit!’, ‘That’s some real good shit!’, ‘I really like your shit!’... Então, dá pra dizer que ‘Black Merda plays some real cool black shit!’...
MERDA MEANS MURDER!Veese ‘The Might V’





2 comentários:

Marcão disse...

Salve Adolfo, já havia escutado duas músicas deles, mas de fato não sabia da história, como pouco sei de outras bandas. A sequência de postagem aí tá do caralho. De Black Merda, passando por Laranja Mecânica, que por favor, se você tiver o filme, me empresta pra fazer uma cópia, e encerrando com Juninho e Cara de Sapo. Salve nego, paz e muita luz.

Maicon disse...

Brother ADLF, grande post.
Devo tomar vergonha e ter este post como um bom exemplo de um bom serviço ahahaha... faz tempo que não atualizo aquele Canço.
Estou agora mesmo buscando estas novidades pra mim, pois não sabia do retorno dos BM nem desses novos discos.

Grande post.

Abraço