sexta-feira, julho 23, 2010

BEBÊ CHORÃO
C’est dur dur d’être bébé/ Oh là là bébé, c’est dur dur d’être bébé”... Jordy Lemoine foi o maior astro mirim da música pop, vendendo 2 milhões de cópias na França do disco POCHETTE SURPRISE em 1992, que trazia os hits Alison e Dur Dur D’être Bébé [“é duro ser um bebê”]: “Je m’apelle Jordy/ J’ai quatre ans et suis petit...

Jordy só tinha 4 anos quando entrou no Guinness como o cantor mais jovem a ter um single em 1º lugar. Seu álbum fez sucesso na Europa, EUA, Japão, e estourou no Brasil em 93. Em 94, o governo francês percebeu o que todo mundo já imaginava – o loirinho era explorado pelos pais – e decidiu banir o ‘dimenor’ da mídia, num ‘Efeito Simonal’ c/ fins educativos. 

Jordy Smith tem 22 anos e é o 1º surfista da África do Sul a vencer uma etapa do Wolrd Tour da ASP, feito obtido no último domingo, quando derrotou o australiano Adam Melling na final do Billabong Pro J-Bay, 4ª etapa do circuito.

É o melhor dia da minha vida”, falou o craque p/ a torcida na praia. “É um sentimento diferente. Temos um longo caminho pela frente ainda e não dá pra descartar ninguém da briga do título até o encerramento da temporada. Então, quero aproveitar essa sensação de estar na frente do ranking agora.

COLETIVO MODERNO

Desde que estourou em 2006, ao vencer o ISA Games aos 18 anos, Jordy é apontado como o legítimo sucessor de Shaun Tomson, único sulafricano campeão mundial de surf, nos tempos da extinta IPS.

Shaun fez parte da geração Free Ride, à qual pertenceram os aussies Wayne ‘Rabbit’ Bartholomew e Mark Richards – todos foram campeões, Shaun em 77, Rabbit em 78 e MR de 79 a 82. Os ‘free riders’ revolucionaram a maneira de entubar em Pipeline e Backdoor nos anos 70, alvorada das pranchinhas. Tomson também foi o mais longevo Top 16, 13 anos seguidos de 76 a 88.

Em tudo, Jordy é uma versão moderna do Shaun: é alto e surfa c/ o pé esquerdo na frente, de modo inovador – seu rodeo clown nas Mentawaii é hit no YouTube. Ao completar a maioridade, foi alvo de uma disputa mortal entre gigantes do sportswear como Nike e Quiksilver, fechando c/ a marca californiana O’neill, patrocinadora vitalícia de Tomson.

Smith faz parte da turma que chegou c/ mais moral ao WT – a geração Modern Collective: além dele, o americano Dane Reynolds, o francês Jeremy Flores e o brasileiro Adriano ‘Mineirinho’ de Souza são apontados como futuros campeões mundiais. À exceção de Dane, todos já foram campeões do WQS – Mineirinho em 2005, Jeremy em 06, Jordy em 07.

TOUR-DE-FORCE
Adriano tem a mesma idade de Jordy, mas surgiu p/ o mundo em 2004, vencendo o Pro-Jr. na Austrália e se tornando o mais jovem campeão mundial sub-21 da história, aos 16. Classificou-se p/ o WT um ano antes de Smith, chegou aos Top 10 primeiro – 7º lugar em 2008 – e também venceu na frente – campeão em Mundaka, Espanha, ano passado, quando fechou em 5º do mundo, enquanto Smith estreava nos Top 16 em 11º lugar.

JS derrotou De Souza na final do Pro-Jr. de 2007, e o brazuca deu troco eliminando-o em casa, J-Bay, 2 anos depois. A revanche veio na bateria de abertura do domingo. Da cobertura da ESPN Brasil:

Jordy abriu com 7.00, fechando a onda com um alley oop rodando. Pegou outra sob  prioridade de Adriano, e mesmo numa onda pequena, mandou um 9.43 com direito a aéreo perfeito. Essa tem sido sua tática desde o início: buscar as manobras mais que as ondas. Mineiro sabia que não poderia se dar a esse luxo e esperou pela boa. Depois de quase metade da bateria surfou bem um expresso. Ótimas rasgadas, aéreo grab e finalizou com um floater. Marcou 8.27 e saiu da combi, mas ainda teria que arrumar outro 8.27.

Adriano ficou em 5º no campeonato e está em 5º no ranking. “É a quarta vez que eu chego nas quartas-de-final neste evento em cinco participações”, falou o mineiro do Guarujá. Também foi a terceira vez que alcançou esta fase em 4 etapas realizadas este ano, consistência no tour-de-force rumo ao “título mundial em 3 anos” profetizado por Ian Cairns.

VAMOS COMBINAR
Este ano, na África, não teve pra ninguém. Jordy vinha de uma vitória no tradicional WQS 6* em Durban na semana anterior. Nas semis em J-Bay, virou o resultado em cima do vicecampeão mundial 2008 Bede Durbidge c/ 2 ondas em 1 minuto. “Eu já estava com sono quando, faltando 3 minutos para Bede fazer a final, Jordy pega uma merreca e manda um superman seguido por rasgadas”, descreve o repórter da ESPN:

Saiu da combi, mas não parecia haver tempo para mais nada. Bede, com a prioridade, pega uma boa e finaliza quase comemorando, só que há outra onda atrás. Jordy abre com aéreo, acelera enquanto ataca o lip e acha espaço para uma rasgada matadora.  Numa das viradas mais impressionantes, Jordy voou para a final para delírio do público local.

Na final, atropelou o estreante Adam Melling, 17.93 x 10.00. “Trabalhei duro muito tempo para chegar aqui e não quero sair”, disse Adam: “Cheguei em Jeffrey’s na rabeira do ranking, fora do grupo dos 32 que vão continuar no circuito até o fim do ano, agora sou o 19º, então só posso estar feliz. Tivemos ondas incríveis durante a semana e conquistar o melhor resultado da minha carreira aqui foi fantástico.

Jordy abriu a disputa c/ um 8.90 e um 9.03 em sequência. “Eu entro na água pra vencer”, disse numa entrevista à revista Surfing Life, na qual admitiu que, se tivesse apenas uma vitória no World Tour em toda a carreira, que fosse em Jeffrey’s.

LEI DE HOLMES
Kelly Slater, o surfista mais vitorioso em J-Bay [pra variar] c/ 4 títulos, chegou na África no topo da cadeia alimentar. Mas, se o eneacampeão continua desafiando a lei da gravidade aos 38 anos de idade – como na final em Bell’s onde venceu mandando um alley oop – , em Jeffrey’s acabou enquadrado na lei de Murphy.

Tudo o que poderia dar errado na minha viagem pra cá, deu”, comentou c/ a imprensa: “Meu vôo saiu atrasado da Costa Leste dos EUA por causa das tempestades, e em seguida falhas mecânicas e mais atrasos. Cheguei à noite em Joanesburgo, mas minhas malas não apareceram. Acho que essa viagem me tomou umas 40 horas.

FreaKazóide venceu sua bateria de estréia, mas sua maré de azar continuou. Na 3ª fase, numa hora ruim do mar, perdeu por 4 décimos p/ o wild card Sean Holmes, 13.10 x 13.06 – esse cara é uma pedra na botinha de borracha dos Tops. Durante o domínio de Andy Irons no circuito, de 2002 a 2004, Holmes derrotou-o sucessivas vezes nas fases iniciais deste evento.

Sean nunca fez parte dos Top 45, mas por ser sulafricano e patrocinado pela Billabong, compete todo ano na etapa do WT em J-Bay, pico onde sempre surpreende. Em 2010, aos 32, eliminou Jadson André na repescagem – jogando o brasileiro do 4º p/ o 9º lugar no ranking – , Kelly Slater no round 3 – fazendo-o perder a liderança – e novamente Irons nas oitavas. Deu um beijo na esposa que lembrou o do goleiro da Espanha na jornalista Sara Carbonero.

JE NE SUIS PLUS UN BÉBÉ
Jordy, o cantor, voltou à cena ao vencer a segunda temporada do programa de televisão La Ferme Célébrites em 2005, em sua primeira aparição pública após quase 10 anos. Em 2006 lançou um novo single, Je T’apprendai [“eu aprendi”]. Em 2008 gravou o álbum VINGT’AGE, título que fazia trocadilho c/ ‘vintage’ e sua idade então, vinte [“vingt”] anos. Ele continua no ramo da música, acompanhado da banda The Dixies.

Em abril de 2009, a justiça da França determinou que a Sony/BMG pagasse a Jordy Lemoine $820 mil euros pelos direitos autorais das músicas que gravou na infância. Em 23 de março deste ano, Jordy lançou sua autobiografia, Je Ne Suis Plus Un Bébé [“eu não sou mais um bebê”], em que afirma que o valor estipulado não chega a 1/10 do lucro que deu à gravadora.

Jordy, o surfista, vive o melhor momento da sua bem-remunerada e promissora carreira. “Se posso roubar o título do Slater? Não sei, veremos. Vai ser como uma luta de boxe. Há 12 assaltos e nós ainda estamos no 4º.” Seu triunfo representa mais do que a volta de um sulafricano ao topo do mundo. Surfando ao som de vuvuzelas, Jordy Smith deu ao público africano a redenção da vitória, celebrada como se fosse a Copa, no dia do aniversário de Nelson Mandela – 18 de julho.

J-Bay é conhecida assim porque a cidadezinha que cerca a baía foi criada em torno do armazém Jeffrey & Glendinnings, a partir de 1849. Em 2010, o ‘J’ da melhor direita do mundo leva a assinatura de Jordy, que, homem feito, comemorou nos braços da mãe: “A torcida me apoiou durante toda a semana. Os gritos e as vuvuzelas me motivaram. Não teria conseguido vencer sem isso... É melhor parar de falar, antes que eu comece a chorar.”

JORDY’S BAY 2010
O GAROTO DE OURO DA ÁFRICA TEM UM FUTURO BRILHANTE
J-BAY É UM TERRENO SUPERVALORIZADO; MINEIRINHO NA ONDA
ADRIAN 'ACE' BUCHAN É OUTRO DA GERAÇÃO 'MODERN COLLECTIVE'
DEAN MORRISON ABRINDO AS PORTAS DA PERCEPÇÃO
DANE REYNOLDS SURFA C/ POWER E MODERNIDADE...
...E MESMO SEM VENCER, SEMPRE DÁ SHOW
SEAN HOLMES CURTE O SEU 'MOMENTO CASILLAS'
OS VERDADEIROS LOCAIS DO PICO

Um comentário:

FUN disse...

Muito rico de info sempre....
Sempre muito bons os posts.
abraço
fun