quinta-feira, julho 15, 2010

MAUDITO
Imagine o Walt Disney chapado de ácido. Assim é a arte de Fábio Zimbres, um admirador dos cartuns de George Herriman, Harvey Kurtzman, Robert Crumb, Andrea Pazienza e Gary Panter que começou a desenhar tentando copiar Mickey e Pateta dos gibis. “Os quadrinhos que mais gosto são os que têm alguma relação com essa coisa de autor, quadrinho como literatura. Mas gosto de tudo que é coisa impressa.

Zimbres é autor de O PATO EM MARTE, fábula sobre um ‘pato’ que se muda p/ a cidade da nova namorada, é chutado logo em seguida, e fica numa puta dor-de-corno em um lugar estranho onde não conhece ninguém. Uma obra-prima da tragicomédia, marco dos quadrinhos nacionais.

A HQ é autobiográfica. Quando se mudou p/ Porto Alegre em 1991, Fábio já era uma lenda do underground graças à ANIMAL, insana revista paulista que trouxe ao Brasil os personagens Tank Girl, Ranxerox, Peter Pank e Cowboy Henk & as histórias de Janot, Vuillemin, André Toral e irmãos Hernandez.

No Rio Grande do Sul [onde oficialmente foi cursar Artes Plásticas] criou a DUNDUM junto c/ Adão Iturrusgarai – revista em que foi publicada O Pato em Marte. Lá conheceu Allan Sieber, que insistiu p/ que Fábio mandasse suas tiras p/ um concurso na Folha de S.Paulo. Surgia o Hugo, um “pensador vagabundo” nas palavras do próprio autor. Aprovado e contratado.

VIDA BOA, a série criada de sopetão p/ a Folha, foi compilada num livro de 166 páginas lançado pela Zarabatana no início deste ano. “O personagem não foi inspirado em ninguém além das coisas que eu vejo por aí”, falou à revista O Grito!: “O que me interessava mais eram as sensações e as reflexões que certas situações podem sugerir. Tinha a sensação de ficar esticando um segundo da vida em vários minutos ou horas.

Zimbres cita o livro Os Ratos p/ explicar sua narrativa: “Acho que há muitos livros que se dedicam a acompanhar os minutos e o passar do tempo, e a ler o que se passa na cabeça e na vida dos personagens, como no livro do Dyonélio Machado. Cada um daqueles pensamentos provavelmente são flashes instantâneos que nós todos temos e eu acabava desdobrando em várias tiras. Publiquei a tira por mais de um ano e no final se passaram dois dias na vida do Hugo.

MÚSICA PARA ANTROPOMORFOS
Quando a Animal acabou, Fábio continuou publicando o MAUDITO FANZINE, que nasceu como um encarte da revista e tornou-se uma espécie de objeto de arte, c/ exemplares customizados p/ cada leitor. “Apesar de resistir ao título de fanzineiro, Fábio Zimbres é um dos maiores representantes desse veículo underground de cultura”, está lá no blog O Século Prodigioso: “O estilo Fábio Zimbres é peculiar. Com um traço característico, seus desenhos chegam a receber críticas por ser muito cru, sem um acabamento.

As pessoas não imaginam que um desenho cru daqueles pode estar dizendo o que diz e acabam surpreendidas”, explica Zimbres. “Gosto das coisas que têm essa tensão, uma carga nervosa de urgência, de ser feita ao mesmo tempo que é criada. Não se ganha tempo com isso, mesmo pulando as etapas de roteiro e rascunho. Acho que levo o mesmo tempo ou mais de uma produção nos moldes mais clássicos.

Em 2006, lançou em parceria c/ os Mechanics, de Goiânia, MÚSICA PARA ANTROPOMORFOS, um disco c/ um livro encartado. Fábio Zimbres e Márcio Jr., vocalista da banda, já haviam trabalhado juntos no disco SEX, ROCKET AND FILTHY SONGS, mas desta vez o álbum inteiro foi composto a partir do roteiro surreal criado pelo cartunista. “Ouvir o CD enquanto a história é lida dá uma nova roupagem à experiência”, escreveu a jornalista Lidianne Andrade, de Recife.

Mantém há mais de 10 anos a editora TONTO, que publica livros de bolso de feras do naipe de Sylvio Ayala, Luís Schiavon e Guilherme Caldas. Ele mesmo já teve seus quadrinhos impressos nas revistas Complot, Lapiz Japones, Mosca, Que Suerte, Ragu, Rosetta e Suda Meri K; ilustrou livros como PANAMÁ o Las Aventuras de Mis Siete Tios, da poetisa Blaise Cendrars; e desenhou os cenários do filme SANTA DE CASA, da Toscographics.

Zimbres também é artista plástico internacional. Seus quadros caóticos já foram expostos em galerias de Buenos Aires, Lisboa, Tóquio e Nova York. Atualmente, está em cartaz no Espaço +Soma c/ a EXPO MARGINAL, c/ obras inéditas em vários formatos – de desenhos e pinturas a livros-objeto. A exposição vai até sábado, portanto se você mora em São Paulo corre pra Vila Mariana antes que acabe.

Num mundo perfeito, Zimbres dispensaria apresentações”, elogia o pessoal do blog Ler BD. Mas quem dá a definição mais matadora é o amigo Allan: “O melhor autor de quadrinhos brasileiro de todos os tempos. Ponto.

EXPO TRANSFER, PORTO ALEGRE [RS]
 CAPA DA REVISTA VOODOO Nº 1
PISTA DE SKATE PROJETADA POR FÁBIO...
...SKATISTA PROVANDO QUE O DESIGN FUNCIONA
TATTOO NO OMBRO DE UMA MINA: ZIMBRES É O CARA
http://www.fzimbres.com.br/

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