domingo, julho 25, 2010

O AZAR ME CONSOME
'DANIHELLA' SUANDO A CAMISA NOS INFERNINHOS DA VIDA
Punk rock e hardcore sabe onde é que faz? Lá no Alto Zé do Pinho, em Olinda [PE], tem Devotos e 3º Mundo que botam pra foder... Mas aqui em Sergipe também tem punk/HC, e eu vou dizer: É do caralho!

Sexta-feira, por exemplo, rolou a estréia do novo single da The Baggios, de São Cristóvão. Perninha & Julico – quase uma dupla de desenho animado – gravaram o ainda inédito 1º álbum em São Paulo, e dia 23 lançaram 2 músicas inéditas simultaneamente em 18 sites e blogs. Comemoraram à noite c/ uma apresentação no Capitão Cook, em Aracaju.

CANÇÕES DOS VELHOS TEMPOS
As coisas não tão dando certo pra mim/ As coisas não tão dando certo pra mim/ Mas não vou desistir/ Se eu não for.../ Vai saber o motivo.” 

A letra de O Azar Me Consome se encaixa perfeitamente na minha vida. Estava tudo certo p/ eu aparecer lá e fazer umas imagens dos shows, que incluiriam ainda The Renegades of Punk e os paraibanos da Zefirina Bomba.

Mas um pé-d’água me pegou de surpresa no meio do caminho, molhou meu dedo mordido [ainda na CARNE após 1 mês do incidente], e minha balada acabou numa farmácia. Toca um blues pra mim aí!

Bom estar do outro lado/ Pra mais fácil entender/ Poderia estar cansado/ Mergulhado em mil porquês”, diz Julico na Canção dos Velhos Tempos. O compacto ainda traz um cover: Can't Find My Mind, dos Cramps.

Eu cansei de ouvir de uma galera que éramos bem melhores ao vivo. Minha intenção com o disco que está sendo finalizado é que ele soe mais pesado, que se aproxime mais do que apresentamos ao vivo.

Quando eu soube que os Baggios iriam gravar seu primeiro disco ‘oficial’ em São Paulo, num estúdio bacana e com auxílio ‘luxuoso’, o que veio em mente foi o mais óbvio dos pensamentos: vem coisa muito boa por aí”, escreveu Adelvan K. no blog do Programa de Rock.

Quinta-feita, 29, vai ao ar pela Aperipê TV o Cena do Som que gravamos c/ Júlio e seu violão slide. Oportunidade imperdível p/ quem curte – ou ainda não conhece – o blues/punk dos Baggios.


THE RENEGADES OF DANI
Na sequência tocou a RxOxPx. Foi o 3º ou 4º show deles que perdi este ano. Tinha dado minha palavra à Daniela ‘Renegade’ que desta vez não ia ter falha, mas a bruxa estava solta na semana que passou. Logo na segunda-feira, um amigo se acidentou de moto e lesionou seriamente a medula. E na sexta, a chuva me botou pra escanteio.

Os Renegades também aproveitaram a noite p/ lançar oficialmente seu EP em vinil: “A faca cravada em suas costas/ O beijo de Judas, o vinho e o pão/ Somos tudo aquilo que você não gosta/ Todos seus sonhos de perdição”, diz a letra de Renegados, uma das faixas do disco.

Já comparei Dani a Joan Jett e Chryssie Hinde por ser uma guitarrista punk, porém ela me lembra mesmo duas outras garotas: a inglesa PJ Harvey pela aparente fragilidade contrastando c/ a personalidade forte, os vocais gritados e os riffs poderosos; e a personagem de Uma Thurman em Pulp Fiction, Mia Wallace, pela franja preta à la Louise Brooks.

Demonstrou ser uma compositora madura e influente, por vezes ousada, outras vezes vulnerável”, definiu a fotógrafa australiana Mary Boukouvalas no livro 1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer. Referia-se a Polly Jean, mas bem que poderia estar falando de ‘Danihella’. 

A seguir, trechos de entrevistas c/ Dani que serviram de base p/ a matéria que fiz c/ os Renegades há pouco mais de uma semana. Rock on, baby:
REVISTA DOS VEGETARIANOS nº 41 - março/2010

RV - Por que o nome Renegades of Punk? Vocês se sentem renegados?
Daniela Rodrigues - O nome veio meio sem pretensão, era uma brincadeira com a música ‘Renegades of Funk’ do Afrika Bambaataa, e tinha a ver com o clima meio outsider da gente. Como somos uma banda de punk rock, trocamos o funk por punk.

RV - O que a caracteriza como punk?
DR - Acho que o punk está muito mais na forma de agir, de viver sua vida, do que no fato de você se dizer ou não. Eu acho que sou punk sim no sentido de que vivo minha vida de uma forma alternativa, na contramão do status-quo, entende?

RV - Por que optou pelo vegetarianismo?
DR - O veganismo apareceu como uma via eficaz de combate, de vivência, de política. Sou vegana pelos animais. Acredito que o veganismo seja uma postura ética urgente.

JORNAL DO DIA por Rian Santos - 23/02/2010

JD - Existe uma carência no mercado local ou o som da Renegades não sobrevive fora do underground?
DR - Desde que eu toco em banda é assim. Sempre algo underground. A gente sempre habitou esse mundinho dos inferninhos e pequenas casas de show. Acho que existe uma carência no mercado local, porque o som que a gente faz – punk rock – e outros que são próximos dele têm muita dificuldade em conseguir fazer eventos e manter uma vida de banda, sabe? Tocar, mostrar seu som, vender seu material. Não sei se só sobreviveríamos no underground, mas é certo que nosso som não é comercial – no sentido de ser mais fácil de ser assimilado e vendido – e nem é feito com este intuito. Mas, por outro lado, não estamos de costas viradas para outros âmbitos ou para outras experiências, não. É só que parece que estilos diferentes têm um problema em se comunicar, ao menos aqui em Aracaju.

JD - Embora estejamos longe demais das capitais, muita gente tem driblado a geografia e a ingerência do poder público com as ferramentas oferecidas pela tecnologia. Como é a relação da banda com essas ferramentas? A empolgação de algumas bandas é tamanha que nem parece que a internet serve mesmo é pra disseminar pornografia.
DR - A gente acaba se utilizando muito dessas ferramentas. Elas fazem a informação circular com muito mais rapidez, não é? Daí, principalmente para divulgação de eventos, a gente se utiliza de blogs, fotologs, várias modalidades de sites de redes sociais… Acho que essas ferramentas são muito importantes e têm resultados efetivos mesmo. Imagine como era difícil para uma banda independente marcar uma turnê 20 anos atrás? Tudo via carta e telefone? Agora com email, msn e etc. você agiliza tudo muito mais rápido, e fora isso, pode ouvir e fazer contato com pessoas e bandas de várias partes do mundo – coisa que demoraria anos para ser feita se não houvesse internet, como a conhecemos hoje. É claro que não somos otimistas cegos dessas coisas, a gente tenta ser crítico e ver os aspectos negativos também. A internet nos abre algumas portas e fecha outras, mas é a dinâmica natural das novas possibilidades.

CANIBAL VEGETARIANO por NK.Rock - 09/02/2010

CV - A Renegades tem aparecido bastante no cenário independente. Recentemente vocês estiveram em shows aqui no interior de São Paulo. Como foram esses shows?
DR - Nossa, foram bem legais. A gente tocou no sudeste com a Mahatma Gangue lançando nosso split no Rio de Janeiro e São Paulo, capital e algumas cidades do interior como Campinas, Bragança Paulista e Sorocaba. Nós curtimos muito esses shows. Tocamos na Loja Tentáculos em Sorocaba, a loja da Flávia (Biggs) e do Fábio (Pugna). Em Bragança tocamos no festival Cardápio Underground que queríamos muito conhecer! Foi foda, o local, as pessoas, as artes... Esse festival é organizado pelo Quique Brown do Leptospirose que é uma banda que a gente curte e respeita demais. E em Campinas no Bar do Zé, lugar foda. É massa tocar no interior e na capital, a gente sente as diferenças de tratamento e tal. O interior tem um algo a mais que a gente não sabe explicar, demais, um calor humano diferente. Mas o rolê como um todo foi massa. Não podia ter sido melhor!  

CV - Qual a opinião de vocês sobre o atual momento do rock no Brasil? A estrutura de shows melhorou, o pagamento de cachês e o nível das bandas?
DR - Essa é uma discussão que tá na crista da onda, não é? Cena independente, pagar cachê ou não para banda, festivais e grupos chamados de panelinha e etc... Sinceramente, só posso falar do que vivo. E o que eu tenho experenciado tá mais ou menos na mesma. Digo isso quando falo de estrutura, dinheiro, organização. Minha experiência é no nicho punk, num âmbito menor, de shows menores. Num âmbito mais amplo não posso falar nada. Tem uma coisa estranha que vem rolando – e como disse acima, parece estar mudando – que é isso de as bandas estarem estranhas, poucos lugares para tocar, poucos eventos legais... Mas tem um monte de gente tentando mudar isso.
 
CV - Como você lida com o assédio, principalmente do público masculino? Ele rola de boa, o interesse é a música, ou ainda existem os chatos que ficam ‘marcando’ em cima?
DR - Hahaha, engraçado isso. Os dois. [...] Geralmente a galera que chega junto em show é mais pra tocar ideia, é raro alguém se ‘engraçar’ para meu lado, mas rola também. Acho que alguns também evitam porque inevitavelmente estou com meu namorado do lado, hehe.

POPFUZZ por Bruno J. - 17/12/2009

PF - Na sua opinião qual a importância dos coletivos no atual panorama cultural brasileiro?
DR - Acho legal quando as pessoas se juntam pra encontrar meios de realizar o que idealizam, o que acham relevante, etc. A criação de coletivos é uma das formas de organizar eventos, se mobilizar cultural e politicamente, e criar uma rede de cooperação para fins em comum. O problema que às vezes ocorre é que a ‘forma’ engole o ‘conteúdo’. Às vezes a preocupação excessiva com democracismos e consensos acaba por desmobilizar e atrapalhar ações que uma ou duas pessoas poderiam estar realizando de forma mais prática e dinâmica. Assim, acredito que os coletivos são uma forma de organização, mas não são a única e nem necessariamente a melhor. Estamos passando por um momento interessante nesse sentido, a quantidade de coletivos novos é enorme e espero que se estabeleçam de forma inteligente. Mas, independente da forma de organização, o importante é não parar de fazer acontecer.

PF- Por haver poucas mulheres no cenário hardcore e pela postura que a sua banda tem você sente que atrai a atenção de outras garotas para o hardcore?
DR - Nossa! Sinceramente? Eu gostaria! Hehe… É fato que existem poucas meninas, mas não só no hardcore e sim participando de uma forma mais geral, seja em banda, em zine, em coletivos… qualquer coisa. Sinto muita falta de ter outras garotas comigo neste barco e de ver, consumir coisas feitas por elas também. Mas fazer o quê? Eu já pensei em mil coisas, tentei enxergar mil caminhos pra isso mudar. Se eu acabar chamando a atenção delas, maravilha. Meninas, join me!

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