domingo, julho 18, 2010

TENHO CERTEZA QUE A VINGANÇA SERÁ DOCE
- Você não acha que boa parte do prestígio da banda tem a ver com o fato de você ser uma guria bonita?

- Eu acho que é porque não é comum ter mulher fazendo esse tipo de som. A maioria do pessoal que faz hardcore é homem.

O diálogo acima é o início da entrevista que fiz c/ Pitty em 1996. Ela cantava num grupo HC chamado Inkoma e estava lançando a fita-demo PILHA PURA, c/ sons que falavam de drogas [Pirigulino Babilake], polícia [Inquadrado], política [Introporco] e TPM [Naquela da Social]: “Todo dia acordo com mil coisas pra fazer/ [...] depois de bater rango corre pra pegar buzu/ nesse calor da porra que derrete qualquer cérebro/ tô ficando pirada, vão tomar no cu!

Mulheres sempre foram parte importante do rock, e eu não ‘tou falando [apenas] de musas inspiradoras ou groupies. Em bandas como o Velvet Underground e os Mutantes no Brasil, as garotas já estavam no comando: Nico e Rita Lee contribuíram c/ suas vozes e belezas p/ a causa feminina na música. Sem falar nas pioneiras garage bands compostas só por meninas, como The Pleasure Seekers – que revelaria Suzi Quatro – nos anos 60 e as canadenses The Dishrags, de 76 a 79.

Mesmo assim, quase meio século depois, ainda são relativamente poucas as mulheres no rock. Na Wikipedia só estão listadas 41 guitarristas no mundo todo, entre elas Pitty, o que é uma informação obviamente incompleta – do Japão à Finlândia encontra-se nomes como The 5-6-7-8's, The Donnas, AC/DShe, Les Hells on Wheels, as suecas do Masshysteri, as francesas Plasticines, as uruguaias Guachass e Las Robertas da Costa Rica... Mas também demonstra uma coisa:

A hierarquia entre os sexos não é uma fatalidade biológica e sim uma construção social”, escreveu Simone de Beauvoir em O SEGUNDO SEXO, livro de 1949. Feminista que mantinha um relacionamento aberto c/ o marido [um tal de Jean-Paul Sartre], incorporou à luta pela igualdade de direitos o questionamento das raízes culturais da desigualdade entre homens e mulheres.

RENEGADOS

Falta na lista o nome de Daniela Rodrigues, voz e guitarra do power trio THE RENEGADES OF PUNK. Essa sergipana de 27 anos faz parte de uma fina estirpe que vem desde os anos 70 c/ Chrissie Hynde [do Pretenders] e Joan Jett – por sinal uma de suas favoritas. “AMO Joan Jett e Debbie Harry!”, diz Dani. Joan foi a 1ª punk a liderar a parada da Billboard de março a maio de 82 c/ I Love Rock’n’Roll, e o grupo Blondie só tinha esse nome por causa da Debbie.
 
Daniela ama rock’n’roll tanto quanto Joan Jett, e se o Blondie tinha o hit Heart of Glass, a Renegades tem Coração de Pedra, uma das 3 canções do CD-split que lançaram c/ a banda Mahatma Gangue, de Natal [RN], em 2009. As outras duas são Tenho Certeza que a Vingança Será Doce – minha preferida – e As Coisas Mudam, que também está no EP lançado em vinil 7” pelo selo alemão Trashbastard.

São 9 pedradas em menos de 12 minutos de fúria, velocidade e ironia punk [a faixa mais longa tem 1m42s]. “Se o que você chama de contracultura apenas antecipa o que será assimilado/ Então talvez não tivéssemos mesmo muito a dizer”, canta em Se Tudo Se Vende: “Já pensei que uma crítica radical fosse o caminho/ mas tudo isso também se compra [...]/ Se tudo se vende/ está cada dia mais difícil ser rebelde!

C/ sua guitarra cor de mostarda & ketchup, ela leva vários riffs c/ o máximo de velocidade e o mínimo de distorção, só na palhetada, como na nervosa É Uma Simples Questão de Usurpação: “Com suas fórmulas prontas pra explorar distorce os fatos/ e nos julga à revelia – não fazemos diferença/ somos mais massa a ser explorada [...]”.

3 músicas são em inglês – Difference, I Don’t Know What to Do e Same Old Shit – e a condição feminina é questionada em Qual a Diferença?: “Você se vende pra sobreviver e ela se vende por migalhas/ Qual a diferença?/ [...]Tire a sujeira de baixo do tapete/ Viva da porta pra dentro o que você chama de revolução/ Cuspimos no seu falso moralismo/ Execramos sua vida de plástico/ De onde viemos, a vida é real/ De nada valem seus brios”.

SUFRAGETE

Eu não sou o estereótipo de rockeira bonita, estilosa e perfumada. Não faço questão de ser nem uma coisa nem outra, mas acabo sendo natural nos shows, vestida normal como me visto no dia-a-dia, me descabelando, suando litros...

Dani é uma autêntica RIOT GRRRL, vertente punk do feminismo que começou lá fora c/ bandas como Bikini Kill, Bratmobile e 7 Year Bitch nos 90 e foi antecipado no Brasil 10 anos antes c/ As Mercenárias, de São Paulo, que lançaram 2 discos: CADÊ AS ARMAS?, de 86, e TRASHLAND em 88. Outra personagem de destaque é a Alê, baixista do Pin Ups [uma banda de marmanjos, apesar do nome], que assumiu os vocais c/ a saída de Luís Gustavo e lançou o clássico JODIE FOSTER em 95.

Esse movimento começou nos EUA, mais precisamente em Olympia, com Alison Wolfe, do Bratmobile, quando ela resolveu produzir um fanzine feminista chamado Riot Grrrl”, explica a cearense Pirate Liza [foto], guitarrista da Missfight: “Neste fanzine, Alison reclamava justamente do machismo dentro do rock, onde se mantinha (e de certa forma até hoje ainda se mantém) a idéia de que mulher não sabe tocar. Foi nesse contexto que várias garotas resolveram tomar a frente de seus instrumentos, e quebrando certas regras, como se mostrar bonitinha, arrumadinha e coisas do tipo...

Daniela tem sua própria banda de minas, THE JEZEBELS, um ‘girl power’ trio completado por Paloma Marques na bateria e Paula Varjão no baixo e voz. Dani e Paula têm um timbre parecido, soam doce nas mais melódicas e não desafinam nem quando berram – e olha que isso é quase o tempo todo. As gatinhas lançaram um CD-demo c/ 6 músicas – 4 em inglês, uma em francês [Je Suis Coeur] e apenas uma em português, Amigas: “Nossas faces não são mais amigas/ nossas frases não são mais amenas/ mas isso não diz respeito a você!

VEGAN

Aqui vão uma ou duas coisas que também não dizem respeito a você, mas é bom ficar sabendo: 1) Dani é formada em Ciências Sociais; 2) Ela é vegan [uma corrente radical e engajada do veterianismo]; e 3) Ela tem namorado – Ivo Delmondes, baixista da Karne Krua e batera da Renegades of Punk. Os dois se conheceram quando tocavam na Triste Fim de Rosilene, banda criada a partir da Lily Junkie, e seguiram juntos c/ a Rever, um projeto straight-edge.

Sim, sou vegana”, disse à Revista dos Vegetarianos: “Foi uma coisa de informação mesmo. Comecei a ter um pouco mais de ciência de como se faz dentro das fábricas de carne e leite, e a partir daí foi algo progressivo. Fui mudando de hábitos, me tornei ovo-lacto-vegetariana, logo em seguida, vegana.” Mudou de hábitos, mas não de influências: “X, Rezillos, Radio Birdman, X-Ray Spex, Circle Jerks, Dead Kennedys, Buzzcocks, Cólera, Hüsker Dü, Bikini Kill, Regulations, Blondie, Devo... muita coisa!

Rian Santos, do Jornal do Dia, lembra que “na época do saudoso Muquifo, no estacionamento do Riomar, já me impressionava o vigor com que uma guria encarava aquele bando de roqueiro podre, e fazia todo mundo bater cabeça com alguns poucos acordes.” Do blog Canibal Vegetariano: “A banda Renegades of Punk, composta por Daniela, João Mário e Ivo, faz um rock daqueles que é difícil de rotular devido à forte pegada e presença de palco do trio, que mostra toda a potência sonora também em disco.

SPLIT, EP & 7”
Surgida em 2007, a RxOxPx já lançou 2 trabalhos, um deles por um selo internacional, e fez tours pelo sudeste e nordeste em 2009. “Além disso”, lembra Dani, “tem um lançamento pra sair: um 5-way com Os Estudantes (RJ), Homem-Elefante (RJ), Ornintorrincos (RS) e Velho de Câncer (RS). E a gente tem idéia de fazer um videoclip e de começar a preparar um álbum ainda neste ano.

Em 2010 já receberam em Aracaju as bandas Lúmpen, da Bahia, os gaúchos do Velho de Câncer, e Warcry, dos EUA. Na próxima sexta, 23, farão as honras da casa junto c/ a The Baggios, abrindo p/ a Zefirina Bomba, da Paraíba, no Capitão Cook.  “A gente vai fazendo tudo na medida do impossível”, Daniela diz:

A gente quando organiza algo chama a galera punkona, crust, em outro show chama o povo do rock’n’roll e assim vai. Tem muita banda que não entende como as coisas funcionam, que vivem com a cabeça nas nuvens, almejando sei lá o quê, e preferem se restringir no seu circuito mesmo. Nada contra. Mas nós nos relacionamos com quem quer se relacionar com a gente, né?

Conversei c/ o casal mais rock de Sergipe e a entrevista você confere agora:

Viva La Brasa - Dani, como você aprendeu a tocar guitarra?
Daniela Rodrigues - Eu me interessei em guitarra e rock ao ver na TV as L7 tocando no Hollywood Rock em 93, no Rio de Janeiro. Vi aquilo e pensei:  ‘Que foda! Eu também quero fazer isso aí!’ Parece bobo, mas foi assim pra mim. Depois de ficar com isso só pra mim e eventualmente comentar com alguma coleguinha de escola que ouvia os mesmos sons que eu, tomei coragem de pedir pro meu pai me ensinar. Detalhe: meu pai smpre tocou violão popular, já teve banda, já tocou na noite e etc. Mas como ‘em casa de ferreiro espeto é de pau’, ele não me deu ‘aulas’; me passou uns toques e disse pra eu me virar. Foi a primeira vez que me deparei com o ‘faça-você-mesmo’, mesmo sem saber que isso seria uma constante na minha vida.

VLB - Daí vieram as primeiras bandas, Lily Junkie, Triste Fim de Rosilene e Rever...
DR - A Rever surgiu no tempo que sobrava no final dos ensaios da Triste Fim de Rosilene. A TFR era Alex, Ivo, eu, Babalu e Luiz. Quando restava um tempinho no final eu ia pro baixo, Alex fazia umas músicas simples e mais old school na guitarra e Ivo ia pra bateria. Assim tomamos gosto e começamos a ensaiar mesmo, separados da TFR. Surgiu essa outra banda que era vegan/straight-edge e as letras falavam basicamente disso, junto a outros temas políticos.

VLB - Onde estão os integrantes dessas bandas, hoje?
DR - O Babalu hoje em dia mora em São Paulo, estuda música e toca na Gigante Animal. Alex se dedica a uma vida saudável e às gravações. Luiz toca na Snooze. Eu na Renegades e Jezebels e Ivo na Renegades e Karne Krua.

VLB - Chegaram a gravar algo?
DR - Nós gravamos com a TFR uma demo chamada ‘A Verdade É a Maior Mentira que Existe’, um split com a banda amiga e baiana Mais Treta e a capixaba Ofensa. Além disso temos uma gravação inpedita de um material que não chegou a ser lançado. A Rever tem também uma demo, um 3-way com a Ternura (ES), Cätärro (RS), além de ter algumas coisas inéditas gravadas de splits que deram errado ou materiais que não chegaram a ser lançados.

VLB - Apesar de ter menos de 3 anos, a Renegades é uma das bandas daqui que mais tocou fora, sudeste e nordeste quase inteiros...
DR - A gente tinha tocado em Salvador algumas vezes, além daqui é claro. Mas ano passado fomos pra uma tour no sudeste e passamos por Rio de Janeiro (RJ), Sorocaba (SP), 3 shows em São Paulo (SP), Campinas (SP) e São Caetano (SP). Isso foi no mês de outubro. Em dezembro fomos daqui subindo: Maceió (AL), Recife (PE), João Pessoa (PB), Mossoró (RN), Fortaleza (CE) e Natal (RN).

VLB - A RxOxPx sempre toca c/ outras bandas veganas, e o Ivo costuma usar camisetas pró-vegan. Apesar disso, vc não fica falando sobre vegetais nas letras... É intencional ou já rolou música sobre matança de animais e tal?
DR - Já rolou. Sempre rolou e acho que sempre vai rolar. Talvez o lance seja que na Renegades algumas letras não sejam tão explícitas. Tem uma música, que está no 5-way que está p/ ser lançado, que se chama ‘Everybody Stops and Stares’ e fala de animais. A Jezebels também fala. A banda é um trio, lá somos duas veganas. Na Renegades somos todos veganos. Estamos na 3ª formação e todas foram veganas. Nunca propositalmente, mas sempre foi assim. Daí acaba sendo inevitável que a gente fale nisso. Afinal de contas isso é parte de nós, de nossas vidas. É algo que acreditamos e sobre o qual nos posicionamos sempre que preciso.

VLB - Você e o Ivo namoram há anos e sempre tocaram juntos. Até o mestrado fazem juntos. Como é esse convívio quase 100% do tempo?
DR - Eu já tive banda sem Ivo e ele idem. Acontece que desde que nos conhecemos, por termos muito em comum, temos vários projetos e realizações conjuntas. Nada planejado, apenas acabou rolando assim. Acho que pra gente esse tipo de relação funciona legal. Somos muito conectados, mesmo mesmo. Daí o convívio é tranqüilo. Óbvio que às vezes brigamos, mas muito mais por motivos banais do que outra coisa. E é coisa rara de acontecer. Temos nossa independência também, nossa individualidade. Tocamos com outras pessoas também. Somos normais, mesmo não aparentando.

VLB - Vocês estudam sociologia. Em que isso influencia nas letras da banda?
DR - Acho que inicialmente as bandas influenciaram-nos pra estudarmos sociologia. Depois acabou que a sociologia me fez entender melhor o mundo, as instituições e a vida em sociedade. Me mudou como pessoa também. Isso é refletido, sem sombra de dúvidas, nas letras. E mais recentemente nosso objeto de estudo, a técnica, nos fez abrir novos horizontes, novas perspectivas sobre a sociedade, o mundo e inclusive algumas posturas que até então eu tinha, por exemplo. Tudo isso entra, mesmo que de forma inconsciente, nas temáticas, nas letras. As últimas coisas da Renegades tem um quê meio caótico, falam sobre mecanização, tecnicização da vida, etc. Tudo reflexo (também) dos nossos estudos.

VLB - Ivo, o quanto tocar na Karne Krua influencia em seu trampo na Renegades?
Ivo Delmondes - Sonoramente acho que apenas na simplicidade das músicas mesmo. Ainda assim, como escuto Karne Krua desde que comecei a curtir som desse tipo, a banda está cravada nas minhas referências e portanto é uma influência de uma forma ou de outra. Talvez até mais do que a própria banda em si, o Sílvio (vocalista da KK) é uma pessoa que eu estimo bastante, e é uma espécie de anti-herói de carne e osso que representa muito do que eu entendo por punk.

VLB - Vc tb. faz um trampo gráfico bem legal na RxOxPx...
ID - Eu sempre vi a parte gráfica dos discos como algo que é complementar a música. A arte gráfica também pode expressar sensações e provocar reações tanto quanto, ou até mais do que certas músicas. Eu sempre gostei muito de ficar observando a estética dos discos, me apropriar de certas idéias e formatos pra tentar utilizar com minhas bandas. Na medida em que comecei a querer lançar material das bandas que eu tocava, também comecei a me envolver no processo de criação gráfica. A necessidade de fazer artes fiéis ao conteúdo que a gente queria expressar acabou criando esse ambiente onde eu sentia a obrigação de dar o melhor de mim pra manter uma certa integridade do material como um todo. Esse ambiente, por assim dizer, me acompanha até hoje quando eu faço cartaz pros shows que a gente organiza, pras camisetas ou pros discos. As artes da ROP estão situadas num background punk mesmo, que é minha principal influência sonora e estética. No segundo material que lançamos, o split com os mossorenhos da Mahatma Gangue, fizemos uma parceria de design meu com os desenhos horrivelmente bons do Raphael lá de Fortaleza, comparsa das duas bandas. Também já fizemos parceria com o Thiago Neumann (Cachorrão), que é um artista dos mais talentosos que eu conheço, tem desenhos inacreditáveis. Em suma, até mesmo nas artes gráficas prezamos por esse tal de faça-você-mesmo que a gente se identifica tanto. Procuramos nas artes simplicidade, provocação, cinismo e nos aliamos a pessoas que também vêem beleza nisso.

VLB - Dani, aquela guitarra que vc usa é Fender?
DR - Não. Eu uso uma cópia discarada da Fender Telecaster, uma Tagima. E adoro minha Tagima.É uma guitarra que me fez ficar super confortável, me encontrei com ela. Acho que cheguei na ‘minha sonoridade’, sabe?

VLB - E pedais?
DR - Uso um overdrive da Boss, o OS-2, e recentemente adquiri um Dan Echo, um delay da Danelectro, marca da qual sou fã. Quem sabe um dia, mas por enquanto meu set simplezinho como é tá bom demais pra mim.

VLB - E a Jezebels, ahn? Eu sou fã...
DR - The Jezebels é algo que eu vim fomentando há um tempo. Sempre tive um lance forte com bandas femininas e depois que a Lily Junkie acabou fiquei com uma vontade imensa de fazer algo só com garotas novamente. É uma dinâmica diferente ter banda com caras e com minas, ao menos minhas experiências me mostraram isso. Daí depois de ficar procurando outras meninas com o mínimo de afinidade e que topassem tocar rock, encontrei Paula (que eu já conhecia há um tempo) e Paloma.

VLB - Jezebel é um nome bíblico. Vocês se inspiraram na rainha que mandou matar o profeta Elias e morreu devorada por cães?
DR - Quando nos juntamos e começamos a fazer nosso som e precisávamos de um nome, lembrei de uma idéia que eu tinha há bastante tempo: tirar o nome da banda da gangue de minas do filme SWITCHBLADE SISTERS (‘Faca na Garganta’ em português). Paula já estava mais do que por dentro da história e curtia o filme também. Paloma foi apresentada à idéia e curtiu geral. Ficou o nome e, de certa forma, o conceito. Jezebels não é só o nome de uma gangue; tem a ver com a condição de mulher da qual nós três não podemos fugir. Tem a ver com insubmissão, insurgência, imoralidade, e por aí vai... Mas tem uma conotação bíblica sim. A rainha Jezebel é uma das piores vilãs do Antigo Testamento, hahahaha.

VLB - A maior parte das músicas das Jezebels é em inglês, mas vcs têm pelo menos uma em português e uma em francês (!)...
DR - Paula é poliglota, garota prodígio total, orgulho de todas nós. Ela fala francês e acabou escrevendo uma letra em francês, nos juntamos e fizemos a música pra ela. Rolou. Eu confesso que tenho uma dificuldade grande em escrever em português pra coisas mais melódicas como as músicas da Jezebels. ‘Amigas’ eu tinha aqui guardada há tempos e foi muito difícil finalizá-la. Nunca me sentia confortável com ela. Quando você tá gritando algo rápido, agressivo, não importa muito qual o idioma, sabe? Então, pras outras bandas e pra Renegades, que apesar de ser punk rock tem músicas bem rapidinhas, fica mais fácil fazer algo em português... Não sei, flui. Mas pra Jezebels acabei escrevendo mais em inglês, acho que tem mais a ver com o som. Por outro lado, se eu me soltasse mais não veria problema nenhum em escrever e cantar em português. A gente vai fazendo as coisas espontaneamente. Quando funciona, pode ser inglês ou português, forçar é que é chato.

VLB - Qual seu prato preferido?
DR - Sendo vegan, qualquer um. Mas principalmente minha lasanha, bobó, feijoada, hummmmmm.

VLB - Espaço aberto pra falar o que quiser – pode mandar recado, desabafar, reclamar ou até me xingar...
DR - Valeu demais Adolfo pelo apoio, atenção e carinho com a gente. O Viva La Brasa tem um papel fundamental na divulgação do underground sergipano. Vamos manter essas coisas boas ativas e por um bom tempo. Sergipe precisa, a gente precisa.

DANI ROCKS
AUDIO REBEL, RIO DE JANEIRO/ RJ
ESPAÇO IMPRÓPRIO, SÃO PAULO/ SP
 LOJA TENTÁCULOS, SOROCABA/ SP
BAR DO ZÉ, CAMPINAS/ SP
CAFE KANCUM, MACEIÓ/ AL
ESPAÇO MUNDO, JOÃO PESSOA/ PB
C/ AS JEZEBELS NO CAPITÃO COOK, ARACAJU/ SE

RxOxPx ON THE ROAD
 






5 comentários:

Eduardo disse...

Entrevista absurdamente boa!!!!!Desde a introdução bem elaborada às perguntas, não poupando caracteres, como eu gosto! Se é pra fazer que faça uma parada asssim, boa e gostosa de se ler. E Dani e Ivo representam demais.

O Inimigo disse...

Muito bom. Só um adendo: Mahatma Gangue é de Crater City, também conhecida como Mossoró. A meio caminho entre Natal e Fortaleza.Abraço e rock sempre.

Hugo Morais.

spleencharutos disse...

"Vamos manter essas coisas boas ativas e por um bom tempo. Sergipe precisa, a gente precisa". Assino emaixo!

Maicon disse...

É isso aí galera, parabéns a todos!!!

Li enquanto ouvia uma coletânea de Girl Bands feita pela Drbbie Raw Cat da "Ordinary Records", ela tinha uma puta banda chamada Boom Boom Chicks e hoje mantém um blog bacana.

Rááá... posso dizer com um certo orgulho por já ter experimentado tocar em uma apresentação da minha ex banda usando A TELECASTER DA DANI É DUCARALHO!!!!

fabio" binho "nunes disse...

Só vc mesmo man para fazer umas entrevistas monstruosas como essa.

Rock n Roll em cada linha

Punk Rock na essência

Bom Pacas man

abraxxxx